Análise de Monoetilenoglicol: importância, aplicações e controle de qualidade
- Enfermeira Natalia Balsalobre
- 17 de jul. de 2024
- 7 min de leitura
Introdução
O monoetilenoglicol (MEG), também conhecido simplesmente como etilenoglicol, é um composto químico amplamente utilizado em diferentes setores industriais.
Sua aplicação está relacionada principalmente à fabricação de resinas e poliésteres, fluidos térmicos, anticongelantes e outros produtos químicos.
Apesar de sua ampla utilização, a qualidade do monoetilenoglicol precisa ser cuidadosamente monitorada.
A presença de água, sais, metais e outros compostos glicólicos pode comprometer propriedades físico-químicas, processos industriais e a qualidade do produto final.
Nesse contexto, a análise de monoetilenoglicol é uma ferramenta importante para verificar a composição da matéria-prima, avaliar sua pureza e identificar possíveis contaminantes ou impurezas.

O que é o monoetilenoglicol?
O monoetilenoglicol, também denominado etilenoglicol (EG), é um composto orgânico pertencente à família dos glicóis.
Sua fórmula molecular é C₂H₆O₂ e o composto apresenta características físico-químicas que justificam sua utilização em diferentes processos industriais.
Entre suas aplicações mais conhecidas está o uso como componente de fluidos anticongelantes e de transferência de calor.
O composto também possui grande importância na indústria de polímeros, especialmente na produção de poliésteres e do PET (polietileno tereftalato).
No contexto industrial, entretanto, não basta conhecer apenas a concentração de monoetilenoglicol.
Dependendo da aplicação, é necessário avaliar também a presença de outras substâncias que podem acompanhar a matéria-prima.
A ASTM possui métodos específicos para a caracterização de etilenoglicóis, incluindo avaliações de pureza, água, acidez, ferro, cor e análise por cromatografia gasosa.
Por que realizar a análise de monoetilenoglicol?
A análise laboratorial permite determinar se uma amostra apresenta características compatíveis com as especificações estabelecidas para sua utilização.
Um dos principais objetivos é avaliar a pureza do monoetilenoglicol. Dependendo do processo industrial, pequenas quantidades de determinadas impurezas podem interferir no desempenho da matéria-prima ou na qualidade do produto fabricado.
Entre os compostos que podem ser monitorados estão o dietilenoglicol (DEG) e o trietilenoglicol (TEG), além de outros subprodutos ou contaminantes específicos.
A ASTM D8311, por exemplo, estabelece um método por cromatografia gasosa para determinação de impurezas em monoetilenoglicol, incluindo dietilenoglicol, trietilenoglicol e 1,3-dioxolane-2-methanol.
O método também permite calcular a pureza do MEG e é aplicável a amostras com pureza igual ou superior a 98% em massa.
Portanto, a análise de monoetilenoglicol pode contribuir para:
controle de qualidade de matérias-primas;
avaliação da pureza do produto;
identificação de impurezas;
controle de processos industriais;
investigação de desvios de qualidade;
verificação de especificações técnicas;
suporte à liberação de lotes;
acompanhamento de fornecedores.
Quais parâmetros podem ser avaliados?
A definição dos parâmetros depende da finalidade da análise e das especificações aplicáveis à amostra.
Em uma avaliação de qualidade de etilenoglicol, podem ser considerados parâmetros como:
Pureza
A determinação da pureza permite verificar a proporção de monoetilenoglicol presente na amostra.
Esse dado é especialmente relevante para matérias-primas utilizadas em processos nos quais a composição química precisa ser rigorosamente controlada.
Dietilenoglicol e trietilenoglicol
O DEG e o TEG podem estar presentes como impurezas e, dependendo da aplicação, precisam ser determinados em concentrações muito baixas.
A ASTM D8311 utiliza cromatografia gasosa para determinar essas impurezas e estabelece limite de detecção de 0,0002% em massa para determinados compostos analisados pelo método.
Água
O teor de água é outro parâmetro importante. A presença de umidade pode alterar propriedades da matéria-prima e interferir em determinados processos industriais.
