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Análise de impurezas por cromatografia CLAE/UPLC: o que fármacos e cosméticos têm em comum (e por que isso importa para você)

  • 18 de nov. de 2021
  • 8 min de leitura

Introdução


Você já parou para pensar no que realmente existe dentro de um comprimido que alivia sua dor de cabeça ou dentro daquele creme hidratante que você passa no rosto todas as noites?


Além do princípio ativo — a substância que realmente produz o efeito desejado — há outras moléculas presentes. Algumas são esperadas, outras não. Essas são as impurezas.


Pode parecer um detalhe menor, mas, na indústria farmacêutica e cosmética, o controle de impurezas é um dos pilares da segurança e da eficácia de um produto.


Uma impureza não identificada ou fora dos limites aceitáveis pode causar desde uma reação alérgica até efeitos tóxicos graves.


É aqui que entra uma das técnicas mais poderosas da química analítica moderna: a cromatografia líquida de alta eficiência, mais conhecida como CLAE ou sua versão aprimorada, a UPLC.


Neste post, você vai entender, de forma clara e tecnicamente fundamentada, como funciona esse tipo de análise, por que ela é indispensável para a qualidade de medicamentos e cosméticos, e como um laboratório especializado pode ajudar sua empresa a garantir produtos mais seguros — e dentro da lei.


Vamos dividir essa jornada em quatro grandes seções. Ao final, além de um FAQ e uma conclusão prática, você verá como os serviços do nosso laboratório podem fazer a diferença no seu negócio.



O que são impurezas em fármacos e cosméticos — e por que monitorá-las?


Antes de falarmos da técnica, é essencial entendermos o problema que ela resolve: as impurezas.



Definição técnica, mas sem complicação


Em termos simples, uma impureza é qualquer substância presente em um produto que não seja o princípio ativo (no caso de fármacos) ou os ingredientes intencionais da formulação (no caso de cosméticos). Elas podem surgir em diferentes momentos:


- Durante a síntese química: reações incompletas ou paralelas geram subprodutos.

- Durante o armazenamento: degradação do produto por luz, calor, umidade ou interação com o material da embalagem.

- Por contaminação cruzada: resíduos de outros produtos fabricados no mesmo equipamento.

- A partir dos próprios reagentes: impurezas já presentes nas matérias-primas.



Por que isso importa? (além da obrigação legal)


Existem três grandes razões para monitorar impurezas com rigor:


1. Segurança do consumidor – Algumas impurezas são tóxicas, genotóxicas (que danificam o DNA) ou sensibilizantes. Um exemplo clássico é a impureza NDMA (N-nitrosodimetilamina), que levou ao recolhimento mundial de lotes de medicamentos para hipertensão em 2018.


2. Eficácia do produto – Impurezas podem interferir na estabilidade do princípio ativo, reduzindo sua eficácia ao longo do tempo. Um cosmético pode perder propriedades antioxidantes, por exemplo.


3. Conformidade regulatória – Agências como ANVISA (Brasil), FDA (EUA) e EMA (Europa) exigem que os fabricantes demonstrem o perfil completo de impurezas de seus produtos. Sem essa análise, o produto não pode ser comercializado legalmente.



Desafio prático: nem toda impureza é igual


Algumas impurezas são conhecidas e têm limites estabelecidos (como a água residual em um comprimido).


Outras são impurezas potencialmente desconhecidas — aquelas que não temos nem mesmo padrões químicos para identificar. É aí que a cromatografia mostra seu valor.



Fundamentos da CLAE e UPLC — o que são e como funcionam


Chegamos ao coração técnico do post. Mas prometo: vamos construir esse conhecimento passo a passo, como uma receita de laboratório bem explicada.



O princípio básico da cromatografia líquida


Imagine que você tem uma mistura líquida com vários componentes — por exemplo, o princípio ativo de um fármaco e duas impurezas.


Você quer separá-los para saber quanto há de cada um. A cromatografia faz exatamente isso.


O sistema CLAE (Cromatografia Líquida de Alta Eficiência) funciona com dois elementos principais:


- Fase móvel: um líquido (solvente ou mistura de solventes) que empurra a amostra através do sistema.

- Fase estacionária: uma coluna (um tubo fino, geralmente de aço inoxidável) preenchida com partículas sólidas porosas.


Ao injetar a amostra na coluna, cada substância interage de forma diferente com as partículas.


Algumas “grudam” mais (interagem fortemente) e demoram mais para sair; outras passam quase direto. O tempo que cada substância leva para sair da coluna chamamos de tempo de retenção.


