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Análise de Mistura Complexa Não Resolvida: importância na caracterização de hidrocarbonetos

17 de ago. de 2022
9 min de leitura

Introdução


A análise de mistura complexa não resolvida é uma ferramenta importante na investigação da presença, origem e condição de hidrocarbonetos em diferentes tipos de amostras.


Conhecida também pela sigla MCNR ou, em inglês, UCM (Unresolved Complex Mixture), essa mistura é frequentemente observada durante análises cromatográficas de materiais contendo derivados de petróleo.


Diferentemente de compostos que aparecem como picos bem definidos em um cromatograma, uma mistura complexa não resolvida é constituída por numerosos componentes com características químicas semelhantes, que podem coeluir durante a análise.


Como resultado, eles não são separados individualmente pelo sistema cromatográfico convencional e aparecem como uma ampla elevação da linha de base, muitas vezes descrita como um “morro” ou hump cromatográfico.


A identificação desse perfil pode fornecer informações relevantes para investigações ambientais, caracterização de derivados de petróleo, avaliação de contaminações e estudos relacionados ao intemperismo ou à biodegradação de hidrocarbonetos.



O que é uma mistura complexa não resolvida?


A Mistura Complexa Não Resolvida corresponde a um conjunto muito amplo de compostos orgânicos, predominantemente hidrocarbonetos, que não são completamente separados durante determinadas análises por cromatografia gasosa.


Em uma separação cromatográfica convencional, espera-se que diferentes substâncias atravessem a coluna em tempos distintos, formando picos individuais.


Entretanto, amostras de petróleo e seus derivados podem apresentar uma composição extremamente complexa, contendo milhares de substâncias com propriedades físico-químicas muito semelhantes.


Quando diversas dessas substâncias chegam ao detector praticamente ao mesmo tempo, ocorre a sobreposição dos sinais.


Em vez de centenas ou milhares de picos completamente separados, observa-se uma região elevada e contínua no cromatograma.


Esse comportamento é particularmente conhecido em amostras contendo petróleo biodegradado, óleos lubrificantes e resíduos derivados de derramamentos.


Estudos clássicos demonstram que uma parcela significativa dos hidrocarbonetos presentes no petróleo pode permanecer cromatograficamente não resolvida pelas técnicas convencionais.


Portanto, a expressão “não resolvida” não significa necessariamente que a composição da amostra seja desconhecida em sua totalidade.


Ela indica que, nas condições analíticas utilizadas, diversos compostos não conseguem ser separados e identificados individualmente.



Como a MCNR aparece no cromatograma?


Uma das características mais reconhecidas da mistura complexa não resolvida é o formato observado no cromatograma.


Enquanto os hidrocarbonetos resolvidos aparecem normalmente como picos individuais, a MCNR produz uma elevação ampla da linha de base.


Dependendo da composição da amostra, essa elevação pode apresentar diferentes formatos e ocorrer em diferentes intervalos de retenção.


Em estudos de petróleo brasileiro, por exemplo, a MCNR foi observada justamente como um amplo aumento da linha de base em cromatogramas de frações de hidrocarbonetos saturados.


O formato e a intensidade desse sinal podem fornecer informações importantes sobre a composição geral da amostra.


Entretanto, sua interpretação deve ser realizada juntamente com outros parâmetros analíticos, informações da matriz e histórico do local ou produto avaliado.


A simples observação de uma elevação da linha de base não deve ser interpretada isoladamente como identificação conclusiva de uma fonte específica de contaminação.



Qual é a relação entre MCNR e petróleo?


A análise de mistura complexa não resolvida é particularmente relevante na investigação de hidrocarbonetos derivados de petróleo.


O petróleo bruto é formado por um número extremamente elevado de substâncias químicas.


Algumas podem ser facilmente separadas e identificadas por cromatografia, enquanto outras permanecem agrupadas na região não resolvida.


A MCNR é frequentemente mais pronunciada em petróleos biodegradados e em determinados produtos refinados, como óleos lubrificantes.


Isso acontece porque processos ambientais podem modificar significativamente o perfil original do óleo.


