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Análise da Concentração de Carbofurano na Água: Métodos, Riscos e Soluções Laboratoriais

Introdução


A água é um elemento essencial para a vida e sua qualidade está diretamente ligada à saúde pública e ao equilíbrio ambiental.


Nos últimos anos, o monitoramento de contaminantes emergentes tornou-se uma prioridade global, especialmente no que se refere aos agrotóxicos que podem atingir corpos hídricos.


Entre essas substâncias, o carbofurano destaca-se por sua elevada toxicidade, sendo classificado como um inseticida carbamato de ação sistêmica que afeta o sistema nervoso de insetos-praga, mas que também apresenta riscos significativos para mamíferos, aves, peixes e seres humanos.


A preocupação com a presença de carbofurano na água ganhou dimensão institucional quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concluiu a reanálise toxicológica desse ingrediente ativo e determinou seu banimento no Brasil.


Essa decisão histórica, que também incluiu outros cinco agrotóxicos como o carbendazim e o paraquate, foi fundamentada em dados robustos de monitoramento que evidenciaram riscos inaceitáveis à saúde humana e ao meio ambiente.


Este artigo tem como objetivo elucidar os aspectos científicos, regulatórios e analíticos relacionados à contaminação da água por carbofurano.


Abordaremos desde os efeitos toxicológicos e os limites legais estabelecidos até as metodologias laboratoriais mais avançadas para detecção e quantificação dessa substância.


Compreender esses elementos é fundamental para gestores ambientais, produtores rurais, profissionais da saúde e cidadãos conscientes que buscam garantir a segurança hídrica e alimentar.



Carbofurano: Características, Usos e Impacto Ambiental


O que é o Carbofurano?


O carbofurano é um inseticida-nematicida do grupo químico dos carbamatos, amplamente utilizado em culturas como batata, citros, café, milho e cana-de-açúcar devido à sua ação sistêmica eficiente nas plantas.


Comercializado sob nomes como Furadan®, esse composto age inibindo a enzima acetilcolinesterase, essencial para o funcionamento normal do sistema nervoso.


Essa propriedade, embora eficaz contra pragas, é precisamente o que o torna extremamente tóxico para organismos não-alvo, incluindo seres humanos.



Vias de Contaminação da Água


A contaminação de recursos hídricos por carbofurano ocorre principalmente através de:


  • Lixiviação: O produto aplicado no solo pode ser carregado pela água da chuva ou irrigação, infiltrando-se até alcançar lençóis freáticos. Esse processo é particularmente preocupante em solos porosos e ácidos, que representam as condições mais vulneráveis.

  • Escoamento superficial: Em eventos de chuva intensa, o produto pode escoar superficialmente, contaminando rios, lagos e reservatórios próximos às áreas agrícolas.

  • Más práticas agrícolas: Aplicação excessiva, desrespeito aos períodos de carência ou uso em culturas não autorizadas aumentam significativamente o risco de contaminação ambiental.



Persistência e Toxicidade


Embora o carbofurano seja considerado moderadamente persistente no ambiente (com meia-vida variando de dias a semanas, dependendo das condições), sua toxicidade aguda é extremamente elevada.


A exposição a quantidades mínimas pode causar sintomas como náuseas, vômitos, visão turva, dificuldade respiratória e, em casos graves, levar à morte por parada cardiorrespiratória.


Para organismos aquáticos, como peixes e invertebrados, o carbofurano é altamente letal mesmo em concentrações muito baixas (na faixa de microgramas por litro), podendo causar desequilíbrios significativos nos ecossistemas aquáticos.



Marco Regulatório e Limites de Segurança


A Decisão da Anvisa: O Banimento do Carbofurano


Em um movimento significativo para a proteção da saúde pública, a Anvisa concluiu a reanálise toxicológica do carbofurano e determinou seu banimento no Brasil.


Essa decisão, que afetou centenas de produtos comerciais, foi baseada em evidências científicas que demonstraram riscos inaceitáveis associados ao seu uso, mesmo quando aplicado dentro dos parâmetros recomendados.


