Análise de Nozes (Alergênicos): importância para a segurança e qualidade dos alimentos
- Enfermeira Natalia Balsalobre
- há 2 dias
- 7 min de leitura
Introdução
As alergias alimentares representam uma questão relevante de saúde pública e exigem atenção em todas as etapas da cadeia de produção de alimentos.
Entre os principais alimentos reconhecidos como alergênicos estão as nozes e outros tipos de castanhas e oleaginosas.
Para pessoas sensibilizadas, a ingestão de pequenas quantidades de determinadas proteínas alergênicas pode desencadear reações adversas.
Por isso, a identificação e o controle da presença de alergênicos são importantes tanto para a segurança do consumidor quanto para o atendimento aos requisitos de rotulagem e controle de qualidade.
Nesse contexto, a análise de nozes (alergênicos) é uma ferramenta laboratorial utilizada para investigar a presença de componentes associados a esses alimentos em matérias-primas, ingredientes e produtos processados.

O que são nozes e por que são consideradas alergênicos?
As nozes pertencem ao grupo dos alimentos que podem provocar alergias alimentares em indivíduos sensibilizados.
A legislação brasileira estabelece uma lista dos principais alimentos que causam alergias alimentares, incluindo diferentes espécies de oleaginosas.
De acordo com a RDC nº 727/2022 da Anvisa, fazem parte dessa relação, entre outros, amêndoas, avelãs, castanha-de-caju, castanha-do-brasil, macadâmias, nozes, pecãs, pistaches, pinoli e castanhas.
A norma também define requisitos específicos para a declaração desses alergênicos na rotulagem.
É importante destacar que o termo "alergênico" está relacionado principalmente às proteínas capazes de desencadear uma resposta imunológica em pessoas sensibilizadas.
Portanto, uma análise laboratorial de alergênicos não se limita necessariamente à identificação visual do ingrediente.
O objetivo é verificar, por meio de metodologia apropriada, a presença do marcador ou das proteínas relacionadas ao alergênico investigado.
Essa diferenciação é especialmente importante em alimentos industrializados, nos quais um ingrediente pode estar presente em pequenas quantidades ou ter sido incorporado à formulação durante diferentes etapas do processamento.
Como pode ocorrer a presença de nozes em alimentos?
A presença de um alergênico em um produto pode ocorrer de maneira intencional ou não intencional.
Quando a noz ou outro alimento alergênico faz parte da formulação, sua presença é intencional e deve ser considerada na composição e na rotulagem do produto.
Por outro lado, existe a possibilidade de contaminação cruzada.
Ela pode acontecer durante o cultivo, transporte, armazenamento, processamento, manipulação ou embalagem dos alimentos.
A própria RDC nº 727/2022 define contaminação cruzada como a presença de um alérgeno que não foi adicionado intencionalmente ao alimento.
Um exemplo simples é uma indústria que utiliza a mesma linha de produção para diferentes produtos.
Mesmo que uma determinada receita não contenha nozes como ingrediente, resíduos de uma produção anterior podem permanecer em equipamentos ou superfícies caso os procedimentos de limpeza e controle não sejam adequados.
Por esse motivo, o gerenciamento de alergênicos deve fazer parte dos programas de controle de qualidade e segurança dos alimentos.
Por que realizar a análise de nozes (alergênicos)?
A análise de nozes (alergênicos) pode contribuir para diferentes objetivos dentro do controle de qualidade de uma empresa.
Entre as principais aplicações estão:
avaliação de matérias-primas e ingredientes;
controle de produtos acabados;
investigação de possíveis contaminações cruzadas;
verificação de processos de higienização;
monitoramento de linhas de produção;
suporte ao desenvolvimento e reformulação de produtos;
investigação de desvios de qualidade;
suporte técnico às informações de rotulagem;
controle de fornecedores e matérias-primas;
atendimento a programas internos de segurança dos alimentos.
A análise também pode ser utilizada como parte de uma estratégia mais ampla de gerenciamento de alergênicos, que envolve identificação das fontes de risco, avaliação dos processos, segregação de matérias-primas, procedimentos de higienização e monitoramento.
A legislação estabelece que, quando não for possível garantir a ausência de contaminação cruzada por determinados alergênicos, pode ser necessária a utilização da advertência "ALÉRGICOS: PODE CONTER", desde que fundamentada em um Programa de Controle de Alergênicos.
Assim, a análise laboratorial pode fornecer informações importantes para apoiar decisões relacionadas ao controle do processo.
Como é realizada a análise de alergênicos?
A metodologia utilizada depende do alimento investigado, do tipo de amostra, do alergênico de interesse e do objetivo da análise.
Entre as abordagens laboratoriais utilizadas para investigação de componentes alergênicos estão métodos baseados em imunoensaios, técnicas moleculares e outras metodologias analíticas apropriadas ao tipo de matriz.
Os métodos imunológicos podem utilizar anticorpos capazes de reconhecer proteínas específicas relacionadas ao alergênico.
Essa abordagem permite investigar a presença de determinados marcadores proteicos na amostra.
Em situações específicas, técnicas moleculares também podem ser utilizadas para identificar material genético associado a determinados ingredientes.
Entretanto, a escolha da metodologia deve considerar cuidadosamente o objetivo da análise, uma vez que a detecção de DNA e a detecção de proteínas não representam exatamente a mesma informação analítica.
A legislação sanitária brasileira reconhece a necessidade de métodos apropriados para a detecção e caracterização de componentes alergênicos, reforçando a importância de procedimentos analíticos adequados ao objetivo da investigação.
Por isso, a interpretação do resultado deve considerar não apenas o número apresentado no laudo, mas também a metodologia empregada, a matriz analisada, os limites analíticos do método e as características da amostra.
