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Análise de Material Particulado Total em Ar Comprimido: importância, métodos e controle da qualidade

12 de dez. de 2024
8 min de leitura

Introdução


O ar comprimido está presente em diferentes atividades industriais, sendo utilizado para acionamento de equipamentos, limpeza, transporte pneumático, automação de processos e, em determinadas aplicações, entrando em contato direto ou indireto com produtos e superfícies.


Apesar de muitas vezes ser percebido como uma fonte de ar “limpo”, um sistema de ar comprimido pode transportar diferentes contaminantes, incluindo água, óleo, microrganismos e partículas sólidas.


Por esse motivo, a análise de material particulado total em ar comprimido é uma ferramenta importante para avaliar a qualidade do sistema e verificar se as condições de operação são adequadas à aplicação.


A série ISO 8573 é uma das principais referências internacionais para avaliação da qualidade do ar comprimido.


A ISO 8573-1 estabelece classes de pureza relacionadas a partículas, água e óleo, enquanto outras partes da série apresentam métodos específicos de medição.



O que é material particulado em ar comprimido?


Material particulado corresponde ao conjunto de partículas que podem estar suspensas ou ser transportadas pelo fluxo de ar comprimido.


Essas partículas podem apresentar diferentes tamanhos e ter origens variadas dentro ou fora do sistema.


Entre as possíveis fontes estão poeira proveniente do ar atmosférico admitido pelo compressor, produtos de corrosão das tubulações, resíduos provenientes de componentes internos, partículas desprendidas de filtros, incrustações e outros materiais presentes na rede de distribuição.


Mesmo partículas muito pequenas podem ser relevantes em processos sensíveis.

Em determinados ambientes industriais, a presença excessiva de partículas pode contribuir para:

  • contaminação de produtos;

  • deposição de resíduos sobre equipamentos ou embalagens;

  • desgaste prematuro de componentes pneumáticos;

  • obstrução de válvulas e pequenos orifícios;

  • alteração da eficiência de equipamentos;

  • comprometimento das condições higiênicas do processo;

  • dificuldade no atendimento a requisitos internos de qualidade.


Por isso, conhecer a concentração e, quando aplicável, a distribuição de tamanho das partículas presentes no ar comprimido auxilia na avaliação das condições reais do sistema.



Qual é a importância da análise de material particulado total em ar comprimido?


A análise de material particulado total em ar comprimido permite verificar se o sistema apresenta níveis de partículas compatíveis com a finalidade para a qual o ar é utilizado.


O nível de controle necessário não é igual para todas as aplicações. Um sistema utilizado apenas para ferramentas pneumáticas, por exemplo, pode possuir requisitos diferentes daquele empregado em uma indústria farmacêutica, alimentícia, cosmética, hospitalar ou de componentes eletrônicos.


Quando o ar comprimido entra diretamente em contato com produtos, matérias-primas, equipamentos ou embalagens, o controle tende a assumir importância ainda maior.


A análise também pode auxiliar na identificação de problemas relacionados à manutenção da rede.


Um aumento inesperado da quantidade de partículas pode indicar situações como deterioração dos filtros, corrosão interna das tubulações, contaminação durante intervenções de manutenção ou funcionamento inadequado do sistema de tratamento do ar.


Dessa forma, o ensaio não deve ser visto apenas como uma verificação pontual, mas como parte de uma estratégia de controle e acompanhamento da qualidade do ar comprimido.



ISO 8573 e o controle de partículas no ar comprimido


A ISO 8573-1:2010 estabelece classes de pureza para o ar comprimido considerando principalmente três grupos de contaminantes: partículas, água e óleo.


A classificação pode ser utilizada independentemente do ponto do sistema em que a qualidade do ar é especificada ou medida.


É importante observar que a ISO informa atualmente que uma nova edição da ISO 8573-1 encontra-se em desenvolvimento.


Enquanto essa revisão não substitui formalmente a edição vigente, a ISO 8573-1:2010 continua sendo a referência publicada aplicável.


Para partículas, a série possui metodologias distintas conforme a forma como o contaminante será expresso.


A ISO 8573-4:2019 apresenta procedimentos para amostragem e determinação da concentração de partículas por número e por faixa de tamanho.


O método considera todas as partículas detectadas de forma combinada, sem necessariamente diferenciar partículas sólidas e líquidas individualmente.


Já a ISO 8573-8:2004 é voltada à determinação da concentração de partículas sólidas por massa.


