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Análise de Licopeno em Alimentos: importância, métodos e aplicações

16 de jul. de 2021
7 min de leitura

Introdução


O licopeno é um pigmento natural pertencente ao grupo dos carotenoides, conhecido principalmente por conferir tonalidades vermelhas ou rosadas a diferentes alimentos.


É encontrado em concentrações relevantes no tomate e em seus derivados, mas também pode estar presente em alimentos como melancia, goiaba vermelha, mamão e grapefruit rosa.


Diferentemente de carotenoides como o betacaroteno, o licopeno não apresenta atividade de pró-vitamina A.


A determinação da concentração desse composto pode ser importante para caracterização nutricional, desenvolvimento de produtos, controle de qualidade, estudos de estabilidade e padronização de matérias-primas e alimentos industrializados.


Nesse contexto, a análise de licopeno em alimentos permite obter informações quantitativas sobre a presença desse carotenoide na amostra, utilizando técnicas analíticas capazes de separar e determinar o composto mesmo na presença de outros pigmentos naturais.



O que é o licopeno?


O licopeno é um carotenoide lipossolúvel formado por uma extensa cadeia de ligações duplas conjugadas.


Essa estrutura química é responsável tanto por sua coloração característica quanto por algumas de suas propriedades químicas.


Tomates e produtos derivados, como extratos, molhos, polpas e sucos, estão entre as fontes alimentares mais conhecidas de licopeno.


O composto também ocorre naturalmente em outras frutas de coloração avermelhada ou rosada.


Nos alimentos, o licopeno pode existir em diferentes configurações estruturais, particularmente na forma all-trans e em diversos isômeros cis.


Processamento, temperatura, exposição à luz, oxigênio e características da matriz podem alterar sua estabilidade e seu perfil de isômeros.


Por esse motivo, sua determinação laboratorial requer atenção não apenas à etapa instrumental, mas também à coleta, conservação, preparação e extração da amostra.



Por que realizar a análise de licopeno em alimentos?


A análise de licopeno em alimentos pode atender diferentes objetivos dentro da indústria de alimentos, pesquisa e controle de qualidade.


A determinação quantitativa permite avaliar a concentração efetivamente presente em uma matéria-prima ou produto acabado, auxiliando na comparação entre lotes, fornecedores, formulações e diferentes condições de processamento.


Outro ponto importante é a avaliação da estabilidade. Como os carotenoides podem sofrer oxidação e alterações estruturais durante processamento ou armazenamento, análises realizadas em diferentes etapas permitem acompanhar possíveis variações no teor de licopeno.


Luz, oxigênio, temperatura e condições químicas do meio estão entre os fatores capazes de influenciar a estabilidade dos carotenoides.


A análise também pode ser aplicada em atividades como:

  • caracterização de matérias-primas;

  • desenvolvimento e reformulação de produtos;

  • estudos de estabilidade e vida de prateleira;

  • comparação entre processos produtivos;

  • avaliação de ingredientes ricos em carotenoides;

  • controle de qualidade de alimentos e suplementos;

  • estudos científicos e tecnológicos;

  • obtenção de dados para especificações internas.


O objetivo da análise deve ser definido previamente, pois a matriz e a forma como o resultado será utilizado podem influenciar o procedimento analítico escolhido.



Como é realizada a análise de licopeno?


Existem diferentes técnicas para estimar ou determinar carotenoides em alimentos. Entre elas estão a espectrofotometria UV-Vis e métodos cromatográficos, particularmente a cromatografia líquida de alta eficiência, ou HPLC/CLAE.


A literatura científica descreve a HPLC como uma das principais técnicas empregadas para determinação quantitativa de carotenoides em alimentos, incluindo licopeno, luteína, betacaroteno e outros compostos.


De forma simplificada, a análise pode envolver inicialmente a homogeneização da amostra e a extração do licopeno utilizando solventes adequados à natureza lipossolúvel do composto.


