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Análise de Glifosato e AMPA em Água: Tecnologia, Legislação e a Importância do Monitoramento

Introdução


A presença de agrotóxicos nos recursos hídricos é uma preocupação crescente em todo o mundo, e o glifosato ocupa posição de destaque nesse debate.


Como o herbicida mais utilizado globalmente, especialmente em culturas como soja e milho, seu potencial de contaminação de águas superficiais e subterrâneas exige atenção contínua de órgãos reguladores, cientistas e da sociedade .


Este post tem como objetivo apresentar, de forma técnica e acessível, os principais aspectos relacionados à análise de glifosato e de seu principal metabólito, o ácido aminometilfosfônico (AMPA), em amostras de água.


Abordaremos a importância desse monitoramento, as tecnologias laboratoriais envolvidas e o cenário regulatório brasileiro.



O que são Glifosato e AMPA e por que monitorá-los?


O glifosato é um herbicida de amplo espectro, amplamente empregado na agricultura para o controle de ervas daninhas.


Sua aplicação, muitas vezes em grandes extensões territoriais, fiz com que parte do produto atinja o solo.


A partir do solo, tanto o glifosato quanto seu metabólito, o AMPA, podem ser lixiviados, alcançando corpos d'água superficiais, como rios e lagos, ou infiltrando-se até aquíferos subterrâneos .


O monitoramento dessas substâncias é crucial por algumas razões. Primeiro, a própria dinâmica do glifosato no ambiente: ele não desaparece completamente, transformando-se em AMPA, que também é um composto de interesse toxicológico .


Segundo, os potenciais riscos à saúde humana e ao equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, que motivam a existência de legislações específicas que estabelecem limites máximos permitidos para essas substâncias na água para consumo humano .



O Desafio da Análise: Por que a detecção é complexa?


Determinar com precisão a concentração de glifosato e AMPA na água apresenta desafios analíticos significativos.


Tratam-se de moléculas polares, que não se comportam bem em métodos cromatográficos tradicionais.


Além disso, muitas vezes estão presentes em concentrações extremamente baixas, exigindo técnicas sensíveis e específicas para sua quantificação.


Historicamente, os métodos de análise envolviam etapas complexas de preparo de amostra, como a derivatização (reação química para modificar a molécula e torná-la detectável) e a pré-concentração dos analitos .


Embora eficazes, essas etapas demandam tempo, utilizam reagentes específicos e podem ser fontes de contaminação ou perda de amostra, aumentando a complexidade e o custo da análise.


A Cromatografia Iônica como Solução Tecnológica


Uma alternativa técnica que tem se consolidado como eficiente e robusta é o uso da cromatografia iônica (CI) para a análise direta de glifosato e AMPA em água .


A grande vantagem dessa técnica é a possibilidade de análise direta, ou seja, a amostra de água, após uma simples filtração para remoção de partículas, pode ser injetada diretamente no equipamento, eliminando as tediosas etapas de derivatização e pré-concentração .


Um estudo de validação de método para a matriz "água de consumo humano" demonstrou que a cromatografia iônica apresenta excelente desempenho analítico para esse fim.


A técnica foi considerada adequada, com boa seletividade (capacidade de distinguir o analito de outras substâncias na amostra), precisão (repetibilidade dos resultados) e exatidão (proximidade do resultado com o valor real) .


A sensibilidade do método também se mostrou apropriada para detectar e quantificar esses compostos nos níveis exigidos pela legislação brasileira, tornando-a uma ferramenta valiosa para laboratórios de controle de qualidade .



O Cenário Regulatório Brasileiro


No Brasil, a potabilidade da água é regulamentada pelo Ministério da Saúde. A Portaria GM/MS Nº 888, de 4 de maio de 2021, que substitui a Portaria 2914/11, estabelece o Valor Máximo Permitido (VMP) para glifosato em água de consumo humano.


É importante notar que a legislação brasileira, atualmente, estabelece um limite específico para o glifosato, enquanto o AMPA, embora monitorado, pode não ter um VMP definido de forma independente na mesma portaria, sendo considerado no contexto da soma de compostos ou da avaliação de risco do glifosato.


Essa diferenciação ressalta a necessidade de uma análise que possa quantificar ambos os compostos com precisão, fornecendo um panorama completo da contaminação .


Estudos científicos realizados em bacias hidrográficas brasileiras, como na Bacia do Paraná 3, encontraram concentrações de glifosato e AMPA em águas superficiais.


As concentrações detectadas, em sua maioria, estavam abaixo dos limites estabelecidos pela portaria do Ministério da Saúde, mas a presença constante desses compostos reforça a importância de um monitoramento sistemático e de qualidade .



Conclusão


O monitoramento de glifosato e AMPA em águas é uma demanda da sociedade moderna, atenta aos impactos das atividades agrícolas intensivas sobre os recursos hídricos e a saúde pública.


A ciência oferece ferramentas robustas, como a cromatografia iônica, para realizar essa tarefa com a precisão, exatidão e agilidade necessárias.


A validação de métodos e o cumprimento da legislação são pilares que garantem a confiabilidade dos dados gerados, permitindo uma gestão mais informada e segura da qualidade da água.


A realização de análises precisas é o primeiro passo para garantir a segurança hídrica. Se você é um profissional do setor agrícola, da indústria de alimentos, da gestão ambiental ou um cidadão preocupado com a qualidade da água que consome, entender esse processo é fundamental.



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FAQ – Perguntas Frequentes sobre Análise de Glifosato e AMPA


1. O que é AMPA?

AMPA é a sigla para Ácido Aminometilfosfônico. Ele é o principal produto da degradação do herbicida glifosato no solo e na água. Sua análise é importante porque ele também possui potencial tóxico e pode ser um indicador da contaminação passada por glifosato .


2. Qual a diferença entre a análise por Cromatografia Iônica e os métodos tradicionais?

A principal diferença está no preparo da amostra. Métodos tradicionais frequentemente exigem etapas complexas de derivatização e pré-concentração. A cromatografia iônica permite, em muitos casos, a análise direta da amostra de água, tornando o processo mais rápido, simples e com menor risco de contaminação .


3. Qual o limite máximo permitido para glifosato na água no Brasil?

O Valor Máximo Permitido (VMP) para glifosato em água de consumo humano é definido pela Portaria GM/MS Nº 888/2021 do Ministério da Saúde. Consulte a legislação vigente para o valor exato, pois ele pode ser atualizado periodicamente com base em novas avaliações de risco .


4. A análise de glifosato é feita para qualquer tipo de água?

Sim, a análise pode ser aplicada a diferentes matrizes, como águas superficiais (rios, lagos), subterrâneas (poços) e águas de consumo humano (tratadas). O método de análise, como a cromatografia iônica, pode ser validado para cada uma dessas matrizes, garantindo a confiabilidade do resultado .



 
 
 

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