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Análise de Hidrocarbonetos: importância, aplicações e controle por meio de análises laboratoriais

11 de mar. de 2021
7 min de leitura

Introdução


Os hidrocarbonetos estão presentes em uma grande variedade de produtos e processos industriais.


Petróleo, combustíveis, solventes, lubrificantes e diversos outros materiais possuem compostos pertencentes a essa classe química.


Quando ocorre um vazamento, descarte inadequado ou outra forma de liberação desses materiais, os hidrocarbonetos podem atingir o solo, a água, os sedimentos e outros compartimentos ambientais.


Nesse contexto, a análise de hidrocarbonetos é uma ferramenta importante para identificar e quantificar a presença desses compostos em diferentes tipos de amostras.


O resultado laboratorial pode auxiliar investigações ambientais, avaliações de qualidade, acompanhamento de processos de remediação e controle de matérias-primas e produtos.



O que são hidrocarbonetos?


Hidrocarbonetos são compostos orgânicos constituídos essencialmente por carbono e hidrogênio.


Apesar de sua composição relativamente simples, existe uma grande diversidade estrutural dentro dessa classe.


Dependendo da organização dos átomos, os hidrocarbonetos podem apresentar diferentes propriedades físicas e químicas.


Entre os grupos de maior relevância para análises laboratoriais estão os hidrocarbonetos alifáticos e os hidrocarbonetos aromáticos.


Os alifáticos podem apresentar cadeias lineares, ramificadas ou estruturas cíclicas. Já os aromáticos possuem estruturas caracterizadas pela presença de sistemas aromáticos, como o anel benzênico.


Essa diferença estrutural influencia características como volatilidade, solubilidade, mobilidade ambiental, persistência e comportamento durante os processos de análise.


Em aplicações ambientais, também é comum trabalhar com o conceito de TPH — Total Petroleum Hydrocarbons, ou Hidrocarbonetos Totais de Petróleo.


O TPH não corresponde a uma única substância, mas a uma medida que representa uma mistura de diferentes hidrocarbonetos derivados do petróleo.



Por que realizar a análise de hidrocarbonetos?


A presença de hidrocarbonetos em uma amostra nem sempre pode ser identificada visualmente.


Um solo pode, por exemplo, apresentar aparência aparentemente normal mesmo contendo contaminantes provenientes de combustíveis ou outros derivados de petróleo.


Por isso, a análise laboratorial permite obter informações que não seriam possíveis apenas pela avaliação visual ou sensorial.


Entre as principais aplicações estão:

  • investigação de áreas potencialmente contaminadas;

  • avaliação de solo e água subterrânea;

  • monitoramento de águas superficiais;

  • acompanhamento de processos de remediação ambiental;

  • investigação de vazamentos de combustíveis;

  • avaliação de resíduos e efluentes;

  • controle de produtos derivados de petróleo;

  • identificação de possíveis fontes de contaminação;

  • monitoramento de instalações industriais;

  • estudos e diagnósticos ambientais.


A análise também pode ser utilizada em conjunto com outros parâmetros. Dependendo do caso investigado, por exemplo, pode ser necessário avaliar TPH, BTEX, HPAs ou determinadas frações de hidrocarbonetos separadamente.


Isso acontece porque uma concentração global de hidrocarbonetos nem sempre fornece informações suficientes sobre quais compostos estão presentes ou sobre o comportamento da contaminação.



TPH, hidrocarbonetos alifáticos e aromáticos: qual é a diferença?


Uma das principais dificuldades para quem não trabalha diretamente com química analítica é entender por que existem diferentes análises para uma mesma família de contaminantes.


O TPH Total fornece uma avaliação global dos hidrocarbonetos abrangidos pelo método e pela faixa analítica utilizada.


Já a investigação por frações pode separar os compostos de acordo com características químicas e faixas de carbono.


Em determinadas aplicações ambientais, são avaliadas frações associadas, por exemplo, a diferentes intervalos de carbono.


A EPA apresenta classificações utilizadas para diferenciar faixas como compostos associados à gasolina, ao diesel e a frações mais pesadas de petróleo.


Essa abordagem é importante porque gasolina, diesel, óleos e outros derivados de petróleo apresentam composições diferentes.


Além disso, os hidrocarbonetos aromáticos incluem grupos de grande relevância ambiental e toxicológica.


