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Análise de Identificação por Espectro de Infravermelho em Fármacos e Cosméticos

13 de mai. de 2024
8 min de leitura

Introdução


A identificação correta de matérias-primas, princípios ativos e outros componentes é uma etapa essencial do controle de qualidade nas indústrias farmacêutica e cosmética.


Entre as técnicas utilizadas para essa finalidade está a análise de identificação por espectro de infravermelho, capaz de fornecer informações relacionadas à estrutura química de uma substância por meio da interação entre a matéria e a radiação infravermelha.


A espectrofotometria no infravermelho pode ser utilizada para comparar o perfil espectral de uma amostra com o de uma substância de referência ou com critérios previamente estabelecidos.


Dessa forma, auxilia na confirmação da identidade do material e na investigação de possíveis diferenças em relação ao padrão esperado.


No setor farmacêutico, a técnica possui aplicação consolidada em compêndios oficiais.


A Farmacopeia Brasileira 8ª edição, aprovada pela RDC nº 1.026/2026, estabelece requisitos mínimos relacionados à qualidade, autenticidade e pureza de insumos farmacêuticos e medicamentos e inclui, entre seus métodos gerais, a espectrofotometria no ultravioleta, visível e infravermelho.



O que é a identificação por espectro de infravermelho?


A espectrofotometria no infravermelho baseia-se na absorção de radiação eletromagnética pelas moléculas.


Quando uma substância é exposta à radiação infravermelha, determinadas frequências são absorvidas de acordo com as ligações químicas e com a estrutura molecular existente na amostra.


Na região do infravermelho médio (MIR), essa interação está associada principalmente às vibrações das ligações químicas, incluindo movimentos de estiramento e alterações nos ângulos das ligações.


A região do MIR compreende, de forma geral, aproximadamente 4000 a 400 cm⁻¹ e é uma das regiões mais utilizadas para identificação química.


O resultado é apresentado na forma de um espectro, contendo bandas de absorção em posições características.


Muitas substâncias apresentam um conjunto de bandas tão particular que parte do espectro é conhecida informalmente como uma espécie de “impressão digital molecular”.


Isso torna a análise bastante útil para responder a uma pergunta fundamental no controle de qualidade:


A substância analisada corresponde ao material que deveria estar presente na amostra?



Como é realizada a análise por infravermelho?


Inicialmente, a amostra é preparada de acordo com sua natureza física, composição e com o método analítico aplicável.


O procedimento adotado pode variar para sólidos, líquidos, pós, matérias-primas, princípios ativos ou amostras provenientes de formulações mais complexas.


Entre as formas de obtenção do espectro estão técnicas de transmissão e acessórios baseados em reflexão, como a reflexão total atenuada (ATR).


Em determinados procedimentos farmacopéicos, amostras sólidas também podem ser preparadas, por exemplo, por dispersão em brometo de potássio ou por outras técnicas adequadas à aquisição do espectro.


Após a preparação, a amostra é submetida à radiação infravermelha e o equipamento registra as regiões nas quais ocorreu absorção.


O espectro obtido pode então ser comparado com:

  • uma Substância Química de Referência (SQR);

  • um material de referência adequado;

  • um espectro de referência estabelecido pelo método;

  • critérios definidos em uma monografia ou procedimento analítico validado.


A identificação é realizada observando-se características como a posição das bandas, o formato geral do espectro e, quando previsto pelo método, suas intensidades relativas.


A Farmacopeia Brasileira descreve a espectrofotometria no infravermelho como técnica aplicável à identificação de substâncias e destaca especialmente o infravermelho médio para essa finalidade.



FTIR: por que essa tecnologia é tão utilizada?


Atualmente, grande parte das análises por infravermelho é realizada por FTIR, sigla de Fourier Transform Infrared Spectroscopy, ou espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier.


Nos equipamentos FTIR, o sinal é adquirido e processado matematicamente por meio da transformada de Fourier para produzir o espectro final.


Entre as vantagens práticas da tecnologia estão a rapidez de aquisição dos espectros, a possibilidade de trabalhar com pequenas quantidades de amostra e a obtenção de informações estruturais relevantes sem a necessidade de procedimentos excessivamente complexos para diversos tipos de materiais.


Quando associado ao acessório ATR, o FTIR também pode permitir a análise direta de diversos sólidos, pós e líquidos, dependendo da finalidade do ensaio e das características da amostra.


