Análise de Mancozebe + ETU na água: importância para o controle da qualidade e da potabilidade
Introdução
A presença de resíduos de agrotóxicos na água é uma preocupação relevante para o controle ambiental e para a proteção da saúde pública.
Entre as substâncias monitoradas no Brasil estão o mancozebe e a etilenotioureia (ETU), avaliados conjuntamente no padrão de potabilidade da água para consumo humano.
O mancozebe é um fungicida amplamente utilizado na agricultura, enquanto a ETU é um importante produto de transformação associado a esse composto.
Por esse motivo, a legislação brasileira estabelece um limite considerando a soma das concentrações de mancozebe + ETU na água.
A análise laboratorial permite identificar e quantificar essas substâncias em concentrações muito baixas, auxiliando no monitoramento de águas destinadas ao abastecimento, poços, mananciais e outras fontes sujeitas à possível contaminação por atividades agrícolas.

O que é o mancozebe?
O mancozebe é um fungicida pertencente ao grupo químico dos alquilenobis(ditiocarbamatos).
Segundo a monografia atualmente disponibilizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o composto possui número CAS 8018-01-7 e é utilizado como ingrediente ativo em diferentes aplicações agrícolas.
Sua função é principalmente proteger as culturas contra doenças provocadas por fungos.
Entretanto, após sua aplicação, processos químicos e ambientais podem provocar sua transformação em outros compostos.
Um dos mais importantes é a etilenotioureia, conhecida pela sigla ETU.
O Ministério da Saúde destaca que o mancozebe pode se hidrolisar rapidamente formando ETU e, por essa razão, o padrão brasileiro de potabilidade deixou de avaliar apenas o fungicida isoladamente e passou a considerar a soma Mancozebe + ETU.
O que é ETU e por que ela também precisa ser analisada?
A ETU — etilenotioureia — possui número CAS 96-45-7 e é considerada um dos principais produtos de transformação de fungicidas do grupo dos etilenobisditiocarbamatos.
Sua inclusão na avaliação da qualidade da água é importante porque analisar apenas o mancozebe pode fornecer uma visão incompleta da contaminação.
Mesmo quando a concentração do composto original diminui, produtos resultantes de sua transformação podem permanecer presentes.
O próprio Ministério da Saúde informa que a ETU é o principal metabólito considerado na definição do padrão brasileiro e que o limite atualmente estabelecido para Mancozebe + ETU foi calculado utilizando dados toxicológicos relacionados à ETU.
Isso demonstra por que o controle analítico deve considerar os dois compostos conjuntamente.
Qual é o limite de Mancozebe + ETU na água potável?
No Brasil, a principal referência para qualidade da água destinada ao consumo humano é a Portaria GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021, que alterou o Anexo XX da Portaria de Consolidação GM/MS nº 5/2017 e estabelece os procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água e seu padrão de potabilidade.
Para o parâmetro:
Mancozebe + ETU
o Valor Máximo Permitido (VMP) é de 8 µg/L.
A legislação determina que esse valor seja considerado a partir do somatório das concentrações dos dois compostos.
Em outras palavras, não se trata de um limite de 8 µg/L para cada substância separadamente.
O resultado utilizado para avaliação da conformidade corresponde à soma de Mancozebe + ETU.
A versão anterior do padrão brasileiro considerava somente o mancozebe, com outro limite.
A Portaria GM/MS nº 888/2021 modificou esse critério e passou a incluir também a ETU. Segundo o Guia de Implementação da Norma de Qualidade da Água do Ministério da Saúde, o VMP passou de 12 µg/L para 8 µg/L, agora expresso como Mancozebe + ETU.
Por que a presença dessas substâncias na água merece atenção?
A possível presença de mancozebe e ETU na água está relacionada principalmente ao uso agrícola desses produtos e à movimentação dos contaminantes no ambiente.
Dependendo das condições locais, resíduos podem alcançar águas superficiais ou subterrâneas por diferentes mecanismos, como escoamento superficial após chuvas, infiltração pelo solo, transporte de partículas e manejo inadequado de defensivos agrícolas.
