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Análise de Látex Natural (Alergênicos): importância, métodos e controle laboratorial

7 de set.
7 min de leitura

Introdução


O látex natural é uma matéria-prima amplamente utilizada na fabricação de luvas, elásticos, utensílios, componentes de equipamentos, materiais médicos, adesivos, embalagens e diversos outros produtos.


Entretanto, além de suas propriedades tecnológicas, o material pode conter proteínas capazes de desencadear reações alérgicas em pessoas sensibilizadas.


Por esse motivo, a análise de látex natural (alergênicos) pode fazer parte de programas de controle de qualidade, avaliação de matérias-primas, investigação de contaminação e gerenciamento de alergênicos em diferentes setores industriais.


Na área de alimentos, o tema apresenta relevância adicional. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) inclui o látex natural entre as substâncias que devem ser consideradas na rotulagem de alergênicos, inclusive quando materiais contendo látex entram em contato com os alimentos e não existem controles capazes de assegurar a ausência de contaminação.



O que é o látex natural e por que ele pode causar alergia?


O látex natural é obtido principalmente da seringueira Hevea brasiliensis. Embora a borracha seja constituída predominantemente por poli-isopreno, o látex também apresenta diferentes proteínas naturais provenientes da planta.


Algumas dessas proteínas podem atuar como alérgenos. Entre as proteínas já estudadas estão componentes identificados pela nomenclatura Hev b, como Hev b 1, Hev b 3, Hev b 5, Hev b 6 e outros alérgenos presentes no látex natural.


Nas pessoas sensibilizadas, a exposição pode provocar reações de hipersensibilidade imediata mediadas por IgE. Dependendo do indivíduo e do nível de exposição, podem ocorrer manifestações como:

  • coceira;

  • urticária;

  • vermelhidão;

  • rinite;

  • conjuntivite;

  • sintomas respiratórios;

  • angioedema;

  • e, em situações mais graves, anafilaxia.


As proteínas naturais da Hevea brasiliensis, e não simplesmente o polímero da borracha, estão associadas às reações alérgicas imediatas ao látex.


Materiais de borracha sintética, por exemplo, não apresentam naturalmente essas mesmas proteínas.


É importante ainda distinguir a alergia imediata às proteínas do látex de algumas dermatites de contato relacionadas a substâncias químicas utilizadas na fabricação da borracha, como aceleradores e outros aditivos.


São mecanismos diferentes e, consequentemente, podem exigir abordagens analíticas distintas.



Por que realizar a análise de látex natural?


A análise de látex natural (alergênicos) pode ser utilizada para investigar a presença ou estimar a quantidade de proteínas provenientes do látex em matérias-primas, produtos acabados, componentes, superfícies ou materiais que possam representar uma fonte de exposição.


Essa avaliação é especialmente relevante em situações nas quais existe contato direto ou indireto entre materiais contendo látex e produtos destinados ao consumidor.


Em indústrias de alimentos, por exemplo, o látex pode estar presente em:

  • luvas utilizadas durante a manipulação;

  • elásticos;

  • vedações;

  • equipamentos de processamento;

  • adesivos;

  • componentes de embalagens;

  • redes utilizadas como embalagem;

  • materiais utilizados para fechamento ou selagem.


A própria Anvisa reconhece que materiais contendo látex natural podem apresentar quantidades variáveis de alérgenos e que essas substâncias podem migrar para os alimentos.


Quando essa possibilidade não é adequadamente controlada pelo Programa de Controle de Alergênicos, pode ser necessária a declaração de advertência referente à presença potencial de látex natural.


A análise laboratorial, portanto, pode auxiliar empresas na identificação de fontes de contaminação, validação de controles internos e investigação de processos produtivos.



Látex natural e legislação brasileira de alergênicos


No Brasil, existe uma preocupação regulatória específica com a presença do látex natural.


A Lei Federal nº 12.849/2013 determina que fabricantes e importadores de produtos que contenham látex natural devem apresentar em suas embalagens advertência sobre a presença dessa substância.


