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Análise de Maltodextrina: importância, parâmetros avaliados e controle de qualidade

7 de jul. de 2025
7 min de leitura

Introdução


A maltodextrina é um ingrediente amplamente utilizado pela indústria de alimentos, bebidas, suplementos alimentares e formulações nutricionais.


Apesar de normalmente se apresentar como um pó branco de aparência simples, sua composição pode variar de acordo com a matéria-prima utilizada, o grau de hidrólise do amido e as condições adotadas durante o processo de fabricação.


Por esse motivo, a análise de maltodextrina é uma ferramenta importante para verificar características de identidade e qualidade, avaliar sua composição e confirmar se o ingrediente apresenta propriedades adequadas para a aplicação desejada.


Entre os parâmetros que podem ser avaliados estão o equivalente de dextrose, umidade, perfil de carboidratos e açúcares, além de outros ensaios físico-químicos e microbiológicos definidos conforme a finalidade da análise.



O que é maltodextrina?


A maltodextrina é obtida pela hidrólise parcial do amido. Durante esse processo, as grandes moléculas de amido são quebradas em cadeias menores de carboidratos formadas principalmente por unidades de glicose.


Como referência técnica, a regulamentação norte-americana define a maltodextrina como um polímero nutritivo de sacarídeos formado por unidades de D-glicose, ligadas principalmente por ligações α-1,4, e apresentando equivalente de dextrose inferior a 20.


Ela pode ser produzida, por exemplo, a partir da hidrólise parcial de amidos de milho, batata ou arroz.


Na prática industrial, também existem maltodextrinas provenientes de outras fontes de amido, dependendo do processo e da aplicação do ingrediente.


O tamanho das cadeias de carboidratos presentes influencia propriedades como solubilidade, viscosidade, higroscopicidade e comportamento durante o processamento.


Dessa forma, duas maltodextrinas visualmente semelhantes podem apresentar características tecnológicas diferentes.



O que significa o equivalente de dextrose (DE)?


Um dos parâmetros mais importantes na caracterização da maltodextrina é o equivalente de dextrose, normalmente representado pela sigla DE.


O DE está relacionado à quantidade de açúcares redutores presentes no produto em relação ao teor de matéria seca.


De maneira geral, quanto maior o grau de hidrólise do amido, maior tende a ser o equivalente de dextrose.


A literatura técnica mostra que o DE é amplamente empregado para caracterizar comercialmente maltodextrinas e outros hidrolisados de amido. E


sse parâmetro também está relacionado a características como massa molecular média, higroscopicidade e determinadas propriedades físicas do ingrediente.


Uma maltodextrina com DE mais baixo possui, de forma geral, maior proporção de cadeias relativamente longas de carboidratos.


À medida que o DE aumenta, cresce a proporção relativa de moléculas menores provenientes da hidrólise do amido.


Por isso, conhecer o DE é importante tanto para o fabricante da matéria-prima quanto para a indústria que utilizará esse ingrediente em suas formulações.



Como é realizada a análise de maltodextrina?


O método analítico depende do objetivo da avaliação.


Historicamente, técnicas titulométricas baseadas na determinação de açúcares redutores, como os métodos Lane-Eynon e Luff-Schoorl, foram utilizadas para a determinação do equivalente de dextrose.


Essas técnicas se baseiam na capacidade dos açúcares redutores de promover a redução de íons de cobre.


Entretanto, métodos instrumentais vêm ganhando espaço pela possibilidade de obtenção de informações mais específicas sobre a composição dos carboidratos.


A cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) é uma das técnicas que podem ser utilizadas para caracterizar os sacarídeos presentes em produtos derivados de amido.


A ISO 10504:2013, por exemplo, descreve um método por HPLC para determinar a composição de derivados de amido, permitindo avaliar constituintes como glicose, maltose, maltotriose e maltooligossacarídeos. A edição foi revisada e confirmada pela ISO em 2024, permanecendo vigente.


A própria USP também vem adotando abordagem cromatográfica para a avaliação dos açúcares redutores e do equivalente de dextrose da maltodextrina.


O método proposto permite diferenciar sacarídeos como dextrose, maltose, maltotriose, maltotetraose e outros oligossacarídeos.


