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Análise de Magnésio Quelato em Alimentos: ciência, controle de qualidade e relevância nutricional

Introdução


Se você já se deparou com o termo “magnésio quelato” em rótulos de suplementos ou alimentos enriquecidos, provavelmente percebeu que ele vem acompanhado de uma promessa: maior absorção pelo organismo.


Mas o que exatamente significa “quelato”? E como garantir que o produto que chega à mesa — ou ao consumidor final — realmente contém a forma química declarada, na concentração correta e com segurança?


Neste artigo, vamos percorrer os fundamentos químicos do magnésio quelato, os métodos laboratoriais empregados para identificá-lo e quantificá-lo em matrizes alimentares, e os desafios práticos que uma análise confiável exige.


Tudo isso com uma linguagem que respeita o rigor técnico, mas sem perder de vista a clareza para quem não vive o dia a dia de um banco de bancada.


Ao final, apresentaremos como o nosso laboratório pode ser seu parceiro nessa jornada analítica, desde a validação de matéria-prima até o laudo final para registro de produto.



Afinal, o que é magnésio quelato? A química por trás da biodisponibilidade


Para entender a análise, é preciso primeiro compreender o que torna o magnésio quelato especial.


O magnésio é um íon metálico (Mg²⁺) essencial para centenas de reações enzimáticas no corpo humano — da contração muscular à síntese de ATP.


No entanto, quando ingerido em formas como óxido ou sulfato, sua absorção intestinal pode ser baixa, em parte porque o íon livre interage com fibras, fitatos e outros compostos antagonistas presentes nos alimentos.


A estratégia da quelação — do latim chelatus, que significa “garra” — consiste em ligar o íon magnésio a uma molécula orgânica maior, geralmente um aminoácido (como glicina ou lisina) ou um ácido orgânico (citrato, malato).


Essa ligação forma um anel heterocíclico que protege o magnésio até que ele alcance a mucosa intestinal, onde a molécula transportadora é clivada, liberando o mineral de forma gradual e mais aproveitável.


Do ponto de vista analítico, essa estrutura impõe um desafio: o quelato não se comporta como magnésio livre.


Métodos tradicionais de digestão ácida destroem a ligação orgânica e liberam todo o magnésio na forma iônica, mas isso não permite distinguir se o magnésio estava originalmente quelatado ou não. E é aí que a análise especializada se torna indispensável.



Por que isso importa para o seu produto?


Se um alimento ou suplemento alega conter “magnésio bisglicinato quelato” (uma das formas mais comuns), o consumidor espera os benefícios da alta biodisponibilidade.


Se o produto, por um processo inadequado ou por adulteração, contém apenas sal inorgânico barato misturado ao quelato, essa promessa é quebrada. A análise correta é a única ferramenta para validar a autenticidade.



Métodos analíticos para determinação de magnésio quelato em matrizes alimentares


Chegamos ao núcleo técnico do post. Diferentemente do que muitos imaginam, não existe um único teste de prateleira que responda “sim” ou “não” para a presença de magnésio quelato. Normalmente, os laboratórios combinam duas ou mais abordagens:



Preparo da amostra: extração seletiva versus digestão total


O primeiro passo — e talvez o mais crítico — é extrair o quelato sem rompê-lo. Matrizes como barras de cereais, bebidas vegetais fortificadas ou cápsulas de suplementos exigem homogeneização e extração com solventes brandos (geralmente água deionizada ou soluções tampão em pH controlado).


Enquanto isso, a digestão total com ácido nítrico e água oxigenada serve para quantificar o magnésio total, mas não informa sobre a forma quelatada.


Na prática: um laudo bem elaborado apresenta dois valores — magnésio total e magnésio na fração quelatada. A diferença entre eles indica eventuais impurezas ou diluições não declaradas.



Espectrometria de Absorção Atômica (F AAS) e Espectrometria de Emissão Óptica (ICP-OES)


Essas técnicas são os cavalos de batalha para quantificação de elementos metálicos.


