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Análise de Não Dioxinas (PCBs): importância, riscos e controle de contaminantes

27 de mai. de 2021
7 min de leitura

Introdução


Os bifenilos policlorados (PCBs) são compostos químicos pertencentes ao grupo dos poluentes orgânicos persistentes.


Embora sua utilização industrial tenha sido amplamente restringida ou proibida em diversos países, essas substâncias permanecem relevantes para o controle ambiental e para a segurança dos alimentos devido à sua elevada persistência e capacidade de se acumular nos organismos.


Dentro do grupo dos PCBs existem diferentes congêneres, que apresentam propriedades químicas e efeitos toxicológicos distintos.


Entre eles estão os PCBs não semelhantes às dioxinas, conhecidos internacionalmente como NDL-PCBs (non-dioxin-like PCBs).


A análise desses compostos é uma importante ferramenta para verificar a qualidade e a segurança de matérias-primas, alimentos e outros produtos sujeitos à contaminação ambiental, especialmente aqueles com maior teor de gordura.



O que são os PCBs não semelhantes às dioxinas?


Os bifenilos policlorados são uma família de 209 congêneres, formados por estruturas químicas semelhantes, mas com diferentes posições e números de átomos de cloro.


De acordo com suas propriedades toxicológicas, os PCBs podem ser classificados, de maneira geral, em dois grandes grupos: os PCBs semelhantes às dioxinas (DL-PCBs) e os PCBs não semelhantes às dioxinas (NDL-PCBs).


Os primeiros apresentam propriedades semelhantes às das dioxinas e são avaliados, entre outros aspectos, por meio de fatores de equivalência tóxica.


Já os NDL-PCBs apresentam um perfil toxicológico diferente. Entre os chamados PCBs indicadores, os seis congêneres mais utilizados para avaliação são:

  • PCB 28;

  • PCB 52;

  • PCB 101;

  • PCB 138;

  • PCB 153;

  • PCB 180.


O somatório desses seis compostos é frequentemente denominado Σ6 NDL-PCBs ou simplesmente PCBs indicadores.


Essa abordagem é utilizada porque esses congêneres representam uma parcela significativa da ocorrência de NDL-PCBs em alimentos e rações.


É importante destacar que “não semelhante às dioxinas” não significa “inofensivo”. Trata-se de uma classificação baseada no perfil de ação toxicológica dos compostos, e não de uma indicação de ausência de risco.



Por que os PCBs são considerados contaminantes de preocupação?


Os PCBs apresentam elevada estabilidade química e resistência à degradação. Por essa razão, podem permanecer no ambiente durante longos períodos e circular entre diferentes compartimentos ambientais.


Outra característica importante é a lipossolubilidade. Os PCBs tendem a se associar à matéria orgânica e aos tecidos ricos em gordura, podendo ocorrer bioacumulação nos organismos e transferência ao longo da cadeia alimentar.


Essa característica ajuda a explicar por que alimentos de origem animal, principalmente aqueles com maior concentração de gordura, podem ser relevantes para o monitoramento desses contaminantes.


Estudos de ocorrência apontam que peixes e produtos derivados de pescado estão entre as categorias de alimentos nas quais os NDL-PCBs podem apresentar concentrações mais elevadas. Carnes, ovos, leite e derivados também podem ser monitorados.


A exposição humana ocorre principalmente pela alimentação. Uma vez presentes na cadeia alimentar, esses compostos podem chegar ao consumidor por meio da ingestão de alimentos contaminados.



Como pode ocorrer a contaminação por PCBs?


Os PCBs foram utilizados historicamente em diferentes aplicações industriais, principalmente devido à estabilidade química, resistência ao calor e propriedades dielétricas. Entre as aplicações históricas estiveram equipamentos elétricos e sistemas industriais.


Mesmo após as restrições ao seu uso, os PCBs continuam sendo encontrados no ambiente porque são substâncias persistentes.


Vazamentos, descarte inadequado de equipamentos antigos e resíduos industriais podem contribuir para sua presença ambiental.


A contaminação pode ocorrer em diferentes pontos da cadeia produtiva. Dependendo da origem e das características do produto, o contaminante pode estar presente na matéria-prima, no ambiente de produção ou ser incorporado à cadeia alimentar por meio da alimentação dos animais.


