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Análise de IBU: o que é e por que medir o amargor da cerveja?

17 de mai. de 2023
7 min de leitura

Intodução


Ao avaliar uma cerveja, características como aroma, cor, teor alcoólico e sabor ajudam a definir sua identidade.


Entre esses parâmetros, o amargor possui papel importante no equilíbrio sensorial da bebida e está diretamente relacionado, principalmente, aos compostos provenientes do lúpulo.


Para acompanhar essa característica de maneira objetiva, pode ser realizada a análise de IBU, sigla para International Bitterness Units, ou Unidades Internacionais de Amargor.


O IBU é amplamente utilizado pela indústria cervejeira como parâmetro de controle de qualidade, desenvolvimento de produtos e acompanhamento da padronização entre diferentes lotes.


Entretanto, embora esteja associado ao amargor, o resultado laboratorial não deve ser confundido com uma avaliação sensorial direta.



O que é IBU?


IBU é uma unidade utilizada para representar analiticamente as substâncias responsáveis pelo amargor presentes na cerveja, especialmente os iso-α-ácidos provenientes do lúpulo.


Durante a fabricação da cerveja, o lúpulo pode ser utilizado para conferir aroma, sabor e amargor.


Seus α-ácidos passam por transformações durante etapas do processo cervejeiro, particularmente durante a fervura do mosto, formando iso-α-ácidos que apresentam importante contribuição para o caráter amargo da bebida.


A metodologia internacional Analytica EBC 9.8 – Bitterness of Beer descreve a determinação das substâncias amargas presentes na cerveja, destacando que elas são constituídas principalmente por iso-α-ácidos.


De maneira geral, quanto maior o valor de IBU, maior é a quantidade de compostos que contribuem para a leitura analítica de amargor.


Isso, porém, não significa que uma cerveja com IBU mais elevado necessariamente será percebida como proporcionalmente mais amarga.



IBU é a mesma coisa que amargor percebido?


Não exatamente.

O IBU é um parâmetro analítico, enquanto a percepção de amargor é uma experiência sensorial influenciada pela composição completa da cerveja.


Uma cerveja com quantidade elevada de malte residual, corpo pronunciado ou maior dulçor pode apresentar um valor relativamente alto de IBU e, ainda assim, transmitir uma sensação de amargor equilibrada.


Em outro produto mais seco e menos encorpado, um valor semelhante pode parecer sensorialmente mais intenso.


Além disso, diferentes compostos provenientes do lúpulo e de outras matérias-primas podem participar da percepção sensorial da bebida.


Portanto, o resultado de IBU deve ser interpretado em conjunto com aspectos como:

  • composição e estilo da cerveja;

  • quantidade e tipo de malte utilizado;

  • perfil de fermentação;

  • teor alcoólico;

  • açúcares residuais;

  • tipo e momento de adição do lúpulo;

  • utilização de técnicas como dry hopping;

  • avaliação sensorial do produto.


Essa distinção é especialmente importante em cervejas intensamente lupuladas, nas quais outros compostos extraídos do lúpulo podem contribuir para a resposta obtida no ensaio e para a percepção sensorial.



Como é realizada a análise de IBU?


Um dos procedimentos reconhecidos internacionalmente para determinação de unidades de amargor é o método espectrofotométrico.


Na metodologia utilizada como referência pela European Brewery Convention (EBC) e pela American Society of Brewing Chemists (ASBC), substâncias amargas presentes na cerveja são extraídas para uma fase orgânica e avaliadas por espectrofotometria.


A metodologia ASBC Beer-23A é apresentada como método internacional para determinação de unidades de amargor da cerveja.


Em procedimentos baseados nessa metodologia, a amostra é acidificada e os compostos relacionados ao amargor são extraídos utilizando um solvente orgânico.


Posteriormente, a fase obtida é analisada espectrofotometricamente, tradicionalmente na região de 275 nm.


A absorbância obtida está relacionada à quantidade de substâncias que absorvem radiação nessa região.


Nas condições descritas pelo método internacional, o resultado é expresso em unidades de amargor (BU/IBU).


