Análise de matéria gorda em extrato seco em requeijão e queijos: importância para a qualidade e conformidade
Introdução
A análise de matéria gorda em extrato seco em requeijão e queijos é um dos ensaios físico-químicos utilizados para avaliar a composição desses produtos e verificar se suas características estão de acordo com os padrões de identidade e qualidade aplicáveis.
Nos produtos lácteos, a quantidade de gordura influencia propriedades como sabor, textura, cremosidade, rendimento industrial e características nutricionais.
Entretanto, analisar apenas a quantidade total de gordura pode não ser suficiente para determinadas avaliações.
Por isso, utiliza-se também a determinação da matéria gorda no extrato seco, frequentemente identificada pela sigla MGES.
Esse parâmetro relaciona a quantidade de gordura à porção sólida do alimento, desconsiderando a água presente no produto.
Dessa forma, torna-se possível comparar produtos que apresentam diferentes teores de umidade e avaliar sua classificação de maneira mais adequada.

O que é matéria gorda no extrato seco?
O extrato seco corresponde à fração do alimento que permanece após a retirada da água.
Em um queijo, por exemplo, essa fração inclui gordura, proteínas, minerais, lactose residual e outros sólidos presentes na matriz.
A matéria gorda no extrato seco representa a proporção de gordura existente nessa parte sólida do produto.
De maneira simplificada, o cálculo pode ser compreendido pela relação:
MGES (%) = gordura (%) ÷ extrato seco (%) × 100
Imagine, por exemplo, um queijo contendo 30% de gordura e 50% de extrato seco. Nesse caso:
MGES = (30 ÷ 50) × 100 = 60%
Isso significa que 60% da matéria seca do produto é constituída por gordura. utilização desse indicador é particularmente importante porque o teor de água dos queijos pode variar consideravelmente entre diferentes variedades e processos produtivos.
Ao expressar a gordura em relação ao extrato seco, reduz-se a interferência da umidade na interpretação do resultado.
Por que analisar matéria gorda em extrato seco em queijos?
A legislação brasileira utiliza a matéria gorda no extrato seco como um dos critérios de classificação dos queijos.
De acordo com o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Queijos estabelecido pela Portaria MAPA nº 146/1996, os queijos podem ser classificados conforme o percentual de matéria gorda no extrato seco em:
extra gordo ou duplo creme: mínimo de 60%;
gordo: de 45,0% a 59,9%;
semigordo: de 25,0% a 44,9%;
magro: de 10,0% a 24,9%;
desnatado: menos de 10%.
A própria legislação ressalta que padrões específicos de determinadas variedades podem estabelecer requisitos adicionais ou diferentes, que devem ser considerados na avaliação do produto.
Assim, a análise de matéria gorda em extrato seco em queijos é importante tanto para a caracterização do produto quanto para verificar sua adequação à categoria declarada.
O resultado também pode auxiliar fabricantes no acompanhamento da formulação e na identificação de alterações de processo que possam modificar a composição final.
Matéria gorda no extrato seco em requeijão
O requeijão apresenta requisitos específicos de composição. O Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Requeijão estabelece valores diferentes conforme a denominação do produto. Para matéria gorda no extrato seco, estão previstos:
Requeijão: de 45,0 a 54,9 g/100 g.
Requeijão cremoso: mínimo de 55,0 g/100 g.
Requeijão de manteiga: faixa prevista de 25,0 a 59,9 g/100 g, conforme sua classificação e requisitos específicos.
A regulamentação também estabelece limites de umidade, demonstrando a importância da avaliação conjunta desses parâmetros na caracterização do produto.
Por esse motivo, conhecer somente o percentual de gordura total não é suficiente para interpretar corretamente a composição de um requeijão. É necessário considerar também a quantidade de sólidos presentes.
Qual é a diferença entre gordura total e matéria gorda no extrato seco?
Embora estejam diretamente relacionadas, gordura total e matéria gorda no extrato seco não representam exatamente a mesma informação.
A gordura total indica quanto de gordura existe em relação ao peso total da amostra, incluindo a água.
A matéria gorda no extrato seco, por sua vez, relaciona a gordura apenas à parte sólida do alimento.
Essa diferença é especialmente importante em produtos com alto teor de umidade.