Depois da preparação, o extrato pode ser introduzido no sistema cromatográfico. A coluna promove a separação dos componentes da amostra, permitindo que o licopeno seja diferenciado de outros carotenoides e substâncias presentes na matriz.


Um detector apropriado, frequentemente baseado em absorção na região do visível, registra a resposta correspondente ao analito.


Estudos publicados demonstram, por exemplo, a aplicação de HPLC com detecção em aproximadamente 450 nm para determinação conjunta de diferentes carotenoides em alimentos.


A concentração é então calculada por meio de comparação com padrões analíticos e curva de calibração, conforme as condições estabelecidas e validadas pelo laboratório.



HPLC e espectrofotometria: qual a diferença?


A espectrofotometria pode ser utilizada para avaliação de pigmentos e, dependendo do objetivo e da matriz, pode oferecer uma alternativa analítica mais simples.


Entretanto, alimentos normalmente apresentam misturas de diferentes carotenoides e outros compostos capazes de absorver radiação em regiões semelhantes do espectro.


A cromatografia possui a vantagem de promover a separação dos componentes antes da quantificação.


Estudos comparando espectrofotometria e HPLC demonstram que diferenças entre técnicas, procedimentos de preparação e matrizes podem influenciar os resultados obtidos para licopeno e outros carotenoides.


Por isso, quando é necessária maior seletividade ou determinação individual do licopeno dentro de uma mistura de carotenoides, a separação cromatográfica pode ser especialmente importante.


Não existe, entretanto, uma única condição analítica universal aplicável a todos os alimentos.


Diferentes matrizes podem exigir adaptações na extração, purificação e separação cromatográfica. Revisões científicas destacam justamente a diversidade de procedimentos empregados para análise de carotenoides em alimentos.



A preparação da amostra influencia o resultado?


Sim. A preparação da amostra é uma etapa fundamental da análise. Como o licopeno apresenta sensibilidade a condições ambientais e pode sofrer oxidação ou isomerização, o contato excessivo com oxigênio, luz e determinadas condições de temperatura durante o preparo pode modificar a composição originalmente presente na amostra.


A literatura mostra que técnicas de manipulação inadequadas podem favorecer alterações do licopeno após sua extração da matriz alimentar, especialmente quando o composto se encontra dissolvido em solventes.


Por isso, um procedimento analítico deve considerar fatores como:

  • Homogeneização: a porção utilizada na análise precisa ser representativa do alimento recebido.

  • Extração: devem ser utilizados solventes e condições adequadas para recuperar o licopeno da matriz.

  • Proteção contra degradação: exposição desnecessária à luz, oxigênio e condições adversas deve ser minimizada.

  • Separação cromatográfica: as condições devem permitir diferenciação adequada entre licopeno e outros componentes.

  • Calibração: padrões analíticos e controles são importantes para garantir confiabilidade à quantificação.


Esses cuidados ajudam a reduzir interferências e aumentar a qualidade do resultado analítico.



Quais alimentos podem ser analisados?


A determinação de licopeno pode ser aplicada a diversas matrizes, especialmente aquelas naturalmente ricas no composto ou formuladas com ingredientes contendo carotenoides.


Entre os exemplos estão tomates frescos, tomate em pó, polpas, molhos, extratos, ketchup, sucos, bebidas, melancia, goiaba, mamão e alimentos formulados com ingredientes ricos em licopeno.


Também podem ser avaliados ingredientes concentrados, extratos, suplementos e determinados produtos funcionais, desde que o procedimento esteja tecnicamente adequado à matriz.


Produtos processados merecem atenção particular. Alterações provocadas por tratamento térmico, armazenamento, exposição ao oxigênio e interação com outros componentes podem modificar o teor ou a distribuição dos isômeros de licopeno.


Consequentemente, dois alimentos semelhantes visualmente não necessariamente apresentam a mesma concentração do composto.



Como interpretar o resultado da análise?