A execução do ensaio em laboratório permite obter dados objetivos, facilitando a comparação entre lotes, formulações e diferentes etapas de desenvolvimento do produto.



IBU mede somente os iso-α-ácidos?


Essa é uma distinção importante.

Embora os iso-α-ácidos sejam os principais compostos associados ao resultado tradicional de IBU, o ensaio espectrofotométrico não deve ser entendido como uma determinação seletiva de apenas uma molécula específica.


A própria EBC descreve o método 9.8 como uma determinação das substâncias amargas da cerveja, constituídas principalmente por iso-α-ácidos.


Quando o objetivo é avaliar especificamente iso-α-ácidos, podem ser utilizadas técnicas analíticas mais seletivas.


A ASBC, por exemplo, também apresenta metodologia para determinação de iso-α-ácidos utilizando extração em fase sólida associada à cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC).


Por isso, antes de solicitar uma análise, é importante definir o objetivo:

IBU: acompanhamento das unidades de amargor da bebida.


Análise específica de iso-α-ácidos: investigação quantitativa mais direcionada aos compostos presentes na amostra.


São informações relacionadas, mas não necessariamente equivalentes.



Qual é a importância da análise de IBU para cervejarias?


A análise de IBU pode fazer parte de diferentes etapas do controle de qualidade de uma cervejaria.



Padronização entre lotes


Uma formulação pode ser cuidadosamente definida, mas pequenas diferenças nas matérias-primas ou no processo produtivo podem alterar o resultado final.


O acompanhamento do IBU ajuda a verificar se os lotes permanecem dentro do perfil estabelecido pela própria cervejaria.



Desenvolvimento de novas receitas


Durante a elaboração de uma nova cerveja, diferentes quantidades, variedades e momentos de adição do lúpulo podem ser testados.


A análise laboratorial fornece uma medida objetiva que pode ser comparada com a avaliação sensorial realizada durante o desenvolvimento.



Avaliação do processo produtivo


O aproveitamento dos componentes do lúpulo depende das condições utilizadas durante a produção.


Tempo e temperatura de fervura, características do mosto e diferentes estratégias de lupulagem podem alterar o perfil final de substâncias amargas.



Controle durante a vida útil


Os compostos do lúpulo também podem sofrer alterações durante o armazenamento da cerveja.


Fatores como tempo, temperatura, exposição à luz e condições de embalagem podem contribuir para mudanças químicas e sensoriais.


Dessa forma, a determinação de IBU pode ser utilizada em estudos comparativos ao longo da vida útil do produto.



E as cervejas produzidas com dry hopping?


O crescimento das cervejas intensamente lupuladas tornou a interpretação do IBU ainda mais interessante.


No dry hopping, o lúpulo é adicionado normalmente em etapas posteriores à fervura, com grande interesse na extração de compostos aromáticos.


Entretanto, a composição química dessas cervejas pode tornar a análise de amargor mais complexa.


Essa questão foi estudada internacionalmente pela European Brewery Convention e pela American Society of Brewing Chemists.


Após ensaios colaborativos realizados com laboratórios de diferentes países, o método internacional de unidades de amargor foi atualizado para incorporar dados específicos de precisão também para cervejas produzidas com dry hopping e valores mais elevados de unidades de amargor.


Isso reforça a importância de realizar a análise utilizando metodologia reconhecida e interpretar o resultado levando em consideração o processo de produção da bebida.



Existe um valor ideal de IBU para cerveja?


Não existe um único valor de IBU considerado ideal para todas as cervejas.


O resultado desejado depende da receita, do perfil sensorial pretendido, das matérias-primas utilizadas e das características definidas pelo fabricante.


Uma cerveja formulada para apresentar sabor leve e equilibrado terá objetivos diferentes de outra desenvolvida com grande protagonismo do lúpulo.


Por isso, o valor de IBU é mais útil quando interpretado dentro do perfil específico de cada produto, em vez de ser classificado isoladamente como alto ou baixo.


