Análise de Desoxinivalenol (DON): o que você precisa saber sobre essa micotoxina
- Enfermeira Natalia Balsalobre
- 19 de set. de 2025
- 8 min de leitura
Introdução
Você já ouviu falar em Desoxinivalenol? Provavelmente não. Mas se você trabalha com produção de cereais, armazenamento de grãos ou fabricação de rações para animais, esse nome técnico pode ser mais familiar do que imagina.
Conhecido também pela sigla DON (do inglês *Deoxynivalenol*) ou pelo nome popular “vomitoxina”, esse composto químico natural é um dos principais desafios enfrentados pela indústria de alimentos e pela agropecuária moderna.
Neste artigo, vamos explicar o que é o DON, por que ele representa um risco à saúde humana e animal, como ocorre a contaminação e — principalmente — como a análise laboratorial correta pode evitar prejuízos econômicos e sanitários.
Ainda que o texto carregue terminologia técnica, nosso objetivo é torná-lo compreensível para qualquer pessoa interessada no tema, desde o produtor rural até o estudante de ciências dos alimentos.
Ao final, apresentaremos como o nosso laboratório realiza a análise de Desoxinivalenol (DON) com rigor científico e tecnologia de ponta, oferecendo segurança e confiabilidade para o seu negócio.

O que é o Desoxinivalenol (DON) e por que ele é perigoso?
O Desoxinivalenol é uma micotoxina, ou seja, uma toxina produzida naturalmente por fungos microscópicos.
Especificamente, o DON é sintetizado por espécies do gênero Fusarium, como o Fusarium graminearum e o Fusarium culmorum.
Esses fungos são comuns em regiões de clima temperado e úmido, atacando culturas agrícolas como trigo, cevada, milho, aveia, centeio e, em menor escala, arroz e sorgo.
Estrutura química e estabilidade
Do ponto de vista químico, o DON pertence ao grupo dos tricotecenos do tipo B. Ele é termoestável: ou seja, não é destruído facilmente pelo calor.
Isso significa que processos normais de cocção, assamento ou pasteurização — usados diariamente em indústrias e cozinhas domésticas — são insuficientes para eliminar a toxina.
Uma vez presente no grão, o DON tende a permanecer ativo mesmo após o processamento industrial.
Efeitos biológicos do DON
O nome “vomitoxina” não é à toa. Em animais e humanos, a ingestão de alimentos contaminados com níveis moderados a elevados de DON provoca:
- Vômitos e náuseas (daí o nome popular)
- Diarréia e dores abdominais
- Recusa alimentar (animais deixam de comer rações contaminadas)
- Imunossupressão — redução da capacidade de defesa contra infecções
- Lesões intestinais com prejuízo na absorção de nutrientes
Em suínos, por exemplo, o DON é extremamente preocupante. Porcos são particularmente sensíveis, apresentando sinais clínicos mesmo com concentrações relativamente baixas (acima de 1 mg/kg de ração).
Em humanos, a exposição crônica — mesmo em doses baixas — pode causar irritações gástricas, alterações no sistema imunológico e, em crianças e idosos, quadros mais severos de desnutrição indireta devido à má absorção.
Por que isso importa no dia a dia?
A presença de DON em grãos e alimentos processados (farinhas, massas, pães, cereais matinais, cervejas artesanais e rações) é um problema real de saúde pública e economia.
Países de todo o mundo, incluindo o Brasil, estabelecem limites máximos tolerados para DON em alimentos humanos e rações animais.
Ultrapassar esses limites significa produtos impróprios para consumo, recolhimento de lotes, perda de certificações e danos à reputação da marca.
Como ocorre a contaminação por DON na cadeia produtiva?
Entender a dinâmica da contaminação é essencial para planejar estratégias de prevenção.
Ao contrário do que muitos imaginam, a presença de DON não se limita ao campo ou ao pós-colheita — ela pode se manifestar em múltiplos pontos da cadeia.
Na lavoura
Os fungos produtores de DON infectam as plantas ainda em desenvolvimento, especialmente durante o florescimento e na fase de enchimento dos grãos. Condições ambientais favoráveis incluem:
- Precipitações frequentes no período do florescimento
- Umidade relativa do ar acima de 80%
- Temperaturas amenas (entre 20 e 25°C)
- Práticas culturais inadequadas (rotação de culturas ausente, plantio direto mal manejado)
A infecção por Fusarium também causa a chamada “giberela” ou “fusariose da espiga”, doença visualmente perceptível pela coloração rosada ou avermelhada nos grãos. No entanto, o DON pode estar presente mesmo em grãos sem sintomas visíveis.