Entre eles estão os BTEX — benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos — que são compostos aromáticos voláteis frequentemente associados a combustíveis e derivados de petróleo.


O governo brasileiro destaca a utilização de técnicas cromatográficas para a detecção e quantificação desses compostos em amostras de água.


Outro grupo importante são os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs). Essas substâncias podem ser formadas durante processos de combustão incompleta e também estão relacionadas ao petróleo e seus derivados.


Alguns HPAs apresentam elevada preocupação toxicológica, como o benzo(a)pireno.


Portanto, embora todos pertençam à grande família dos hidrocarbonetos, TPH, BTEX e HPAs não representam exatamente a mesma análise.



Como é realizada a análise de hidrocarbonetos?


A metodologia empregada depende da matriz analisada, do tipo de hidrocarboneto investigado, da faixa de concentração esperada e do objetivo do estudo.


Em análises ambientais, a cromatografia gasosa é uma das principais ferramentas utilizadas para a determinação de hidrocarbonetos.


A técnica permite separar diferentes componentes de uma mistura antes de sua detecção e quantificação.


Um exemplo é a cromatografia gasosa com detector por ionização em chama (GC-FID), utilizada em diferentes aplicações para determinação de hidrocarbonetos derivados de petróleo.


Em situações específicas, também podem ser empregados sistemas de cromatografia gasosa acoplados à espectrometria de massas (GC-MS).


De maneira simplificada, o processo analítico pode envolver:

  1. recebimento e identificação da amostra;

  2. preparo da matriz;

  3. extração dos compostos de interesse;

  4. etapas de purificação, quando necessárias;

  5. separação cromatográfica;

  6. detecção;

  7. processamento dos resultados;

  8. emissão do relatório ou laudo analítico.


A preparação da amostra é uma etapa especialmente importante. Solo, água, sedimento, resíduos e outros materiais apresentam características diferentes e podem exigir procedimentos específicos para que os hidrocarbonetos sejam adequadamente recuperados e determinados.



Quais amostras podem ser analisadas?


A análise de hidrocarbonetos pode ser aplicada a diferentes matrizes, desde que seja selecionada uma metodologia compatível com o material e com o objetivo da investigação.


Entre as possibilidades estão:

  • água subterrânea;

  • água superficial;

  • solo;

  • sedimentos;

  • efluentes;

  • resíduos;

  • produtos derivados de petróleo, conforme o escopo analítico.


A escolha do ensaio deve considerar a pergunta que precisa ser respondida.

Em uma investigação de possível vazamento de combustível, por exemplo, pode ser necessário determinar hidrocarbonetos totais e posteriormente complementar a avaliação com frações específicas, BTEX ou outros compostos.


Em um estudo envolvendo alimentos ou óleos vegetais, por outro lado, a investigação pode estar direcionada a determinados contaminantes, como os HPAs.


Estudos do Instituto Adolfo Lutz demonstram a aplicação de análises de HPAs em diferentes produtos alimentícios, inclusive óleos vegetais e produtos submetidos à defumação.



O que o resultado da análise pode indicar?


Um resultado analítico deve sempre ser interpretado considerando a matriz, metodologia, faixa analisada, unidade de medida e finalidade do estudo.


A simples detecção de hidrocarbonetos não significa, isoladamente, que exista um risco à saúde ou que determinado local esteja contaminado acima de um limite regulatório.


Esse cuidado é particularmente importante no caso do TPH. Como se trata de uma medida que pode englobar centenas de compostos diferentes, o valor total não informa necessariamente quais substâncias individuais estão presentes ou qual é a toxicidade específica da mistura.


Por isso, em uma investigação ambiental mais detalhada, os resultados podem ser avaliados em conjunto com outros parâmetros químicos, características do local, histórico de uso da área e critérios estabelecidos para a matriz analisada.


Essa interpretação integrada proporciona uma avaliação muito mais consistente do que a observação isolada de um único resultado.



Por que a análise laboratorial é importante para o controle ambiental?


Os hidrocarbonetos podem apresentar diferentes comportamentos depois de liberados no ambiente.


Alguns são mais voláteis, enquanto outros tendem a permanecer associados ao solo ou a materiais orgânicos.


Em determinadas condições, contaminantes provenientes de combustíveis e derivados de petróleo podem migrar pelo solo e alcançar águas subterrâneas.