Por isso, o monitoramento não deve ser considerado apenas uma etapa final de controle.


A análise laboratorial pode fazer parte de programas de qualificação de fornecedores, controle de matérias-primas, monitoramento de processos e verificação da conformidade do produto acabado.



Como é realizada a análise de PCBs não dioxinas?


A determinação de PCBs em matrizes complexas exige procedimentos analíticos capazes de detectar concentrações muito baixas dos compostos.


Em uma análise laboratorial, a preparação da amostra é uma etapa fundamental. Dependendo da matriz, podem ser necessárias etapas de extração, purificação e concentração para reduzir a interferência de outros componentes presentes no produto.


Posteriormente, a identificação e a quantificação dos congêneres podem ser realizadas por técnicas instrumentais de elevada seletividade, como métodos baseados em cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas, incluindo configurações de alta sensibilidade.


A escolha do método depende da matriz analisada, do conjunto de congêneres solicitado, dos limites de quantificação necessários e da finalidade do ensaio.


Outro aspecto fundamental é o controle da qualidade analítica. Para que um resultado de PCB seja confiável, o laboratório precisa considerar parâmetros como:

  • seletividade e especificidade do método;

  • limite de detecção;

  • limite de quantificação;

  • recuperação analítica;

  • precisão;

  • exatidão;

  • calibração instrumental;

  • controles analíticos;

  • materiais de referência, quando aplicáveis;

  • avaliação de interferentes da matriz.


Esses cuidados são especialmente importantes porque os níveis encontrados em alimentos podem ser muito baixos, exigindo procedimentos analíticos rigorosos.



Qual a importância da análise de PCBs para a indústria?


A análise de PCBs não semelhantes às dioxinas pode ser utilizada como ferramenta de controle de qualidade e segurança em diferentes etapas da cadeia produtiva.


Para empresas que trabalham com alimentos de origem animal, pescados, óleos, matérias-primas ou ingredientes sujeitos à contaminação ambiental, o monitoramento pode contribuir para:


  • Controle de matérias-primas: permite verificar se determinados fornecedores ou lotes apresentam resultados compatíveis com os critérios estabelecidos.

  • Controle de produtos acabados: auxilia na avaliação da qualidade e segurança do produto antes da comercialização.

  • Atendimento a requisitos regulatórios: resultados analíticos podem subsidiar avaliações de conformidade de acordo com a legislação aplicável ao produto.

  • Exportação: determinados mercados podem estabelecer requisitos específicos para contaminantes, tornando o controle laboratorial uma etapa importante para a comercialização internacional.

  • Investigação de desvios: resultados acima do esperado podem auxiliar na identificação de possíveis fontes de contaminação ao longo da cadeia produtiva.



PCBs e legislação para alimentos no Brasil


No Brasil, a Anvisa estabelece limites máximos tolerados para determinados contaminantes em alimentos.


A RDC nº 722/2022 dispõe sobre os limites máximos tolerados, princípios gerais para seu estabelecimento e métodos de análise para avaliação da conformidade.


A Instrução Normativa nº 160/2022 estabelece limites máximos tolerados para contaminantes em alimentos e, em seu Anexo III, contempla dioxinas, furanos e bifenilas policloradas (PCB), considerando os fatores de equivalência tóxica aplicáveis ao conjunto correspondente.


É importante observar que os requisitos regulatórios devem ser avaliados de acordo com a matriz e a categoria específica do alimento.


A legislação pode estabelecer critérios distintos para carnes, leite, pescado, ovos e outros produtos.


Além disso, a análise de NDL-PCBs não deve ser automaticamente confundida com a análise de dioxinas e de PCBs semelhantes às dioxinas.


São grupos relacionados, mas com critérios toxicológicos e abordagens analíticas diferentes.


Por esse motivo, antes da contratação de um ensaio, é recomendável verificar qual conjunto de compostos deve ser determinado e qual requisito regulatório, especificação de cliente ou finalidade comercial será utilizado para interpretação do resultado.



Por que contar com um laboratório especializado?


A determinação de PCBs exige infraestrutura analítica, procedimentos validados ou adequadamente verificados e profissionais capacitados para trabalhar com compostos presentes em concentrações muito baixas.


