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Análise de Ametrina na Água: importância do monitoramento de resíduos de agrotóxicos

Introdução


A qualidade da água está diretamente relacionada à proteção da saúde humana e à preservação dos recursos naturais.


Entre os diferentes contaminantes que podem atingir rios, córregos, reservatórios e águas subterrâneas estão os resíduos de agrotóxicos utilizados em atividades agrícolas.


Nesse contexto, a análise de ametrina na água é uma ferramenta importante para identificar a presença desse herbicida e avaliar a qualidade de diferentes fontes hídricas.


O monitoramento pode ser especialmente relevante em regiões próximas a áreas agrícolas, principalmente onde existe cultivo de culturas nas quais o produto é utilizado.


A ametrina é um herbicida pertencente ao grupo químico das triazinas. No Brasil, seu uso agrícola está associado a diferentes culturas, incluindo cana-de-açúcar, milho, café, citros, banana, algodão, mandioca, abacaxi e uva.



O que é a ametrina?


A ametrina, também conhecida como ametryn, é um herbicida utilizado no controle de plantas daninhas.


Sua ação ocorre principalmente pela interferência em processos fisiológicos das plantas, reduzindo sua capacidade de realizar fotossíntese.


Embora sua utilização esteja relacionada ao controle agrícola de plantas invasoras, resíduos do composto podem chegar ao ambiente e, dependendo das condições locais, alcançar corpos d'água ou águas subterrâneas.


Estudos realizados no Brasil já investigaram a mobilidade da ametrina em solos de áreas de cultivo de cana-de-açúcar.


A pesquisa conduzida pela Universidade de São Paulo indicou que características do solo podem favorecer a movimentação do composto, contribuindo para a possibilidade de lixiviação e contaminação do lençol freático.


Esse aspecto demonstra por que o acompanhamento da qualidade da água pode ser necessário, especialmente em áreas onde existe utilização frequente de herbicidas.



Como a ametrina pode chegar à água?


A presença de resíduos de agrotóxicos em recursos hídricos pode ocorrer por diferentes mecanismos ambientais.


Entre eles estão o escoamento superficial, a lixiviação através do solo e o transporte associado às partículas do ambiente.


Após a aplicação de um herbicida, parte do composto pode permanecer no solo. Dependendo de fatores como propriedades físico-químicas do produto, características do solo, precipitação, irrigação, profundidade do lençol freático e condições ambientais, uma parcela pode ser transportada para outras áreas.


A ocorrência de chuvas intensas, por exemplo, pode favorecer o transporte de determinadas substâncias presentes na superfície do solo para rios, córregos e reservatórios.


Em determinadas condições, a movimentação pelo perfil do solo também pode favorecer a chegada do contaminante às águas subterrâneas.


Por esse motivo, a preocupação não deve estar limitada apenas às águas superficiais.


A análise laboratorial permite transformar essa preocupação em uma informação objetiva: verificar se a substância está presente e, quando o método empregado permitir, determinar sua concentração.



Por que realizar a análise de ametrina na água?


A análise de ametrina na água pode fazer parte de programas de monitoramento ambiental, controle de qualidade e investigação de possíveis fontes de contaminação.


Entre as situações em que esse tipo de avaliação pode ser relevante estão:

  • monitoramento de águas superficiais próximas a áreas agrícolas;

  • avaliação de águas subterrâneas;

  • investigação de possíveis impactos decorrentes de atividades agrícolas;

  • acompanhamento da qualidade de mananciais;

  • estudos ambientais;

  • monitoramento de áreas rurais;

  • avaliação de água destinada ao abastecimento;

  • investigação de resultados analíticos fora do esperado.


A análise também pode ser solicitada em conjunto com outros princípios ativos. Isso é particularmente importante porque a contaminação ambiental raramente está associada obrigatoriamente a uma única substância.


Dessa maneira, um programa analítico pode contemplar diferentes agrotóxicos de interesse, definidos de acordo com o histórico de uso agrícola, a região, a fonte de água e o objetivo do monitoramento.



Como é realizada a análise de ametrina na água?


A identificação de resíduos de agrotóxicos exige métodos analíticos capazes de detectar concentrações muito baixas.


Entre as técnicas empregadas para determinação de ametrina em água está a cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas em tandem (LC-MS/MS).


A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), por exemplo, disponibiliza métodos para determinação de ametrina em matrizes aquosas utilizando LC-MS/MS, incluindo procedimentos com limite de quantificação na faixa de microgramas por litro.


De maneira simplificada, a análise envolve etapas como:

  1. Coleta da amostra – a água deve ser coletada de acordo com procedimentos apropriados para o parâmetro investigado.

  2. Preservação e transporte – as condições da amostra devem ser mantidas para reduzir alterações entre a coleta e a análise.

  3. Preparação da amostra – dependendo do método, pode ser necessária uma etapa de concentração ou extração do analito.

  4. Separação cromatográfica – a cromatografia permite separar a ametrina dos demais componentes presentes na amostra.

  5. Detecção por espectrometria de massas – o equipamento identifica o composto de interesse com elevada seletividade e sensibilidade.