Na colheita e no transporte
Umidade elevada no momento da colheita, impurezas (restos vegetais, terra, insetos) e danos mecânicos aos grãos favorecem o desenvolvimento do fungo.
Caminhões, silos bag, graneleiros e transportadores com má higienização funcionam como vetores de esporos de Fusarium.
No armazenamento
Embora a produção ativa de DON dependa de fungos vivos, o armazenamento com falhas — como umidade acima de 14%, temperatura mal controlada e presença de insetos — pode permitir o crescimento fúngico residual e a produção contínua da toxina. Além disso, grãos já contaminados permanecem tóxicos por longos períodos.
Durante o processamento industrial
Operações de beneficiamento (limpeza, descascamento, moagem) podem redistribuir o DON, concentrando-o em certas frações.
Por exemplo, farelos e germes tendem a apresentar níveis mais altos da toxina do que a farinha refinada.
Isso significa que produtos “integrais” nem sempre são mais seguros sob o aspecto toxicológico.
O ponto crucial aqui é: não existe ponto único de eliminação. A melhor abordagem é preventiva, combinando boas práticas agrícolas com monitoramento analítico sistemático, desde o recebimento da matéria-prima até o produto final.
Métodos laboratoriais para análise de Desoxinivalenol (DON)
Quando falamos em análise de Desoxinivalenol (DON), não se trata de um único exame, mas de um conjunto de metodologias que variam em complexidade, custo, tempo de resposta e nível de exatidão.
A escolha do método depende do propósito: triagem rápida no campo, controle de qualidade em uma indústria de rações ou análise oficial para certificação de exportação.
Métodos rápidos (screening)
Testes imunocromatográficos (tiras de fluxo lateral) – funcionam de maneira semelhante a um teste de gravidez ou de covid-19. Uma amostra moída e extraída com solvente é aplicada na tira; linhas coloridas indicam presença ou ausência de DON acima de um limite de detecção. São práticos para uso no campo ou em armazéns, mas oferecem resultado apenas qualitativo ou semiquantitativo.
ELISA (Ensaio de Imunoabsorção Enzimática) – técnica de bancada que utiliza anticorpos específicos contra o DON. Permite quantificar a toxina em microplacas, com resultados em algumas horas. É um método sensível e relativamente barato, muito usado em laboratórios de rotina de indústrias de ração.
Métodos confirmatórios e quantitativos de alta precisão
Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE) – equipamento que separa os componentes químicos da amostra e permite quantificar o DON com exatidão. Normalmente associado a detectores ultravioleta (UV) ou de fluorescência. Requer derivatização (modificação química) para melhorar a detecção.
Cromatografia Líquida acoplada à Espectrometria de Massas (LC-MS/MS) – padrão ouro para análise de DON e outras micotoxinas simultaneamente. A LC separa os compostos; o espectrômetro de massas identifica e quantifica cada molécula com base no seu peso molecular e fragmentação. É o método recomendado por órgãos reguladores como o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e a ANVISA para fins legais e de fiscalização.
Etapas comuns de qualquer análise
1. Amostragem representativa – passo crítico e frequentemente negligenciado. O DON não está uniformemente distribuído em um lote de grãos. Coletar poucas amostras ou amostras mal planejadas pode levar a falsos negativos. Protocolos oficiais (ex.: IN 37/2018 do MAPA) prescrevem número mínimo de amostras incrementais.
2. Preparo da amostra – moagem fina e homogeneização. A granulometria interfere na eficiência da extração.
3. Extração – uso de solventes (geralmente misturas de acetonitrila ou metanol com água) para retirar o DON da matriz sólida.
4. Purificação (clean-up) – muitas amostras são complexas (farelo de soja, milho integral, ração úmida). Colunas de imunoafinidade ou de fase sólida removem interferentes.
5. Análise instrumental – injeção no cromatógrafo ou aplicação no ELISA.
6. Cálculo e validação – comparação com padrões certificados e controle de recuperação.
No nosso laboratório, adotamos preferencialmente o método LC-MS/MS para análise de Desoxinivalenol (DON), garantindo rastreabilidade, limites de detecção na ordem de partes por bilhão (µg/kg) e conformidade com a legislação nacional e internacional.
Serviços do laboratório: por que escolher nossa análise de DON?
A realização da análise de Desoxinivalenol (DON) com qualidade analítica é um diferencial competitivo para produtores, cooperativas, indústrias de alimentos e fábricas de ração.
Nosso laboratório combina infraestrutura tecnológica, corpo técnico especializado e compromisso com prazos e ética profissional.
O que oferecemos:
- Ensaio por LC-MS/MS (Cromatografia Líquida acoplada à Espectrometria de Massas) – resultado quantitativo exato para DON em matrizes como milho, trigo, cevada, aveia, farelos, rações prontas, ingredientes e alimentos processados.