A metodologia escolhida pelo laboratório deve considerar a matriz, a faixa de concentração esperada, o objetivo do ensaio e a especificação que será utilizada como referência.



Quais parâmetros podem ser analisados na maltodextrina?


A caracterização laboratorial pode envolver diferentes ensaios, dependendo das necessidades do fabricante ou da indústria que utiliza a matéria-prima.


Entre as avaliações possíveis estão:

  • equivalente de dextrose (DE);

  • perfil de sacarídeos;

  • glicose;

  • maltose;

  • maltotriose;

  • outros oligossacarídeos;

  • umidade ou matéria seca;

  • características físico-químicas;

  • parâmetros microbiológicos;

  • contaminantes, quando aplicável;

  • características relacionadas à identidade e à pureza do ingrediente.


A seleção dos parâmetros deve considerar a aplicação da maltodextrina e a especificação técnica acordada entre fornecedor e cliente.


Em determinadas situações, uma análise mais detalhada do perfil de carboidratos pode ser mais informativa do que a determinação isolada de carboidratos totais.



Por que analisar o perfil de açúcares da maltodextrina?


Embora a maltodextrina seja constituída predominantemente por carboidratos provenientes da hidrólise do amido, sua composição não é formada por uma única molécula.


Podem estar presentes glicose, maltose, maltotriose e cadeias maiores de oligossacarídeos em diferentes proporções.


Essa informação pode ser importante inclusive para questões relacionadas à rotulagem.

Em orientação da Anvisa sobre rotulagem nutricional, a Agência esclarece que, quando uma maltodextrina possui frações de monossacarídeos e dissacarídeos e é adicionada a outro alimento, essas frações devem ser consideradas na avaliação das regras relacionadas à alegação “sem adição de açúcares”.


A Anvisa recomenda que o fabricante do alimento verifique junto ao fornecedor da maltodextrina se existem essas frações na composição do ingrediente.


Portanto, conhecer o perfil de sacarídeos pode ter importância não apenas tecnológica, mas também para a documentação técnica e para decisões relacionadas à formulação e rotulagem.



Onde a maltodextrina é utilizada?


Devido às suas propriedades tecnológicas, a maltodextrina pode ser encontrada em diferentes categorias de produtos.


É utilizada, por exemplo, em:

  • suplementos alimentares;

  • bebidas em pó;

  • produtos destinados à nutrição esportiva;

  • alimentos para fins especiais;

  • formulações nutricionais;

  • produtos lácteos;

  • sobremesas;

  • produtos de confeitaria;

  • alimentos instantâneos;

  • sistemas de encapsulação de aromas e ingredientes;

  • formulações nas quais seja necessário modificar textura, volume ou propriedades de processamento.


A legislação brasileira também prevê a maltodextrina em aplicações específicas. A RDC nº 2/2007, por exemplo, relaciona a maltodextrina entre as substâncias que podem atuar como diluentes e veículos em aromatizantes.



Maltodextrina possui regulamentação específica no Brasil?


A regulamentação deve ser avaliada de acordo com a utilização do ingrediente e com a categoria do alimento em que ele será empregado.


A Anvisa informa que matérias-primas e ingredientes utilizados na produção de alimentos, embora em muitos casos não necessitem de regularização individual perante a vigilância sanitária, devem atender às regras aplicáveis ao seu uso.


Em material técnico publicado pela Agência, a maltodextrina foi inclusive citada como exemplo de ingrediente para o qual não existia um regulamento técnico específico individual no Brasil.


Por isso, requisitos de composição, qualidade, segurança e aplicação devem ser avaliados considerando a legislação pertinente ao produto final, as especificações estabelecidas e referências técnicas aplicáveis.


Em 2026, a Anvisa também avançou nas discussões regulatórias relacionadas às especificações de identidade, pureza e composição de ingredientes utilizados em alimentos, o que reforça a importância de acompanhar atualizações normativas.



Por que realizar a análise de maltodextrina?


O controle analítico permite conhecer melhor as características do ingrediente antes de sua utilização no processo produtivo.


A análise pode ser utilizada para:

  • confirmar características da matéria-prima recebida;

  • comparar lotes ou fornecedores;

  • verificar o equivalente de dextrose;

  • avaliar o perfil de carboidratos;

  • investigar desvios de qualidade;

  • verificar especificações estabelecidas entre fornecedor e cliente;

  • apoiar o desenvolvimento de novos produtos;

  • fornecer informações para controle de processo;

  • auxiliar avaliações relacionadas à rotulagem e composição nutricional.


