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Análise de Di(2-etilhexil) ftalato na água: importância, riscos e controle da qualidade

Introdução


A qualidade da água é um dos principais fatores relacionados à proteção da saúde humana e à preservação dos recursos naturais.


Embora parâmetros como pH, turbidez, cor, metais e microrganismos sejam frequentemente associados ao controle da qualidade da água, existem também contaminantes orgânicos que podem estar presentes em concentrações muito baixas e, ainda assim, merecer atenção.


Entre essas substâncias está o Di(2-etilhexil) ftalato, conhecido pela sigla DEHP e também denominado ftalato de di(2-etilhexilo).


Trata-se de um composto químico utilizado principalmente como plastificante, especialmente em materiais poliméricos, para conferir maior flexibilidade e resistência.


A presença desse composto na água pode estar relacionada à utilização, armazenamento, transporte ou contato com materiais que contenham ftalatos, além de processos de contaminação ambiental.


Por esse motivo, a análise de Di(2-etilhexil) ftalato na água é uma ferramenta importante para o monitoramento da qualidade da água e para a avaliação de conformidade com padrões estabelecidos pela legislação.



O que é o Di(2-etilhexil) ftalato?


O Di(2-etilhexil) ftalato, ou DEHP, é um composto pertencente ao grupo dos ftalatos. Seu número CAS é 117-81-7.


Os ftalatos são utilizados como aditivos em diferentes materiais, principalmente polímeros. O DEHP ganhou ampla utilização industrial devido à sua capacidade de aumentar a flexibilidade de determinados plásticos.


Diferentemente de componentes estruturais do polímero, o plastificante não precisa estar quimicamente incorporado à cadeia polimérica de maneira permanente. Dessa forma, em determinadas condições, pode ocorrer sua migração ou liberação para o ambiente.


Essa característica ajuda a explicar por que o DEHP é estudado como contaminante ambiental.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui o Di(2-etilhexil) ftalato entre as substâncias avaliadas em suas diretrizes para a qualidade da água destinada ao consumo humano.



Como o Di(2-etilhexil) ftalato pode chegar à água?


A ocorrência de DEHP em ambientes aquáticos pode estar associada a diferentes fontes.


Entre elas estão processos industriais, resíduos contendo materiais plásticos, descarte inadequado de produtos e a migração do composto a partir de determinados materiais.


Também é importante considerar que a contaminação pode ocorrer durante diferentes etapas do ciclo da água, incluindo captação, tratamento, armazenamento e distribuição.


A presença de materiais plásticos não significa, por si só, que haverá contaminação. A ocorrência e a concentração do composto dependem de fatores como características do material, condições de contato, tempo de exposição e características físico-químicas do ambiente.


Estudos ambientais já identificaram DEHP em águas destinadas ao consumo humano. Em uma pesquisa realizada em sistemas de abastecimento na China, por exemplo, o DEHP esteve entre os ftalatos detectados nas amostras analisadas.


Por isso, quando existe suspeita de contaminação ou necessidade de comprovação da qualidade da água, a avaliação laboratorial é mais adequada do que tentar determinar a presença do composto apenas por características visuais, odor ou sabor.



Por que realizar a análise de Di(2-etilhexil) ftalato na água?


O DEHP pode estar presente em concentrações muito baixas, tornando sua identificação impossível por métodos simples de avaliação da água.


A análise de Di(2-etilhexil) ftalato na água permite determinar quantitativamente a concentração do composto presente na amostra. Esse resultado pode ser utilizado para diferentes finalidades, como:

  • controle da qualidade da água para consumo humano;

  • investigação de possíveis fontes de contaminação;

  • monitoramento de águas subterrâneas;

  • avaliação de sistemas de abastecimento;

  • acompanhamento de processos de tratamento;

  • controle ambiental;

  • atendimento a requisitos regulatórios;

  • investigação de alterações na qualidade da água.


A análise também pode ser importante em situações nas quais a água permanece em contato prolongado com determinados materiais ou equipamentos, especialmente quando existe uma justificativa técnica para investigar a presença de contaminantes orgânicos.



O que diz a legislação brasileira?


Para água destinada ao consumo humano, a Portaria GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021, estabelece procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água e apresenta padrões de potabilidade.


Entre os parâmetros químicos contemplados está o Di(2-etilhexil) ftalato, cujo Valor Máximo Permitido (VMP) é de 8 µg/L. Esse valor corresponde a 0,008 mg/L.


É importante destacar que a interpretação de um resultado laboratorial deve considerar a finalidade da água e a legislação aplicável ao caso.


