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Análise de Óleos e Graxas (19-A) na Água: Fundamentos Técnicos, Metodologias e a Importância do Monitoramento Ambiental

Introdução


A água é um recurso fundamental para a vida, para os processos produtivos e para o equilíbrio dos ecossistemas.


A crescente pressão antrópica sobre os corpos hídricos exige um monitoramento rigoroso de diversos parâmetros de qualidade.


Entre eles, a determinação do teor de óleos e graxas se destaca como um dos indicadores mais relevantes para a avaliação da poluição aquática e para a garantia da conformidade com a legislação ambiental vigente .


Este guia técnico tem como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a análise de óleos e graxas (19-A) na água, abordando desde os fundamentos conceituais até as metodologias analíticas aplicadas, seus impactos e a relevância para os setores regulados.



O que são "Óleos e Graxas" e por que são Monitorados?


Em termos analíticos, o termo "óleos e graxas" (O&G) refere-se a uma ampla categoria de substâncias orgânicas, majoritariamente de natureza lipídica, que são insolúveis em água e solúveis em solventes orgânicos específicos, como o n-hexano .


Esta definição operacional abrange uma gama diversificada de compostos, incluindo óleos minerais (derivados do petróleo, como gasolina, diesel e lubrificantes), gorduras e óleos de origem vegetal e animal (provenientes de indústrias alimentícias e esgotos domésticos) e graxas lubrificantes.


A propriedade unificadora desses compostos é sua hidrofobicidade, ou seja, sua aversão à água, o que os leva a formar filmes superficiais, emulsões ou a se adsorverem a partículas sólidas.


Esta característica é central para a compreensão de seus impactos ambientais e operacionais.



Impactos Ambientais e Operacionais


A presença de óleos e graxas em corpos d’água e em sistemas de tratamento de efluentes desencadeia uma série de efeitos adversos:


- Impactos Ambientais: A formação de filmes superficiais impede a transferência de oxigênio da atmosfera para a água, comprometendo a vida aquática aeróbica. Simultaneamente, a degradação biológica desses compostos consome o oxigênio dissolvido, podendo levar a condições de anoxia (ausência de oxigênio) . Além disso, muitos constituintes, como os Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs), são tóxicos e carcinogênicos, representando riscos à saúde humana através da bioacumulação na cadeia alimentar .

- Impactos Operacionais: Em Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs), óleos e graxas podem causar entupimentos, reduzir a eficiência de processos biológicos e aumentar a necessidade de manutenção .


Dada a gravidade desses impactos, o monitoramento dos níveis de óleos e graxas é uma exigência legal e uma ferramenta essencial para a gestão ambiental e operacional de indústrias e municípios.


Metodologias Analíticas para a Determinação de Óleos e Graxas


A análise de óleos e graxas requer procedimentos precisos para garantir a confiabilidade dos resultados.


As metodologias podem ser divididas em dois grandes grupos: métodos clássicos (gravimetria) e métodos instrumentais avançados (espectrometria no infravermelho).



Método Gravimétrico


O método gravimétrico, padronizado pelo Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (Método 5520 B) e pela ABNT NBR 14578, é considerado um método de referência e se baseia na quantificação da massa residual de óleos e graxas após extração e evaporação do solvente . O processo envolve as seguintes etapas principais:


1. Coleta e Preservação: A amostra deve ser coletada em frasco de vidro e acidificada a pH < 2 para preservação.

2. Extração: A amostra é agitada com um solvente orgânico (ex: n-hexano), que extrai os óleos e graxas. A fase orgânica é então separada da fase aquosa .

3. Evaporação e Pesagem: O solvente é evaporado e o resíduo (óleos e graxas) é pesado em uma balança analítica.


  • Vantagens: É um método direto e de custo relativamente baixo .

  • Limitações: É inespecífico (mede tudo que for extraído pelo solvente), demorado e requer grande consumo de solventes . Não quantifica compostos voláteis, que se perdem na evaporação .



Espectrometria no Infravermelho (FTIR)


Para superar as limitações da gravimetria, a Espectrometria no Infravermelho com Transformada de Fourier (FTIR), conforme descrita no Standard Methods 5520 C, tem se consolidado como uma alternativa superior .


Esta técnica mede a absorção de radiação infravermelha por ligações químicas características dos hidrocarbonetos (como as ligações C-H) presentes em óleos e graxas .


Vantagens:

- Especificidade: Mais seletiva para a fração de hidrocarbonetos de interesse .

- Rapidez: Os resultados podem ser obtidos em poucos minutos após a extração .

- Sensibilidade: Permite detectar concentrações mais baixas em comparação com o método gravimétrico .

- Automação: Muitos sistemas modernos de FTIR são automatizados, reduzindo o erro humano e aumentando a reprodutibilidade .