Evaporação, dissolução, oxidação e biodegradação removem ou transformam determinados hidrocarbonetos ao longo do tempo.


A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) apresenta cromatogramas nos quais o processo de intemperismo do petróleo modifica progressivamente o perfil dos hidrocarbonetos, tornando a região correspondente à mistura complexa não resolvida uma característica importante durante a interpretação analítica.


Por isso, a presença e a distribuição da MCNR podem contribuir para estudos envolvendo derramamentos de óleo, áreas contaminadas, sedimentos, solos e outras matrizes ambientais.



Quais amostras podem ser avaliadas?


A possibilidade de realizar a análise depende do objetivo do estudo, da matriz e do método empregado pelo laboratório.


A investigação de misturas complexas não resolvidas pode ser aplicada principalmente a materiais nos quais exista suspeita ou presença conhecida de hidrocarbonetos, como:

  • solos e sedimentos;

  • águas e materiais associados a áreas contaminadas;

  • petróleo bruto;

  • óleos e derivados de petróleo;

  • resíduos industriais;

  • produtos oleosos;

  • materiais provenientes de derramamentos ou vazamentos;

  • extratos obtidos em estudos de hidrocarbonetos ambientais.


Para cada matriz, o procedimento de preparação da amostra pode envolver etapas específicas de extração, concentração e separação de frações antes da análise instrumental.



Como é realizada a análise de mistura complexa não resolvida?


A cromatografia gasosa é uma das principais técnicas utilizadas para estudar misturas de hidrocarbonetos.


Dependendo do objetivo, pode ser empregada cromatografia gasosa com detector de ionização em chama (GC-FID ou CG-DIC), técnica bastante utilizada na avaliação quantitativa de hidrocarbonetos, ou cromatografia gasosa associada à espectrometria de massas (GC-MS ou CG-EM), especialmente quando é necessário ampliar a capacidade de identificação dos compostos.


Um procedimento descrito em documentação técnica disponibilizada pela EPA emprega cromatografia gasosa capilar de alta resolução com detector de ionização em chama para determinação quantitativa de n-alcanos, pristano, fitano, mistura complexa resolvida, mistura complexa não resolvida e hidrocarbonetos totais de petróleo.


Nesse procedimento, a estimativa da UCM é obtida pela integração da região cromatográfica, descontando-se componentes resolvidos, padrões e contribuições instrumentais pertinentes.


Entretanto, o procedimento exato deve ser definido de acordo com o método analítico adotado, a faixa de hidrocarbonetos de interesse e a matriz analisada.



MCNR e hidrocarbonetos resolvidos: qual é a diferença?


Durante uma análise cromatográfica, alguns componentes conseguem ser suficientemente separados e aparecem como picos distintos. Esses compostos são chamados de hidrocarbonetos resolvidos.


Já os componentes presentes na MCNR aparecem sobrepostos, formando uma região contínua no cromatograma.


Em termos simplificados:

  • Hidrocarbonetos resolvidos: apresentam picos cromatográficos individualizados.

  • Mistura Complexa Não Resolvida: corresponde à parcela formada por inúmeros compostos que coeluem e não são individualmente separados nas condições utilizadas.


Essa distinção pode ajudar na interpretação da composição de uma amostra e de possíveis alterações sofridas pelo material ao longo do tempo.


Por que a MCNR pode indicar óleo degradado?


Compostos presentes em uma mistura de petróleo não apresentam a mesma susceptibilidade aos processos de degradação.


Determinados hidrocarbonetos, principalmente alguns compostos mais facilmente biodegradáveis, podem desaparecer ou diminuir consideravelmente durante o intemperismo ambiental. Outros componentes mais resistentes permanecem na amostra.


Consequentemente, a região não resolvida pode tornar-se proporcionalmente mais evidente conforme o óleo sofre alteração.


Pesquisas com petróleos brasileiros mostram que amostras bastante biodegradadas podem apresentar intensa mistura complexa não resolvida e redução significativa de determinados n-alcanos normalmente observados em óleos menos alterados.


Por essa razão, o perfil cromatográfico pode contribuir para avaliações sobre o estado de degradação do material.


