Análise de Putrescina na Água: importância, métodos analíticos e aplicações para qualidade ambiental
- Enfermeira Natalia Balsalobre
- 23 de abr. de 2023
- 5 min de leitura
Introdução
A análise de putrescina na água é um tema que, à primeira vista, pode parecer restrito ao universo acadêmico.
No entanto, trata-se de uma abordagem cada vez mais relevante para compreender processos de degradação orgânica, avaliar impactos ambientais e monitorar a qualidade de sistemas hídricos destinados ao abastecimento, reuso ou atividades industriais.
A putrescina é uma amina biogênica associada à decomposição de matéria orgânica e à atividade microbiana.
Sua presença em matrizes aquáticas pode indicar processos biológicos intensos, contaminação por resíduos orgânicos ou desequilíbrios ecológicos.
Por isso, a análise de putrescina na água tem se consolidado como ferramenta complementar em estudos ambientais e em programas de controle de qualidade.
Neste artigo, apresentamos uma visão técnica, porém acessível, sobre o que é a putrescina, como ela se forma, por que deve ser monitorada, quais métodos laboratoriais são utilizados para sua determinação e como o serviço especializado de análise pode apoiar decisões técnicas e regulatórias.

O que é a putrescina e como ela se forma?
A putrescina é uma amina biogênica de baixo peso molecular, quimicamente conhecida como 1,4-diaminobutano.
Ela é formada principalmente pela descarboxilação do aminoácido ornitina, processo conduzido por enzimas produzidas por microrganismos.
Em termos simples, quando há degradação de proteínas em ambientes com atividade bacteriana intensa, pode ocorrer a formação de aminas como a putrescina. Esse processo é comum em:
Ambientes ricos em matéria orgânica;
Sistemas de tratamento de esgoto;
Águas superficiais impactadas por efluentes;
Sedimentos aquáticos;
Processos de decomposição natural.
Apesar de ser frequentemente associada ao odor característico de matéria orgânica em decomposição, a putrescina também desempenha papéis fisiológicos importantes em organismos vivos.
Ela está envolvida em processos celulares e pode participar da regulação do crescimento celular.
Entretanto, quando presente em concentrações elevadas em ambientes aquáticos, torna-se um marcador relevante de degradação orgânica e atividade microbiológica.
Por que a análise de putrescina na água é importante?
A análise de putrescina na água não é, em geral, um parâmetro rotineiro em legislações de potabilidade.
Contudo, sua determinação é extremamente útil em contextos específicos, como:
Indicador de degradação orgânica
A presença de putrescina pode indicar que há decomposição de matéria orgânica nitrogenada no sistema aquático. Isso pode estar relacionado a:
Lançamento de efluentes domésticos ou industriais;
Processos de eutrofização;
Acúmulo de biomassa em reservatórios;
Degradação de resíduos orgânicos.
Em estudos ambientais, a detecção dessa amina pode complementar parâmetros clássicos como DBO, DQO e nitrogênio amoniacal.
Monitoramento de processos de tratamento
Em estações de tratamento de água ou efluentes, a formação de aminas biogênicas pode ocorrer em determinadas etapas, especialmente sob condições anaeróbias. Monitorar a putrescina permite:
Avaliar eficiência de remoção de compostos nitrogenados;
Detectar falhas operacionais;
Identificar condições propícias ao crescimento microbiano indesejado.
Controle de qualidade em água de reuso
Em sistemas de água de reuso — cada vez mais presentes em contextos industriais e urbanos — a análise de compostos orgânicos específicos, como aminas biogênicas, pode contribuir para avaliação mais detalhada da estabilidade química e microbiológica do sistema.
Ocorrência da putrescina em ambientes aquáticos
A putrescina pode ser encontrada em diferentes tipos de água:
Águas superficiais impactadas por matéria orgânica;
Águas subterrâneas com influência de resíduos orgânicos;
Efluentes domésticos;
Efluentes agroindustriais;
Sistemas de aquicultura;
Lodos e sedimentos.
Sua concentração varia conforme fatores como:
Temperatura;
pH;
Disponibilidade de oxigênio;
Carga orgânica;
Atividade microbiana.
