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Análise de mercúrio total na água: importância para a qualidade e a segurança

19 de jan.
8 min de leitura

Introdução


A análise de mercúrio total na água é um procedimento laboratorial importante para avaliar a presença desse elemento químico em águas destinadas ao consumo humano, águas subterrâneas, superficiais, industriais e outras matrizes ambientais.


O mercúrio é um elemento que pode estar presente naturalmente no ambiente, mas também pode ser introduzido em corpos d'água por diferentes atividades humanas.


Devido ao seu potencial tóxico e à possibilidade de persistência no ambiente, sua concentração deve ser monitorada de acordo com a finalidade da água e com os critérios estabelecidos pela legislação aplicável.


No Brasil, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece padrões de qualidade para a água destinada ao consumo humano e inclui o mercúrio total entre as substâncias químicas inorgânicas que representam risco à saúde.


Para esse parâmetro, o Valor Máximo Permitido (VMP) é de 0,001 mg/L, equivalente a 1 µg/L.


Por esse motivo, a determinação laboratorial do mercúrio em concentrações muito baixas exige técnicas analíticas adequadas, controle de qualidade e cuidados desde a etapa de coleta até a emissão do resultado.



O que é o mercúrio total na água?


O mercúrio é um elemento químico identificado pelo símbolo Hg e pode ocorrer no ambiente em diferentes formas químicas.


Em uma análise de mercúrio total, o objetivo é determinar a quantidade total de mercúrio presente na amostra dentro do escopo do método utilizado, sem necessariamente diferenciar cada espécie química individual.


Dependendo da metodologia, essa determinação pode incluir formas inorgânicas, mercúrio elementar e determinadas formas orgânicas ou associadas a partículas.


O método EPA 245.1, por exemplo, foi desenvolvido para a determinação de mercúrio total em diferentes tipos de água utilizando espectrometria de absorção atômica com geração de vapor frio.


O método contempla a medição de mercúrio orgânico e inorgânico após o tratamento adequado da amostra.


Já o método EPA 1631 utiliza oxidação, purga, concentração e espectrometria de fluorescência atômica por vapor frio, permitindo a determinação de mercúrio em concentrações extremamente baixas.


A escolha da técnica deve considerar fatores como tipo de água, concentração esperada, finalidade da análise e limite de quantificação necessário.



Como o mercúrio pode chegar à água?


A presença de mercúrio na água pode estar relacionada tanto a processos naturais quanto a fontes antrópicas.


Naturalmente, pequenas quantidades podem ser liberadas a partir de minerais, solos e formações geológicas.


A Organização Mundial da Saúde informa que o mercúrio inorgânico em águas superficiais e subterrâneas normalmente ocorre em concentrações baixas, embora determinadas características geológicas possam resultar em concentrações mais elevadas em alguns locais.


As atividades humanas também podem contribuir significativamente para a liberação de mercúrio no ambiente.


Entre as possíveis fontes encontram-se processos industriais, mineração, queima de combustíveis, descarte inadequado de resíduos e lançamento de efluentes.


Depois de liberado, o mercúrio pode ser transportado pelo ar, pelo solo e pela água, passando por diferentes transformações químicas.


Em determinados ambientes aquáticos, algumas formas de mercúrio podem ainda ser convertidas em compostos orgânicos, como o metilmercúrio.


Esse fenômeno merece atenção especialmente nos ecossistemas aquáticos devido à possibilidade de bioacumulação nos organismos.


Por isso, o controle do mercúrio não envolve somente a água destinada diretamente ao consumo, mas integra uma abordagem mais ampla de monitoramento ambiental.



Por que realizar a análise de mercúrio total na água?


A análise de mercúrio total na água permite verificar se a concentração encontrada está adequada aos padrões estabelecidos para determinada utilização.


No caso da água destinada ao consumo humano no Brasil, o parâmetro deve ser interpretado de acordo com a legislação sanitária aplicável. A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece 0,001 mg/L como VMP para mercúrio total.


A Organização Mundial da Saúde, por sua vez, estabelece em suas diretrizes para água potável um valor de referência de 0,006 mg/L para mercúrio inorgânico.


É importante observar que esse valor se refere especificamente ao mercúrio inorgânico e não substitui os requisitos legais brasileiros aplicáveis à água para consumo humano.


Nos Estados Unidos, a EPA adota um limite máximo de contaminante de 0,002 mg/L para mercúrio inorgânico na água potável.