É importante ressaltar, entretanto, que a presença da MCNR não deve ser utilizada isoladamente para determinar idade, origem ou fonte exata de um contaminante.



Qual é a importância ambiental da análise?


Hidrocarbonetos de petróleo podem atingir solos, águas superficiais, águas subterrâneas e sedimentos em decorrência de vazamentos, derramamentos, atividades industriais, transporte de combustíveis ou disposição inadequada de resíduos.


A análise de mistura complexa não resolvida pode auxiliar na avaliação desses cenários porque fornece informações adicionais sobre a fração de hidrocarbonetos que não é representada apenas pelos compostos individualmente identificados.


Historicamente, a UCM tem sido utilizada como uma característica de triagem para indicar a presença de hidrocarbonetos fósseis em amostras ambientais, principalmente em estudos de ambientes aquáticos.


Esse tipo de informação pode ser útil em:

  • investigações de áreas contaminadas;

  • monitoramento ambiental;

  • estudos de sedimentos;

  • avaliações de derramamentos de óleo;

  • caracterização de resíduos;

  • estudos de origem e transformação de hidrocarbonetos.


Os resultados devem sempre ser interpretados em conjunto com outros dados químicos e ambientais.



A MCNR permite identificar cada substância presente?


Não necessariamente.A própria definição da mistura está relacionada à incapacidade de separar individualmente todos os seus componentes utilizando determinadas condições cromatográficas convencionais.


Entretanto, técnicas analíticas mais avançadas podem aumentar significativamente a capacidade de resolução.


A cromatografia gasosa bidimensional abrangente (GC×GC), por exemplo, utiliza duas dimensões de separação e pode resolver milhares de componentes anteriormente agrupados na UCM.


Estudos aplicando GC×GC a sedimentos contaminados por petróleo conseguiram separar diferentes classes, incluindo alcanos ramificados, cicloalcanos e compostos aromáticos.


Técnicas modernas de cromatografia acopladas à espectrometria de massas também ampliam consideravelmente a capacidade de caracterização química dessas misturas.


Ainda assim, a escolha da técnica deve considerar a finalidade da análise. Nem toda investigação exige identificação individual de todos os compostos presentes.



Qual é a diferença entre MCNR e hidrocarbonetos totais de petróleo?


Os Hidrocarbonetos Totais de Petróleo (HTP ou TPH) representam uma abordagem de avaliação global da presença de hidrocarbonetos derivados de petróleo.


Dependendo do método utilizado, o resultado de hidrocarbonetos totais pode incluir diferentes parcelas do perfil cromatográfico.


Em um procedimento técnico citado pela EPA, por exemplo, os hidrocarbonetos totais são considerados como a soma da fração correspondente à mistura complexa resolvida com a mistura complexa não resolvida.


Isso demonstra que MCNR e HTP não são necessariamente parâmetros equivalentes.

A MCNR corresponde especificamente à região de compostos não resolvidos nas condições cromatográficas utilizadas, enquanto HTP representa uma medida mais abrangente da carga de hidrocarbonetos dentro do intervalo definido pelo método.


Por essa razão, antes da contratação da análise é importante definir exatamente qual informação o estudo precisa fornecer.



Cuidados na interpretação dos resultados


A interpretação da análise de mistura complexa não resolvida exige conhecimento do método, da matriz e do histórico da amostra.


Uma MCNR significativa pode estar associada a hidrocarbonetos derivados de petróleo, especialmente produtos intemperizados ou biodegradados.


No entanto, a conclusão sobre origem, intensidade da contaminação ou responsabilidade por determinado evento não deve ser baseada exclusivamente nesse parâmetro.


A avaliação pode exigir associação com outras informações, como:

  • perfil de n-alcanos;

  • pristano e fitano;

  • hidrocarbonetos aromáticos policíclicos;

  • hidrocarbonetos totais de petróleo;

  • distribuição das cadeias carbônicas;

  • biomarcadores;

  • histórico do local;

  • resultados de amostras de referência.


Quanto maior a complexidade da investigação, maior tende a ser a necessidade de utilização de técnicas complementares.



Importância de realizar a análise em laboratório especializado


A análise de amostras contendo misturas complexas de hidrocarbonetos exige controle rigoroso das etapas de preparação, extração, separação e análise instrumental.