No setor de alimentos, os requisitos de rotulagem de alergênicos encontram-se atualmente consolidados na RDC nº 727/2022 da Anvisa.


Nas orientações oficiais da Agência, o látex natural é incluído entre os principais alergênicos considerados pela regulamentação.


A Anvisa esclarece ainda que sua inclusão levou em consideração tanto a Lei nº 12.849/2013 quanto evidências técnico-científicas relacionadas à possibilidade de exposição e ocorrência de reações alérgicas.


Quando houver risco de contaminação cruzada e não for possível garantir sua ausência por meio de controles adequados, a advertência pode assumir a forma:


ALÉRGICOS: PODE CONTER LÁTEX NATURAL.


Um exemplo citado pela própria Anvisa é a utilização de luvas de látex durante a manipulação de alimentos sem controles capazes de assegurar que proteínas do látex não sejam transferidas para o produto em níveis detectáveis.


Por isso, a simples existência de látex em uma fábrica não significa automaticamente que todos os produtos devam receber essa advertência.


A empresa deve avaliar o processo produtivo, as fontes de contato, o risco de transferência e a efetividade de seu Programa de Controle de Alergênicos.



Como é realizada a análise laboratorial de látex natural?


Existem diferentes abordagens para avaliação do látex e de suas proteínas.

A escolha do método depende principalmente do objetivo da análise, da matriz avaliada e da informação que se deseja obter.


Uma das referências disponíveis é a ASTM D5712, que estabelece um método para determinação de proteínas totais extraíveis em água presentes em látex natural e produtos de borracha.


O procedimento envolve extração das proteínas e determinação colorimétrica pelo método de Lowry modificado.


Outra abordagem é descrita pela ASTM D6499, atualmente disponível em sua versão ASTM D6499-24.


O método utiliza um ensaio imunológico para medir proteínas antigênicas provenientes da borracha natural de Hevea.


É importante compreender uma diferença técnica relevante: a identificação de proteínas totais ou antigênicas não significa, necessariamente, quantificação direta de todos os alérgenos clinicamente ativos.


A própria ASTM ressalta que o método D6499 detecta proteínas antigênicas do látex, mas não deve ser interpretado simplesmente como uma medida quantitativa de proteínas alergênicas, pois a correlação entre a quantidade de antígeno e a atividade alergênica não é absoluta.


Assim, o resultado precisa ser interpretado conforme o objetivo do estudo e a metodologia utilizada.


Em quais produtos a investigação pode ser aplicada?

A análise pode ser pertinente em diferentes matrizes e contextos, incluindo:

  • alimentos e ingredientes;

  • superfícies de equipamentos;

  • embalagens que entram em contato direto com alimentos;

  • luvas;


  • componentes de borracha;

  • utensílios industriais;

  • materiais hospitalares;

  • produtos de higiene ou cosméticos;

  • matérias-primas;

  • elastômeros e artigos de borracha natural.


A FDA, por exemplo, reconhece a relevância das proteínas alergênicas presentes no látex natural em produtos médicos e orienta fabricantes quanto à identificação do uso de borracha natural em dispositivos e embalagens.


Entretanto, o protocolo analítico deve sempre ser definido considerando a matriz. Um método apropriado para a determinação de proteínas extraíveis diretamente de uma luva, por exemplo, pode exigir adaptações quando o objetivo é investigar possível transferência para um alimento.



Análise laboratorial e Programa de Controle de Alergênicos


Dentro de um sistema de gestão de alergênicos, os ensaios laboratoriais são ferramentas de verificação e não devem ser utilizados isoladamente.


Um programa eficiente também deve avaliar:

  • matérias-primas;

  • materiais que entram em contato com o produto;

  • fluxo de produção;

  • práticas de higienização;

  • utensílios compartilhados;

  • equipamentos;

  • luvas utilizadas por manipuladores;

  • fornecedores;

  • embalagens;

  • possibilidade de contaminação cruzada.