Em empresas que utilizam grandes quantidades de maltodextrina, pequenas diferenças entre lotes podem alterar características como solubilidade, viscosidade, estabilidade e comportamento durante o processamento.


Por isso, a análise laboratorial é uma etapa importante dentro de programas de qualificação de fornecedores e controle de matérias-primas.



Importância de um laboratório especializado


A análise de carboidratos exige atenção desde o preparo da amostra até a escolha da técnica instrumental e a interpretação dos resultados.


Quando métodos cromatográficos são utilizados, é possível separar diferentes constituintes da amostra e obter informações mais detalhadas sobre o perfil de sacarídeos.


O laboratório deve definir o método considerando a finalidade da análise, a matriz, o limite de quantificação necessário e a especificação utilizada como referência.


Além disso, os resultados devem ser registrados de forma clara em relatório ou laudo analítico, permitindo que o cliente utilize as informações no controle de qualidade, desenvolvimento de produtos, documentação de fornecedores ou investigação de não conformidades.



Conclusão


A análise de maltodextrina permite avaliar características importantes de uma matéria-prima amplamente utilizada pela indústria alimentícia.


Parâmetros como equivalente de dextrose, perfil de sacarídeos, glicose, maltose, maltotriose, umidade e outros indicadores físico-químicos podem fornecer informações relevantes sobre identidade, composição e qualidade do ingrediente.


A caracterização laboratorial também auxilia fabricantes na comparação entre fornecedores, no controle de lotes e na obtenção de informações necessárias para formulação e rotulagem de alimentos.


Nosso laboratório realiza análises de maltodextrina e de outros carboidratos e ingredientes utilizados na indústria de alimentos, utilizando metodologias adequadas às características da amostra e ao objetivo do cliente.


Para definir o conjunto de ensaios mais adequado, entre em contato com nossa equipe técnica e informe o tipo de produto, a finalidade da análise e os parâmetros que precisam ser avaliados.



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FAQ — Perguntas frequentes sobre análise de maltodextrina


1. O que é analisado na maltodextrina?

Dependendo do objetivo, podem ser avaliados equivalente de dextrose, perfil de carboidratos, glicose, maltose, maltotriose, umidade, características físico-químicas, microbiologia e outros parâmetros de qualidade.


2. O que significa DE na maltodextrina?

DE significa equivalente de dextrose. É um parâmetro relacionado à quantidade de açúcares redutores do produto em relação à matéria seca e ao grau de hidrólise do amido.


3. Qual é o DE de uma maltodextrina?

Uma das definições técnicas internacionalmente utilizadas caracteriza a maltodextrina como um hidrolisado de amido com equivalente de dextrose inferior a 20.


4. É possível analisar maltodextrina por HPLC?

Sim. A cromatografia líquida de alta eficiência pode ser utilizada para separar e determinar diferentes carboidratos presentes em derivados de amido, incluindo glicose, maltose, maltotriose e outros oligossacarídeos.


5. Maltodextrina é a mesma coisa que glicose?

Não. A glicose é um monossacarídeo. A maltodextrina é uma mistura de carboidratos formada pela hidrólise parcial do amido, contendo cadeias de diferentes tamanhos e podendo apresentar pequenas frações de glicose e outros açúcares.


6. A maltodextrina pode interferir na declaração de açúcares adicionados?

Pode. Segundo orientação da Anvisa, a presença de frações de monossacarídeos e dissacarídeos na maltodextrina deve ser considerada na avaliação das regras para determinadas alegações nutricionais, como “sem adição de açúcares”.


7. Por que avaliar maltose e maltotriose na maltodextrina?

Esses compostos fazem parte do perfil de sacarídeos formado durante a hidrólise do amido. Sua determinação auxilia na caracterização do ingrediente e na comparação entre diferentes produtos ou lotes.


8. A análise pode ser realizada em maltodextrina utilizada em suplementos?

Sim. O plano analítico pode ser desenvolvido tanto para a matéria-prima quanto, dependendo do objetivo e da metodologia disponível, para produtos alimentícios e suplementos que contenham maltodextrina.




 
 
 

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