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Análise de Ocratoxina A: importância para a segurança e qualidade dos alimentos

Introdução


A segurança dos alimentos depende de um conjunto de fatores que vão desde as condições de cultivo e colheita até o armazenamento, processamento e distribuição.


Entre os perigos químicos que podem comprometer a qualidade dos produtos está a Ocratoxina A (OTA), uma micotoxina que pode estar presente em diferentes alimentos e matérias-primas.


A análise de Ocratoxina A é uma ferramenta importante para identificar e quantificar a presença desse contaminante, contribuindo para o controle de qualidade, a conformidade com a legislação sanitária e a segurança dos produtos destinados ao consumo humano.


Mas o que exatamente é a Ocratoxina A? Como ela chega aos alimentos? Quais produtos apresentam maior possibilidade de contaminação? E por que realizar uma análise laboratorial?


Neste artigo, essas questões serão apresentadas de forma clara, destacando também a importância do controle analítico para empresas do setor alimentício.



O que é a Ocratoxina A?


A Ocratoxina A, frequentemente identificada pela sigla OTA, é uma micotoxina produzida naturalmente por determinadas espécies de fungos, principalmente dos gêneros Aspergillus e Penicillium.


As micotoxinas são substâncias produzidas por fungos que podem contaminar alimentos e rações em diferentes etapas da cadeia produtiva.


A presença desses compostos não está necessariamente relacionada à aparência do produto: um alimento pode não apresentar sinais visíveis de deterioração e, ainda assim, conter uma concentração mensurável de micotoxina.


A Ocratoxina A é particularmente relevante do ponto de vista da segurança dos alimentos devido aos seus efeitos toxicológicos.


Avaliações científicas indicam preocupação principalmente em relação aos rins. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) também destaca evidências relacionadas à genotoxicidade e à carcinogenicidade renal da OTA.


Por esse motivo, o monitoramento da substância faz parte das estratégias de controle de contaminantes químicos em alimentos.



Como ocorre a contaminação por Ocratoxina A?


A formação da Ocratoxina A está associada ao desenvolvimento de determinados fungos.


Condições ambientais como umidade, temperatura, armazenamento inadequado e disponibilidade de substrato podem favorecer o crescimento fúngico e, consequentemente, a produção de micotoxinas.


A contaminação pode ocorrer antes da colheita, durante a secagem ou posteriormente, principalmente quando as condições de armazenamento não são adequadas.


Por isso, o controle da Ocratoxina A não deve ser considerado apenas uma etapa laboratorial. Ele envolve toda a cadeia de produção, incluindo:

  • seleção e qualidade das matérias-primas;

  • condições de cultivo e colheita;

  • secagem adequada;

  • controle de umidade;

  • armazenamento;

  • transporte;

  • processamento industrial;

  • controle de fornecedores;

  • monitoramento laboratorial.


A ocorrência de micotoxinas é influenciada por fatores ambientais e pelo manejo das matérias-primas.


A EFSA destaca que cereais, frutas secas, castanhas e especiarias estão entre os grupos de alimentos nos quais diferentes micotoxinas podem ser encontradas.



Quais alimentos podem apresentar Ocratoxina A?


A Ocratoxina A pode ser encontrada em diferentes categorias de alimentos. Entre os produtos de interesse estão café, cereais e derivados, frutas secas e desidratadas, especiarias, leguminosas, produtos de cacau e chocolate, vinho e derivados de uva, entre outros.


A legislação brasileira estabelece limites específicos de acordo com a categoria do alimento.


A Instrução Normativa nº 160/2022 da ANVISA, vinculada à RDC nº 722/2022, apresenta os limites máximos tolerados (LMT) para micotoxinas em alimentos.


Alguns exemplos de limites estabelecidos para Ocratoxina A são:

Categoria de alimento

LMT de Ocratoxina A

Alimentos à base de cereais para lactentes e crianças de primeira infância

2 µg/kg

Amêndoa de cacau

10 µg/kg

Café torrado e café solúvel

10 µg/kg

Cereais e produtos de cereais, incluindo cevada maltada

10 µg/kg

Cereais para posterior processamento

20 µg/kg

Especiarias especificadas na norma

30 µg/kg

Feijões e outras sementes secas de leguminosas

10 µg/kg

Frutas secas e desidratadas

10 µg/kg

Produtos de cacau e chocolate

5 µg/kg

Suco de uva e polpa de uva

2 µg/kg

Vinho e seus derivados

2 µg/L

Esses valores demonstram por que a interpretação de um resultado analítico deve considerar qual é o alimento analisado e qual categoria regulatória se aplica ao produto. Não existe um único limite de Ocratoxina A válido para todos os alimentos.