Por esse motivo, investigações ambientais frequentemente utilizam análises laboratoriais para acompanhar a presença e a distribuição desses compostos.


A análise também pode ser utilizada durante processos de remediação ambiental. Nesse caso, resultados obtidos em diferentes períodos permitem acompanhar a evolução das concentrações e verificar a efetividade das medidas adotadas.


A caracterização adequada também ajuda a direcionar novas etapas da investigação, evitando que decisões ambientais sejam tomadas exclusivamente com base em observações visuais ou estimativas.



Análise de hidrocarbonetos no laboratório


A confiabilidade de uma análise de hidrocarbonetos começa antes da etapa instrumental.


A identificação correta da amostra, a conservação, o preparo, os procedimentos analíticos e o controle de qualidade são fundamentais para que o resultado represente adequadamente a condição da amostra recebida.


A definição do ensaio também deve ser feita de acordo com o objetivo da análise. TPH Total, TPH por frações, hidrocarbonetos alifáticos, hidrocarbonetos aromáticos, BTEX e HPAs, por exemplo, respondem a perguntas analíticas diferentes.


O laboratório deve, portanto, avaliar a matriz e a finalidade do estudo para indicar o procedimento mais adequado dentro de seu escopo técnico.


A realização de análises por técnicas cromatográficas permite obter informações relevantes para estudos ambientais, controle de qualidade, investigação de contaminações e acompanhamento de processos industriais.



Conclusão


A análise de hidrocarbonetos é uma importante ferramenta para identificar e quantificar compostos associados ao petróleo, combustíveis e diferentes processos industriais.


Mais do que simplesmente determinar a presença de um contaminante, a análise adequada permite compreender melhor a composição da amostra e direcionar investigações ambientais, controles de qualidade e processos de remediação.


A utilização de parâmetros como TPH, frações alifáticas e aromáticas, BTEX e HPAs deve ser definida de acordo com a matriz e com o objetivo do estudo.


Dessa forma, os resultados laboratoriais tornam-se mais úteis para a tomada de decisões técnicas.


Para empresas, indústrias, consultorias ambientais e responsáveis por áreas potencialmente contaminadas, contar com um laboratório especializado é uma etapa importante para obter resultados confiáveis e tecnicamente interpretáveis.



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FAQ — Perguntas frequentes


O que é análise de hidrocarbonetos?

É o conjunto de procedimentos laboratoriais utilizados para detectar e/ou quantificar hidrocarbonetos presentes em determinada amostra. A análise pode ser direcionada a hidrocarbonetos totais, frações específicas ou compostos determinados.


O que significa TPH?

TPH significa Total Petroleum Hydrocarbons, ou Hidrocarbonetos Totais de Petróleo. O termo representa uma medida da concentração de determinados hidrocarbonetos derivados de petróleo dentro da faixa definida pelo método analítico.


TPH e HPAs são a mesma coisa?

Não. TPH representa uma medida mais ampla de hidrocarbonetos derivados do petróleo, enquanto HPAs são uma classe específica de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Alguns HPAs podem estar relacionados a petróleo e processos de combustão.


A análise de hidrocarbonetos pode ser feita em água?

Sim. Dependendo do parâmetro investigado e da metodologia selecionada, podem ser analisadas águas superficiais e subterrâneas, entre outras matrizes.


A análise de hidrocarbonetos identifica qual produto causou a contaminação?

Nem sempre. Um resultado de TPH, por exemplo, fornece uma medida global dentro da faixa analítica estabelecida e não necessariamente identifica individualmente todos os compostos ou a origem da contaminação. Para investigações mais detalhadas, podem ser necessárias análises complementares.


Qual técnica é utilizada para analisar hidrocarbonetos?

A técnica depende do parâmetro e da matriz. A cromatografia gasosa, incluindo GC-FID e, em aplicações específicas, GC-MS, é amplamente utilizada para determinação de diferentes grupos de hidrocarbonetos.


Quando devo solicitar uma análise de hidrocarbonetos?

A análise pode ser indicada em investigações de possíveis vazamentos, avaliação de áreas contaminadas, monitoramento ambiental, acompanhamento de remediações, controle de resíduos e efluentes e outras situações nas quais exista suspeita ou necessidade de verificar a presença desses compostos.


 
 
 

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