Análise da Concentração de Dicloroetano na Água: Importância, Métodos Analíticos e Implicações para a Saúde e o Meio Ambiente
- Enfermeira Natalia Balsalobre
- 18 de dez. de 2024
- 6 min de leitura
Introdução: por que analisar a concentração de dicloroetano na água?
A qualidade da água é um dos pilares fundamentais da saúde pública, da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável.
Em um contexto de crescente industrialização, urbanização e uso intensivo de substâncias químicas, torna-se cada vez mais relevante o monitoramento de contaminantes orgânicos presentes em mananciais superficiais e subterrâneos.
Entre esses contaminantes, destaca-se o dicloroetano, um composto orgânico clorado amplamente utilizado em processos industriais e reconhecido por seu potencial tóxico.
A análise da concentração de dicloroetano na água é uma prática essencial para garantir que a água destinada ao consumo humano, ao uso industrial ou ao descarte ambiental esteja em conformidade com os padrões legais e sanitários.
Mesmo em concentrações muito baixas, esse composto pode representar riscos à saúde humana e impactos negativos aos ecossistemas aquáticos, o que justifica a adoção de métodos analíticos sensíveis, confiáveis e tecnicamente validados.
Este artigo tem como objetivo explicar, de forma técnica, porém acessível, o que é o dicloroetano, como ele pode estar presente na água, quais são seus riscos, quais métodos laboratoriais são utilizados para sua determinação e por que a análise laboratorial é indispensável para a tomada de decisões responsáveis.
O conteúdo é direcionado ao público em geral, incluindo gestores, profissionais técnicos, estudantes e pessoas interessadas em compreender melhor a relação entre química, meio ambiente e saúde.

