Contaminação por “Forever Chemicals” (PFAS) na Água Potável: o que são e por que preocupam
- Dra. Lívia Lopes

- há 5 dias
- 6 min de leitura
Introdução
Nas últimas décadas, a segurança da água potável tornou-se um dos principais focos de atenção de órgãos reguladores, pesquisadores e da indústria.
Entre os contaminantes emergentes que despertam crescente preocupação estão os chamados forever chemicals, um grupo de substâncias químicas conhecidas tecnicamente como PFAS (per- and polyfluoroalkyl substances).
Essas substâncias vêm sendo detectadas em mananciais de água, sistemas de abastecimento público e até mesmo em águas engarrafadas, levantando questionamentos relevantes sobre riscos à saúde humana e à integridade ambiental.
Os PFAS receberam o apelido de “químicos eternos” devido à sua elevada estabilidade química. A forte ligação entre carbono e flúor, característica dessas moléculas, confere resistência extrema à degradação térmica, química e biológica.
Como consequência, essas substâncias persistem no meio ambiente por longos períodos, acumulam-se em ecossistemas e podem se bioacumular em organismos vivos, incluindo seres humanos.
A relevância do tema ultrapassa o campo ambiental e alcança diretamente áreas como saúde pública, indústria alimentícia, farmacêutica, cosmética e de saneamento. A água potável é um insumo crítico não apenas para o consumo direto, mas também para processos industriais, produção de alimentos e formulações sensíveis.
A presença de PFAS, mesmo em concentrações muito baixas, pode comprometer a qualidade da água e gerar impactos cumulativos ao longo do tempo.
Este artigo aborda de forma aprofundada o que são os PFAS, como ocorre a contaminação da água potável, os riscos associados à exposição humana, o panorama regulatório nacional e internacional e os principais métodos laboratoriais empregados para a detecção dessas substâncias.
Ao final, discutem-se perspectivas futuras e a importância do monitoramento contínuo como estratégia essencial para a proteção da saúde e do meio ambiente.

