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Análise de Mancozebe + ETU na Água: importância do monitoramento da qualidade da água

Introdução


A qualidade da água está diretamente relacionada à saúde pública, à preservação ambiental e à segurança dos processos que dependem desse recurso.


Entre os contaminantes que podem ser investigados em análises químicas estão os resíduos de agrotóxicos e seus produtos de transformação, especialmente em regiões próximas a áreas agrícolas.


Nesse contexto, a análise de Mancozebe + ETU na água possui importância particular. O mancozebe é um fungicida utilizado no controle de diferentes doenças que afetam culturas agrícolas.


No ambiente, porém, esse composto pode sofrer processos de degradação e originar a etilenotioureia (ETU), um de seus principais produtos de transformação.


Por essa razão, a avaliação da presença de mancozebe e ETU deve considerar não apenas o composto originalmente aplicado, mas também o seu comportamento após chegar ao ambiente.



O que são Mancozebe e ETU?


O mancozebe é um fungicida pertencente ao grupo dos etilenobisditiocarbamatos. É empregado na agricultura para o controle de diferentes fungos que podem comprometer a produtividade e a qualidade de diversas culturas.


Do ponto de vista ambiental, entretanto, o mancozebe apresenta uma característica relevante: ele não permanece necessariamente na mesma forma química após sua aplicação.


Na presença de água e oxigênio, pode sofrer degradação, dando origem principalmente à etilenotioureia (ETU).


Estudos ambientais indicam que o mancozebe pode apresentar degradação relativamente rápida na água, enquanto a ETU pode permanecer por mais tempo, dependendo das condições ambientais. (


A ETU é, portanto, um importante produto de transformação associado ao mancozebe e merece atenção durante o monitoramento da qualidade da água.


Essa relação explica por que a avaliação de Mancozebe + ETU é tratada conjuntamente em determinados contextos regulatórios.


A simples ausência ou baixa concentração do mancozebe na amostra não significa, necessariamente, que não tenha ocorrido exposição ambiental ao composto ou aos seus produtos de transformação.



Como o Mancozebe pode chegar à água?


A presença de resíduos de agrotóxicos em recursos hídricos pode ocorrer por diferentes mecanismos.


Entre eles estão o escoamento superficial após eventos de chuva, a movimentação de partículas do solo, a deposição atmosférica e outras formas de transporte a partir de áreas onde produtos agrícolas foram utilizados.


O comportamento do mancozebe no ambiente é influenciado por fatores como características do solo, condições climáticas, presença de matéria orgânica, pH, atividade microbiana e características do corpo d'água.


Embora o mancozebe apresente baixa mobilidade e baixa persistência relativa em determinadas condições, isso não elimina a necessidade de monitoramento.


A transformação do composto em ETU é justamente um dos fatores que tornam a avaliação mais complexa.


Dados ambientais indicam que a ETU pode apresentar comportamento diferente do composto de origem e permanecer disponível por mais tempo em determinadas condições.


Por isso, a análise laboratorial deve ser conduzida de maneira adequada e considerando o objetivo do monitoramento.



Por que realizar a análise de Mancozebe + ETU na água?


A investigação desses compostos pode ser importante para diferentes finalidades, como controle da qualidade da água para consumo humano, monitoramento ambiental, avaliação de fontes de abastecimento e acompanhamento de áreas próximas à atividade agrícola.


No Brasil, o padrão de potabilidade estabelecido pelo Ministério da Saúde contempla o parâmetro "Mancozebe + ETU".


A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabeleceu valor máximo permitido (VMP) de 8 µg/L, considerando a soma das concentrações de mancozebe e seu principal metabólito, a ETU.


Essa alteração foi relevante em relação ao padrão anterior. Segundo material técnico do Ministério da Saúde, o mancozebe já fazia parte do padrão de potabilidade desde a Portaria nº 2.914/2011, mas o critério passou a considerar conjuntamente o mancozebe e a ETU na norma de 2021.


