Análise de Magnésio Quelato em Alimentos: controle de qualidade, composição e importância da análise laboratorial
Introdução
O magnésio é um mineral presente naturalmente em diversos alimentos e também amplamente utilizado na formulação de suplementos alimentares.
Entre as diferentes fontes disponíveis no mercado encontram-se compostos conhecidos comercialmente como magnésio quelato, nos quais o mineral está associado a moléculas capazes de formar uma estrutura química estável.
Com a expansão do mercado de suplementos minerais, a análise de magnésio quelato em alimentos tornou-se uma ferramenta importante para fabricantes, distribuidores e responsáveis pelo controle de qualidade.
A avaliação laboratorial permite verificar a quantidade de magnésio presente no produto, comparar os resultados com a formulação declarada e reunir evidências para o controle de matérias-primas e produtos acabados.
Entretanto, existe uma distinção técnica importante: determinar a concentração total de magnésio em uma amostra não significa, por si só, confirmar que todo esse magnésio está presente na forma quelada. Por isso, o objetivo da análise deve ser definido previamente.

O que é magnésio quelato?
O termo quelato é utilizado para descrever estruturas químicas nas quais um íon metálico está ligado a uma molécula denominada ligante por mais de um ponto de ligação.
Um exemplo bastante conhecido é o bisglicinato de magnésio, constituído pela interação do magnésio com moléculas de glicina.
Em documentação técnica da Anvisa, o bisglicinato é descrito como uma estrutura que já apresenta natureza quelada, uma vez que a glicina interage com o íon metálico por diferentes sítios de ligação.
É importante observar que "magnésio quelato" é uma expressão ampla. Dependendo da formulação, do fornecedor e da matéria-prima utilizada, o mineral pode estar associado a diferentes ligantes.
Por esse motivo, a identificação correta da matéria-prima é fundamental antes da definição do ensaio laboratorial.
Para que serve a análise de magnésio quelato em alimentos?
Na rotina de controle de qualidade, um dos principais objetivos é determinar a quantidade de magnésio presente na amostra.
A análise pode ser utilizada para:
verificar a concentração de magnésio no produto;
confirmar a composição declarada pelo fabricante;
avaliar matérias-primas utilizadas na produção;
acompanhar a padronização entre diferentes lotes;
subsidiar estudos de estabilidade;
verificar possíveis desvios no processo produtivo;
gerar dados para desenvolvimento e reformulação de produtos;
apoiar o atendimento aos requisitos aplicáveis de composição e rotulagem.
A determinação laboratorial é especialmente relevante em suplementos alimentares, pós, cápsulas, comprimidos, bebidas, alimentos enriquecidos e outras formulações às quais fontes de magnésio são adicionadas.
A Anvisa estabelece que os constituintes empregados para fornecer nutrientes em suplementos alimentares devem estar entre aqueles autorizados para essa finalidade.
A Agência mantém uma ferramenta específica para consulta dos ingredientes permitidos, condições de uso, populações autorizadas e demais requisitos aplicáveis.
Como é feita a análise de magnésio?
Para determinar o magnésio total presente em alimentos ou suplementos, podem ser empregadas técnicas instrumentais de análise elementar.
Uma das principais possibilidades é a espectrometria de emissão óptica com plasma indutivamente acoplado (ICP-OES).
De maneira simplificada, dependendo da matriz e do método utilizado, uma quantidade conhecida da amostra é submetida a um procedimento de preparação, frequentemente envolvendo digestão ácida.
Essa etapa transforma a amostra em uma solução adequada para a determinação instrumental.
Posteriormente, a solução é introduzida no equipamento e o magnésio é quantificado a partir da resposta obtida em comparação com padrões analíticos conhecidos.
O FDA, por exemplo, utiliza o método EAM 4.4 para determinação de magnésio e outros elementos nutricionais em alimentos.
Esse procedimento envolve digestão da amostra e determinação por espectrometria de emissão atômica/óptica com plasma indutivamente acoplado.
Outra técnica que pode ser aplicada em determinadas situações é a espectrometria de absorção atômica, desde que o método seja adequado à matriz, à faixa de concentração e ao objetivo analítico.
A escolha da metodologia deve considerar fatores como composição do produto, concentração esperada, interferentes, limites de quantificação necessários e desempenho validado do método.
Magnésio total e magnésio quelato são a mesma análise?
Não.Essa é uma diferença importante para interpretar corretamente o laudo.
Uma análise elementar por ICP-OES, após digestão completa da amostra, é excelente para determinar quanto magnésio existe no produto.
Entretanto, o processo de digestão elimina a estrutura original de grande parte dos compostos presentes na amostra.
Assim, um resultado como:
Magnésio: 100 mg/porção indica a quantidade de magnésio determinada pelo método, mas não demonstra, isoladamente, que os 100 mg estavam originalmente ligados a determinado aminoácido ou presentes integralmente na forma de um quelato específico.
Quando o objetivo é comprovar a identidade da matéria-prima ou caracterizar a estrutura química do composto, pode ser necessário utilizar informações e ensaios complementares, definidos de acordo com a substância investigada.
Podem ser considerados, conforme o caso, documentação do fornecedor, especificações da matéria-prima e técnicas adicionais de caracterização química.
Portanto, antes de solicitar uma análise de magnésio quelato, é importante esclarecer se o objetivo é:
quantificar o magnésio total do produto, ou
caracterizar/confirmar a forma química utilizada como fonte de magnésio.