A norma estabelece métodos para determinar a concentração mássica das partículas presentes no ar comprimido e também aborda aspectos de amostragem, avaliação, incerteza e apresentação dos resultados.


Essa diferenciação é especialmente importante porque contagem de partículas e concentração em massa não representam exatamente a mesma grandeza.



Material particulado total é a soma de diferentes faixas de partículas?


Nem sempre. Essa é uma distinção importante na interpretação dos resultados laboratoriais.


Quando um equipamento realiza a contagem de partículas, os resultados podem ser apresentados por faixas de tamanho, como partículas entre determinados diâmetros.


Nesse caso, cada faixa representa uma população específica de partículas detectadas no volume analisado.


Consequentemente, resultados obtidos para diferentes faixas granulométricas não devem ser somados indiscriminadamente sem verificar como o equipamento realizou a classificação.


Isso ocorre porque alguns sistemas apresentam resultados por intervalos independentes, enquanto outros podem utilizar canais acumulativos.


Portanto, valores relacionados, por exemplo, a partículas de determinados tamanhos não representam automaticamente o material particulado total.


A metodologia analítica, a configuração do equipamento e a forma de expressão do resultado precisam ser consideradas antes da interpretação.


Quando o objetivo é determinar material particulado por concentração em massa, a ISO 8573-8 apresenta metodologia específica para essa finalidade.


Já quando o objetivo é avaliar quantidade e tamanho de partículas, a referência é a ISO 8573-4.




Como é realizada a análise de partículas no ar comprimido?


O procedimento depende da metodologia utilizada e da especificação que se deseja avaliar.


De maneira geral, inicialmente é definido um ponto representativo da rede de ar comprimido.


A amostragem deve considerar aspectos como pressão, vazão, características do ponto de uso e condições de operação do sistema.


Para determinação da concentração por número, podem ser empregados equipamentos capazes de detectar e contabilizar partículas em diferentes intervalos de tamanho.


A ISO 8573-4 estabelece orientações para a amostragem, escolha dos equipamentos de medição e avaliação dos resultados, incluindo limitações dos diferentes métodos e considerações relacionadas à incerteza da medição.


Quando o objetivo é determinar a concentração por massa, são aplicados métodos específicos descritos na ISO 8573-8.


Como as características físicas do sistema podem interferir diretamente na amostragem, a coleta deve ser cuidadosamente planejada para que o resultado seja representativo das condições reais do ar utilizado no processo.



O que pode aumentar a quantidade de partículas no ar comprimido?


Diversos fatores podem contribuir para o aumento da concentração de material particulado.


Um dos principais é o próprio ar atmosférico utilizado na entrada do compressor. Embora existam sistemas de filtragem, partículas presentes no ambiente podem alcançar diferentes etapas do sistema caso o tratamento seja inadequado.

Outro fator importante é a condição da tubulação.


Com o passar do tempo, processos de corrosão e desgaste podem liberar partículas metálicas ou depósitos acumulados no interior da rede.


Filtros saturados, danificados ou instalados de maneira inadequada também podem comprometer o desempenho do sistema.


Além disso, atividades de manutenção podem introduzir temporariamente poeira, resíduos metálicos ou outros materiais na rede.


Por isso, programas de manutenção preventiva, troca periódica dos elementos filtrantes e monitoramento laboratorial são estratégias complementares para manter a qualidade do ar comprimido.



Em quais setores essa análise pode ser utilizada?


O controle de partículas pode ser relevante em praticamente qualquer atividade que utilize ar comprimido, principalmente quando o ar possui influência direta sobre a qualidade do processo. Entre as aplicações encontram-se indústrias:

  • alimentícias e de bebidas; farmacêuticas; cosméticas; químicas; eletrônicas; automotivas; de embalagens; hospitalares; de dispositivos médicos e de outros processos industriais de maior sensibilidade.


Na indústria de alimentos, por exemplo, o ar comprimido pode ser utilizado durante etapas de transporte, secagem, sopro, envase e processamento.


Na indústria farmacêutica e cosmética, níveis elevados de contaminantes podem ser incompatíveis com determinados ambientes ou operações produtivas.


Em outros setores, partículas podem afetar principalmente equipamentos pneumáticos, instrumentos e componentes de precisão.


A especificação adequada deve sempre considerar o risco associado à aplicação e os requisitos técnicos ou regulatórios aplicáveis ao processo.