O que é o dicloroetano e por que ele merece atenção?
O dicloroetano é um composto orgânico pertencente ao grupo dos hidrocarbonetos clorados, caracterizado pela presença de dois átomos de cloro ligados à cadeia carbônica do etano.
Entre seus isômeros, o mais relevante do ponto de vista ambiental e regulatório é o 1,2-dicloroetano, amplamente utilizado como intermediário químico na produção de cloreto de vinila, solventes, desengraxantes industriais e outros produtos químicos.
Do ponto de vista físico-químico, o dicloroetano é um líquido incolor, de odor adocicado, relativamente volátil e com moderada solubilidade em água.
Essas características favorecem sua dispersão no ambiente, especialmente quando ocorre liberação inadequada em solos, efluentes industriais ou sistemas de armazenamento.
A preocupação com o dicloroetano não está relacionada apenas à sua presença pontual, mas principalmente à sua toxicidade e ao fato de ser classificado como uma substância potencialmente carcinogênica, dependendo da via e do tempo de exposição.
Por essa razão, órgãos reguladores nacionais e internacionais estabeleceram limites rigorosos para sua concentração em água destinada ao consumo humano.
Fontes de contaminação e comportamento do dicloroetano no ambiente aquático
A presença de dicloroetano na água está, em geral, associada a atividades antrópicas. Entre as principais fontes de contaminação, destacam-se:
Descargas industriais inadequadamente tratadas
Vazamentos em áreas de armazenamento de produtos químicos
Disposição incorreta de resíduos industriais
Contaminação histórica de solos e aquíferos
Processos de limpeza e desengraxe industrial
Uma vez liberado no ambiente, o dicloroetano pode atingir corpos d’água superficiais ou infiltrar-se no solo, alcançando águas subterrâneas.
Sua volatilidade faz com que parte do composto evapore, mas uma fração significativa pode permanecer dissolvida na água, especialmente em aquíferos confinados, onde a renovação é lenta.
No ambiente aquático, o dicloroetano não se degrada rapidamente por processos naturais, o que aumenta sua persistência e potencial de exposição crônica.
Por esse motivo, a análise da concentração de dicloroetano na água é especialmente relevante em áreas industriais, regiões urbanas densas e locais onde há histórico de contaminação química.
Riscos à saúde humana associados ao dicloroetano
A avaliação dos riscos à saúde é um dos principais motivos para o monitoramento do dicloroetano em água.
A exposição pode ocorrer por ingestão de água contaminada, inalação de vapores liberados durante o uso da água ou, em menor escala, por contato dérmico.
Estudos toxicológicos indicam que a exposição ao 1,2-dicloroetano pode causar:
Irritação do trato gastrointestinal
Efeitos no sistema nervoso central
Alterações hepáticas e renais
Possíveis efeitos carcinogênicos em exposições prolongadas
Embora os efeitos agudos estejam associados a concentrações elevadas, a preocupação regulatória recai principalmente sobre a exposição crônica a baixas concentrações, que pode ocorrer de forma silenciosa ao longo do tempo.
Por essa razão, os padrões de potabilidade da água estabelecem limites bastante conservadores, baseados em avaliações de risco que consideram margens de segurança amplas.
A análise laboratorial permite verificar se a água atende a esses critérios e subsidia ações corretivas quando necessário.
Importância da análise da concentração de dicloroetano na água
A análise da concentração de dicloroetano na água é uma ferramenta essencial para diferentes contextos:
Abastecimento público: verificação da potabilidade da água distribuída à população
Indústrias: controle de qualidade de água de processo e efluentes
Monitoramento ambiental: avaliação de impacto e recuperação de áreas contaminadas
Licenciamento ambiental: atendimento a exigências legais
Saúde pública: prevenção de exposições crônicas a contaminantes químicos
Além de cumprir exigências regulatórias, a análise fornece dados técnicos que permitem compreender a dinâmica da contaminação, avaliar tendências ao longo do tempo e planejar ações de mitigação mais eficazes.
Métodos analíticos para determinação de dicloroetano em água
A determinação de dicloroetano em água requer técnicas analíticas sensíveis, uma vez que os limites regulatórios são expressos em microgramas por litro.
Entre os métodos mais utilizados e reconhecidos internacionalmente, destacam-se aqueles baseados em cromatografia gasosa.
Princípios gerais da cromatografia gasosa
A cromatografia gasosa é uma técnica de separação que permite identificar e quantificar compostos voláteis e semivoláteis presentes em uma amostra.
No caso do dicloroetano, sua volatilidade favorece a aplicação dessa técnica, desde que a amostra seja adequadamente preparada.
Técnica de purga e armadilha (Purge and Trap)
A técnica de purga e armadilha é amplamente utilizada na análise de compostos orgânicos voláteis em água. O princípio consiste em:
Borbulhar um gás inerte pela amostra de água
Transferir os compostos voláteis para uma armadilha adsorvente
Aquecer a armadilha para liberar os compostos concentrados
Introduzi-los no sistema cromatográfico
Essa abordagem permite alcançar limites de detecção muito baixos, compatíveis com os padrões de potabilidade.
Detecção por espectrometria de massas (GC-MS)
A associação da cromatografia gasosa à espectrometria de massas (GC-MS) confere alta seletividade e confiabilidade ao método.
A espectrometria de massas permite identificar o dicloroetano com base em seu padrão de fragmentação, reduzindo interferências e aumentando a segurança do resultado analítico.
Coleta, preservação e preparo das amostras
A confiabilidade da análise da concentração de dicloroetano na água começa antes mesmo da chegada da amostra ao laboratório.
A etapa de coleta e preservação é crítica e deve seguir procedimentos técnicos rigorosos.
Entre os cuidados mais importantes, destacam-se:
Uso de frascos apropriados, geralmente de vidro
Preenchimento completo do frasco, evitando bolhas de ar
Uso de conservantes químicos, quando aplicável
Armazenamento sob refrigeração
Transporte rápido ao laboratório
Falhas nessas etapas podem resultar na perda do composto por volatilização ou degradação, comprometendo a representatividade do resultado.
Interpretação dos resultados analíticos
A interpretação dos resultados da análise de dicloroetano na água deve ser realizada por profissionais capacitados, considerando não apenas o valor numérico obtido, mas também o contexto da amostragem, a incerteza do método e os limites regulatórios aplicáveis.
Resultados abaixo do limite máximo permitido indicam conformidade com o padrão de potabilidade, enquanto valores superiores exigem investigação das fontes de contaminação e adoção de medidas corretivas, como ajustes no tratamento da água ou intervenções ambientais.
Papel do laboratório na garantia da qualidade da água
Laboratórios de análise ambiental desempenham um papel estratégico na proteção da saúde pública e do meio ambiente.
Ao oferecer o serviço de análise da concentração de dicloroetano na água, o laboratório contribui para:
Atendimento à legislação vigente
Tomada de decisões baseada em dados técnicos
Prevenção de riscos à população
Transparência e rastreabilidade dos resultados
A credibilidade do laboratório está diretamente relacionada à qualificação técnica da equipe, à validação dos métodos analíticos e ao compromisso com boas práticas laboratoriais.

Conclusão
A análise da concentração de dicloroetano na água é uma atividade essencial em um cenário de crescente complexidade ambiental e regulatória.
A presença desse composto, mesmo em baixas concentrações, pode representar riscos significativos à saúde humana e ao equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.
Por meio de métodos analíticos avançados, como a cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas, é possível detectar e quantificar o dicloroetano com elevada precisão, assegurando o cumprimento dos padrões legais e a proteção da população.
Investir em monitoramento contínuo, realizado por laboratórios qualificados, é uma medida preventiva que reforça o compromisso com a qualidade da água, a responsabilidade ambiental e a segurança sanitária.
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FAQ – Perguntas Frequentes
O que é dicloroetano?
É um composto orgânico clorado utilizado principalmente na indústria química, com potencial tóxico e riscos à saúde.
Por que o dicloroetano é monitorado na água?
Porque pode causar efeitos adversos à saúde e possui limite máximo permitido em normas de potabilidade.
Qual é o limite permitido de dicloroetano na água no Brasil?
O valor máximo permitido para 1,2-dicloroetano é de 5 µg/L.
Como é feita a análise da concentração de dicloroetano na água?
Por meio de técnicas laboratoriais como purga e armadilha associada à cromatografia gasosa com espectrometria de massas.
Qualquer laboratório pode realizar essa análise?
Não. É necessário que o laboratório possua infraestrutura, métodos validados e equipe técnica qualificada.





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