Uma água destinada ao consumo humano possui requisitos diferentes daqueles aplicáveis, por exemplo, a determinados usos ambientais ou processos industriais.


Para águas subterrâneas, por exemplo, existem valores orientadores ambientais específicos, e a CETESB apresenta referências para o DEHP em documentos relacionados à avaliação de solo e água subterrânea no Estado de São Paulo.


Portanto, não basta apenas realizar a medição: é necessário interpretar o resultado de acordo com o enquadramento regulatório correspondente.



Como é feita a análise de Di(2-etilhexil) ftalato na água?


A determinação de DEHP exige procedimentos laboratoriais específicos, pois normalmente estamos tratando de concentrações muito baixas.


O processo começa com a coleta adequada da amostra. Essa etapa é particularmente importante para análises de compostos orgânicos, pois uma coleta ou manipulação inadequada pode comprometer o resultado.


No laboratório, a amostra pode passar por uma etapa de preparação e concentração do analito antes da determinação instrumental.


Métodos baseados em técnicas de cromatografia são utilizados para separar e identificar compostos orgânicos presentes na matriz.


A combinação entre preparação da amostra e análise instrumental permite alcançar níveis de sensibilidade compatíveis com o monitoramento ambiental e de água para consumo humano.


Como exemplo de abordagem analítica utilizada em laboratórios, métodos da série EPA podem ser empregados para preparação e determinação de compostos orgânicos.


Um relatório público de análise de água de 2026, por exemplo, registra a determinação de Di(2-etilhexil) ftalato utilizando EPA 3535A para preparação e EPA 8270E para determinação.


A escolha do método, entretanto, deve considerar a matriz, o objetivo da análise, os limites de detecção e quantificação necessários e os requisitos regulatórios aplicáveis.



A importância da coleta da amostra


Em análises de contaminantes orgânicos, a coleta não deve ser tratada como uma etapa secundária.


O DEHP é justamente um composto associado a materiais plásticos e, por isso, o laboratório precisa adotar procedimentos que reduzam o risco de contaminação externa durante a coleta, transporte, armazenamento e preparação da amostra.


Além disso, a amostra deve ser acondicionada adequadamente e encaminhada ao laboratório dentro das condições estabelecidas pelo procedimento analítico.


A OMS chama atenção para a possibilidade de contaminação secundária durante a coleta e o processamento de amostras ambientais de DEHP, o que reforça a necessidade de procedimentos de amostragem e preparação cuidadosamente controlados.


Por esse motivo, quando o objetivo é obter um resultado confiável, é recomendável seguir as orientações do laboratório responsável pela análise antes de realizar a coleta.



O que significa encontrar DEHP na água?


A detecção de Di(2-etilhexil) ftalato não deve ser interpretada isoladamente.

Primeiramente, é necessário verificar a concentração encontrada e compará-la ao valor de referência aplicável àquela água.


Também devem ser considerados o tipo de amostra, a finalidade do monitoramento e as características da fonte.


Para água destinada ao consumo humano, o resultado deve ser avaliado em relação ao padrão de potabilidade estabelecido pela legislação vigente. No caso da Portaria GM/MS nº 888/2021, o VMP para DEHP é de 8 µg/L.


Outro ponto importante é o limite de quantificação do método. Um resultado apresentado como “menor que o limite de quantificação” não significa necessariamente ausência absoluta da substância.


Significa que a concentração, se presente, está abaixo da capacidade quantitativa estabelecida para aquela condição analítica.


Essa distinção é importante para uma interpretação tecnicamente correta do laudo.



Quais são os possíveis efeitos do DEHP?


A avaliação toxicológica do Di(2-etilhexil) ftalato é realizada por diferentes organismos científicos e regulatórios.


A OMS considera o DEHP em suas diretrizes para qualidade da água potável e apresenta informações sobre ocorrência, exposição, efeitos à saúde e avaliação de risco.


A relevância toxicológica do composto está relacionada principalmente à exposição repetida e à quantidade absorvida.


Estudos experimentais também investigaram efeitos sobre órgãos como fígado e sobre o sistema reprodutivo.


Isso não significa que a simples detecção de DEHP em uma amostra de água represente automaticamente um risco à saúde.



A avaliação depende da concentração encontrada, frequência de exposição, duração da exposição e demais fontes de contato com a substância.


Por isso, resultados laboratoriais devem ser interpretados de forma técnica, evitando conclusões baseadas somente na presença ou ausência do composto.



Quando solicitar uma análise de Di(2-etilhexil) ftalato?