Além da instrumentação, a confiabilidade do resultado depende de todas as etapas do processo, desde o recebimento e preparo da amostra até a análise instrumental, tratamento dos dados e emissão do relatório.


Um laboratório especializado pode auxiliar empresas na definição do escopo analítico mais adequado para cada produto, considerando a matriz, os congêneres de interesse e a finalidade da análise.


Dessa forma, a análise de PCBs não dioxinas deixa de ser apenas um ensaio laboratorial e passa a integrar uma estratégia mais ampla de controle de qualidade, segurança dos alimentos e gestão de riscos.



Análise de PCBs não dioxinas: segurança baseada em dados analíticos


O controle de contaminantes persistentes é uma questão relevante para toda a cadeia produtiva.


Os PCBs, devido à sua persistência ambiental, lipossolubilidade e capacidade de bioacumulação, continuam sendo objeto de monitoramento mesmo décadas após a redução de seu uso industrial.


A análise laboratorial permite transformar uma preocupação potencial em informação objetiva sobre a composição e a qualidade do produto.


Com resultados confiáveis, empresas podem tomar decisões mais fundamentadas sobre matérias-primas, fornecedores, processos produtivos e produtos acabados.



Conclusão


A análise de não dioxinas, como os PCBs, desempenha papel importante no monitoramento de contaminantes persistentes e na avaliação da segurança de determinados alimentos e matérias-primas.


Os chamados NDL-PCBs possuem características diferentes dos PCBs semelhantes às dioxinas, mas continuam sendo relevantes do ponto de vista ambiental e toxicológico.


O monitoramento dos principais congêneres indicadores — PCB 28, 52, 101, 138, 153 e 180 — é amplamente utilizado para avaliar a ocorrência desse grupo de contaminantes.


Para obter resultados confiáveis, é fundamental utilizar métodos analíticos apropriados, controle rigoroso das etapas laboratoriais e interpretação dos resultados de acordo com a matriz e os requisitos aplicáveis.


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FAQ — Perguntas frequentes sobre análise de PCBs


1. O que são PCBs não dioxinas?

São bifenilos policlorados classificados como não semelhantes às dioxinas (NDL-PCBs). Eles apresentam propriedades toxicológicas diferentes dos PCBs semelhantes às dioxinas, embora também sejam contaminantes ambientais persistentes.


2. Quais PCBs são normalmente analisados?

Entre os principais congêneres indicadores estão PCB 28, PCB 52, PCB 101, PCB 138, PCB 153 e PCB 180. O conjunto exato a ser analisado deve ser definido conforme a finalidade do ensaio e os requisitos aplicáveis.


3. Em quais alimentos os PCBs podem ser encontrados?

Os NDL-PCBs podem estar presentes em diferentes alimentos, mas são particularmente relevantes no monitoramento de produtos de origem animal, incluindo pescados, carnes, ovos, leite e derivados, devido à tendência desses compostos de se acumularem em tecidos e frações lipídicas.


4. PCBs são a mesma coisa que dioxinas?

Não. PCBs e dioxinas são grupos distintos de compostos. Dentro dos PCBs existem ainda os chamados PCBs semelhantes às dioxinas, que apresentam propriedades toxicológicas específicas. Os NDL-PCBs, por sua vez, possuem outro perfil toxicológico.


5. A análise de PCBs é obrigatória?

A obrigatoriedade depende do produto, da legislação aplicável, do mercado de destino e de requisitos específicos de clientes ou programas de controle. A legislação brasileira estabelece critérios para determinados contaminantes e categorias de alimentos, portanto a avaliação deve ser feita considerando a matriz específica.


6. Por que realizar a análise em laboratório?

Porque a concentração desses contaminantes pode ser muito baixa e sua determinação exige técnicas instrumentais de elevada sensibilidade e procedimentos rigorosos de preparo e controle da qualidade analítica.


7. A análise pode ser realizada em qualquer tipo de alimento?

A possibilidade e o escopo da análise dependem da matriz, composição da amostra, concentração esperada e método analítico disponível. Por isso, é importante informar ao laboratório qual é o produto antes da contratação do ensaio.


 
 
 

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