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Qualidade do Ar em Farmácias de Manipulação: Fundamentos Científicos, Regulamentação e Impactos na Segurança Farmacêutica

Introdução


A qualidade do ar em ambientes controlados é um fator crítico para a segurança sanitária, a eficácia terapêutica e a conformidade regulatória em estabelecimentos de saúde.


No contexto das farmácias de manipulação, esse aspecto assume relevância ainda maior, uma vez que a produção de medicamentos personalizados envolve etapas sensíveis à contaminação ambiental, como pesagem, encapsulamento, diluição, envase e fracionamento de insumos farmacêuticos ativos (IFAs).


Diferentemente da indústria farmacêutica de grande escala, onde os processos ocorrem em linhas altamente automatizadas e isoladas, as farmácias magistrais dependem intensamente da interação humana com matérias-primas, equipamentos e superfícies.


Essa característica aumenta significativamente o risco de introdução de contaminantes microbiológicos, particulados e químicos no ambiente de produção, tornando o controle da qualidade do ar um dos pilares das Boas Práticas de Manipulação (BPM).


Do ponto de vista científico, a qualidade do ar está diretamente relacionada à carga de partículas em suspensão, à presença de microrganismos viáveis e à estabilidade físico-química dos produtos manipulados.


Estudos demonstram que partículas atmosféricas podem atuar como vetores de bactérias e fungos, além de interferirem na uniformidade de dose, especialmente em formulações sólidas e inaláveis.


Já a contaminação microbiológica do ar representa um risco direto à saúde do paciente, sobretudo quando se trata de medicamentos estéreis, não estéreis de uso contínuo ou destinados a populações vulneráveis.


No âmbito regulatório, órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e entidades normativas internacionais estabelecem critérios rigorosos para o controle ambiental em áreas farmacêuticas.


No Brasil, resoluções como a RDC nº 67/2007 e a RDC nº 658/2022 reforçam a necessidade de monitoramento sistemático do ar, incluindo parâmetros microbiológicos e físico-químicos, como parte essencial da garantia da qualidade.


Diante desse cenário, este artigo tem como objetivo apresentar uma análise aprofundada sobre a qualidade do ar em farmácias de manipulação, abordando seus fundamentos históricos e teóricos, a importância científica e prática do controle ambiental, as principais metodologias analíticas empregadas e as perspectivas futuras para o setor.


Ao longo do texto, serão discutidas normas técnicas, evidências científicas e aplicações reais, oferecendo uma visão integrada e atualizada sobre um tema central para a segurança farmacêutica e a saúde pública.

Contexto Histórico e Fundamentos Teóricos


Evolução do Controle Ambiental em Ambientes Farmacêuticos


O controle da qualidade do ar em ambientes de produção farmacêutica tem origem nos avanços da microbiologia e da teoria dos germes, consolidados a partir do século XIX com os trabalhos de Louis Pasteur e Robert Koch.


A compreensão de que microrganismos presentes no ambiente poderiam comprometer produtos terapêuticos impulsionou o desenvolvimento de práticas de assepsia, ventilação controlada e salas limpas.


Inicialmente, tais conceitos foram aplicados sobretudo à indústria farmacêutica e hospitalar. No entanto, com a expansão das farmácias de manipulação ao longo do século XX, especialmente na Europa e na América Latina, tornou-se evidente a necessidade de adaptar esses princípios a ambientes de menor escala, mas com riscos equivalentes.


A partir da década de 1980, organismos internacionais como a ISO (International Organization for Standardization) passaram a estabelecer critérios objetivos para classificação de áreas limpas, culminando na série ISO 14644, que define limites máximos de partículas em suspensão no ar. Esses parâmetros tornaram-se referência global para ambientes farmacêuticos, laboratoriais e hospitalares.


Fundamentos Científicos da Qualidade do Ar


A qualidade do ar em farmácias de manipulação é determinada principalmente por três componentes: partículas não viáveis, contaminantes microbiológicos e contaminantes químicos voláteis.


As partículas não viáveis incluem poeira, fibras, resíduos de embalagens e fragmentos de insumos sólidos. Sua presença é particularmente crítica porque partículas maiores podem transportar microrganismos aderidos à sua superfície, aumentando o risco de contaminação cruzada.