O processo de reanálise, que durou vários anos, considerou não apenas a toxicidade aguda, mas também os efeitos crônicos, o potencial de contaminação ambiental e os riscos para agricultores durante a aplicação.


O carbofurano foi incluído na lista de seis ingredientes ativos banidos nos últimos dez anos com base nos dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), demonstrando como programas de monitoramento robustos podem fundamentar decisões regulatórias importantes.



Limites Legais para Água


Apesar do banimento, a presença de carbofurano ainda pode ser detectada em recursos hídricos devido à sua persistência ambiental e ao possível uso de estoques remanescentes. Por isso, órgãos ambientais estabelecem limites máximos permitidos:


  • CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente): Estabelece o valor máximo de 10 μg/L (microgramas por litro) para carbamatos em geral em águas doces de Classes I e II (próprias para abastecimento após tratamento simplificado).

  • EPA (Environmental Protection Agency): Inclui o carbofurano na lista de pesticidas prioritários para controle, destacando sua toxicidade para mamíferos e o risco para águas subterrâneas rasas em solos permeáveis e ácidos.



Monitoramento e Conformidade


O monitoramento sistemático da qualidade da água é essencial para verificar a conformidade com esses limites.


A Anvisa, em parceria com vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, realiza coletas semanais de amostras que são lacradas e acondicionadas apropriadamente para transporte rápido aos laboratórios, garantindo a integridade das amostras.


Quando são detectadas não conformidades (resíduos acima dos limites ou presença de agrotóxicos não autorizados), essas são consideradas infrações sanitárias que podem representar riscos principalmente à saúde dos agricultores, pela aplicação em desacordo com as recomendações autorizadas.



Metodologias Analíticas para Detecção de Carbofurano em Água


Técnicas de Referência Internacional


A análise precisa de carbofurano em matrizes aquosas requer metodologias sensíveis e validadas.


A ASTM International – organização global de desenvolvimento de normas técnicas – estabelece o método padrão D7600-16(2017) para determinação de carbofurano, aldicarb, oxamyl e metomyl em água superficial usando Cromatografia Líquida com Espectrometria de Massas em Tandem (LC-MS/MS).


Este método, desenvolvido pelo Laboratório Regional de Chicago da EPA, permite a determinação qualitativa e quantitativa dos analitos através do monitoramento de reações múltiplas (MRM), com limites de detecção na faixa de 100 ng/L (nanogramas por litro) e faixa de relatório de 1 a 100 μg/L.



Extração e Pré-concentração


Antes da análise cromatográfica, é necessário isolar e concentrar o carbofurano da matriz aquosa. Técnicas modernas incluem:


  • Extração Líquido-Líquido com Partição em Baixa Temperatura (LLE-LTP): Método otimizado que utiliza volumes mínimos de solvente (4,0 mL de acetonitrila para 2,0 mL de amostra), com recuperações superiores a 95% para carbofurano. Após agitação, a amostra é colocada em freezer por 3 horas para separação de fases.

  • Extração em Fase Sólida (SPE): Utiliza cartuchos com fases estacionárias específicas que retêm os analitos, posteriormente eluídos com solvente adequado.

  • Microextração em Fase Sólida (SPME): Técnica que não utiliza solventes, onde uma fibra revestida com fase extratora é exposta à amostra ou ao seu espaço de cabeça.



Análise Cromatográfica


Após a etapa de extração, as amostras são analisadas por:


  • Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC): Método validado utilizando coluna C18 e fase móvel de água:acetonitrila (65:35), com detecção por ultravioleta a 195 nm. Esta configuração permite separar carbofurano com tempo de retenção de aproximadamente 13,5 minutos.

  • Cromatografia Líquida com Espectrometria de Massas (LC-MS/MS): Considerada o padrão-ouro para análise de resíduos de agrotóxicos, oferece maior seletividade e sensibilidade, capaz de detectar concentrações na faixa de ng/L.