Esses diferentes valores demonstram que a interpretação do resultado deve sempre considerar a legislação e a finalidade específicas da amostra analisada.


Para águas superficiais, subterrâneas, efluentes ou outros tipos de matrizes, outros instrumentos legais e critérios ambientais podem ser aplicáveis.


A Resolução CONAMA nº 357/2005, por exemplo, estabelece critérios de classificação de corpos de água e padrões relacionados à qualidade ambiental.


Em sua tabela referente a padrões de lançamento de efluentes, o documento apresenta valor máximo de 0,01 mg/L para mercúrio total.


A aplicabilidade desse valor, porém, depende do enquadramento específico da amostra e da legislação ambiental pertinente. Portanto, não existe um único valor de referência válido para todas as situações.



Quais são os riscos associados à presença de mercúrio?


O mercúrio merece atenção por apresentar potencial tóxico, principalmente quando a exposição ocorre de forma repetida ou em concentrações relevantes.


Os efeitos dependem de fatores como:

  • forma química do mercúrio;

  • concentração;

  • duração da exposição;

  • via de exposição;

  • características individuais da pessoa exposta.


Para o mercúrio inorgânico, os rins estão entre os órgãos particularmente relevantes na avaliação toxicológica.


A Organização Mundial da Saúde utiliza dados relacionados a efeitos renais como parte da fundamentação para seu valor de referência na água potável.


A EPA também destaca a possibilidade de danos renais relacionados à exposição ao mercúrio inorgânico em concentrações superiores aos padrões estabelecidos para a água potável.


Entretanto, encontrar mercúrio em uma análise não significa, isoladamente, que exista necessariamente um risco imediato à saúde.


A interpretação deve levar em consideração a concentração determinada, o tipo de mercúrio, a legislação aplicável e o padrão de exposição.



Como é realizada a análise de mercúrio total na água?


A determinação de mercúrio exige elevado rigor técnico porque as concentrações avaliadas frequentemente estão na faixa de microgramas por litro ou até inferiores.


Uma das técnicas tradicionalmente empregadas é a espectrometria de absorção atômica com geração de vapor frio, conhecida pela sigla CVAAS.


O princípio envolve a conversão das formas de mercúrio presentes na amostra em uma forma adequada à detecção instrumental.


Depois do tratamento químico, o mercúrio pode ser reduzido à sua forma elementar e conduzido na fase de vapor até o equipamento de análise.


A técnica é particularmente apropriada para mercúrio porque esse elemento possui características físico-químicas que permitem sua determinação por vapor frio.


A EPA reconhece, entre outras, metodologias como:

  • EPA 245.1: determinação de mercúrio em água por absorção atômica com vapor frio;

  • EPA 245.7: determinação por fluorescência atômica com vapor frio;

  • EPA 1631: determinação de mercúrio em baixíssimas concentrações por oxidação, purga, concentração e fluorescência atômica com vapor frio.


Outras tecnologias instrumentais também podem ser utilizadas conforme a estrutura analítica do laboratório e o método validado.


Mais importante do que utilizar uma técnica específica é garantir que o método apresente sensibilidade, seletividade, precisão e limites analíticos compatíveis com o valor regulatório que será utilizado para interpretar o resultado.



A coleta da água interfere no resultado?


Sim. Em análises de metais em baixas concentrações, a etapa de amostragem é extremamente importante.


Uma contaminação introduzida durante a coleta pode alterar o resultado, assim como procedimentos inadequados de conservação podem comprometer a representatividade da amostra.


Por esse motivo, devem ser observadas as orientações do laboratório quanto ao recipiente, preservação, volume necessário e prazo para envio.


Em metodologias altamente sensíveis, os cuidados são ainda maiores. A documentação técnica da EPA relacionada à determinação de mercúrio em níveis traço destaca a importância de procedimentos de amostragem destinados a evitar contaminações durante o processo.


Assim, uma análise confiável começa antes mesmo de a amostra chegar ao laboratório.



Onde a análise de mercúrio total pode ser aplicada?


A determinação pode ser realizada em diferentes situações, como:

  • controle de água para consumo humano;

  • monitoramento de água de poços;

  • avaliação de águas subterrâneas;

  • monitoramento de águas superficiais;

  • controle ambiental;

  • investigação de possíveis fontes de contaminação;

  • controle de processos industriais;

  • avaliação de efluentes;

  • programas de monitoramento periódico.


A periodicidade e os parâmetros que devem ser analisados dependem do tipo de água, atividade desenvolvida e requisitos legais ou contratuais aplicáveis.