Interferentes presentes na matriz, contaminação externa, condições inadequadas de armazenamento e diferenças na integração cromatográfica podem afetar significativamente os resultados.


Por isso, é importante contar com um laboratório que disponha de infraestrutura analítica adequada, procedimentos controlados e profissionais capacitados para interpretar o perfil cromatográfico de acordo com a finalidade do estudo.


Nosso laboratório realiza análise de mistura complexa não resolvida, oferecendo suporte técnico desde a definição do escopo analítico até a interpretação dos resultados.


A avaliação pode ser direcionada para diferentes objetivos, incluindo controle ambiental, investigação de hidrocarbonetos, caracterização de resíduos e estudos envolvendo petróleo e seus derivados.


Entre em contato com nossa equipe para verificar a matriz, quantidade de amostra necessária, condições de coleta e metodologia mais adequada para seu projeto.



Conclusão


A análise de mistura complexa não resolvida é uma importante ferramenta para caracterização de amostras contendo hidrocarbonetos, especialmente quando estão envolvidos petróleo e seus derivados.


A MCNR é observada como uma região elevada da linha de base do cromatograma, formada pela coeluição de numerosos compostos que não conseguem ser individualmente separados nas condições analíticas empregadas.


Sua presença pode fornecer informações importantes sobre a composição da amostra e sobre processos como biodegradação e intemperismo do petróleo.


Quando associada a outros parâmetros químicos e a uma interpretação técnica adequada, a análise contribui para investigações ambientais, monitoramento de áreas contaminadas, caracterização de resíduos e diversos estudos envolvendo hidrocarbonetos.


Para resultados confiáveis, é fundamental que todas as etapas, desde a coleta e preparação da amostra até a análise cromatográfica e interpretação final, sejam conduzidas de acordo com procedimentos técnicos apropriados.



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FAQ – Perguntas frequentes sobre análise de mistura complexa não resolvida


O que significa MCNR?

MCNR significa Mistura Complexa Não Resolvida. O termo corresponde ao inglês UCM (Unresolved Complex Mixture) e descreve um conjunto de compostos, principalmente hidrocarbonetos, que não são completamente separados em determinadas condições de cromatografia.


Como identificar uma mistura complexa não resolvida no cromatograma?

Geralmente, ela aparece como uma elevação ampla da linha de base do cromatograma, formando um perfil semelhante a um morro, sobre o qual também podem aparecer picos de compostos resolvidos.


A presença de MCNR significa necessariamente contaminação por petróleo?

Não deve ser interpretada isoladamente dessa maneira. A MCNR é frequentemente associada a hidrocarbonetos fósseis e a materiais derivados de petróleo, mas sua origem deve ser avaliada juntamente com outros marcadores e informações sobre a amostra.


A MCNR pode aparecer em petróleo biodegradado?

Sim. A mistura complexa não resolvida pode tornar-se bastante evidente em petróleos biodegradados porque determinados componentes mais facilmente degradáveis diminuem, enquanto outras frações mais resistentes permanecem.


Qual técnica pode ser utilizada para analisar MCNR?

A cromatografia gasosa é amplamente utilizada. Dependendo do objetivo, podem ser empregados detectores como FID, espectrometria de massas ou técnicas de maior resolução, como GC×GC.


MCNR e HTP são a mesma coisa?

Não. A MCNR corresponde à fração cromatograficamente não resolvida, enquanto os Hidrocarbonetos Totais de Petróleo representam uma avaliação mais abrangente dos hidrocarbonetos dentro da faixa definida pelo método.


É possível identificar todos os compostos presentes na MCNR?

Por cromatografia gasosa convencional, geralmente não. Técnicas de maior poder de separação, como GC×GC e sistemas avançados de espectrometria de massas, podem ampliar significativamente a identificação e caracterização dos componentes.


Quais tipos de amostra podem ser analisados?

Dependendo do método adotado, podem ser avaliados solos, sedimentos, óleos, resíduos, derivados de petróleo e outras matrizes relacionadas à investigação de hidrocarbonetos.




 
 
 

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