Assim, quando uma água é destinada ao consumo humano e está submetida ao padrão brasileiro de potabilidade, o resultado analítico precisa ser interpretado de acordo com o enquadramento aplicável e com os critérios estabelecidos pela legislação vigente.


É importante destacar que um resultado analítico não deve ser interpretado isoladamente.


A avaliação deve considerar o tipo de água, sua origem, finalidade de uso, plano de amostragem e demais parâmetros que possam contribuir para a caracterização da qualidade da água.



Como é realizada a análise?


A determinação de resíduos de agrotóxicos e seus produtos de transformação em água exige procedimentos laboratoriais capazes de detectar concentrações muito baixas.


Em análises dessa natureza, a etapa de amostragem e preservação é tão importante quanto a própria determinação instrumental.


Uma coleta inadequada, um recipiente incompatível, armazenamento incorreto ou um intervalo excessivo entre coleta e análise podem comprometer a representatividade do resultado.


No laboratório, a amostra passa por procedimentos de preparo e extração adequados à matriz e aos analitos de interesse.


Posteriormente, a determinação pode ser realizada por técnicas instrumentais de alta sensibilidade, de acordo com a metodologia analítica aplicável e validada pelo laboratório.


A escolha da metodologia deve considerar fatores como:

  • características físico-químicas dos analitos;

  • concentração esperada;

  • matriz da amostra;

  • limite de detecção;

  • limite de quantificação;

  • possíveis interferentes;

  • recuperação analítica;

  • precisão e exatidão do método.


No caso do mancozebe e da ETU, a análise exige atenção especial porque são compostos relacionados, mas com características químicas distintas.


Além disso, processos de tratamento da água podem alterar a composição dos resíduos.


Estudos experimentais, por exemplo, demonstraram que determinados processos oxidativos podem influenciar a degradação do mancozebe e a formação ou transformação de ETU.


Por isso, o método analítico deve ser escolhido considerando a finalidade específica do ensaio e a matriz avaliada.


O que significa encontrar Mancozebe ou ETU na água?


A detecção de mancozebe ou ETU indica que os compostos foram identificados na amostra dentro da capacidade analítica do método utilizado. Entretanto, a interpretação depende da concentração encontrada.


Para águas destinadas ao consumo humano, deve-se comparar o resultado com o valor máximo permitido estabelecido pela legislação aplicável. Atualmente, para o parâmetro Mancozebe + ETU, o VMP brasileiro é de 8 µg/L.


Isso não significa que qualquer detecção represente automaticamente uma situação de risco.


O resultado deve ser avaliado considerando concentração, frequência de ocorrência, finalidade da água e contexto de exposição.


Por outro lado, resultados próximos ou superiores ao limite regulatório justificam uma investigação mais detalhada.


Dependendo do caso, pode ser necessário repetir a coleta, avaliar outros pontos do sistema de abastecimento, investigar a origem da contaminação e verificar a eficiência dos processos de tratamento existentes.


O monitoramento periódico também pode ser importante em áreas onde existe potencial de influência de atividades agrícolas.



A importância do monitoramento laboratorial


A análise química da água funciona como uma ferramenta de controle e prevenção. Em vez de esperar que alterações na qualidade sejam percebidas por características visuais ou sensoriais, o monitoramento permite identificar contaminantes que normalmente não podem ser percebidos a olho nu.


No caso de resíduos de agrotóxicos, essa característica é especialmente importante. Uma água pode apresentar aparência, odor e sabor normais e, ainda assim, conter determinadas substâncias em concentrações que precisam ser avaliadas tecnicamente.


O monitoramento também pode auxiliar empresas, propriedades rurais, responsáveis por sistemas de abastecimento e outras organizações na tomada de decisões relacionadas ao controle da qualidade da água.


Estudos de monitoramento realizados no Brasil demonstram a relevância dessa investigação.


Levantamento de dados do Sisagua no Paraná, considerando o período de 2014 a 2023, identificou análises de diferentes agrotóxicos em água para consumo humano e registrou resultados de mancozebe acima do valor máximo permitido em parte das análises avaliadas.