A análise pode ser recomendada sempre que houver uma justificativa técnica ou regulatória para investigar a presença desse contaminante.


Entre as situações possíveis estão:

  • investigação de contaminação química da água;

  • monitoramento de água para consumo humano;

  • avaliação de água subterrânea;

  • acompanhamento de áreas potencialmente contaminadas;

  • controle de sistemas de tratamento;

  • investigação de alterações identificadas em análises anteriores;

  • atendimento a programas de monitoramento ambiental;

  • verificação de conformidade com padrões de qualidade.


A escolha dos parâmetros que devem compor um plano de análise deve ser realizada considerando a origem da água, seu uso, possíveis fontes de contaminação e legislação aplicável.



Análise de Di(2-etilhexil) ftalato na água em laboratório especializado


A confiabilidade de uma análise química depende não apenas do equipamento utilizado, mas de todo o processo analítico: planejamento, coleta, preservação, preparação, determinação instrumental, controles de qualidade e interpretação dos resultados.


Por isso, a contratação de um laboratório especializado é importante quando a análise será utilizada para controle de qualidade, investigação ambiental ou comprovação de atendimento a requisitos legais.


Um laboratório capacitado pode orientar sobre o tipo de amostra, volume necessário, condições de coleta, transporte e demais cuidados necessários para que o resultado represente adequadamente a qualidade da água avaliada.


A análise de Di(2-etilhexil) ftalato na água é, portanto, uma ferramenta importante para identificar e quantificar esse contaminante em níveis que não podem ser avaliados por métodos convencionais.



Conclusão


O Di(2-etilhexil) ftalato (DEHP) é um contaminante orgânico associado principalmente ao uso de ftalatos como plastificantes em materiais poliméricos.


Sua presença no ambiente pode resultar de diferentes fontes e, quando existe suspeita de ocorrência na água, a determinação laboratorial é fundamental.


No Brasil, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece 8 µg/L como Valor Máximo Permitido para Di(2-etilhexil) ftalato na água destinada ao consumo humano.


A análise permite quantificar a concentração do composto e fornece informações importantes para o controle da qualidade da água, investigação de possíveis fontes de contaminação e avaliação de conformidade.


Para obter resultados confiáveis, entretanto, é essencial que todas as etapas — especialmente coleta, acondicionamento, transporte e análise laboratorial — sejam realizadas de acordo com procedimentos apropriados.


Seu laboratório ou empresa precisa avaliar a presença de Di(2-etilhexil) ftalato na água? Entre em contato com nosso laboratório para obter orientações sobre a análise, condições de amostragem e demais parâmetros que podem ser avaliados de acordo com a finalidade do ensaio.



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FAQ — Perguntas frequentes


1. O que é Di(2-etilhexil) ftalato?

É um composto químico da classe dos ftalatos, utilizado principalmente como plastificante para conferir flexibilidade a determinados materiais poliméricos. Também é conhecido pela sigla DEHP.


2. O Di(2-etilhexil) ftalato pode estar presente na água?

Sim. O composto pode chegar ao ambiente por diferentes fontes relacionadas a materiais, resíduos e processos industriais, além de outras formas de contaminação ambiental.


3. Qual é o limite de DEHP na água potável no Brasil?

Para água destinada ao consumo humano, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece 8 µg/L como Valor Máximo Permitido para Di(2-etilhexil) ftalato.


4. Como é realizada a análise de Di(2-etilhexil) ftalato na água?

A análise requer preparação específica da amostra e determinação por metodologia instrumental adequada. Métodos de cromatografia são utilizados para separar, identificar e quantificar compostos orgânicos em baixas concentrações.


5. Um resultado abaixo do limite de quantificação significa que não existe DEHP?

Não necessariamente. Um resultado abaixo do limite de quantificação indica que a concentração está abaixo da capacidade quantitativa estabelecida pelo método naquela condição analítica.


6. A coleta influencia o resultado da análise?

Sim. A coleta, o acondicionamento, o transporte e o armazenamento podem influenciar diretamente a confiabilidade do resultado. Para DEHP, cuidados com contaminação secundária são especialmente importantes.


7. Quem deve realizar a análise de DEHP na água?

A análise deve ser realizada por laboratório que possua infraestrutura, metodologia e controles de qualidade adequados para determinação de contaminantes orgânicos em água.


8. É possível analisar outros contaminantes junto com o DEHP?

Sim. Dependendo da finalidade da análise, é possível elaborar um plano de monitoramento contendo outros compostos orgânicos, metais, parâmetros físico-químicos e microbiológicos.


 
 
 

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