É importante destacar, porém, que a técnica e a preparação da amostra devem ser compatíveis com o método aplicável.


Não basta simplesmente gerar um espectro: é necessário estabelecer condições analíticas capazes de fornecer uma comparação tecnicamente válida.



Aplicação da análise de infravermelho em fármacos


Na indústria farmacêutica, confirmar a identidade das matérias-primas utilizadas na fabricação é uma das etapas fundamentais do controle de qualidade.


A análise por espectro de infravermelho pode ser aplicada à identificação de diferentes insumos farmacêuticos ativos e excipientes, desde que exista método apropriado para o material em questão.


Dependendo da monografia aplicável, o espectro da amostra pode ser comparado diretamente ao espectro obtido com uma Substância Química de Referência preparada nas mesmas condições.


O princípio é relativamente simples: uma substância química específica tende a apresentar um padrão de absorção característico.


Quando os principais sinais da amostra correspondem aos observados para o padrão de referência, essa informação contribui para confirmar sua identidade.


A Farmacopeia Brasileira é o código farmacêutico oficial brasileiro e estabelece requisitos mínimos de qualidade para insumos farmacêuticos, medicamentos e outros produtos abrangidos pelo compêndio.


Sua 8ª edição está vigente desde julho de 2026.



Aplicação em cosméticos e matérias-primas cosméticas


No setor cosmético, a identificação química também pode ser importante para verificar matérias-primas recebidas, investigar desvios de qualidade e caracterizar determinados componentes utilizados nas formulações.


Óleos, ceras, álcoois, tensoativos, matérias-primas em pó e diferentes compostos orgânicos podem apresentar bandas características no infravermelho.


Entretanto, existe uma diferença importante entre analisar uma matéria-prima isolada e analisar um produto cosmético acabado.


Cremes, loções, shampoos, condicionadores e outras formulações podem conter dezenas de componentes.


Nesses casos, o espectro obtido representa a contribuição conjunta de diversos ingredientes, o que pode produzir sobreposição de bandas e tornar a identificação de uma substância específica mais complexa.


Por isso, dependendo do objetivo da análise, pode ser necessário aplicar técnicas de preparação, separação ou extração antes da leitura instrumental ou selecionar outra técnica analítica mais específica.


A própria Anvisa destaca que o controle de qualidade de produtos cosméticos envolve a avaliação de características físicas, químicas e microbiológicas das matérias-primas, produtos em processo e produtos acabados, de acordo com as características e especificações estabelecidas para cada produto.



O que o espectro de infravermelho pode identificar?


O espectro fornece informações relacionadas às ligações presentes na molécula e aos chamados grupos funcionais.


Algumas regiões podem apresentar absorções associadas, por exemplo, a ligações envolvendo grupos hidroxila, carbonila, aminas e diferentes ligações entre carbono e hidrogênio.


Entretanto, a identificação não deve ser feita observando apenas uma única banda.

Diferentes substâncias podem apresentar o mesmo grupo funcional e, consequentemente, bandas semelhantes em determinadas regiões do espectro.


Por esse motivo, a interpretação considera o conjunto do perfil espectral, principalmente quando é realizada uma comparação de identidade com uma substância de referência.


Essa abordagem aumenta a capacidade de diferenciar compostos que possuem estruturas químicas semelhantes, mas não idênticas.



Identificação é diferente de quantificação


Essa distinção é muito importante.

Na análise de identificação, o objetivo principal é verificar a identidade química do material.


Já uma análise de quantificação ou doseamento procura determinar quanto de determinada substância está presente na amostra.


Embora técnicas espectroscópicas possam ser desenvolvidas para aplicações quantitativas em determinadas condições, um ensaio de identificação por infravermelho não deve ser interpretado automaticamente como uma determinação de concentração.


Da mesma maneira, a confirmação de identidade não significa necessariamente que a amostra esteja totalmente isenta de impurezas.


Dependendo do controle necessário, outros ensaios podem ser realizados em conjunto, como cromatografia, doseamento, determinação de impurezas, teor de água, testes físico-químicos ou análises microbiológicas.



Por que realizar a identificação de matérias-primas?


A utilização de uma matéria-prima incorreta pode comprometer todo o processo produtivo.


Um material recebido com identificação inadequada, troca de embalagem, erro de fornecedor ou composição diferente da especificada pode afetar a estabilidade, a eficácia, o desempenho e outras características do produto final.