Contexto Histórico e Fundamentos Teóricos
Origem e uso dos PFAS
Os PFAS começaram a ser produzidos em escala industrial a partir da década de 1940. Sua aplicação se expandiu rapidamente devido a propriedades consideradas altamente vantajosas, como resistência ao calor, à água, à gordura e a agentes químicos agressivos. Por esse motivo, passaram a ser amplamente utilizados em diversos setores industriais.
Entre as principais aplicações históricas dos PFAS destacam-se:
Revestimentos antiaderentes de utensílios domésticos
Espumas de combate a incêndio (AFFF – Aqueous Film Forming Foam)
Embalagens para alimentos resistentes à gordura
Tecidos impermeáveis e resistentes a manchas
Produtos cosméticos e de higiene
Processos industriais que demandam surfactantes de alta performance
Durante muitos anos, esses compostos foram considerados seguros do ponto de vista operacional, uma vez que não apresentavam toxicidade aguda evidente.
Contudo, estudos científicos mais recentes demonstraram que a exposição crônica, mesmo em baixas concentrações, pode estar associada a efeitos adversos significativos à saúde.
Características químicas e persistência ambiental
Os PFAS constituem uma família extensa, com milhares de compostos diferentes. Entre os mais conhecidos estão o ácido perfluorooctanoico (PFOA) e o sulfonato de perfluorooctano (PFOS).
A principal característica comum a todos eles é a presença de cadeias fluoradas altamente estáveis.
A ligação carbono–flúor é uma das mais fortes da química orgânica, o que explica:
A baixa degradabilidade ambiental
A resistência a processos convencionais de tratamento de água
A capacidade de transporte a longas distâncias no meio ambiente
Essas propriedades fazem com que os PFAS persistam em solos, sedimentos e corpos d’água por décadas, justificando a crescente classificação dessas substâncias como contaminantes ambientais persistentes.
Evolução da preocupação científica e regulatória
A partir dos anos 2000, estudos epidemiológicos começaram a correlacionar a presença de PFAS no organismo humano com efeitos como alterações hormonais, disfunções imunológicas e aumento do risco de determinados tipos de câncer.
Esses achados impulsionaram uma revisão global do uso e da regulamentação dessas substâncias.
Organizações internacionais, como a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), passaram a estabelecer limites cada vez mais restritivos para PFAS na água potável, incentivando também o desenvolvimento de métodos analíticos mais sensíveis.
Importância Científica e Aplicações Práticas
Impactos na saúde humana
A água potável é uma das principais vias de exposição humana aos PFAS. Uma vez ingeridos, esses compostos podem se acumular no sangue e em órgãos como fígado e rins, apresentando meia-vida longa no organismo.
Estudos científicos associam a exposição prolongada a PFAS a:
Distúrbios endócrinos e hormonais
Alterações no metabolismo lipídico
Redução da resposta imunológica
Aumento do risco de câncer renal e testicular
Efeitos adversos no desenvolvimento infantil
Esses riscos são especialmente preocupantes para populações vulneráveis, como gestantes, crianças e idosos.
Relevância para a indústria e o saneamento
Do ponto de vista industrial, a presença de PFAS na água utilizada em processos produtivos pode comprometer a qualidade final de produtos, especialmente em setores que exigem alto grau de pureza, como alimentos, medicamentos e cosméticos.
Empresas e concessionárias de abastecimento enfrentam desafios técnicos e econômicos relacionados:
À detecção de PFAS em níveis traço
À adequação dos sistemas de tratamento de água
À conformidade com legislações cada vez mais rigorosas
Além disso, a contaminação por PFAS pode gerar passivos ambientais relevantes, afetando a reputação institucional e resultando em sanções legais.
Casos e evidências globais
Diversos países já identificaram contaminação por PFAS em sistemas de água potável próximos a áreas industriais, bases militares ou locais de uso intensivo de espumas contra incêndio.
Esses casos reforçam a necessidade de monitoramento preventivo e ações corretivas baseadas em evidências científicas.
Metodologias de Análise de PFAS em Água Potável
Desafios analíticos
A análise de PFAS em água apresenta desafios específicos devido às baixas concentrações envolvidas (geralmente na faixa de ng/L) e à diversidade estrutural dos compostos.
Além disso, o risco de contaminação cruzada durante a amostragem e análise exige rigor extremo nos protocolos laboratoriais.
Técnicas laboratoriais mais utilizadas
Os métodos analíticos mais consolidados para a detecção de PFAS incluem:
Cromatografia Líquida acoplada à Espectrometria de Massas (LC-MS/MS)Considerada o padrão ouro para análise de PFAS, permite alta sensibilidade, seletividade e quantificação precisa.
Extração em fase sólida (SPE)Utilizada como etapa de preparo de amostras para concentrar os analitos e reduzir interferentes.
Métodos normatizados internacionaisProtocolos como EPA 537, EPA 533 e ISO 21675 são amplamente adotados para análise de PFAS em água potável.
Limitações e avanços tecnológicos
Apesar dos avanços, ainda existem limitações relacionadas:
À detecção de PFAS emergentes não listados em métodos tradicionais
Ao custo elevado das análises
À necessidade de profissionais altamente especializados
Pesquisas recentes buscam ampliar o escopo analítico e reduzir custos, além de desenvolver tecnologias de tratamento mais eficazes para remoção desses compostos.
Considerações Finais e Perspectivas Futuras
A contaminação da água potável por PFAS representa um desafio complexo e multifatorial, que envolve ciência, regulação, tecnologia e responsabilidade institucional.
A persistência desses compostos no ambiente e seus potenciais efeitos adversos à saúde justificam a crescente atenção dedicada ao tema em escala global.
Do ponto de vista científico, há necessidade contínua de aprofundar o conhecimento sobre os efeitos de exposições crônicas e combinadas a diferentes PFAS.
Para a indústria e os sistemas de abastecimento, o investimento em monitoramento analítico e em tecnologias de tratamento avançadas deixa de ser uma opção e passa a ser uma exigência estratégica.
No cenário futuro, espera-se:
Ampliação das regulamentações específicas no Brasil
Maior integração entre pesquisa acadêmica e aplicação industrial
Desenvolvimento de métodos analíticos mais abrangentes e acessíveis
Substituição gradual de PFAS por alternativas menos persistentes
Garantir água potável segura é um compromisso essencial com a saúde pública e com a sustentabilidade. Nesse contexto, o controle e a análise de PFAS tornam-se ferramentas indispensáveis para a prevenção de riscos e a construção de sistemas mais resilientes e confiáveis.
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❓ Perguntas Frequentes (FAQs)
1. O que são PFAS e por que são chamados de “forever chemicals”?
Os PFAS são substâncias per e polifluoroalquiladas caracterizadas por ligações carbono–flúor extremamente estáveis, o que impede sua degradação natural no ambiente. Por essa razão, permanecem por longos períodos na água, no solo e em organismos vivos.
2. Como os PFAS podem contaminar a água potável?
A contaminação ocorre principalmente por descarte industrial inadequado, uso de espumas de combate a incêndio, lixiviação de aterros, efluentes industriais e infiltração em aquíferos subterrâneos, alcançando sistemas de abastecimento.
3. A exposição a PFAS na água representa risco à saúde?
Sim. Estudos científicos associam a exposição crônica a PFAS a alterações hormonais, comprometimento do sistema imunológico, distúrbios metabólicos e aumento do risco de alguns tipos de câncer, mesmo em baixas concentrações.
4. Existem limites regulatórios para PFAS na água potável?
Sim. Diversos países já estabeleceram valores máximos permitidos para PFAS em água potável. Nos Estados Unidos e na União Europeia, os limites vêm sendo progressivamente reduzidos. No Brasil, o tema está em avaliação e discussão regulatória.
5. Quais métodos laboratoriais são utilizados para detectar PFAS?
A técnica mais utilizada é a cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas (LC-MS/MS), geralmente associada à extração em fase sólida (SPE), seguindo protocolos reconhecidos internacionalmente.
6. É possível remover PFAS da água?
A remoção é tecnicamente desafiadora, mas pode ser realizada por tecnologias como carvão ativado, resinas de troca iônica e sistemas de membranas, embora nenhuma solução seja universalmente eficaz para todos os compostos da classe PFAS.





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