Análise de Mancozebe + ETU na Água: Riscos, Metodologias e a Importância do Monitoramento Ambiental
- Enfermeira Natalia Balsalobre
- 25 de mar. de 2022
- 6 min de leitura
Introdução
A presença de resíduos de agrotóxicos na água é uma preocupação crescente no Brasil, especialmente em regiões de alta produtividade agrícola.
Entre as diversas substâncias monitoradas, a combinação mancozebe + ETU (etilenotiouréia) se destaca não apenas pela frequência com que é detectada, mas também pelos potenciais riscos à saúde pública que representa.
Este artigo se propõe a explorar, em linguagem técnica e acessível, os aspectos fundamentais sobre esses compostos, desde sua origem até as metodologias de análise e os desafios para o monitoramento eficaz.

O que é o Mancozebe e por que ele é tão utilizado?
O mancozebe é um fungicida de contato pertencente ao grupo químico dos ditiocarbamatos, amplamente empregado na agricultura para o controle preventivo de doenças fúngicas em diversas culturas . Sua popularidade se deve a algumas características-chave:
- Amplo espectro de ação: eficaz contra oídios, míldios, ferrugens e antracnoses em culturas como batata, tomate, uva, citros, café e soja .
- Modo de ação multissítio: o mancozebe atua inibindo múltiplas vias metabólicas dos fungos, o que confere baixo risco de desenvolvimento de resistência por parte dos patógenos .
- Custo-benefício: considerado uma opção economicamente viável para os produtores rurais.
Do ponto de vista químico, o mancozebe é um complexo organometálico contendo manganês e zinco coordenados com ligantes ditiocarbamato, com fórmula molecular C₈H₁₂MnN₄S₈Zn .
Sua aplicação, no entanto, requer manejo cuidadoso, sendo classificado como produto de classe II (altamente tóxico) pela legislação brasileira .
A preocupação ambiental: a formação da ETU
O principal problema ambiental associado ao uso do mancozebe não é exatamente o composto original, mas sim seu principal metabólito: a etilenotiouréia (ETU).
A ETU é formada pela degradação e/ou biotransformação do mancozebe no meio ambiente e é considerada uma substância toxicologicamente relevante .
Características críticas da ETU:
- Estabilidade e solubilidade: razoavelmente estável e solúvel em água, o que favorece sua disseminação e persistência em corpos d'água .
- Toxicidade: apresenta evidência suficiente para carcinogenicidade em animais e evidência inadequada para carcinogenicidade em seres humanos, sendo classificada como uma substância de preocupação para a saúde pública .
- Mobilidade: a ETU apresenta maior mobilidade no solo em comparação ao composto original, o que aumenta seu potencial de contaminação de águas subterrâneas e superficiais .
O metabolismo do mancozebe para ETU ocorre por processos químicos (hidrólise) e microbiológicos no ambiente, e sua formação pode ser influenciada por fatores como pH, temperatura e umidade.
A presença de níveis de ETU em alimentos, como constatado em estudos com mamão, alerta para a necessidade do conhecimento dos níveis presentes nos produtos consumidos pela população .
O cenário brasileiro: contaminação generalizada e riscos à saúde
Dados recentes de pesquisas científicas revelam um cenário preocupante em relação à contaminação da água potável por pesticidas no Brasil.
Um estudo conduzido no estado do Paraná, um dos principais polos agrícolas do país, analisou a contaminação da água em 127 municípios produtores de grãos .
Os resultados foram alarmantes: 80,31% dos municípios analisados apresentaram níveis de mancozebe-ETU significativamente acima dos limites máximos permitidos.
A contaminação generalizada foi associada a um risco aumentado de câncer, estimando-se que, durante o período de estudo, foram registrados 542 casos de câncer atribuíveis à água potável contaminada, com mais de 80% desses casos relacionados ao mancozebe-ETU e ao diuron .
Este cenário evidencia a necessidade urgente de um monitoramento ambiental mais rigoroso e da implementação de estratégias eficazes para mitigar a contaminação dos recursos hídricos.
Metodologias Analíticas para Determinação de Mancozebe e ETU
A análise de resíduos de mancozebe e ETU em matrizes ambientais, como água, requer métodos analíticos sensíveis e específicos.