Além disso, partículas finas podem interferir na precisão de pesagens e na homogeneidade das formulações.


Já os contaminantes microbiológicos englobam bactérias, fungos e leveduras presentes no ar, geralmente oriundos da atividade humana, do sistema de ventilação ou de infiltrações externas.


A literatura científica demonstra que o ser humano é a principal fonte de bioaerossóis em ambientes internos, liberando microrganismos por meio da respiração, fala e movimentação.


Os contaminantes químicos, por sua vez, incluem vapores de solventes, álcool, fragrâncias e outros compostos orgânicos voláteis (VOCs), frequentemente utilizados em formulações magistrais.


Embora menos discutidos, esses contaminantes podem afetar tanto a saúde ocupacional quanto a estabilidade dos produtos manipulados.


Marcos Regulatórios e Normativos


No Brasil, a RDC nº 67/2007 estabelece as Boas Práticas de Manipulação em Farmácias, exigindo que as áreas de manipulação sejam projetadas, mantidas e monitoradas de forma a prevenir contaminações.


Complementarmente, a RDC nº 658/2022 reforça a necessidade de controle ambiental baseado em risco, alinhando-se a diretrizes internacionais.


Em âmbito internacional, destacam-se as recomendações da OMS para boas práticas farmacêuticas e as normas ISO 14644 (salas limpas) e ISO 14698 (controle de biocontaminação).


Nos Estados Unidos, a United States Pharmacopeia (USP), especialmente nos capítulos <795>, <797> e <800>, estabelece critérios específicos para manipulação não estéril, estéril e de medicamentos perigosos, com forte ênfase no controle do ar.

Importância Científica e Aplicações Práticas


Impactos na Qualidade e Segurança dos Medicamentos


O controle inadequado da qualidade do ar em farmácias de manipulação pode resultar em contaminação microbiológica dos medicamentos, comprometendo sua segurança e eficácia.


Estudos publicados em periódicos como o Journal of Pharmaceutical Sciences indicam correlação direta entre altos níveis de bioaerossóis e desvios microbiológicos em produtos não estéreis.


Além disso, partículas em suspensão podem provocar variações de dose em cápsulas e pós, especialmente quando se trata de fármacos de baixa dosagem, como hormônios e medicamentos pediátricos. Em formulações inaláveis ou oftálmicas, os riscos são ainda mais elevados.


Conformidade Regulatória e Responsabilidade Técnica


Do ponto de vista institucional, a qualidade do ar está diretamente relacionada à conformidade com exigências sanitárias. I


nspeções realizadas por vigilâncias sanitárias frequentemente incluem a avaliação do controle ambiental, e não conformidades nessa área podem resultar em autos de infração, interdições ou suspensão de atividades.


Para o farmacêutico responsável técnico, o monitoramento do ar representa não apenas uma exigência legal, mas uma responsabilidade ética e profissional.


A adoção de programas de monitoramento ambiental demonstra comprometimento com a qualidade, fortalece a credibilidade da farmácia e reduz riscos legais.


Exemplos Práticos e Estudos de Caso


Estudos de caso conduzidos em farmácias magistrais brasileiras mostram que a implementação de sistemas adequados de climatização com filtros HEPA, aliada a rotinas de monitoramento microbiológico do ar, pode reduzir significativamente a carga microbiana ambiental.


Em um estudo realizado em São Paulo, observou-se redução superior a 70% na contagem de fungos após a adequação do sistema de ventilação e treinamento da equipe.


Esses resultados evidenciam que o investimento em controle ambiental não deve ser visto como custo, mas como estratégia de gestão da qualidade e prevenção de falhas.


Metodologias de Análise da Qualidade do Ar


Monitoramento Microbiológico


A análise microbiológica do ar pode ser realizada por métodos ativos e passivos. Os métodos passivos, como placas de sedimentação, são amplamente utilizados por sua simplicidade, embora apresentem limitações quanto à representatividade quantitativa.


Já os métodos ativos empregam amostradores de ar que aspiram volumes conhecidos, permitindo a quantificação de unidades formadoras de colônia por metro cúbico (UFC/m³). Esses métodos são recomendados por normas como a ISO 14698 e oferecem maior precisão para avaliação de riscos.


Contagem de Partículas Não Viáveis


A contagem de partículas em suspensão é realizada por contadores eletrônicos que classificam partículas por tamanho.