Acidez
A avaliação da acidez pode auxiliar no controle das características químicas do produto e na verificação de sua conformidade com uma especificação determinada.
Ferro e outros contaminantes
Dependendo da aplicação, elementos como ferro e outros contaminantes inorgânicos também podem ser relevantes.
A ASTM E202 inclui, entre os parâmetros tradicionalmente utilizados na análise de etilenoglicóis, avaliação de densidade, faixa de destilação, acidez, água, ferro, cor e análise cromatográfica.
Como é feita a análise de monoetilenoglicol?
A técnica analítica utilizada depende do objetivo do ensaio, da matriz e dos níveis de concentração que precisam ser determinados.
Entre as técnicas de maior importância está a cromatografia gasosa (GC). Essa técnica permite separar diferentes componentes presentes na amostra e determinar quantitativamente substâncias específicas.
No caso do monoetilenoglicol, a cromatografia gasosa pode ser utilizada tanto para avaliar sua composição quanto para identificar e quantificar determinadas impurezas.
A ASTM D8311 é especificamente direcionada à determinação de impurezas em monoetilenoglicol por cromatografia gasosa com normalização.
Outros parâmetros podem exigir metodologias diferentes. Por exemplo, a ASTM E2469 estabelece um método por cromatografia iônica para determinação quantitativa de cloreto inorgânico em mono-, di- e trietilenoglicol.
Isso demonstra uma característica importante da análise química: não existe necessariamente um único ensaio capaz de responder a todas as perguntas sobre uma amostra. O conjunto de análises deve ser definido de acordo com a finalidade do controle.
Monoetilenoglicol e segurança: por que o controle é importante?
O monoetilenoglicol apresenta importância toxicológica e, por isso, seu uso deve considerar as características da substância e a finalidade do produto.
A ANVISA já abordou especificamente o monoetilenoglicol em seu Parecer nº 13/2024, relacionado à avaliação de segurança da substância em produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes.
O documento destaca preocupações relacionadas à possibilidade de ingestão e diferencia o monoetilenoglicol do propilenoglicol, que são substâncias quimicamente distintas.
Além disso, métodos analíticos de órgãos regulatórios internacionais utilizam técnicas cromatográficas para determinação de etilenoglicol em diferentes matrizes.
A FDA, por exemplo, disponibiliza método por GC-MS para determinação de etilenoglicol e dietilenoglicol em determinados produtos contendo glicerina.
Por esse motivo, análises laboratoriais podem desempenhar papel importante na investigação de matérias-primas, produtos acabados e possíveis contaminações.
Em quais produtos e segmentos a análise pode ser aplicada?
A necessidade de análise de monoetilenoglicol pode surgir em diferentes segmentos industriais.
Entre as aplicações relacionadas ao controle analítico estão:
Indústria química: avaliação de matérias-primas e produtos utilizados em processos químicos.
Indústria de polímeros: controle de matérias-primas destinadas à produção de poliésteres e outros materiais.
Produção de PET: monitoramento de matérias-primas e impurezas que podem interferir na qualidade do polímero.
Fluidos térmicos e anticongelantes: avaliação da composição e das características químicas do produto.
Controle de matérias-primas: verificação de especificações fornecidas por fabricantes e fornecedores.
Investigação de contaminações: identificação de compostos indesejados em produtos ou matérias-primas.
A escolha dos ensaios deve considerar a matriz, o processo produtivo, a especificação do produto e os critérios de aceitação definidos pelo cliente ou pela legislação aplicável.
A importância de um laboratório especializado
A confiabilidade de uma análise química não depende apenas do equipamento utilizado. Também são importantes fatores como preparo da amostra, seleção do método, calibração, controles analíticos, rastreabilidade e avaliação dos resultados.
Por isso, antes de solicitar uma análise de monoetilenoglicol, é recomendável informar ao laboratório qual é a finalidade do ensaio e quais especificações precisam ser atendidas.
Essas informações permitem selecionar uma estratégia analítica compatível com o objetivo do estudo.
Em análises destinadas ao controle de qualidade, por exemplo, pode ser necessário determinar apenas a concentração de monoetilenoglicol.