Por isso, áreas agrícolas, propriedades abastecidas por poços, mananciais localizados próximos a cultivos e sistemas de abastecimento que utilizam fontes sujeitas à influência agrícola podem demandar atenção especial.
A preocupação com a ETU está associada principalmente aos possíveis efeitos decorrentes de exposição prolongada.
O Ministério da Saúde relata que o valor brasileiro foi estabelecido utilizando, entre outras informações, um estudo de longa duração realizado em animais, no qual foram observadas alterações relacionadas à tireoide em determinadas doses de ETU.
Para transformar esses dados experimentais em um valor aplicável à água para consumo humano, foram utilizados fatores de segurança e parâmetros de exposição.
Isso não significa que a simples detecção da substância corresponda automaticamente à ocorrência de um efeito adverso à saúde.
A interpretação deve considerar a concentração encontrada, o limite regulatório e as condições de exposição.
Como é realizada a análise de Mancozebe + ETU na água?
A determinação desses compostos exige técnicas analíticas capazes de trabalhar em concentrações muito baixas, geralmente na faixa de microgramas por litro.
Entre as possibilidades disponíveis estão métodos baseados em cromatografia líquida, inclusive associada à espectrometria de massas em tandem, LC-MS/MS.
Existem aplicações analíticas utilizando cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas para a determinação direta de mancozebe e ETU em água potável.
Essa abordagem permite elevada seletividade na identificação dos compostos e pode reduzir limitações associadas a métodos indiretos utilizados tradicionalmente para determinados ditiocarbamatos.
Também existem laboratórios acreditados no Brasil que utilizam procedimentos baseados em cromatografia líquida para determinação de Mancozebe + ETU em diferentes tipos de água.
Há registros de métodos baseados, por exemplo, na EPA SW-846 8321B, associada a determinações por HPLC e espectrometria de massas.
A metodologia específica utilizada deve ser devidamente validada para a matriz analisada e possuir limite de quantificação adequado ao objetivo do ensaio.
Como o VMP regulamentar é de apenas 8 µg/L, o desempenho analítico do método é fundamental para que seja possível avaliar adequadamente a conformidade da amostra.
O que significa o resultado da análise?
O laudo laboratorial geralmente apresenta a concentração encontrada na amostra em µg/L (microgramas por litro).
Quando o ensaio é realizado para avaliação segundo o padrão de potabilidade brasileiro, o resultado deve ser comparado ao VMP de 8 µg/L para o somatório Mancozebe + ETU.
De maneira simplificada:
resultado igual ou inferior a 8 µg/L: atende ao VMP estabelecido para esse parâmetro;
resultado superior a 8 µg/L: não atende ao VMP da Portaria GM/MS nº 888/2021.
Também é possível que o laudo apresente um resultado como “< LQ”, indicando que a concentração encontrada está abaixo do limite de quantificação do método.
Nesse caso, é importante verificar se o limite de quantificação utilizado pelo laboratório é suficientemente baixo em relação ao valor estabelecido pela legislação.
Em quais situações a análise de Mancozebe + ETU pode ser recomendada?
A determinação pode ser importante em diversas situações de controle da qualidade da água, especialmente:
monitoramento de água destinada ao consumo humano;
avaliação de água de poços e nascentes;
controle de mananciais próximos a áreas agrícolas;
investigação de possíveis contaminações por agrotóxicos;
programas de monitoramento ambiental;
sistemas de abastecimento de água;
atendimento a requisitos legais ou programas de vigilância sanitária;
avaliação periódica da qualidade da água em propriedades rurais.
A escolha dos parâmetros deve levar em consideração a origem da água, as atividades existentes na região, o histórico de utilização de agrotóxicos e a finalidade da análise.
A importância da análise laboratorial
Substâncias como mancozebe e ETU não podem ser avaliadas apenas pela aparência, odor ou sabor da água.