Dois queijos podem apresentar quantidades diferentes de água e, consequentemente, diferentes percentuais de gordura total, mesmo possuindo proporções semelhantes de gordura dentro de sua matéria seca.
A MGES permite, portanto, uma comparação mais consistente entre produtos com características distintas de umidade.
Como é realizada a análise de matéria gorda em extrato seco?
A determinação normalmente envolve a avaliação de pelo menos dois parâmetros: o teor de gordura e o conteúdo de matéria seca ou umidade.
Primeiramente, determina-se a quantidade de gordura presente na amostra por metodologia apropriada.
Também é determinado o teor de umidade ou extrato seco. Com esses resultados, calcula-se a porcentagem de gordura presente na matéria seca.
Os Métodos Oficiais para Análise de Produtos de Origem Animal do MAPA incluem procedimentos para determinação de gordura, matéria gorda, matéria gorda no extrato seco e lipídeos totais.
Para queijo, requeijão e ricota por coagulação, documentos atuais de credenciamento laboratorial do MAPA fazem referência ao Método Oficial 2.22 e também a métodos IDF aplicáveis.
A metodologia efetivamente aplicada deve ser escolhida de acordo com a matriz analisada, a finalidade do ensaio, o procedimento validado pelo laboratório e eventuais requisitos regulatórios.
Por que o teor de umidade interfere no resultado?
A quantidade de água é um fator essencial na interpretação da matéria gorda no extrato seco.
Produtos com maior umidade apresentam menor quantidade de sólidos por unidade de massa.
Dessa forma, pequenas variações no teor de água podem alterar significativamente a relação entre gordura e extrato seco.
Esse aspecto é particularmente relevante para produtos como requeijão cremoso e queijos de alta umidade.
Consequentemente, processos como drenagem, prensagem, aquecimento, concentração e padronização da matéria-prima podem influenciar tanto a umidade quanto o resultado final de MGES.
Aplicações da análise na indústria de laticínios
A análise de matéria gorda em extrato seco em requeijão e queijos pode ser utilizada em diferentes etapas do controle de qualidade.
Entre suas principais aplicações estão a avaliação da conformidade do produto acabado, o acompanhamento da padronização da produção, a investigação de desvios entre lotes e a confirmação da classificação prevista para determinada categoria de queijo.
O ensaio também pode fornecer informações úteis durante o desenvolvimento de novos produtos ou alterações de formulação.
Em queijos processados ou fundidos, por exemplo, existem requisitos próprios. A regulamentação estabelece para determinadas categorias de queijo processado teor mínimo de 35 g/100 g de matéria gorda no extrato seco, demonstrando novamente que os limites devem ser avaliados conforme a identidade específica do produto.
Por isso, a interpretação de um resultado laboratorial não deve ser feita apenas com base em um limite geral.
É necessário conhecer a denominação de venda, a categoria e o respectivo regulamento técnico.
Fatores que podem provocar alterações nos resultados
Diversos fatores relacionados à fabricação podem alterar a matéria gorda no extrato seco.
Entre eles estão a composição do leite utilizado, o nível de padronização da gordura, a quantidade de creme adicionada, as condições de coagulação, a perda de gordura para o soro e o teor final de umidade.
No caso do requeijão, a formulação também exerce influência significativa, especialmente pela utilização de ingredientes lácteos como creme, manteiga, leite e outros componentes permitidos pela legislação.
Por esse motivo, variações inesperadas nos resultados podem indicar necessidade de avaliação das matérias-primas, da formulação ou das etapas do processo produtivo.
Importância da coleta e preparação da amostra
A confiabilidade do resultado começa antes da análise laboratorial. Queijos e requeijões são matrizes que podem apresentar distribuição não completamente uniforme de gordura e umidade.
Uma amostra inadequadamente coletada ou preparada pode não representar corretamente o lote.
É importante que a quantidade enviada seja suficiente e que o acondicionamento e transporte preservem as características originais do produto.
No laboratório, a homogeneização adequada da amostra também é fundamental para que a porção submetida ao ensaio represente de maneira confiável o material recebido.
Análise laboratorial como ferramenta de controle de qualidade
A avaliação da matéria gorda no extrato seco fornece informações relevantes para produtores de queijos, requeijões e outros derivados lácteos.
Além da verificação de requisitos legais, os resultados laboratoriais podem ser incorporados aos programas internos de controle de qualidade e utilizados para acompanhar tendências produtivas ao longo do tempo.