Importância de realizar a análise em laboratório especializado


Como os valores regulatórios para mercúrio são muito baixos, a determinação demanda infraestrutura analítica e controles capazes de distinguir concentrações reduzidas com confiabilidade.


Um laboratório especializado deve trabalhar com procedimentos definidos para coleta ou recebimento das amostras, preparação, calibração dos equipamentos, uso de materiais de referência, controles analíticos e rastreabilidade dos resultados.


Também é fundamental que o limite de quantificação do método seja adequado ao valor utilizado para avaliação da conformidade.


Por exemplo, se uma legislação estabelece VMP de 0,001 mg/L, o método utilizado precisa apresentar desempenho compatível com essa faixa de concentração.


Além da geração do resultado numérico, a correta identificação da matriz e da legislação aplicável contribui para uma interpretação técnica mais consistente.



Análise de mercúrio total na água em laboratório


Nosso laboratório realiza análise de mercúrio total na água, atendendo demandas de controle de qualidade, monitoramento ambiental e avaliação de conformidade.


A análise laboratorial permite identificar e quantificar o mercúrio presente na amostra utilizando metodologia adequada às características da matriz e ao objetivo da avaliação.


Antes da coleta, nossa equipe pode orientar sobre condições de amostragem, volume necessário, recipiente apropriado e conservação, reduzindo riscos de interferência e contribuindo para resultados tecnicamente confiáveis.


Se sua empresa, condomínio, indústria, propriedade rural ou estabelecimento precisa avaliar a presença de mercúrio na água, entre em contato com nossa equipe para verificar o escopo analítico disponível e solicitar uma proposta.



Conclusão


A análise de mercúrio total na água é uma ferramenta importante para o controle da qualidade da água e para o monitoramento de possíveis contaminações químicas.


Por se tratar de um elemento potencialmente tóxico e normalmente presente em concentrações muito baixas, sua determinação requer métodos analíticos sensíveis e procedimentos rigorosos de coleta, conservação e análise.


Para água destinada ao consumo humano no Brasil, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece VMP de 0,001 mg/L para mercúrio total, tornando essencial que o método laboratorial apresente capacidade analítica compatível com esse nível.


A realização da análise em laboratório especializado permite obter informações confiáveis para controle de qualidade, avaliação de conformidade e tomada de decisões relacionadas à segurança da água.



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FAQ — Perguntas frequentes sobre análise de mercúrio total na água


Qual é o limite de mercúrio total na água potável?

Para água destinada ao consumo humano no Brasil, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece Valor Máximo Permitido de 0,001 mg/L de mercúrio total, equivalente a 1 µg/L.


Mercúrio total e metilmercúrio são a mesma coisa?

Não. Mercúrio total corresponde à quantidade de mercúrio determinada segundo o escopo do método, podendo abranger diferentes formas químicas. O metilmercúrio é uma espécie química específica de mercúrio orgânico.


Como saber se existe mercúrio na água?

A confirmação deve ser realizada por análise laboratorial. Aparência, cor, odor ou sabor da água não são critérios suficientes para determinar a presença ou ausência de mercúrio.


Água de poço pode conter mercúrio?

Sim. A presença pode estar associada a características geológicas da região ou a fontes de contaminação provenientes de atividades humanas. A OMS informa que concentrações mais elevadas podem ocorrer localmente em determinadas águas subterrâneas devido a depósitos minerais.


Qual método pode ser utilizado para analisar mercúrio na água?

Entre as técnicas existentes estão a espectrometria de absorção atômica com vapor frio e a fluorescência atômica com vapor frio. A EPA possui métodos específicos para determinação de mercúrio em água, incluindo os métodos 245.1, 245.7 e 1631.


Encontrar mercúrio significa que a água está automaticamente imprópria?

Não necessariamente. O resultado deve ser comparado ao padrão aplicável à finalidade da água. Para água de consumo humano no Brasil, por exemplo, deve ser considerado o VMP estabelecido pela legislação sanitária vigente.


Com que frequência a análise deve ser realizada?

A frequência depende da origem da água, do sistema de abastecimento, da finalidade de uso, dos riscos identificados e das exigências regulatórias aplicáveis. Programas de monitoramento podem prever análises periódicas.


O laboratório pode orientar sobre a coleta?

Sim. A coleta correta é especialmente importante para análises de metais em baixas concentrações. O laboratório deve orientar sobre recipiente, conservação, quantidade de amostra e condições de transporte.



 
 
 

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