Uma água aparentemente limpa e transparente pode apresentar compostos químicos em concentrações muito pequenas, detectáveis somente por técnicas laboratoriais específicas.
Por isso, a utilização de metodologias adequadas, equipamentos analíticos apropriados, controles de qualidade e profissionais capacitados é essencial para produzir resultados confiáveis.
A análise laboratorial permite não apenas detectar uma possível contaminação, mas também acompanhar tendências ao longo do tempo, identificar fontes que mereçam investigação e verificar o atendimento aos padrões estabelecidos para a água destinada ao consumo humano.
Conclusão
A análise de Mancozebe + ETU na água é uma ferramenta importante para o monitoramento de resíduos relacionados ao uso de fungicidas e para a avaliação da segurança da água destinada ao consumo humano.
A legislação brasileira estabelece atualmente um Valor Máximo Permitido de 8 µg/L para o somatório de Mancozebe + ETU, reforçando a necessidade de considerar não somente o composto original, mas também seu importante produto de transformação.
Por se tratar de concentrações muito baixas, a análise deve ser realizada por meio de métodos adequadamente validados e com desempenho compatível com o limite regulamentar.
Nosso laboratório realiza a análise de Mancozebe + ETU na água, oferecendo suporte técnico desde a definição do ensaio até a interpretação dos resultados.
Entre em contato com nossa equipe para solicitar uma cotação ou verificar os requisitos de coleta, acondicionamento e envio da amostra.
A Importância de Escolher o Lab2bio
Com anos de experiência no mercado, o Lab2bio possui um histórico comprovado de sucesso em análises laboratoriais.
Empresas do setor alimentício, indústrias farmacêuticas, laboratórios e outros segmentos confiam no Lab2bio para garantir a segurança e qualidade da água utilizada em suas atividades.
Evitar riscos de contaminação é um compromisso com a saúde de seus clientes e com a longevidade do seu negócio. Investir em análises periódicas é um diferencial que fortalece sua reputação e evita prejuízos futuro.
Para saber mais sobre Análise de Água com o Laboratório LAB2BIO - Análises de Ar, Água, Alimentos, Swab e Efluentes ligue para (11) 91138-3253 (WhatsApp) ou (11) 2443-3786 ou clique aqui e solicite seu orçamento.
FAQ — Perguntas frequentes sobre Mancozebe + ETU na água
Qual é o limite de Mancozebe + ETU na água potável?
De acordo com a Portaria GM/MS nº 888/2021, o Valor Máximo Permitido é de 8 µg/L, considerando o somatório das concentrações de Mancozebe + ETU.
Mancozebe e ETU possuem limites separados?
Para avaliação segundo o padrão brasileiro de potabilidade, o parâmetro regulamentado é apresentado como Mancozebe + ETU, portanto o VMP de 8 µg/L é aplicado ao somatório.
O que é ETU?
ETU é a etilenotioureia, um importante produto de transformação associado ao mancozebe e a outros fungicidas do grupo dos etilenobisditiocarbamatos.
Por que analisar ETU junto com mancozebe?
Porque o mancozebe pode se transformar em ETU no ambiente. Dessa maneira, avaliar apenas o composto original pode não representar adequadamente a presença dos resíduos relacionados ao pesticida.
Qual método pode ser utilizado?
Métodos baseados em cromatografia líquida, incluindo LC-MS/MS, podem ser empregados para a determinação de mancozebe e ETU em água. A metodologia utilizada deve ser validada e possuir sensibilidade compatível com o limite regulamentar.
Água de poço também pode ser analisada?
Sim. A análise pode ser realizada em águas subterrâneas e é especialmente relevante quando o poço está localizado em região agrícola ou quando existe suspeita de influência de agrotóxicos na fonte de abastecimento.
A presença de Mancozebe + ETU pode ser percebida pelo gosto ou cheiro da água?
Não é possível utilizar características sensoriais como método confiável de identificação. A confirmação depende de análise laboratorial específica.




Comentários