  6. Quantificação – o resultado é calculado com base em procedimentos de calibração e controles analíticos.


A qualidade do resultado depende não apenas do equipamento, mas também da metodologia, da preparação da amostra, da calibração, dos controles de qualidade e da competência técnica do laboratório.



Ametrina e legislação para água de consumo humano


No Brasil, a legislação relacionada à qualidade da água destinada ao consumo humano estabelece procedimentos de controle e vigilância e define parâmetros de potabilidade.


A Portaria GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021, alterou o Anexo XX da Portaria de Consolidação nº 5/2017 e estabelece procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade.


A ametrina integra o conjunto de parâmetros considerados na regulamentação brasileira de água para consumo humano, com Valor Máximo Permitido (VMP) de 0,06 mg/L, equivalente a 60 µg/L.


Registros técnicos recentes que compilam os parâmetros da Portaria 888/2021 apresentam esse valor para a ametrina.


É importante, entretanto, interpretar resultados laboratoriais de acordo com a legislação aplicável à finalidade da água analisada.


Água destinada ao consumo humano, água superficial, água subterrânea, água de processo industrial e efluentes podem estar sujeitos a critérios e objetivos de avaliação diferentes.


Por isso, um resultado analítico não deve ser interpretado isoladamente: é necessário considerar a origem da amostra, sua finalidade e o padrão regulatório pertinente.



A importância de um laboratório especializado


A determinação de resíduos de agrotóxicos exige maior sensibilidade analítica do que muitas análises físico-químicas convencionais.


Um laboratório especializado deve trabalhar com procedimentos que assegurem rastreabilidade e confiabilidade dos resultados, desde o recebimento da amostra até a emissão do relatório ou laudo.


Além da ametrina, diferentes laboratórios podem oferecer análises de outros princípios ativos, possibilitando a elaboração de um perfil mais amplo de contaminantes.


Essa abordagem é particularmente útil quando existe histórico de aplicação agrícola na região ou quando se deseja investigar uma possível alteração na qualidade da água.



Quando solicitar uma análise de ametrina?


A análise pode ser indicada sempre que houver interesse em verificar a presença desse herbicida em determinada fonte hídrica.


Algumas situações que justificam a investigação incluem:

  • proximidade entre a fonte de água e áreas de cultivo;

  • utilização de herbicidas na região de captação;

  • investigação de possíveis contaminações ambientais;

  • monitoramento de poços;

  • acompanhamento de mananciais;

  • estudos relacionados à qualidade da água;

  • programas de monitoramento ambiental;

  • necessidade de caracterizar quimicamente determinada fonte hídrica.


A escolha dos parâmetros deve considerar as características da área e o objetivo da análise. Em muitos casos, a avaliação de um único composto pode ser complementada por um painel de agrotóxicos.



Conclusão


A análise de ametrina na água é uma ferramenta importante para o monitoramento da qualidade dos recursos hídricos e para a investigação da presença de resíduos de herbicidas no ambiente.


Por ser uma substância utilizada em diferentes atividades agrícolas, seu monitoramento pode ser relevante principalmente em regiões onde existe proximidade entre áreas de cultivo e fontes de água.


A análise laboratorial, realizada por metodologia adequada e com controles de qualidade, permite obter informações confiáveis sobre a presença e a concentração da substância na amostra.


Mais do que identificar um contaminante, o monitoramento químico da água contribui para decisões técnicas relacionadas à gestão dos recursos hídricos, à avaliação ambiental e ao controle da qualidade da água.


Se sua empresa precisa verificar a presença de ametrina em água, conte com um laboratório especializado para realizar a análise de acordo com a matriz e o objetivo do seu monitoramento.


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FAQ — Perguntas frequentes sobre análise de ametrina na água


1. O que é ametrina?

Ametrina é um herbicida do grupo químico das triazinas utilizado no controle de plantas daninhas em diferentes culturas agrícolas.


2. A ametrina pode contaminar a água?

Sim. Dependendo das características ambientais e das condições de aplicação, transporte e movimentação no solo, resíduos de ametrina podem alcançar águas superficiais ou subterrâneas. Estudos brasileiros já investigaram sua mobilidade em solos agrícolas.


3. Como detectar ametrina na água?

A detecção pode ser realizada por métodos instrumentais de alta sensibilidade, incluindo técnicas cromatográficas acopladas à espectrometria de massas, como LC-MS/MS.


4. Qual é o limite de ametrina permitido na água potável?

Para água destinada ao consumo humano, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece VMP de 0,06 mg/L (60 µg/L) para ametrina.


5. A análise pode ser feita em água de poço?

Sim. A água subterrânea pode ser analisada para verificar a presença de resíduos de agrotóxicos, incluindo ametrina, conforme o objetivo do estudo e a metodologia analítica aplicável.


6. É possível analisar vários agrotóxicos na mesma amostra?

Sim. Existem métodos multirresíduos capazes de determinar diversos princípios ativos em uma mesma análise. A escolha do painel deve considerar os compostos de interesse e as características da amostra.


7. O que fazer se a ametrina for detectada?

A interpretação deve considerar a concentração encontrada, a finalidade da água e a legislação ou critério técnico aplicável. Em caso de resultado acima do parâmetro pertinente, recomenda-se uma avaliação técnica para investigar a origem da contaminação e definir as medidas necessárias.



 
 
 

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