Por que realizar a análise de Ocratoxina A?


A análise de Ocratoxina A permite verificar, por meio de ensaio laboratorial, se determinada amostra apresenta a micotoxina e, quando aplicável, determinar sua concentração.


Esse controle pode ser utilizado por fabricantes, distribuidores, importadores, produtores e empresas que trabalham com matérias-primas e alimentos sujeitos ao controle de contaminantes.


Entre as principais finalidades da análise estão:


Controle de matérias-primas

A análise pode ser utilizada para avaliar lotes recebidos de fornecedores e auxiliar na seleção de matérias-primas adequadas para utilização industrial.


Controle de produtos acabados

A avaliação do produto final permite verificar a presença e a concentração da micotoxina, contribuindo para o controle da qualidade e da segurança do alimento.


Atendimento à legislação

Os resultados laboratoriais podem ser utilizados para verificar a conformidade do produto em relação aos limites máximos tolerados estabelecidos pela legislação aplicável.


A ANVISA informa que a RDC nº 722/2022 estabelece princípios gerais relacionados aos limites máximos tolerados de contaminantes e aos métodos de análise para avaliação de conformidade, enquanto a IN nº 160/2022 estabelece os respectivos limites.


Qualificação de fornecedores

Empresas podem incorporar análises de micotoxinas aos seus programas de qualificação e monitoramento de fornecedores, especialmente quando trabalham com matérias-primas com maior potencial de ocorrência desses contaminantes.


Investigação de desvios

Quando um lote apresenta resultado fora do padrão esperado, a análise pode auxiliar na investigação da origem do problema e na tomada de decisões relacionadas ao controle da matéria-prima ou do processo produtivo.



Como é realizada a análise de Ocratoxina A?


A determinação da Ocratoxina A exige procedimentos laboratoriais capazes de identificar o composto em concentrações relativamente baixas.


De maneira geral, o processo analítico envolve etapas como amostragem, preparo e homogeneização da amostra, extração da micotoxina, etapas de purificação quando aplicáveis e determinação instrumental.


A escolha da metodologia depende da matriz analisada, do nível de concentração esperado, do objetivo do ensaio e dos requisitos aplicáveis ao controle de qualidade.


Um ponto fundamental é que a confiabilidade do resultado não depende apenas do equipamento utilizado.


A representatividade da amostra, o preparo adequado, os controles analíticos e a validação ou verificação do método são igualmente importantes.


Isso ocorre porque a distribuição das micotoxinas em uma matéria-prima pode ser heterogênea.


Assim, uma coleta inadequada pode comprometer a representatividade do resultado mesmo quando a etapa instrumental é realizada corretamente.


Por esse motivo, análises de contaminantes devem ser conduzidas por laboratórios com estrutura, procedimentos e controles adequados ao tipo de ensaio.



O resultado da análise deve ser comparado com qual limite?


Essa é uma das principais questões quando se interpreta um laudo de Ocratoxina A.

O resultado não deve ser comparado simplesmente com um valor genérico encontrado em uma tabela ou na internet. É necessário verificar:

  1. qual é o produto analisado;

  2. qual categoria de alimento se aplica;

  3. qual legislação está vigente;

  4. qual é a unidade apresentada no laudo;

  5. qual limite máximo tolerado corresponde àquela categoria;

  6. se existem observações ou condições específicas previstas na legislação.


No Brasil, a RDC nº 722/2022 dispõe sobre os limites máximos tolerados de contaminantes em alimentos, enquanto a IN nº 160/2022 apresenta os limites específicos para diferentes contaminantes, incluindo a Ocratoxina A.


Portanto, a interpretação adequada exige conhecimento técnico e regulatório.



A importância do monitoramento contínuo


A realização de uma análise isolada pode fornecer informações importantes sobre determinado lote, mas programas de monitoramento contínuo oferecem uma visão mais abrangente do comportamento da matéria-prima e do produto ao longo do tempo.