O resultado da análise de licopeno em alimentos geralmente é expresso em uma unidade de concentração compatível com a matriz analisada, como mg/kg, mg/100 g ou outra unidade definida no procedimento laboratorial.


A interpretação deve considerar o objetivo do ensaio. Em estudos de estabilidade, por exemplo, pode ser interessante comparar o teor encontrado em diferentes tempos de armazenamento.


Em controle de matéria-prima, o resultado pode ser confrontado com uma especificação estabelecida pelo fabricante ou cliente.


Já no desenvolvimento de produtos, diferentes formulações ou processos podem ser comparados para verificar como interferem na concentração final do composto.


É importante destacar que o resultado laboratorial representa a concentração encontrada na amostra analisada dentro das condições do método utilizado.


Sua avaliação deve considerar matriz, preparação da amostra, especificação aplicável e finalidade do ensaio.



Importância de um laboratório qualificado


A análise de carotenoides envolve diferentes etapas críticas. Extração inadequada, exposição excessiva da amostra à luz ou oxigênio, interferentes da matriz e separação cromatográfica insuficiente podem comprometer a quantificação.


Pesquisas sobre métodos para carotenoides demonstram justamente a importância da validação de características como linearidade, precisão, repetibilidade, limites analíticos e exatidão para produzir resultados confiáveis.


Por isso, a escolha de um laboratório com experiência em análises físico-químicas e instrumentais é fundamental para estabelecer um procedimento compatível com a amostra e com a finalidade pretendida.



Conclusão


A análise de licopeno em alimentos é uma importante ferramenta para caracterização de matérias-primas, controle de qualidade, desenvolvimento de produtos, estudos de estabilidade e avaliação de alimentos que apresentam esse carotenoide em sua composição.


Técnicas cromatográficas, como a HPLC, permitem separar e quantificar o licopeno com maior seletividade, aspecto particularmente relevante em alimentos que apresentam uma composição complexa de pigmentos naturais.


Além do equipamento utilizado, cuidados com amostragem, conservação, extração, calibração e validação do procedimento são essenciais para a obtenção de dados tecnicamente confiáveis.


Nosso laboratório realiza análise de licopeno em alimentos, oferecendo suporte técnico desde a avaliação da matriz e definição do ensaio até a emissão dos resultados.


Entre em contato com nossa equipe para verificar as condições de análise, quantidade necessária de amostra, prazo e demais orientações para o envio do material.



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FAQ — Perguntas frequentes sobre análise de licopeno em alimentos


1. O que é analisado no ensaio de licopeno?

O ensaio determina a concentração de licopeno presente na amostra de alimento, utilizando procedimento analítico adequado à matriz e à finalidade da análise.


2. Qual técnica pode ser utilizada para analisar licopeno?

A cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC/CLAE) é uma das técnicas amplamente utilizadas na determinação de licopeno e outros carotenoides em alimentos.


3. Quais alimentos possuem licopeno?

O tomate e seus derivados são fontes importantes, mas o composto também pode ocorrer em melancia, goiaba vermelha, grapefruit rosa, mamão e outros alimentos pigmentados.


4. O processamento pode alterar a quantidade de licopeno?

Sim. Temperatura, oxigênio, luz, tempo de armazenamento e características da própria matriz podem influenciar a estabilidade e a forma química do licopeno.


5. Licopeno é vitamina A?

Não. Embora pertença ao grupo dos carotenoides, o licopeno é classificado como um carotenoide sem atividade de pró-vitamina A.


6. Por que utilizar HPLC para determinar licopeno?

A técnica permite separar o licopeno de outros carotenoides e componentes da amostra antes da quantificação, aumentando a seletividade da análise em matrizes alimentares complexas.


7. O resultado pode ser utilizado no controle de qualidade?

Sim. A determinação pode ser utilizada para comparação de lotes, avaliação de matérias-primas, acompanhamento de estabilidade, desenvolvimento de formulações e controle de especificações, conforme a finalidade estabelecida para o produto.




 
 
 

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