Embora a análise direta do mancozebe seja desafiadora devido à sua natureza complexa e instabilidade, a determinação da ETU é frequentemente utilizada como um indicador da presença e degradação do composto original.
As técnicas comumente empregadas incluem:
1. Espectrofotometria: utilizada para determinação de ditiocarbamatos totais (incluindo mancozebe), baseada na quantificação de dissulfeto de carbono (CS₂) liberado após digestão ácida do composto .
2. Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC): método de escolha para a determinação específica da ETU, que oferece alta sensibilidade e seletividade .
3. Cromatografia Gasosa (GC): também pode ser empregada para análise de ditiocarbamatos e seus metabólitos, especialmente após derivatização adequada.
Estudos de validação de métodos analíticos para essas substâncias demonstram a viabilidade e confiabilidade das técnicas.
Pesquisas com frutas, por exemplo, mostraram recuperações entre 70 e 110% para mancozebe e 80 e 110% para ETU, com limites de quantificação de 0,5 mg/kg para mancozebe e 0,01 mg/kg para ETU .
Serviços do Laboratório: Soluções Especializadas para Análise de Mancozebe e ETU
Diante do cenário de contaminação generalizada e da complexidade analítica envolvida, o Laboratório LAB2BIO se posiciona como um parceiro estratégico para o monitoramento da qualidade da água e de outras matrizes ambientais.
Nossa equipe de especialistas oferece serviços especializados para a determinação de mancozebe e seu metabólito ETU, empregando metodologias analíticas consolidadas e equipamentos de última geração.
Nossos Diferenciais
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Benefícios para o Cliente
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- Proteção da Saúde Pública: o monitoramento regular ajuda a prevenir a exposição da população a substâncias tóxicas, contribuindo para a segurança hídrica.
- Responsabilidade Socioambiental: empresas que investem no monitoramento ambiental demonstram seu compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social.
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Conclusão
A análise de mancozebe e seu metabólito ETU na água é uma ferramenta indispensável para a avaliação da qualidade ambiental e da segurança hídrica no Brasil.
A presença generalizada desses compostos em mananciais, demonstrada por estudos científicos, evidencia a necessidade de um monitoramento contínuo e da adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.
O Laboratório LAB2BIO se coloca como um parceiro fundamental nesse processo, oferecendo expertise e tecnologia de ponta para a realização de análises precisas e confiáveis.
Ao investir em análises laboratoriais especializadas, é possível proteger a saúde pública, garantir a conformidade regulatória e promover a sustentabilidade ambiental.
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Evitar riscos de contaminação é um compromisso com a saúde de seus clientes e com a longevidade do seu negócio. Investir em análises periódicas é um diferencial que fortalece sua reputação e evita prejuízos futuro.
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FAQ - Perguntas Frequentes
1. O que é a ETU e por que ela é analisada?
ETU (etilenotiouréia) é o principal metabólito formado pela degradação do fungicida mancozebe. Ela é analisada porque é mais estável e solúvel em água que o composto original, além de ser considerada uma substância de preocupação para a saúde pública devido ao seu potencial carcinogênico em animais .
2. Quais os riscos da contaminação por mancozebe e ETU na água?
Estudos indicam que a contaminação da água por mancozebe-ETU está associada a um aumento do risco de câncer, especialmente quando os níveis excedem os limites máximos permitidos pela legislação . Além disso, a exposição crônica a baixas doses pode ter efeitos adversos à saúde a longo prazo.
3. Como é feita a análise de mancozebe e ETU na água?
A análise geralmente é realizada por técnicas cromatográficas, como Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC) para a ETU e espectrofotometria para ditiocarbamatos totais . Os métodos são validados para garantir precisão e confiabilidade dos resultados.
4. Qual a frequência recomendada para o monitoramento desses compostos?
A frequência do monitoramento depende da localização, do uso do solo e do histórico de contaminação. Para áreas agrícolas intensivas e regiões com histórico de detecção, recomenda-se o monitoramento regular de acordo com as exigências dos órgãos ambientais e de saúde pública.
5. O Laboratório LAB2BIO oferece análises para outros agrotóxicos?
Sim, além de mancozebe e ETU, oferecemos análises para uma ampla gama de pesticidas e contaminantes emergentes, incluindo atrazina, glifosato, diuron e compostos organoclorados. Entre em contato para consultar nosso portfólio completo.





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