Método em Prática

A amostra é extraída com um solvente orgânico. O extrato é colocado em uma cubeta e submetido à leitura no espectrofotômetro FTIR .


A absorbância é medida em comprimentos de onda específicos, e a concentração é calculada a partir de uma curva de calibração previamente estabelecida, que relaciona a absorbância com a concentração de óleos e graxas .


A ASTM D 7066 é outra norma relevante que estabelece diretrizes para esta determinação por infravermelho .



Fundamentação Legal e Normativa


No Brasil, a Resolução CONAMA nº 393/2007 é o principal marco regulatório para o descarte de efluentes contendo óleos e graxas.


Esta resolução estabelece limites rigorosos para o lançamento de água produzida em atividades de exploração e produção de petróleo, definindo, por exemplo, uma concentração média aritmética simples mensal de óleos e graxas de até 29 mg/L, com valor máximo diário de 42 mg/L .


A conformidade com esses limites é compulsória e está sujeita a fiscalização pelos órgãos ambientais competentes.


Portanto, a realização de análises confiáveis, utilizando metodologias validadas, é um pilar fundamental para que as empresas possam comprovar sua conformidade legal e demonstrar seu compromisso com a sustentabilidade .



Desafios e Boas Práticas na Análise de Óleos e Graxas


A obtenção de resultados representativos e precisos na análise de óleos e graxas está sujeita a diversos desafios, que demandam atenção em todas as etapas do processo:


- Coleta de Amostra: A natureza heterogênea de uma amostra de água ou efluente, que pode conter gotículas, partículas suspensas ou camadas flutuantes de óleo, torna a coleta um dos pontos mais críticos . É fundamental assegurar que a amostra coletada seja representativa do corpo d'água ou do efluente a ser analisado .

- Formação de Emulsões: Em algumas matrizes, a presença de detergentes ou outros surfactantes pode estabilizar emulsões, dificultando a separação completa da fase orgânica e da fase aquosa na etapa de extração, o que pode comprometer a exatidão dos resultados .

- Escolha do Solvente: O solvente utilizado na extração deve ser adequado para a matriz e compatível com a técnica de detecção. No FTIR, por exemplo, o solvente não deve apresentar absorção significativa na região do espectro onde os óleos e graxas são medidos, para evitar interferências . A crescente busca por solventes com menor toxicidade e impacto ambiental também é uma tendência no setor .



Conclusão


A análise de óleos e graxas é um pilar do monitoramento ambiental e do controle de processos industriais.


Compreender as diferenças entre as metodologias disponíveis, do método gravimétrico clássico à avançada espectrometria FTIR, e os desafios inerentes à coleta e análise, é essencial para a obtenção de resultados confiáveis que subsidiem a tomada de decisão.


A conformidade com a legislação e a proteção dos recursos hídricos dependem de análises precisas e de uma parceria com laboratórios que detenham a competência técnica e a infraestrutura adequada para realizar essas determinações com excelência.


Investir em análises de alta qualidade não é apenas uma obrigação legal, mas um compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental.



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FAQ (Perguntas Frequentes)


1. Qual a diferença entre o método gravimétrico e o método por infravermelho (FTIR)?

O método gravimétrico quantifica a massa total de resíduo extraível, sendo inespecífico e mais demorado . Já o FTIR é uma técnica instrumental que mede a absorção de luz infravermelha por ligações químicas específicas de óleos e graxas, sendo mais rápida, específica e sensível .


2. O que é a Resolução CONAMA 393/2007?

É a legislação brasileira que estabelece os limites máximos para o descarte de óleos e graxas em águas, principalmente para a indústria de petróleo, determinando, por exemplo, um limite mensal de 29 mg/L e diário de 42 mg/L .


3. Quais os principais impactos de óleos e graxas na água?

Os impactos incluem a formação de filmes superficiais que bloqueiam a passagem de luz e oxigênio, a toxicidade para organismos aquáticos, a bioacumulação de compostos cancerígenos e o comprometimento da eficiência de estações de tratamento de efluentes .


4. Por que é tão importante a coleta de amostra para esta análise?

Óleos e graxas não se dissolvem na água e podem se distribuir de forma heterogênea (gotículas, filmes, adsorvidos a partículas). Uma coleta inadequada pode resultar em uma amostra não representativa, levando a resultados que não refletem a real condição do corpo d'água ou efluente .


5. Onde posso realizar uma análise de óleos e graxas para garantir a conformidade legal?

É fundamental contratar um laboratório com acreditação e competência técnica comprovada na análise de óleos e graxas, que siga as metodologias padronizadas e garanta a rastreabilidade e a confiabilidade dos resultados, como os laboratórios especializados que oferecem este serviço.



 
 
 

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