Esse tipo de análise é essencial para verificar a conformidade com classes de salas limpas definidas pela ISO 14644, sendo especialmente relevante em áreas críticas de manipulação.


Avaliação de Parâmetros Complementares


Além das análises microbiológicas e particuladas, parâmetros como temperatura, umidade relativa e pressão diferencial devem ser monitorados.


A umidade, por exemplo, influencia diretamente a sobrevivência de microrganismos e a estabilidade de pós higroscópicos.


Limitações e Avanços Tecnológicos


Embora as metodologias atuais sejam eficazes, ainda existem desafios, como a variabilidade ambiental e a necessidade de interpretação técnica dos resultados.


Avanços recentes incluem o uso de sensores em tempo real e sistemas integrados de monitoramento ambiental, que permitem respostas mais rápidas a desvios.

Considerações Finais e Perspectivas Futuras


A qualidade do ar em farmácias de manipulação é um elemento central para a segurança dos medicamentos, a proteção da saúde pública e a conformidade regulatória.


Ao longo deste artigo, foi possível observar que o controle ambiental não se limita a uma exigência normativa, mas representa uma prática fundamentada em evidências científicas sólidas e em décadas de evolução do conhecimento farmacêutico.


À medida que a legislação sanitária avança e os pacientes se tornam mais conscientes sobre a qualidade dos produtos que consomem, a tendência é que os critérios de controle do ar se tornem ainda mais rigorosos.


Nesse contexto, investir em monitoramento sistemático, capacitação profissional e tecnologias de controle ambiental será um diferencial competitivo e institucional para farmácias de manipulação.


Do ponto de vista científico, há espaço para novas pesquisas que correlacionem dados ambientais com indicadores de qualidade de produtos, contribuindo para modelos de gestão baseados em risco.


Já no campo prático, a integração entre farmácias, laboratórios de análises ambientais e órgãos reguladores tende a fortalecer a cultura da qualidade e da prevenção.


Em síntese, garantir a qualidade do ar em farmácias de manipulação é assegurar que a personalização do tratamento farmacêutico ocorra dentro de padrões elevados de segurança, eficácia e responsabilidade técnica — valores essenciais para o presente e o futuro da prática magistral.

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Perguntas Frequentes (FAQs) – Qualidade do Ar em Farmácias de Manipulação


1. Por que a qualidade do ar é um fator crítico em farmácias de manipulação?


A qualidade do ar influencia diretamente a segurança microbiológica, a estabilidade físico-química e a uniformidade dos medicamentos manipulados. O ar pode atuar como veículo de partículas e microrganismos capazes de contaminar matérias-primas, superfícies e produtos acabados, representando risco sanitário ao paciente e não conformidade regulatória.


2. Quais normas regulam o controle da qualidade do ar em farmácias de manipulação?


No Brasil, o controle do ar está fundamentado principalmente na RDC nº 67/2007 e na RDC nº 658/2022 da ANVISA. Internacionalmente, destacam-se as normas ISO 14644 (salas limpas), ISO 14698 (biocontaminação), além das recomendações da OMS e da USP para ambientes farmacêuticos.

3. Como é feita a análise microbiológica do ar em ambientes farmacêuticos?


A análise microbiológica do ar pode ser realizada por métodos passivos, como placas de sedimentação, ou por métodos ativos, utilizando amostradores que coletam volumes conhecidos de ar. Os resultados são expressos em unidades formadoras de colônia por metro cúbico (UFC/m³) e permitem avaliar o risco de contaminação ambiental.


4. Com que frequência o monitoramento da qualidade do ar deve ser realizado?


A frequência do monitoramento deve ser definida com base em análise de risco, considerando o tipo de manipulação, o fluxo de pessoas, a criticidade das áreas e as exigências sanitárias locais. Em geral, recomenda-se monitoramento periódico e sempre que houver alterações estruturais, de processo ou após manutenções no sistema de climatização.


5. Quais são as consequências da ausência de controle adequado da qualidade do ar?


A falta de controle pode resultar em contaminação dos medicamentos, falhas em inspeções sanitárias, autuações, interdições e prejuízos à reputação da farmácia. Além disso, compromete a segurança do paciente e a responsabilidade técnica do farmacêutico responsável.


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