No final da coluna, um detector gera um gráfico — o cromatograma — onde cada pico representa uma substância diferente. A altura ou área do pico indica a quantidade.



CLAE vs. UPLC: qual a diferença?


Você já deve ter visto as siglas CLAE (HPLC em inglês) e UPLC (ou UHPLC). A diferença principal está na pressão.


- CLAE trabalha com pressões de até 400-600 bar.

- UPLC (Ultra Performance Liquid Chromatography) opera acima de 1000 bar, usando colunas com partículas muito menores (sub-2 micrômetros).


Na prática: a UPLC é mais rápida, consome menos solvente e tem resolução superior. Em contrapartida, exige equipamentos mais robustos e manutenção especializada.


A CLAE continua sendo a campeã da confiabilidade e do custo-benefício para análises de rotina.


Ambas são igualmente válidas para análise de impurezas, desde que corretamente validadas.


O que define a escolha é o tipo de matriz, o tempo de resposta desejado e o orçamento disponível.



Detectores: como “enxergamos” as impurezas?


Nem todas as impurezas são iguais aos olhos do equipamento. Por isso, diferentes detectores podem ser acoplados à CLAE/UPLC:


- DAD (Detector de Arranjo de Diodos): captura comprimentos de onda no UV-Vis. Ideal para substâncias que absorvem luz.

- MS (Espectrômetro de massas): identifica a massa molecular da impureza — essencial para impurezas desconhecidas.

- ELSD (Detector de Espalhamento de Luz Evaporativo): útil para substâncias sem grupo cromóforo (que não absorvem UV), como alguns açúcares ou lipídeos em cosméticos.


No nosso laboratório, utilizamos detectores de última geração, o que nos permite quantificar impurezas em níveis de partes por milhão (ppm) ou até partes por bilhão (ppb).



Etapas práticas para análise de impurezas por CLAE/UPLC


Você já sabe oque é e por que usar. Agora, como isso acontece na bancada do laboratório? Vamos destrinchar as cinco etapas essenciais.



Desenvolvimento do método cromatográfico


Nenhuma análise começa sem um método. Isso envolve escolher:


- A coluna adequada (fase estacionária)

- A composição da fase móvel (água, acetonitrila, metanol, tampões)

- A temperatura da coluna

- O comprimento de onda (no caso de detector UV)

- O gradiente de solventes (se será eluição isocrática ou gradiente)


O desenvolvimento é uma fase crítica. Um método mal escolhido pode esconder uma impureza perigosa simplesmente porque ela coeluiu (saiu junto) com o princípio ativo.



Preparo da amostra


Antes de injetar, é preciso preparar a amostra. Para fármacos sólidos (comprimidos), fazemos extração com solvente, filtração e diluição.


Para cosméticos (cremes, loções, xampus), o preparo pode envolver centrifugação, remoção de gorduras ou extração líquido-líquido.


Cada matriz exige cuidados específicos para não introduzir novas impurezas ou perder as que queremos medir.



Injeção e corrida cromatográfica


A amostra diluída é colocada em frascos no amostrador automático. O sistema injeta um volume preciso (geralmente entre 1 e 20 microlitros) na coluna.


A fase móvel, bombeada a alta pressão, arrasta os compostos. A duração da corrida varia: de 5 minutos (numa UPLC bem otimizada) até 45 minutos (em métodos isocráticos antigos em CLAE).


Enquanto isso, o detector coleta dados a cada fração de segundo.



Análise dos dados (integração e identificação)


O software cromatográfico gera o cromatograma — uma série de picos. Cada pico representa uma substância (ou mais de uma, se o método não for bem resolvido). O analista então:


- Compara os tempos de retenção com padrões de impurezas conhecidas.

- Calcula a área dos picos.

- Determina a porcentagem de cada impureza em relação ao princípio ativo.


Para impurezas desconhecidas, pode-se usar detector de massas (LC-MS/MS) para obter a fórmula molecular e tentar identificar a estrutura.



Validação — o selo de confiança


Um método analítico não serve para nada se não for **validado**. Isso significa provar, com dados estatísticos, que ele é:


- Específico (diferencia princípio ativo de impurezas)

- Linear (resposta proporcional à concentração)

- Exato (resultado próximo ao valor real)

- Preciso (repetível e intermediário)

- Robusto (pequenas variações não afetam o resultado)


A validação segue guias reconhecidos, como o ICH Q2(R1) para fármacos. É isso que garante que o resultado que entregamos ao cliente é juridicamente defensável.



Aplicações em fármacos e cosméticos — dois caminhos, um mesmo rigor


Aqui, vamos separar para entender as particularidades de cada setor.