Esse tipo de informação reforça a importância de programas de monitoramento que considerem as características de cada região e as possíveis fontes de contaminação.



Análise de Mancozebe + ETU na água: quando solicitar?


A análise pode ser indicada sempre que houver necessidade de verificar a presença desses compostos em uma determinada fonte de água.


Entre as situações que podem justificar a investigação estão:

  • monitoramento de água destinada ao consumo humano;

  • avaliação de poços próximos a áreas agrícolas;

  • controle de mananciais;

  • investigação de possíveis fontes de contaminação;

  • acompanhamento da qualidade da água em propriedades rurais;

  • verificação de parâmetros relacionados à potabilidade;

  • monitoramento ambiental;

  • investigação após ocorrência ou suspeita de exposição a agrotóxicos.


A definição dos pontos de coleta e da frequência das análises deve ser realizada de acordo com o objetivo do estudo.


Em situações de investigação, por exemplo, pode ser interessante avaliar diferentes pontos, como a fonte de captação, a água após o tratamento e o ponto de consumo.


Dessa forma, é possível obter uma visão mais completa do comportamento do contaminante ao longo do sistema.



Conclusão


A análise de Mancozebe + ETU na água é uma ferramenta importante para o controle da qualidade da água e para o acompanhamento de possíveis impactos relacionados ao uso de agrotóxicos.


O mancozebe pode sofrer processos de transformação no ambiente, dando origem à ETU, o que justifica a avaliação conjunta desses compostos.


No Brasil, a legislação de potabilidade estabelece um valor máximo permitido de 8 µg/L para Mancozebe + ETU, considerando a soma das concentrações dos dois compostos.


A realização de análises laboratoriais confiáveis permite identificar concentrações que não são perceptíveis por características sensoriais da água e fornece informações importantes para decisões relacionadas ao tratamento, controle e segurança da água.


Para obter resultados representativos, é fundamental contar com procedimentos adequados de coleta, preservação, preparo de amostra e determinação analítica, além de uma interpretação técnica compatível com a finalidade da análise.



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FAQ – Perguntas frequentes


1. O que é Mancozebe?

O mancozebe é um fungicida utilizado na agricultura para o controle de diferentes doenças causadas por fungos. Pertence ao grupo dos etilenobisditiocarbamatos.


2. O que é ETU?

ETU é a sigla utilizada para etilenotioureia, um importante produto de transformação associado à degradação do mancozebe no ambiente.


3. Por que Mancozebe e ETU são analisados juntos?

Porque o mancozebe pode se transformar em ETU no ambiente. Por esse motivo, a legislação brasileira de potabilidade estabelece o parâmetro conjunto "Mancozebe + ETU".


4. Qual é o limite de Mancozebe + ETU na água potável?

De acordo com o padrão brasileiro de potabilidade estabelecido pela Portaria GM/MS nº 888/2021, o valor máximo permitido para Mancozebe + ETU é de 8 µg/L. O valor considera a soma das concentrações dos dois compostos.


5. A água pode estar contaminada mesmo sem apresentar alteração de aparência?

Sim. Resíduos de agrotóxicos podem estar presentes em concentrações que não provocam alterações perceptíveis de cor, odor ou sabor. Por isso, a identificação depende de análise laboratorial adequada.


6. A análise pode ser feita em água de poço?

Sim. A análise pode ser utilizada para investigar diferentes tipos de água, incluindo água subterrânea, desde que a metodologia seja adequada à matriz e ao objetivo da avaliação.


7. O tratamento da água elimina Mancozebe e ETU?

A eficiência depende do processo utilizado, das condições de operação e das características dos compostos. Não é adequado presumir que um tratamento específico eliminará completamente os resíduos sem uma avaliação técnica e analítica.


8. Por que realizar a análise em laboratório?

Porque a determinação de resíduos de agrotóxicos exige métodos analíticos com sensibilidade adequada para identificar e quantificar concentrações muito baixas, permitindo uma avaliação técnica da qualidade da água.



 
 
 

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