A análise de identificação por infravermelho pode contribuir para:

  • controle de recebimento de matérias-primas;

  • confirmação da identidade de insumos;

  • comparação entre amostras e padrões de referência;

  • investigação de materiais com comportamento diferente do esperado;

  • suporte ao controle de qualidade;

  • investigação de desvios;

  • desenvolvimento e verificação de métodos analíticos.


O resultado deve sempre ser interpretado considerando a finalidade da análise, a matriz da amostra e o método de referência utilizado.



Importância da preparação e da comparação com o padrão


Uma comparação espectral confiável exige cuidados analíticos.


A preparação da amostra e do material de referência deve seguir condições compatíveis, pois diferenças de preparação, concentração, estado físico ou técnica de aquisição podem modificar determinadas características do espectro.


Também é necessário avaliar fatores relacionados ao próprio material.


Algumas substâncias podem apresentar diferentes formas cristalinas, hidratação ou outras características capazes de influenciar o espectro.


Por isso, a interpretação deve ser realizada por profissionais capacitados, utilizando procedimento apropriado e critérios técnicos previamente definidos.



Análise de Identificação por Espectro de Infravermelho em laboratório


A realização da análise de Identificação por Espectro de Infravermelho para fármacos e cosméticos oferece uma ferramenta importante para empresas que precisam confirmar a identidade de matérias-primas, investigar amostras ou cumprir requisitos de controle de qualidade.


O laboratório pode avaliar previamente as características da amostra e o objetivo solicitado para definir o procedimento mais adequado, incluindo a necessidade de comparação com substância de referência e a aplicabilidade da técnica ao material analisado.

É importante fornecer, sempre que possível, informações sobre a composição da amostra, finalidade do ensaio, especificação desejada e referência normativa ou farmacopéica aplicável.



Conclusão


A análise de identificação por espectro de infravermelho é uma ferramenta consolidada para caracterização e confirmação da identidade de diferentes substâncias utilizadas nos setores farmacêutico e cosmético.


Por meio da interação entre a radiação infravermelha e as ligações químicas presentes na amostra, é possível obter um perfil espectral característico e compará-lo com materiais ou espectros de referência.


Em fármacos, sua utilização é amplamente reconhecida em métodos farmacopéicos.


Em cosméticos, a técnica também pode ser aplicada à caracterização e identificação de matérias-primas, considerando sempre as particularidades das formulações e a complexidade de cada matriz.


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FAQ — Perguntas frequentes


O que é análise de identificação por espectro de infravermelho?

É uma técnica analítica que avalia a absorção de radiação infravermelha pela amostra. O espectro obtido pode ser comparado a um padrão ou espectro de referência para auxiliar na confirmação da identidade da substância.


O que significa FTIR?

FTIR significa Fourier Transform Infrared Spectroscopy, ou espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier. É uma das tecnologias mais utilizadas atualmente para obtenção de espectros de infravermelho.


A análise por infravermelho determina a quantidade de princípio ativo?

Não necessariamente. Um ensaio de identificação tem como objetivo principal confirmar a identidade do material. A determinação da quantidade ou teor do princípio ativo normalmente exige um procedimento específico de doseamento.


O FTIR pode ser utilizado em cosméticos?

Sim. A técnica pode ser aplicada especialmente à identificação e caracterização de matérias-primas cosméticas. Em produtos acabados com muitos ingredientes, a interpretação pode ser mais complexa devido à sobreposição das bandas dos diferentes componentes.


É necessário utilizar um padrão de referência?

Isso depende do método aplicável. Em muitos ensaios farmacopéicos de identificação, o espectro da amostra é comparado ao espectro de uma Substância Química de Referência preparada em condições equivalentes.


A análise por infravermelho detecta todas as impurezas?

Não. Um resultado de identificação compatível não significa, por si só, ausência de todas as impurezas. Quando necessário, técnicas complementares, como métodos cromatográficos e ensaios específicos de pureza, podem ser empregadas.


Qual região do infravermelho é mais utilizada para identificação?

O infravermelho médio, aproximadamente entre 4000 e 400 cm⁻¹, é amplamente utilizado para identificação porque apresenta bandas associadas às vibrações moleculares e fornece um perfil bastante característico de muitas substâncias.


A análise pode ser feita em qualquer tipo de amostra?

A aplicabilidade depende da natureza do material, da concentração do composto de interesse, da matriz e do objetivo da análise. Amostras muito complexas podem exigir preparo específico ou uma técnica analítica complementar.




 
 
 

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