Por que realizar o monitoramento periodicamente?


Uma única análise representa as condições observadas no momento da coleta. Entretanto, sistemas de ar comprimido podem sofrer alterações ao longo do tempo.

Troca de filtros, manutenção de compressores, substituição de tubulações, alterações de pressão e mudanças nas condições ambientais podem modificar o perfil de contaminação.


Por isso, estabelecer um programa periódico de monitoramento ajuda a acompanhar tendências e identificar desvios antes que eles produzam impactos relevantes.


O histórico dos resultados também permite avaliar a eficiência das ações de manutenção e do sistema de tratamento do ar comprimido.



Análise de material particulado total em ar comprimido em laboratório especializado


A confiabilidade do resultado depende tanto da metodologia utilizada quanto das condições de amostragem e da correta interpretação dos dados.


Um laboratório especializado pode auxiliar na definição da estratégia analítica mais adequada, considerando o tipo de indústria, o ponto de utilização do ar comprimido e a finalidade do ensaio.


É importante estabelecer previamente se o objetivo é determinar a contagem e distribuição das partículas por tamanho, a concentração em massa ou outro parâmetro específico associado à qualidade do ar comprimido.


O laboratório pode, então, orientar a coleta, realizar as determinações aplicáveis e emitir resultados que auxiliem empresas no controle de seus sistemas e na avaliação de requisitos técnicos.



Conclusão


A análise de material particulado total em ar comprimido é uma importante ferramenta para avaliar a limpeza e a qualidade de sistemas utilizados em diferentes processos industriais.


Partículas podem ser provenientes do ambiente, do compressor, dos filtros, das tubulações ou do próprio desgaste dos componentes da rede.


Quando presentes em concentrações inadequadas, podem afetar equipamentos, produtos e etapas produtivas.


A série ISO 8573 fornece referências importantes para essa avaliação. A ISO 8573-1 estabelece classes de pureza, enquanto a ISO 8573-4 trata da determinação de partículas por contagem e tamanho, e a ISO 8573-8 aborda a concentração de partículas sólidas por massa.


Realizar análises periódicas, associadas à manutenção adequada dos sistemas de compressão e filtragem, contribui para maior controle dos processos e para a identificação precoce de possíveis fontes de contaminação.


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FAQ — Perguntas frequentes


O que é material particulado no ar comprimido?

São partículas transportadas pelo fluxo de ar comprimido, podendo incluir poeira, resíduos provenientes de corrosão, partículas metálicas, materiais desprendidos de filtros e outros contaminantes presentes na rede.


Qual norma é utilizada para avaliar partículas em ar comprimido?

A ISO 8573 é uma das principais referências internacionais. A ISO 8573-1 estabelece classes de pureza, enquanto a ISO 8573-4 apresenta métodos relacionados à concentração e ao tamanho das partículas e a ISO 8573-8 aborda a concentração de partículas sólidas por massa.


Material particulado total e PM10 ou PM2,5 são a mesma coisa?

Não necessariamente. PM10 e PM2,5 são classificações amplamente utilizadas para partículas atmosféricas relacionadas ao diâmetro aerodinâmico. Para ar comprimido, a interpretação deve seguir a metodologia específica utilizada e os critérios aplicáveis ao sistema analisado.


Posso somar diferentes faixas de partículas para obter o material particulado total?

Não automaticamente. A possibilidade de soma depende de como as faixas foram determinadas pelo equipamento. Alguns resultados representam intervalos independentes, enquanto outros podem ser acumulativos. A metodologia analítica deve ser verificada antes de qualquer cálculo.


A ISO 8573-4 mede material particulado por massa?

Não. A ISO 8573-4:2019 é destinada principalmente à determinação da concentração de partículas por número e tamanho. A determinação por concentração em massa é abordada pela ISO 8573-8.


Com que frequência deve ser feita a análise?

A periodicidade depende da aplicação, dos riscos do processo, das exigências do sistema de qualidade e do histórico dos resultados. Empresas podem estabelecer controles periódicos ou realizar novas análises após manutenções e alterações relevantes na rede.


Por que analisar o ar comprimido mesmo quando existem filtros?

Os filtros reduzem contaminantes, mas estão sujeitos a saturação, desgaste, falhas e instalação inadequada. Além disso, partículas podem ser geradas posteriormente nas próprias tubulações. A análise permite verificar a condição efetiva do ar no ponto de utilização.



 
 
 

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