A frequência das análises pode ser definida de acordo com fatores como:

  • tipo de produto;

  • origem da matéria-prima;

  • histórico de resultados;

  • condições de armazenamento;

  • fornecedores;

  • volume de produção;

  • avaliação de riscos;

  • requisitos regulatórios e contratuais.


Esse acompanhamento permite identificar tendências e agir preventivamente antes que um problema de maior proporção comprometa a produção.


Além disso, dados analíticos de ocorrência de contaminantes são importantes para avaliações de risco e para o aprimoramento dos sistemas de controle de segurança dos alimentos.


A EFSA, por exemplo, mantém programas de coleta e avaliação de dados sobre contaminantes químicos em alimentos e rações.



Análise de Ocratoxina A em laboratório


A realização de uma análise de Ocratoxina A em laboratório especializado é uma etapa importante para empresas que precisam controlar a qualidade de matérias-primas e produtos alimentícios.


O ensaio pode contribuir para diferentes objetivos, como controle de recebimento, liberação de lotes, qualificação de fornecedores, investigação de desvios e verificação de atendimento aos requisitos regulatórios.


Para obter um resultado confiável, é fundamental que a análise seja planejada considerando a matriz, o objetivo do ensaio e os critérios de interpretação aplicáveis.



Conclusão


A Ocratoxina A é uma micotoxina de relevância para a segurança dos alimentos e pode estar presente em diferentes produtos, especialmente em determinadas matérias-primas de origem vegetal.


Seu controle exige uma abordagem que combine boas práticas de produção e armazenamento, avaliação de fornecedores, controle de matérias-primas e monitoramento laboratorial.


Nesse contexto, a análise de Ocratoxina A representa uma importante ferramenta para identificar e quantificar esse contaminante, fornecendo informações que auxiliam empresas na tomada de decisões e no atendimento aos requisitos de segurança e conformidade.


Mais do que simplesmente detectar uma substância, o ensaio laboratorial permite transformar uma preocupação relacionada à segurança dos alimentos em um dado técnico que pode ser avaliado de maneira objetiva.



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FAQ – Perguntas frequentes sobre Ocratoxina A


1. O que é Ocratoxina A?

A Ocratoxina A é uma micotoxina produzida naturalmente por determinadas espécies de fungos, principalmente dos gêneros Aspergillus e Penicillium. Ela pode contaminar diferentes alimentos e matérias-primas.


2. A Ocratoxina A faz mal à saúde?

A exposição à Ocratoxina A é uma preocupação de saúde pública devido aos seus efeitos toxicológicos. Estudos e avaliações científicas apontam especial preocupação com os rins, além de evidências relacionadas à genotoxicidade e carcinogenicidade.


3. Quais alimentos podem conter Ocratoxina A?

Entre os alimentos e matérias-primas nos quais a Ocratoxina A pode ocorrer estão café, cereais e derivados, frutas secas, especiarias, leguminosas, cacau, produtos de chocolate, suco e polpa de uva e vinho.


4. Existe limite permitido para Ocratoxina A nos alimentos?

Sim. No Brasil, os limites máximos tolerados são estabelecidos de acordo com a categoria do alimento. A IN nº 160/2022 apresenta diferentes LMTs para Ocratoxina A.


5. A análise de Ocratoxina A é obrigatória?

A necessidade de análise depende do produto, da legislação aplicável, do processo produtivo, dos requisitos de controle e das especificações estabelecidas pela empresa ou pelo cliente. Mesmo quando não houver uma exigência específica para cada lote, o monitoramento pode ser uma importante ferramenta de controle de qualidade.


6. Qual laboratório pode realizar a análise de Ocratoxina A?

A análise deve ser realizada por laboratório que disponha de metodologia adequada à matriz, estrutura analítica compatível e controles necessários para garantir a confiabilidade dos resultados.


7. O resultado da análise garante que o alimento é seguro?

O resultado para Ocratoxina A fornece informações sobre esse contaminante específico. A segurança de um alimento depende de diversos outros fatores, incluindo contaminantes químicos e microbiológicos, composição, processamento, armazenamento e atendimento aos demais requisitos sanitários.


8. Por que analisar a matéria-prima antes da fabricação?

O controle da matéria-prima permite identificar possíveis problemas antes que ela seja incorporada ao processo produtivo, reduzindo riscos de perda de lotes e contribuindo para um sistema preventivo de controle de qualidade.


 
 
 

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