Para fármacos (medicamentos)


A análise de impurezas na indústria farmacêutica é uma exigência legal desde o desenvolvimento da formulação até os testes de estabilidade pós-registro. As principais aplicações incluem:


- Teste de impurezas relacionadas: quantificar subprodutos da síntese.

- Teste de degradação forçada: expor o fármaco a calor, luz, ácido e base para ver o que se forma.

- Controle de resíduos de solventes (etanol, acetona, diclorometano etc.).

- Detecção de impurezas genotóxicas — aquelas que, mesmo em ppm, exigem limite drasticamente baixo.


Um exemplo prático: um laboratório farmacêutico desenvolve um novo anti-hipertensivo.


A CLAE/UPLC vai mostrar, com precisão decimal, se alguma impureza ultrapassa 0,10% da massa total do fármaco — o limite típico para impurezas não genotóxicas.



Para cosméticos (produtos de higiene, beleza e perfumaria)


Muita gente pensa que cosméticos não precisam de controle tão rigoroso, mas isso é um equívoco.


A Anvisa exige análise de impurezas para diversas categorias, especialmente aquelas que ficam retidas na pele ou mucosas.


Os pontos críticos incluem:


- Controle de metais pesados (chumbo, cádmio, mercúrio, arsênio) — embora a técnica mais comum aqui seja ICP-MS, a CLAE pode ser usada para especiação de metais.

- Substâncias proibidas ou restritas (como hidroquinona em clareadores, corticoides em cremes anti-idade).

- Estabilidade de conservantes — muitos conservantes se degradam e formam impurezas alergênicas.

- Teste de resíduos de solventes em esmaltes, sprays e produtos capilares.


Além disso, as boas práticas de fabricação (BPF) para cosméticos, inspiradas nas farmacêuticas, tornam a análise de impurezas um diferencial competitivo — e muitas vezes um requisito para exportação.



Conclusão


A análise de impurezas por cromatografia líquida CLAE/UPLC não é apenas um requisito burocrático.


É uma ferramenta de proteção à saúde, de garantia de qualidade e de diferenciação no mercado.


Seja na indústria farmacêutica, onde uma impureza mal controlada pode matar; seja na cosmética, onde pode arruinar a reputação de uma marca, o domínio dessa tecnologia separa as empresas sérias das que apostam no risco.


Compreender os fundamentos — o papel das fases móvel e estacionária, a importância da validação, as diferenças entre CLAE e UPLC, e as etapas práticas da análise — permite que gestores, formuladores e profissionais de garantia da qualidade tomem decisões mais embasadas.


E mais: permite cobrar com conhecimento de causa quando contratam um laboratório terceirizado.



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FAQ — Perguntas frequentes sobre análise de impurezas por CLAE/UPLC


1. Qual a diferença entre CLAE e UPLC na prática do dia a dia?

A principal diferença é a pressão de operação, o que torna a UPLC mais rápida e com maior resolução. Para a maioria das análises de impurezas, uma CLAE bem validada é suficiente. Já para matrizes complexas ou quando se precisa de alta produtividade (muitas amostras por dia), a UPLC compensa o investimento maior.


2. Quanto tempo leva para analisar uma amostra?

Depende do método. Análises simples em UPLC podem levar 5 minutos. Métodos mais robustos em CLAE podem levar 30–40 minutos. O preparo da amostra pode adicionar de 1 hora a um dia inteiro, dependendo da complexidade da matriz.


3. Vocês identificam impurezas desconhecidas?

Sim. Com cromatografia acoplada à espectrometria de massas (LC-MS/MS), podemos determinar a massa molecular e propor uma estrutura química para impurezas desconhecidas. No entanto, a identificação definitiva pode exigir isolamento e técnicas complementares (RMN).


4. Preciso fornecer padrões de impurezas para o laboratório?

O ideal é que sim, pois a quantificação exata exige padrões certificados. Mas, em estudos exploratórios ou quando o padrão não existe comercialmente, podemos fazer quantificação relativa (ex: % em área) ou isolar a impureza em pequena escala.


5. Vocês atendem pequenas empresas e startups?

Absolutamente. Oferecemos condições especiais para empresas em fase de desenvolvimento de produto, incluindo consultoria para adequação regulatória inicial.


6. A análise de impurezas é obrigatória para todo cosmético?

Nem todo cosmético precisa de um perfil completo de impurezas, mas aqueles com alegações especiais (infantis, íntimos, capilares com ação farmacológica) ou que utilizam insumos sujeitos a degradação estão sujeitos à fiscalização. O ideal é avaliar caso a caso.



 
 
 

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