Quando análises periódicas são realizadas, torna-se mais fácil identificar mudanças na composição antes que elas se transformem em problemas recorrentes de padronização.
É importante destacar, entretanto, que a interpretação deve considerar o conjunto de requisitos aplicáveis ao produto.
Dependendo da variedade, podem ser necessárias análises adicionais de umidade, proteína, acidez, pH, microbiologia e outros parâmetros.
Serviço de análise de matéria gorda em extrato seco em requeijão e queijos
Nosso laboratório realiza análise de matéria gorda em extrato seco em requeijão e queijos, oferecendo suporte para indústrias, fabricantes, distribuidores e demais empresas que necessitam conhecer e acompanhar a composição de seus produtos.
A análise laboratorial permite obter dados técnicos para controle de qualidade, avaliação de matérias-primas, acompanhamento da produção e verificação de especificações aplicáveis ao produto.
A utilização de procedimentos laboratoriais adequados e de métodos compatíveis com cada matriz contribui para a obtenção de resultados confiáveis e tecnicamente fundamentados.
Para empresas do setor de laticínios, esse acompanhamento é uma ferramenta importante para manter a regularidade entre lotes e apoiar decisões relacionadas ao processo produtivo.
Conclusão
A análise de matéria gorda em extrato seco em requeijão e queijos é um parâmetro importante para caracterizar a composição e avaliar a padronização desses produtos.
Diferentemente da determinação isolada de gordura total, a MGES considera a quantidade de gordura em relação aos sólidos do alimento, permitindo reduzir o efeito das diferenças de umidade sobre a interpretação.
Além de ser utilizada na classificação de queijos, a matéria gorda no extrato seco faz parte dos requisitos específicos estabelecidos para produtos como o requeijão e o requeijão cremoso.
Realizar esse controle por meio de análises laboratoriais contribui para verificar a composição dos produtos, identificar variações de processo e gerar informações importantes para sistemas de controle de qualidade.
A Importância de Escolher o Lab2bio
Com anos de experiência no mercado, o Lab2bio possui um histórico comprovado de sucesso em análises microbiológicas.
Empresas do setor alimentício, indústrias farmacêuticas, laboratórios e outros segmentos confiam no Lab2bio para garantir a segurança e qualidade do seu alimento.
Evitar riscos de contaminação é um compromisso com a saúde de seus clientes e com a longevidade do seu negócio. Investir em análises periódicas é um diferencial que fortalece sua reputação e evita prejuízos futuro.
Para saber mais sobre Análise de Alimentos com o Laboratório LAB2BIO - Análises de Ar, Água, Alimentos, Swab e Efluentes ligue para (11) 91138-3253 (WhatsApp) ou (11) 2443-3786 ou clique aqui e solicite seu orçamento
FAQ — Perguntas frequentes
O que significa matéria gorda no extrato seco?
É a porcentagem de gordura calculada em relação à quantidade de matéria seca existente no produto, ou seja, desconsiderando a água presente na amostra.
Matéria gorda no extrato seco é a mesma coisa que gordura total?
Não. A gordura total é calculada em relação ao peso integral do alimento. A matéria gorda no extrato seco considera somente a fração sólida.
Por que a MGES é utilizada para classificar queijos?
Porque os queijos podem apresentar teores de umidade bastante diferentes. Utilizar a matéria seca como referência permite comparar de forma mais adequada a proporção de gordura entre os produtos.
Qual deve ser a matéria gorda no extrato seco do requeijão cremoso?
Segundo o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Requeijão, o requeijão cremoso deve apresentar no mínimo 55 g/100 g de matéria gorda no extrato seco.
Todos os queijos possuem o mesmo limite de matéria gorda no extrato seco?
Não. Existem classificações gerais e regulamentos específicos para determinadas variedades. O produto deve ser avaliado conforme sua identidade e legislação correspondente.
É necessário analisar também a umidade?
A determinação da umidade ou da matéria seca é fundamental para calcular corretamente a matéria gorda no extrato seco.
Para que serve essa análise para uma indústria de laticínios?
Ela pode auxiliar na classificação do produto, controle de qualidade, padronização de lotes, acompanhamento de formulações e verificação de requisitos técnicos e regulatórios.





Comentários