Essa definição evita interpretações equivocadas e permite selecionar a metodologia mais adequada.
Qual é a importância da análise para suplementos alimentares?
Nos suplementos, a concentração declarada de minerais precisa estar relacionada à quantidade efetivamente fornecida pelo produto.
É importante ainda diferenciar a massa da fonte mineral da quantidade de magnésio elementar.
Um composto utilizado como fonte de magnésio contém magnésio e outros componentes químicos.
Consequentemente, 500 mg de uma determinada matéria-prima de magnésio não significam necessariamente que o produto forneça 500 mg de magnésio elementar.
Esse princípio também é observado internacionalmente. O National Institutes of Health (NIH) destaca que, nos suplementos, a quantidade declarada corresponde ao magnésio elementar e não à massa total do composto contendo magnésio.
A análise laboratorial possibilita verificar justamente o teor efetivamente encontrado na amostra, contribuindo para a avaliação da correspondência entre formulação, especificação e produto acabado.
Legislação e controle de suplementos alimentares no Brasil
No Brasil, os suplementos alimentares estão sujeitos a requisitos sanitários específicos.
A RDC nº 243/2018 estabelece requisitos sanitários para suplementos alimentares, enquanto a Instrução Normativa nº 28/2018 e suas atualizações reúne listas de constituintes, limites de uso, alegações autorizadas e requisitos complementares aplicáveis.
Além disso, desde setembro de 2024, a RDC nº 843/2024 e a IN nº 281/2024 passaram a integrar o marco de regularização de alimentos.
Atualmente, os suplementos alimentares estão sujeitos à notificação junto à Anvisa, inclusive após o encerramento do período de transição em 1º de setembro de 2026.
Também é necessário verificar se a fonte específica utilizada para fornecer magnésio está autorizada pela Anvisa e quais condições se aplicam ao produto e ao público a que ele se destina.
Como essas listas podem ser atualizadas, a consulta à base oficial da Agência deve fazer parte da avaliação regulatória do produto.
Por que realizar a análise em laboratório especializado?
A determinação de minerais exige controle cuidadoso de diversas etapas, desde a homogeneização e preparação da amostra até a calibração instrumental e avaliação dos resultados.
Em matrizes complexas, como suplementos multivitamínicos e multiminerais, proteínas em pó e alimentos enriquecidos, diferentes componentes podem interferir no processo analítico caso a metodologia não seja adequada.
Um laboratório capacitado deve trabalhar com procedimentos definidos, padrões analíticos apropriados e controles de qualidade capazes de demonstrar o desempenho da análise.
A própria documentação técnica do FDA destaca aspectos como preparação da amostra, prevenção de contaminações, utilização de materiais de referência, avaliação de interferências e controles de desempenho em determinações elementares por ICP-OES e ICP-MS.
Conclusão
A análise de magnésio quelato em alimentos é uma importante ferramenta para o controle de qualidade de matérias-primas, suplementos e alimentos enriquecidos.
A determinação instrumental permite verificar o teor de magnésio efetivamente presente na amostra e pode auxiliar na conferência da formulação, na padronização de lotes, no desenvolvimento de produtos e no atendimento aos requisitos aplicáveis.
É fundamental, entretanto, distinguir a quantificação do magnésio total da caracterização da forma quelada.
Uma análise elementar determina quanto magnésio está presente, enquanto a confirmação de uma forma química específica pode exigir uma abordagem analítica complementar.
O laboratório oferece análises de magnésio em alimentos e suplementos, empregando metodologia adequada às características da matriz e ao objetivo da avaliação.
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FAQ – Perguntas frequentes sobre análise de magnésio quelato
1. O que é magnésio quelato?
É uma denominação utilizada para compostos nos quais o magnésio está coordenado a moléculas que atuam como ligantes. O bisglicinato de magnésio é um exemplo de composto com estrutura quelada.
2. A análise por ICP-OES identifica se o magnésio é quelato?
A determinação convencional após digestão da amostra quantifica o magnésio total, mas não comprova isoladamente a forma química em que o mineral estava originalmente presente.
3. O laboratório consegue determinar quanto magnésio existe no suplemento?
Sim. Técnicas de análise elementar, como ICP-OES, podem ser empregadas para determinar a concentração de magnésio, desde que o método seja adequado e validado para a matriz analisada.
4. Magnésio total é igual à quantidade de magnésio quelato adicionada?
Não necessariamente. O resultado de magnésio total corresponde ao elemento magnésio encontrado na amostra. A massa da matéria-prima quelada inclui também os componentes ligados ao mineral.
5. Por que analisar magnésio em suplementos?
A análise auxilia na verificação da concentração do mineral, no controle de matérias-primas e lotes, na avaliação da formulação e na obtenção de informações para controle regulatório e de qualidade.
6. Quais amostras podem ser analisadas?
Dependendo da metodologia disponível, podem ser avaliados suplementos em cápsulas, comprimidos e pós, além de bebidas, alimentos enriquecidos, matérias-primas e outras matrizes alimentícias.
7. Existe legislação para magnésio em suplementos alimentares?
Sim. Os suplementos estão sujeitos às normas sanitárias da Anvisa, incluindo a RDC nº 243/2018, a IN nº 28/2018 e suas atualizações, além das regras atuais de regularização estabelecidas pela RDC nº 843/2024 e pela IN nº 281/2024. A fonte específica de magnésio e suas condições de utilização também devem ser verificadas nas listas atualizadas da Agência.





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