Brometos e subprodutos da desinfecção
- Dra. Lívia Lopes

- 17 de jul. de 2025
- 6 min de leitura
Introdução
A desinfecção da água é uma das etapas mais importantes no tratamento para consumo humano, sendo fundamental para a prevenção de doenças de veiculação hídrica e para a proteção da saúde pública.
O uso de agentes desinfetantes, como cloro, dióxido de cloro, cloraminas e ozônio, permitiu avanços significativos na redução de surtos epidemiológicos ao longo da história.
No entanto, esse processo essencial pode gerar efeitos colaterais indesejáveis quando certos compostos estão presentes na água bruta, entre eles os brometos.
Os brometos (Br⁻) são íons naturalmente presentes em águas subterrâneas, águas costeiras, aquíferos salinos e em regiões influenciadas por atividades industriais ou intrusão marinha.
Embora o brometo em si não seja considerado altamente tóxico nas concentrações normalmente encontradas em águas naturais, sua presença torna-se crítica quando a água passa por processos de desinfecção.
Nessas condições, o brometo pode reagir com agentes oxidantes e dar origem aos chamados subprodutos da desinfecção bromados, compostos reconhecidamente associados a riscos à saúde humana.
Entre os principais subprodutos da desinfecção formados a partir de brometos destacam-se os trihalometanos bromados (THMs), os ácidos haloacéticos bromados (HAAs), o bromato e outros compostos halogenados.
Diversos estudos científicos relacionam a exposição crônica a esses subprodutos ao aumento do risco de câncer, efeitos reprodutivos e distúrbios no desenvolvimento.
Diante desse cenário, o monitoramento de brometos e subprodutos da desinfecção tornou-se um tema estratégico para sistemas de abastecimento de água, indústrias que utilizam água tratada, laboratórios de análise e órgãos reguladores.
Este artigo tem como objetivo discutir de forma aprofundada o papel dos brometos na formação de subprodutos da desinfecção, abordando seus fundamentos químicos, histórico regulatório, impactos à saúde e metodologias analíticas utilizadas para seu controle.

Contexto Histórico e Fundamentos Teóricos
Brometos no ambiente aquático
Os brometos são haletos amplamente distribuídos no ambiente, sendo encontrados naturalmente em águas subterrâneas profundas, regiões costeiras e áreas com influência marinha.
A dissolução de sais minerais e a intrusão salina são as principais fontes naturais de brometo na água.
Além das fontes naturais, atividades antrópicas contribuem significativamente para o aumento das concentrações de brometo, como:
Descarga de efluentes industriais
Uso de produtos químicos contendo bromo
Atividades de mineração
Aplicação de fertilizantes e pesticidas bromados
Em águas destinadas ao abastecimento público, a presença de brometo geralmente passa despercebida até o momento da desinfecção, quando sua reatividade química se torna relevante.
Reações químicas durante a desinfecção
Durante o processo de desinfecção, agentes oxidantes como cloro e ozônio reagem com a matéria orgânica natural presente na água.
Na presença de brometos, ocorre a oxidação do Br⁻ a espécies reativas, como ácido hipobromoso (HOBr), que passam a competir com o cloro nas reações com compostos orgânicos.
Esse mecanismo favorece a formação de subprodutos bromados, que tendem a ser mais tóxicos do que seus análogos clorados.
O bromato, por exemplo, é formado principalmente em processos de ozonização e é classificado como possivelmente carcinogênico para humanos.
Evolução do reconhecimento dos subprodutos da desinfecção
O reconhecimento dos subprodutos da desinfecção como um problema de saúde pública ganhou destaque a partir da década de 1970, quando estudos epidemiológicos passaram a associar o consumo prolongado de água clorada ao aumento de determinados tipos de câncer.
Desde então, agências reguladoras internacionais intensificaram pesquisas e estabeleceram limites para esses compostos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), a EPA e a União Europeia estabeleceram valores máximos permitidos para trihalometanos totais, ácidos haloacéticos e bromato, considerando sua toxicidade e potencial carcinogênico.
Importância Científica e Aplicações Práticas
Riscos à saúde humana
Os subprodutos da desinfecção bromados estão associados a efeitos adversos à saúde, especialmente em exposições crônicas. Estudos indicam possíveis relações com:
Câncer de bexiga e trato gastrointestinal
Alterações reprodutivas
Efeitos sobre o desenvolvimento fetal
Toxicidade hepática e renal
O bromato, em particular, é considerado um dos subprodutos mais preocupantes, devido à sua elevada toxicidade e estabilidade em água.
Sistemas de abastecimento de água
Para sistemas públicos de abastecimento, a presença de brometos representa um desafio operacional.
A necessidade de garantir desinfecção eficaz, sem formação excessiva de subprodutos, exige controle rigoroso da qualidade da água bruta, escolha adequada do desinfetante e otimização das condições de tratamento.
Medidas como remoção prévia de matéria orgânica, ajuste de pH, controle da dosagem de oxidantes e uso de tecnologias alternativas são estratégias amplamente adotadas.