Na análise de magnésio quelato em alimentos, o ICP-OES (Espectrometria de Emissão Óptica com Plasma Indutivamente Acoplado) é preferido por sua alta sensibilidade e capacidade de analisar múltiplos elementos simultaneamente.


No entanto, elas medem magnésio total. Para chegar ao quelato, o laboratório precisa combinar com:


Cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) acoplada a detector de índice de refração ou UV

Aqui a abordagem é diferente: ao invés de medir o magnésio, mede-se o ligante (o aminoácido ou ácido orgânico) que forma o quelato. Com padrões de referência de bisglicinato de magnésio, por exemplo, o HPLC separa os componentes da amostra. O pico correspondente ao complexo quelato (ou ao aminoácido liberado após quebra controlada) é comparado ao padrão. É um método mais trabalhoso, mas capaz de confirmar a identidade da molécula.



Espectroscopia no infravermelho com transformada de Fourier (FTIR) e análise termogravimétrica


Estes são métodos complementares, frequentemente usados em controle de qualidade de matéria-prima.


O FTIR identifica padrões de ligação química — o anel quelato apresenta bandas de absorção características que não aparecem em misturas simples de sal de magnésio com aminoácido livre.


Já a termogravimetria avalia a estabilidade térmica do quelato, que se decompõe em faixas de temperatura diferentes das dos componentes isolados.


Exemplo prático de fluxo analítico:

1. Homogeneização da amostra (ex.: 10 g de pó para bebida achocolatada).

2. Extração ultrassônica em tampão fosfato pH 7,0.

3. Filtração e injeção em HPLC com detector UV/Vis (comprimento de onda de 210 nm para ligantes).

4. Quantificação por curva com padrão certificado de magnésio bisglicinato.

5. Paralelamente, digestão ácida da mesma amostra e análise em ICP-OES para magnésio total.

6. Cálculo da eficiência de quelação: (Mg quelatado / Mg total) × 100.



Controle de qualidade e validação: por que nem todo laudo é igual?


Não basta executar os métodos: é preciso que eles sejam validado — ou seja, comprovadamente exatos, precisos, específicos, lineares e robustos para aquela matriz alimentar.


Um erro frequente em laboratórios menos experientes é usar uma validação genérica para suplemento em cápsula e aplicá-la a uma matriz gordurosa, como um chocolate proteico. O resultado pode ser uma subestimação ou superestimação gritante.


Principais parâmetros que o seu laudo deve atestar:


- Recuperação: ao adicionar uma quantidade conhecida de magnésio quelato à amostra, o método deve recuperar entre 95% e 105%.

- Limite de detecção (LOD) e limite de quantificação (LOQ): essenciais para alimentos com baixas concentrações (ex.: águas minerais fortificadas).

- Seletividade: o método não deve confundir o quelato com outras formas de magnésio ou com ligantes livres.

- Reprodutibilidade interensaio: o mesmo lote analisado em três dias diferentes deve produzir resultados com desvio padrão relativo < 5%.



Interferências comuns em matrizes complexas


- Fibras e fitatos: em cereais matinais e farinhas, podem ligar-se ao magnésio livre liberado durante a extração, subestimando o quelato.

- Gorduras: em barras de cereais ou fórmulas infantis, requerem etapas de desengorduramento com hexano ou éter de petróleo antes da extração aquosa.

- Excesso de minerais concorrentes (cálcio, zinco): podem deslocar o magnésio do ligante durante o preparo, gerando falsos negativos se o pH não for rigorosamente controlado.


Um laboratório que domina a análise de magnésio quelato em alimentos não apenas opera equipamentos de ponta — ele conhece as idiossincrasias de cada alimento e ajusta o protocolo de acordo.



Regulamentações e boas práticas: o que a legislação brasileira exige?


Embora o foco deste blog seja o aspecto científico, não podemos ignorar que o resultado de uma análise de magnésio quelato muitas vezes alimenta processos de registro na ANVISA ou defesas do consumidor.