No controle de qualidade, uma das aplicações mais relevantes é verificar se o resultado encontrado corresponde à especificação estabelecida pela própria cervejaria.



Por que realizar a análise de IBU em laboratório?


Embora existam cálculos teóricos capazes de estimar o amargor durante a elaboração de uma receita, a análise laboratorial avalia o produto efetivamente produzido.


Na prática, fatores relacionados à matéria-prima, equipamentos e condições de processamento podem fazer com que o resultado final seja diferente do valor previsto durante a formulação.


A análise laboratorial permite:

  • verificar o IBU real da cerveja;

  • comparar diferentes lotes;

  • acompanhar alterações de formulação;

  • avaliar modificações no processo;

  • auxiliar estudos de estabilidade;

  • investigar desvios de qualidade;

  • estabelecer especificações internas;

  • relacionar informações instrumentais e sensoriais.


Para fabricantes que trabalham com grande variedade de estilos e diferentes técnicas de lupulagem, esse acompanhamento contribui para um controle mais consistente do produto.



Conclusão


A análise de IBU é uma ferramenta importante para compreender e controlar as substâncias responsáveis pelo amargor da cerveja.


O resultado fornece uma informação objetiva que pode ser utilizada no desenvolvimento de produtos, controle de processo, acompanhamento da estabilidade e padronização entre lotes.


Entretanto, IBU e percepção sensorial de amargor não são exatamente a mesma coisa.


A experiência do consumidor depende do equilíbrio entre diferentes componentes da cerveja, incluindo malte, açúcares residuais, álcool, corpo e compostos do lúpulo.


Por esse motivo, a melhor interpretação é obtida quando a análise laboratorial é combinada ao conhecimento sobre a formulação, o processo produtivo e as características sensoriais desejadas.


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FAQ — Perguntas frequentes sobre análise de IBU


O que significa IBU na cerveja?

IBU significa International Bitterness Units, ou Unidades Internacionais de Amargor. É um parâmetro analítico utilizado para expressar as substâncias responsáveis pelo amargor presentes na cerveja, principalmente aquelas relacionadas aos iso-α-ácidos provenientes do lúpulo.


Quanto maior o IBU, mais amarga é a cerveja?

Geralmente, valores maiores estão associados a maior quantidade de substâncias amargas detectadas pelo método. Entretanto, a percepção sensorial também depende de fatores como dulçor, corpo, teor alcoólico, malte e composição geral da cerveja. Portanto, dois produtos com IBU semelhante podem apresentar percepções de amargor diferentes.


Como o IBU é analisado?

Um dos métodos internacionais utiliza extração dos compostos amargos em fase orgânica seguida de determinação espectrofotométrica, tradicionalmente com leitura a 275 nm. A EBC 9.8 e a ASBC Beer-23 são importantes referências para essa determinação.


IBU e quantidade de lúpulo são a mesma coisa?

Não. A quantidade de lúpulo adicionada durante a fabricação influencia o produto, mas o IBU depende de diversos fatores relacionados à composição do lúpulo e ao processamento. Portanto, duas receitas utilizando quantidades semelhantes de lúpulo podem apresentar resultados diferentes.


É possível calcular o IBU sem análise laboratorial?

Existem fórmulas utilizadas na produção cervejeira para estimar o IBU com base na receita e nas condições de fabricação. Porém, a análise laboratorial determina o parâmetro no produto efetivamente produzido, sendo especialmente importante quando o objetivo é controle de qualidade e padronização.


A análise de IBU pode ser realizada em cervejas com dry hopping?

Sim. A atualização do método internacional EBC/ASBC incluiu dados de precisão provenientes de ensaios colaborativos realizados também com cervejas produzidas por dry hopping, contemplando produtos com níveis mais elevados de unidades de amargor.


Existe um limite máximo de IBU permitido para cerveja?

O IBU é principalmente um parâmetro de caracterização e controle do produto, e não deve ser interpretado isoladamente como um limite universal de qualidade. A especificação adequada depende do produto, do processo, dos requisitos aplicáveis e dos critérios estabelecidos pelo fabricante.




 
 
 

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