- Limite de quantificação (LOQ) ajustado à legislação brasileira – trabalhamos com LOQ de 100 µg/kg (partes por bilhão), muito abaixo dos limites máximos permitidos pela RDC n° 07/2011 da ANVISA (2.000 µg/kg para produtos à base de trigo e milho) e pela IN n° 88/2021 do MAPA.
- Laudo técnico com rastreabilidade – cada análise registra todo o processo, desde a identificação da amostra até os cálculos finais, permitindo auditoria externa.
- Orientações para coleta de amostra– fornecemos um guia prático de amostragem representativa, evitando o erro mais comum em análises de micotoxinas.
- Atendimento personalizado– para indústrias que desejam programas de monitoramento sazonal, oferecemos contratos com previsibilidade de custos e consultoria técnica.
Diferenciais competitivos:
- Tempo de resposta – laudos em até 5 dias úteis após o recebimento da amostra (método confirmatório).
- Acreditação – nosso sistema da qualidade segue princípios da ISO/IEC 17025 (em fase final de acreditação pela CGCRE/INMETRO).
- Corpo técnico com doutores e mestres em química analítica e ciência de alimentos.
- Flexibilidade de matrizes – analisamos desde grãos inteiros até rações úmidas extrusadas e farinhas prontas para panificação.
Ao contratar nossa análise de Desoxinivalenol (DON), você não apenas atende à lei. Você protege a saúde de consumidores e animais, evita recalls milionários e agrega confiabilidade à sua marca.
Entre em contato com nossa equipe comercial para saber mais sobre prazos, preços e condições para envio de amostras.
Conclusão
O Desoxinivalenol (DON) é uma micotoxina de ocorrência frequente em cereais e seus derivados, capaz de provocar danos significativos à saúde animal e humana, além de prejuízos econômicos para toda a cadeia produtiva.
Por ser termoestável e de difícil remoção por processos convencionais, o DON exige uma abordagem preventiva aliada ao monitoramento analítico periódico.
A compreensão dos mecanismos de contaminação — desde o campo até a prateleira — permite implementar boas práticas que reduzem os riscos.
Entretanto, somente a análise de Desoxinivalenol (DON) por métodos laboratoriais adequados fornece a certeza necessária para a tomada de decisão: liberar um lote para consumo, rejeitar uma matéria-prima contaminada ou ajustar parâmetros de armazenamento.
Com a oferta de ensaios por cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas (LC-MS/MS), nosso laboratório se posiciona como parceiro estratégico para a segurança de alimentos e rações no Brasil.
Mais do que um simples fornecedor de laudos, atuamos como facilitadores da qualidade, traduzindo resultados analíticos em ações concretas de gestão de risco.
A segurança do seu produto começa com uma análise confiável. E uma análise confiável começa com a escolha certa do laboratório.
FAQ (Perguntas Frequentes)
1. A análise de Desoxinivalenol (DON) é obrigatória por lei no Brasil?
Sim, para certos alimentos e rações. A ANVISA, por meio da RDC n° 07/2011, estabelece limites máximos tolerados para DON em produtos à base de trigo, milho, cevada e seus derivados. O MAPA, pela IN n° 88/2021, faz o mesmo para rações animais. A análise é necessária para comprovar conformidade.
2. Cozinhar ou assar elimina o DON do alimento?
Não. O DON é termoestável. Temperaturas domésticas de cocção (até 100°C) e industriais de panificação (200-250°C) são insuficientes para destruí-lo. Apenas processos muito severos (>300°C) ou tratamentos químicos reduzem a toxina, mas inviabilizam o alimento.
3. Quanto tempo leva para sair o resultado da análise de DON?
Nosso prazo padrão é de até 5 dias úteis após o recebimento da amostra em nosso laboratório, para o método LC-MS/MS. Caso necessite de resultado mais rápido (ex.: triagem ELISA), consulte nossa equipe para prazos especiais.
4. Como devo coletar e enviar a amostra para análise?
Fornecemos gratuitamente um protocolo detalhado de amostragem. Em linhas gerais: colete múltiplos pontos do lote (no mínimo 10 incrementos para lotes de até 500 toneladas), homogeneíze, retire uma amostra final de aproximadamente 1 kg e armazene em saco plástico limpo e bem vedado, sob refrigeração até o envio.
5. Vocês analisam outras micotoxinas além do DON?
Sim. Por meio do mesmo método LC-MS/MS, realizamos análises multimicotoxinas incluindo aflatoxinas (B1, B2, G1, G2), ocratoxina A, zearalenona, fumonisinas (B1, B2) e toxina T-2/HT-2. Consulte nosso catálogo completo.





Comentários