Atualmente, o Brasil não possui uma monografia específica no Formulário de Referência da Farmacopeia Brasileira para “magnésio quelato em alimentos”, mas a RDC 243/2018 (que dispõe sobre suplementos alimentares) estabelece que a forma mineral declarada no rótulo deve ser comprovadamente aquela presente no produto.


Além disso, a Instrução Normativa n.º 75/2020, que trata de alimentos com alegações de propriedades funcionais, exige que a biodisponibilidade da forma mineral seja demonstrada.


E a primeira evidência de biodisponibilidade passa pela caracterização correta do composto — ou seja, a análise química confirmando a estrutura quelato.



Consequências de uma análise incorreta ou omitida


- Recall de produtos por divergência entre rótulo e composição real.

- Notificações da ANVISA e possíveis sanções, incluindo multa e suspensão da venda.

- Danos à reputação junto a consumidores e prescritores (nutrólogos, farmacêuticos).

- Riscos à saúde indiretos: um produto que alega ter magnésio altamente absorvível, mas na prática contém óxido de magnésio, pode levar a deficiência subclínica em pacientes que confiaram na informação.


A análise de magnésio quelato em alimentos, portanto, não é um luxo técnico — é uma necessidade regulatória e ética.



Conclusão: a análise especializada como diferência competitiva


Ao longo deste artigo, vimos que o magnésio quelato representa um avanço significativo na suplementação e fortificação de alimentos, justamente por oferecer maior aproveitamento metabólico.


Contudo, essa vantagem só se concretiza se a cadeia produtiva — do fornecedor da matéria-prima ao industrial que formula o produto final — puder atestar a autenticidade e a concentração do quelato.


Do ponto de vista laboratorial, isso exige mais do que uma simples digestão ácida e espectrometria: demanda métodos seletivos, validação para cada matriz alimentar, conhecimento das interferências e interpretação crítica dos resultados.


A combinação de HPLC com espectrometria atômica continua sendo o padrão mais robusto, embora técnicas complementares como FTIR agreguem segurança na identificação.


Mas o dado mais importante é este: sem uma parceria com um laboratório que domine a análise de magnésio quelato em alimentos, a sua empresa corre o risco de comercializar produtos com alegações não suportadas por evidências analíticas — e isso, no ambiente regulatório atual, é uma exposição cada vez mais arriscada.



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FAQ – Perguntas frequentes sobre análise de magnésio quelato


1. Qual a diferença entre análise de magnésio total e análise de magnésio quelato?

A análise de magnésio total mede todo o elemento presente, independentemente da forma química. Já a análise de magnésio quelato busca especificamente a fração que está ligada a um agente quelante (ex.: aminoácido). Geralmente são necessários dois ensaios paralelos.


2. Quais alimentos normalmente requerem esse tipo de análise?

Suplementos em pó ou cápsulas, leites e bebidas vegetais fortificadas, barras de cereais para atletas, fórmulas infantis, e alimentos para fins especiais (dietoterápicos). Qualquer produto que faça alegação comercial sobre magnésio quelato precisa dessa verificação.


3. Quanto tempo leva para obter o resultado de uma análise de magnésio quelato?

Um fluxo completo, com extração seletiva, HPLC e ICP-OES, leva de 7 a 15 dias úteis, dependendo da complexidade da matriz e da necessidade de desenvolvimento de método. Análises apenas de magnésio total são mais rápidas (até 5 dias).


4. O laboratório pode analisar amostras já na forma de produto acabado?

Sim. Trabalhamos com matrizes complexas prontas para consumo (cápsulas, tabletes, líquidos, pós). O importante é que a amostra seja representativa do lote — geralmente 5 a 10 unidades ou uma alíquota homogeneizada.


5. Como saber se meu fornecedor de matéria-prima realmente entrega magnésio quelato?

A melhor prática é realizar uma análise de identificação por FTIR ou HPLC em cada lote recebido. Nosso laboratório oferece esse serviço de controle de qualidade de entrada, evitando surpresas na formulação final.



 
 
 

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