Em outras situações, pode ser mais adequado avaliar também impurezas como DEG e TEG, água, cloretos ou outros parâmetros físico-químicos.
A ASTM reúne diferentes métodos voltados à caracterização de glicóis, demonstrando como diferentes parâmetros podem ser necessários para uma avaliação completa da qualidade da matéria-prima.
Análise de monoetilenoglicol em laboratório
A realização de ensaios laboratoriais permite obter informações objetivas sobre a composição da amostra e auxilia empresas na tomada de decisões relacionadas ao controle de qualidade.
Um laudo analítico pode ser utilizado como suporte para:
aprovação ou reprovação de matérias-primas;
avaliação de fornecedores;
controle de lotes;
investigação de não conformidades;
desenvolvimento e melhoria de processos;
atendimento a especificações técnicas;
acompanhamento da qualidade de produtos.
Para que o resultado seja adequadamente interpretado, entretanto, é fundamental que o laboratório conheça a aplicação da amostra e os critérios que serão utilizados para avaliar sua conformidade.
Conte com um laboratório especializado em análise de monoetilenoglicol
A análise de monoetilenoglicol é uma ferramenta importante para empresas que precisam conhecer a composição e a qualidade de suas matérias-primas ou produtos.
A definição adequada da metodologia e dos parâmetros analíticos permite obter resultados mais relevantes para o objetivo do controle de qualidade, contribuindo para maior segurança, rastreabilidade e confiabilidade dos processos.
Se sua empresa precisa realizar análise de monoetilenoglicol, entre em contato com o laboratório para avaliar a matriz, a finalidade do ensaio e os parâmetros necessários para o seu estudo.
Conclusão
O monoetilenoglicol possui ampla importância industrial, mas sua utilização exige controle adequado de qualidade.
A determinação da pureza e a identificação de impurezas como dietilenoglicol e trietilenoglicol podem ser fundamentais para verificar se a matéria-prima atende às especificações estabelecidas.
A análise de monoetilenoglicol pode envolver diferentes técnicas e parâmetros, sendo a cromatografia gasosa uma das principais ferramentas empregadas para a avaliação da composição e de determinadas impurezas.
Mais do que simplesmente medir a concentração de uma substância, a análise laboratorial fornece informações que podem apoiar decisões relacionadas à qualidade, processos produtivos, fornecedores e conformidade de produtos.
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FAQ – Perguntas frequentes sobre análise de monoetilenoglicol
1. O que é monoetilenoglicol?
O monoetilenoglicol, também chamado de etilenoglicol, é um composto químico utilizado principalmente em aplicações industriais, como fabricação de poliésteres, PET e fluidos térmicos.
2. Para que serve a análise de monoetilenoglicol?
A análise pode ser utilizada para determinar a concentração e a pureza do composto, além de identificar determinadas impurezas presentes na amostra.
3. Quais impurezas podem ser analisadas?
Dependendo da metodologia empregada, podem ser avaliados compostos como dietilenoglicol, trietilenoglicol e outros componentes específicos. A ASTM D8311 contempla a determinação de algumas dessas impurezas por cromatografia gasosa.
4. Qual método é utilizado para analisar monoetilenoglicol?
A metodologia depende do objetivo da análise. A cromatografia gasosa é uma das técnicas utilizadas para determinação de MEG e de determinadas impurezas. Outros parâmetros podem exigir técnicas diferentes, como cromatografia iônica para cloretos.
5. A análise pode determinar a pureza do monoetilenoglicol?
Sim. Existem métodos específicos que permitem determinar impurezas e calcular a pureza do monoetilenoglicol.
6. Quais informações devo fornecer ao laboratório?
É recomendável informar o tipo de amostra, sua aplicação, origem, especificação técnica disponível e quais parâmetros precisam ser avaliados. Essas informações auxiliam na definição da estratégia analítica mais adequada.
7. A análise de monoetilenoglicol é importante para controle de qualidade?
Sim. O ensaio pode auxiliar no controle de matérias-primas, avaliação de fornecedores, investigação de desvios e verificação de conformidade com especificações técnicas.




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