Validação de Métodos Analíticos


Para garantir a confiabilidade dos resultados, os métodos analíticos devem passar por rigoroso processo de validação, avaliando:


  • Limite de Detecção (LOD) e Limite de Quantificação (LOQ): Para o método LLE-LTP/HPLC-UV, os LOQs para carbamatos variam de 17,0 a 33,0 μg/L, adequados para monitorar conformidade com o limite de 10 μg/L do CONAMA.

  • Precisão e Exatidão: Avaliadas através de testes de recuperação (acima de 90% para carbofurano) e repetibilidade.

  • Linearidade: Curvas de calibração com coeficientes de correlação (R²) superiores a 0,99 são geralmente exigidas.

  • Seletividade: Capacidade do método em diferenciar o carbofurano de outros compostos que possam estar presentes na amostra.



Implicações para Saúde Pública e Monitoramento Contínuo


Riscos à Saúde Humana


A exposição ao carbofurano pode ocorrer através de:


  • Consumo de água contaminada: Principal via de exposição para a população em geral.

  • Ingestão de alimentos com resíduos: Embora o carbofurano esteja banido, resíduos podem persistir em culturas tratadas anteriormente.

  • Exposição ocupacional: Agricultores e trabalhadores rurais durante a aplicação (quando o produto ainda era permitido).


Os efeitos à saúde incluem:


  • Risco agudo: Sintomas como náuseas, vômitos, dor abdominal, visão turva, dificuldade respiratória e, em casos graves, convulsões e morte. A Anvisa identificou, em seu último relatório, 0,67% das amostras de alimentos com potencial de risco agudo ao consumidor, principalmente em abacaxi e laranja.

  • Risco crônico: Exposição prolongada a baixas doses pode causar alterações neurológicas, distúrbios endócrinos e aumento do risco de certos tipos de câncer. Felizmente, a avaliação da Anvisa não encontrou situações com potencial de risco crônico nas avaliações de 2023.



Monitoramento Integrado: Alimentos e Água


A abordagem integrada de monitoramento adotada pela Anvisa através do PARA representa um avanço significativo na proteção da saúde pública.


O programa analisou, em 2023, 3.294 amostras de 14 alimentos diferentes, representando 31% do consumo de alimentos de origem vegetal pela população brasileira.


Os resultados desses monitoramentos têm sido utilizados para:


  • Orientar reanálises toxicológicas que resultaram no banimento de agrotóxicos perigosos.

  • Elaborar normas de rastreabilidade de alimentos em conjunto com o Ministério da Agricultura.

  • Identificar culturas com baixa cobertura fitossanitária, priorizando o registro de produtos mais seguros para essas culturas.



O Desafio dos Múltiplos Resíduos


Um aspecto particularmente desafiador no monitoramento de agrotóxicos é a exposição simultânea a múltiplos resíduos.


Reconhecendo essa complexidade, a Anvisa lançou o projeto estratégico "Estimando os riscos do consumo de alimentos contendo múltiplos resíduos de agrotóxicos" (2024-2027), que visa desenvolver métodos para avaliar o risco combinado de diferentes agrotóxicos.


Essa iniciativa é crucial, pois alguns agrotóxicos possuem efeitos tóxicos sinérgicos ou aditivos que podem ser amplificados quando combinados, mesmo que cada um individualmente esteja dentro dos limites legais.



Recomendações para Redução da Exposição


Para minimizar a exposição a resíduos de agrotóxicos, incluindo carbofurano, especialistas recomendam:


  • Lavar bem frutas, verduras e legumes em água corrente, o que pode ajudar a reduzir a presença de resíduos superficiais.

  • Escolher alimentos rotulados com identificação do produtor, incentivando a rastreabilidade e a adoção de boas práticas agrícolas.

  • Preferir o consumo de alimentos da época ou produzidos com técnicas de manejo integrado de pragas, que geralmente recebem menor carga de produtos agrotóxicos.



Conclusão


A análise da concentração de carbofurano na água representa um desafio técnico e regulatório complexo, mas essencial para a proteção da saúde pública e do meio ambiente.


O banimento dessa substância no Brasil, fundamentado em evidências científicas robustas, demonstra um avanço significativo na regulação de agrotóxicos, alinhando as práticas agrícolas nacionais aos mais altos padrões de segurança.