Indústrias e água de processo
Indústrias que utilizam água tratada em processos críticos, como alimentos, bebidas, farmacêutica e cosmética, também devem monitorar brometos e subprodutos da desinfecção.
A presença desses compostos pode comprometer a qualidade do produto final, além de representar risco regulatório e sanitário.
Importância para laboratórios de análise
Para laboratórios, a análise de brometos e subprodutos da desinfecção exige técnicas analíticas avançadas e validação rigorosa.
Esses parâmetros são frequentemente solicitados em auditorias, licenciamento ambiental e investigações de não conformidades em sistemas de abastecimento.
Metodologias de Análise de Brometos e Subprodutos da Desinfecção
Análise de brometos
A determinação de brometos em água pode ser realizada por técnicas como:
Cromatografia iônica
ICP-MS (para bromo total)
Métodos eletroquímicos específicos
A cromatografia iônica é considerada método de referência para brometos devido à sua seletividade e precisão.
Análise de subprodutos da desinfecção
Os principais métodos analíticos incluem:
Cromatografia Gasosa acoplada à espectrometria de massas (GC-MS) para trihalometanos
GC-ECD para compostos halogenados
Cromatografia Líquida (HPLC) para ácidos haloacéticos
Métodos específicos para bromato por cromatografia iônica
Normas e referências técnicas
Entre as principais normas destacam-se:
EPA 524, 551 e 552
Standard Methods 5710 e 4500
ISO 10301 e ISO 15061
Esses protocolos estabelecem critérios rigorosos para coleta, preservação e análise, garantindo a confiabilidade dos resultados.
Considerações Finais e Perspectivas Futuras
Os brometos e os subprodutos da desinfecção representam um dos principais desafios contemporâneos no tratamento e controle da qualidade da água.
Embora a desinfecção seja indispensável para a proteção da saúde pública, seus efeitos secundários exigem abordagem técnica integrada, baseada em ciência, monitoramento contínuo e gestão de riscos.
A tendência futura aponta para o fortalecimento de estratégias preventivas, com foco na qualidade da água bruta, na redução da matéria orgânica e na adoção de tecnologias de tratamento mais eficientes.
Para laboratórios e instituições, o domínio analítico desses parâmetros é essencial para atender às exigências regulatórias e contribuir para sistemas de abastecimento mais seguros e sustentáveis.
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FAQs – Brometos e Subprodutos da Desinfecção da Água
1. O que são brometos e por que eles são monitorados na água?
Os brometos são íons naturalmente presentes em águas subterrâneas, águas salobras e regiões costeiras. Embora não sejam altamente tóxicos em sua forma original, tornam-se preocupantes porque reagem durante processos de desinfecção, formando subprodutos potencialmente nocivos à saúde.
2. O que são subprodutos da desinfecção (SPDs)?
Subprodutos da desinfecção são compostos químicos formados quando agentes desinfetantes, como cloro, cloraminas ou ozônio, reagem com matéria orgânica natural e íons como brometo. Entre os principais SPDs estão os trihalometanos (THMs), ácidos haloacéticos e bromatos.
3. Qual a relação entre brometos e bromatos?
Durante processos de ozonização, o brometo pode ser oxidado e convertido em bromato, um composto classificado como potencialmente carcinogênico por agências reguladoras internacionais, exigindo monitoramento rigoroso em sistemas de abastecimento e água industrial.
4. Quais são os riscos dos subprodutos da desinfecção à saúde humana?
Estudos associam a exposição crônica a determinados SPDs ao aumento do risco de efeitos adversos, incluindo impactos hepáticos, renais e possíveis efeitos carcinogênicos. Por esse motivo, órgãos reguladores estabelecem limites máximos permitidos para esses compostos na água potável.
5. Onde os brometos e SPDs costumam ser encontrados?
São mais frequentes em águas subterrâneas, sistemas de dessalinização, águas de regiões litorâneas, fontes influenciadas por efluentes industriais e em sistemas de tratamento que utilizam cloro ou ozônio como agentes desinfetantes.
6. Como brometos e subprodutos da desinfecção são analisados em laboratório?
A análise é realizada por técnicas avançadas como cromatografia iônica, cromatografia gasosa acoplada a detector de captura de elétrons (GC-ECD) ou cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (GC-MS), seguindo normas como EPA, ISO e Standard Methods.





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