Análise laboratorial e prevenção da contaminação cruzada
Um dos pontos mais importantes relacionados aos alergênicos é que a segurança não depende exclusivamente da análise do produto final.
O controle deve começar na seleção e recebimento das matérias-primas e continuar durante armazenamento, produção, higienização e embalagem.
Nesse processo, a análise laboratorial pode funcionar como uma ferramenta de verificação.
Por exemplo, uma empresa pode realizar análises para avaliar se determinado procedimento de limpeza foi eficiente ou para investigar uma suspeita de contaminação em uma linha de produção.
É importante compreender que um resultado analítico isolado não substitui um Programa de Controle de Alergênicos.
A própria regulamentação estabelece essa relação ao determinar que a declaração "PODE CONTER" deve ser baseada em um programa de controle de alergênicos.
Portanto, o laboratório e a indústria possuem papéis complementares: enquanto o laboratório fornece informações analíticas confiáveis, a empresa deve utilizar essas informações juntamente com seus procedimentos de gestão de riscos.
Rotulagem de alimentos e alergênicos
A legislação brasileira estabelece requisitos específicos para a declaração de alergênicos nos rótulos dos alimentos embalados.
Quando o alimento contém ou é derivado de um dos principais alimentos que causam alergias alimentares, devem ser utilizadas as advertências estabelecidas pela regulamentação, como:
"ALÉRGICOS: CONTÉM..."
"ALÉRGICOS: CONTÉM DERIVADOS DE..."
ou
"ALÉRGICOS: CONTÉM ... E DERIVADOS".
Nos casos em que não é possível garantir a ausência de contaminação cruzada, pode ser utilizada a declaração:
"ALÉRGICOS: PODE CONTER..."
A RDC nº 727/2022 determina ainda requisitos de apresentação dessas advertências, incluindo caixa alta, negrito, contraste com o fundo e posicionamento próximo à lista de ingredientes.
Essas informações têm uma função essencial: permitir que consumidores com alergias alimentares possam identificar, de maneira clara, a presença ou o possível risco de exposição a determinados alergênicos.
Por que contar com um laboratório especializado?
A confiabilidade de uma análise depende de diversos fatores, desde a coleta e o preparo da amostra até a execução do método e a interpretação do resultado.
Um laboratório especializado em análises de alimentos pode auxiliar empresas na avaliação de matérias-primas, produtos acabados e processos relacionados ao controle de alergênicos.
A escolha adequada do método é particularmente importante porque diferentes matrizes alimentares podem apresentar características que interferem na análise.
Produtos submetidos a aquecimento, processamento, moagem ou outras etapas industriais, por exemplo, podem apresentar alterações nos componentes analisados.
Dessa forma, a solicitação do ensaio deve ser realizada considerando o tipo de produto, alergênico de interesse e finalidade da análise.
Para empresas do setor alimentício, esse cuidado contribui para fortalecer os programas de controle de qualidade, reduzir riscos de contaminação cruzada e gerar informações técnicas que auxiliem na tomada de decisões.
Conclusão
A análise de nozes (alergênicos) é uma importante ferramenta para o controle da segurança e da qualidade dos alimentos.
Sua aplicação permite investigar a presença de componentes associados a alergênicos em diferentes tipos de produtos e pode auxiliar na avaliação de matérias-primas, processos produtivos e possíveis casos de contaminação cruzada.
Além da realização das análises laboratoriais, é fundamental que as empresas mantenham procedimentos estruturados de gerenciamento de alergênicos e estejam atentas às exigências de rotulagem estabelecidas pela legislação vigente.
Para obter resultados tecnicamente confiáveis, é essencial contar com um laboratório capaz de selecionar a metodologia adequada à matriz e ao objetivo da análise.
Se sua empresa precisa verificar a presença de nozes ou outros alergênicos em alimentos, entre em contato com o laboratório para avaliar a melhor estratégia analítica para sua amostra.
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Perguntas frequentes sobre análise de nozes (alergênicos)
1. O que é a análise de nozes (alergênicos)?
É uma análise laboratorial destinada a investigar a presença de componentes relacionados às nozes e seus marcadores alergênicos em uma determinada amostra de alimento ou ingrediente.
2. Quais tipos de alimentos podem ser analisados?
A análise pode ser aplicada a diferentes matrizes alimentícias, incluindo produtos processados, ingredientes, matérias-primas e produtos acabados. A metodologia adequada depende das características específicas da amostra.
3. Nozes são consideradas alergênicos pela Anvisa?
Sim. As nozes (Juglans spp.) fazem parte da lista de principais alimentos que causam alergias alimentares estabelecida pela RDC nº 727/2022. A regulamentação também contempla outras oleaginosas, como amêndoas, avelãs, castanhas, macadâmias, pecãs e pistaches.
4. O que significa "pode conter nozes"?
A expressão está relacionada à possibilidade de contaminação cruzada. Quando não é possível garantir a ausência do alergênico, a legislação prevê a utilização da advertência correspondente, fundamentada em um Programa de Controle de Alergênicos.
5. A análise de nozes substitui o controle de alergênicos da indústria?
Não. O ensaio laboratorial é uma ferramenta de verificação e deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de gerenciamento de alergênicos, envolvendo processos, matérias-primas, equipamentos, higienização e controle da produção.
6. Por que realizar a análise em um laboratório especializado?
Porque a escolha do método, o preparo da amostra, os controles analíticos e a interpretação dos resultados são fatores importantes para a confiabilidade do ensaio. O método deve ser compatível com a matriz e com o objetivo da análise.





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