As metodologias analíticas disponíveis, desde as técnicas de referência como LC-MS/MS até métodos mais acessíveis como HPLC-UV com LLE-LTP, permitem monitorar com precisão a presença de carbofurano em recursos hídricos, garantindo a conformidade com os limites legais estabelecidos.


A validação rigorosa desses métodos assegura a confiabilidade dos resultados, fundamentando decisões técnicas e regulatórias.


A abordagem integrada de monitoramento de água e alimentos, como implementada pela Anvisa através do PARA, oferece um modelo eficaz para a gestão de riscos associados a contaminantes ambientais.


A inclusão de projetos estratégicos para avaliar os riscos de múltiplos resíduos representa uma visão avançada e proativa de vigilância sanitária.


Para laboratórios de análise ambiental, dominar essas metodologias não é apenas uma competência técnica, mas uma responsabilidade social na garantia da qualidade da água e da segurança alimentar.


O investimento em equipamentos de ponta, capacitação de profissionais e adesão a protocolos validados internacionalmente são elementos fundamentais para contribuir efetivamente com essa missão.


À medida que avançamos para sistemas agrícolas mais sustentáveis e regulamentações mais rigorosas, a capacidade analítica precisa e confiável continuará sendo um pilar essencial na proteção dos recursos hídricos e na promoção da saúde pública para as gerações presentes e futuras.



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FAQ (Perguntas Frequentes)


1. O carbofurano ainda é utilizado no Brasil?

Não. O carbofurano foi banido pela Anvisa após processo de reanálise toxicológica que demonstrou riscos inaceitáveis à saúde humana e ao meio ambiente. Seu uso não é permitido em nenhuma cultura agrícola no país.



2. Por que ainda é importante monitorar carbofurano se ele está banido?

A monitorização continua importante devido à persistência ambiental do composto, que pode permanecer no solo e em corpos hídricos por longos períodos. Além disso, é necessário verificar a conformidade com o banimento e detectar possíveis usos ilegais.



3. Quais os limites máximos permitidos de carbofurano na água?

O CONAMA estabelece o limite máximo de 10 μg/L (microgramas por litro) para carbamatos em geral em águas doces de Classes I e II. Valores acima deste limite indicam contaminação que requer ações corretivas.



4. Como posso saber se a água que consumo está contaminada com carbofurano?

A forma mais confiável é através de análise laboratorial especializada. Laboratórios acreditados utilizam métodos como LC-MS/MS ou HPLC-UV para detectar e quantificar carbofurano em níveis muito baixos (até nanogramas por litro).



5. Quais os principais sintomas de intoxicação por carbofurano?

Os sintomas de intoxicação aguda incluem náuseas, vômitos, dor abdominal, sudorese excessiva, visão turva, dificuldade respiratória e, em casos graves, convulsões e parada cardiorrespiratória. Em caso de suspeita de intoxicação, busque atendimento médico imediatamente.



6. O tratamento convencional de água remove carbofurano?

Os métodos convencionais de tratamento de água (coagulação, floculação, decantação, filtração e cloração) têm eficiência limitada na remoção de carbofurano. Técnicas avançadas como oxidação avançada, carvão ativado ou nanofiltração são mais eficazes, mas com custo significativamente maior.



7. Como os laboratórios garantem a precisão das análises de carbofurano?

Através de rigorosos protocolos de validação que avaliam precisão, exatidão, limites de detecção e quantificação, linearidade e seletividade. Além disso, participação em programas de ensaios de proficiência e uso de materiais de referência certificados são práticas essenciais para garantir resultados confiáveis.



8. O carbofurano pode estar presente simultaneamente com outros agrotóxicos na água?

Sim, é comum encontrar múltiplos resíduos de agrotóxicos em corpos hídricos próximos a áreas agrícolas. A Anvisa possui um projeto estratégico (2024-2027) justamente para desenvolver métodos de avaliação do risco combinado de diferentes agrotóxicos.




 
 
 

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