Quando o látex estiver presente no ambiente produtivo, identificar exatamente onde ocorre o contato ajuda a estabelecer medidas preventivas mais adequadas.


Em algumas situações, a substituição de luvas ou componentes de látex natural por materiais sintéticos, como nitrila, pode reduzir a possibilidade de transferência das proteínas relacionadas à alergia.


Borrachas sintéticas não apresentam naturalmente as proteínas vegetais do látex responsáveis pela hipersensibilidade imediata.



Por que realizar a análise em laboratório especializado?


A investigação de alergênicos requer cuidados desde a definição da amostragem até a interpretação dos resultados.


Um laboratório especializado pode orientar quanto:

  • à matriz mais adequada para análise;

  • à preparação da amostra;

  • ao método analítico aplicável;

  • aos limites de detecção e quantificação;

  • à interpretação dos resultados;

  • à investigação de possíveis fontes de contaminação.


Isso é especialmente importante porque resultados referentes a proteínas totais, proteínas antigênicas e alérgenos específicos possuem significados analíticos diferentes.


Antes da contratação do ensaio, portanto, é recomendável informar ao laboratório qual é o objetivo da análise: avaliar uma matéria-prima, investigar contato com alimentos, verificar um produto de borracha, validar um processo ou investigar uma ocorrência de contaminação cruzada.



Conclusão


A análise de látex natural (alergênicos) é uma importante ferramenta para empresas que precisam avaliar materiais contendo borracha natural, investigar possíveis fontes de contaminação ou fortalecer seus programas de controle de alergênicos.


As proteínas provenientes da Hevea brasiliensis podem desencadear reações alérgicas em indivíduos sensibilizados e, no setor de alimentos, a presença potencial de látex natural também possui implicações regulatórias e de rotulagem.


Por isso, conhecer os materiais utilizados durante a produção e realizar avaliações laboratoriais quando necessário contribui para decisões mais seguras, maior controle de processos e atendimento às exigências aplicáveis.


Nosso laboratório realiza análises voltadas à avaliação de alergênicos e ao controle de qualidade de diferentes matrizes.


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FAQ — Perguntas frequentes sobre análise de látex natural


O que causa a alergia ao látex natural?

A alergia imediata está relacionada principalmente a determinadas proteínas naturais presentes no látex da seringueira Hevea brasiliensis, conhecidas entre os especialistas por designações como Hev b.


Látex natural é considerado alergênico pela Anvisa?

Sim. O látex natural está contemplado nas regras brasileiras de rotulagem de alergênicos, e a Anvisa também prevê sua consideração em situações de contaminação cruzada.


Luvas de látex podem contaminar alimentos?

Pode ocorrer transferência de proteínas provenientes do látex para alimentos durante a manipulação. Por esse motivo, a Anvisa cita especificamente o uso de luvas de látex como uma possível fonte a ser avaliada no Programa de Controle de Alergênicos.


Qual é a diferença entre látex natural e borracha sintética?

O látex natural é obtido de fontes vegetais, principalmente da Hevea brasiliensis, e pode conter proteínas alergênicas. Borrachas sintéticas, como alguns materiais utilizados em luvas de nitrila, não possuem naturalmente essas proteínas vegetais associadas à alergia imediata ao látex.


Existe método para analisar proteínas do látex?

Sim. Entre as referências técnicas disponíveis estão a ASTM D5712, para proteínas aquosas extraíveis, e a ASTM D6499, para determinação imunológica de proteínas antigênicas de borracha natural de Hevea. A metodologia adequada depende da matriz e do objetivo do ensaio.


Um resultado positivo significa necessariamente que o produto provocará alergia?

Não necessariamente. A interpretação depende do método utilizado e do tipo de proteína detectada. A própria ASTM esclarece que a determinação de proteínas antigênicas pelo método D6499 não corresponde diretamente à quantificação de todos os alérgenos clinicamente ativos.




 
 
 

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