Ambientes anaeróbios tendem a favorecer a formação de aminas biogênicas. Por isso, reservatórios estratificados ou trechos de rios com baixa oxigenação podem apresentar maior potencial de formação.
Métodos utilizados na análise de putrescina na água
A determinação de putrescina requer métodos analíticos sensíveis e seletivos, pois geralmente ela está presente em concentrações baixas e em matrizes complexas.
Entre as principais técnicas utilizadas, destacam-se:
Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC)
A HPLC é um dos métodos mais empregados para análise de putrescina na água. Como a molécula possui baixa absorção no UV, frequentemente é necessário realizar uma etapa de derivatização, que consiste na reação da amina com um reagente químico que permita melhor detecção.
Etapas gerais:
Coleta e preservação da amostra;
Filtração;
Derivatização química;
Separação cromatográfica;
Detecção (UV ou fluorescência).
Esse método oferece boa sensibilidade, reprodutibilidade e seletividade.
Cromatografia Líquida acoplada à Espectrometria de Massas (LC-MS/MS)
A LC-MS/MS permite detecção altamente específica, muitas vezes sem necessidade de derivatização. É indicada quando:
São exigidos limites de detecção muito baixos;
Há necessidade de confirmar identidade molecular;
A matriz é complexa.
É um método robusto e amplamente utilizado em laboratórios com infraestrutura analítica avançada.
Eletroforese Capilar
A eletroforese capilar é uma alternativa eficiente para separação de compostos carregados, como aminas. Pode oferecer:
Alta eficiência de separação;
Baixo consumo de reagentes;
Boa sensibilidade quando combinada com detectores adequados.
Etapas críticas da análise laboratorial
A confiabilidade da análise de putrescina na água depende de diversos fatores:
Coleta adequada
Uso de frascos limpos e apropriados;
Conservação sob refrigeração;
Evitar contaminação cruzada.
Preservação da amostra
Como a putrescina pode ser formada ou degradada após a coleta, é essencial controlar:
Temperatura;
Tempo entre coleta e análise;
Condições de armazenamento.
Validação do método
Um laboratório tecnicamente estruturado deve validar parâmetros como:
Limite de detecção (LD);
Limite de quantificação (LQ);
Linearidade;
Precisão;
Exatidão;
Recuperação em matriz.
Esses critérios garantem que o resultado seja tecnicamente confiável.
Interpretação dos resultados
Diferentemente de parâmetros regulatórios clássicos, não há, de forma geral, limites legais amplamente estabelecidos para putrescina em água potável. Assim, a interpretação depende do contexto:
Estudos ambientais;
Avaliação comparativa entre pontos;
Monitoramento temporal;
Controle de processo.
Valores elevados podem indicar necessidade de investigação complementar, especialmente quanto à origem da carga orgânica.
Aplicações práticas da análise de putrescina na água
A análise pode ser aplicada em:
Monitoramento ambiental;
Estudos acadêmicos;
Avaliação de impacto ambiental;
Controle de processos industriais;
Sistemas de reuso;
Pesquisa e desenvolvimento.
Além disso, pode servir como ferramenta complementar em auditorias ambientais e investigações técnicas.
Conclusão
A análise de putrescina na água representa uma ferramenta importante para compreender processos de degradação orgânica, monitorar atividade microbiológica e apoiar decisões técnicas em contextos ambientais e industriais.
Embora não seja um parâmetro tradicional de potabilidade, sua determinação pode fornecer informações valiosas sobre a dinâmica bioquímica de sistemas aquáticos.
Com o avanço das técnicas analíticas, tornou-se possível quantificar aminas biogênicas com elevada sensibilidade e confiabilidade.
Nesse cenário, contar com um laboratório especializado é fundamental para garantir resultados tecnicamente consistentes e interpretáveis.
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FAQ – Perguntas Frequentes
1. A putrescina é perigosa para a saúde?
Em concentrações típicas ambientais, ela atua principalmente como indicador de decomposição orgânica. A avaliação de risco depende da concentração e do contexto de exposição.
2. Toda água contém putrescina?
Não necessariamente. Sua presença está associada à atividade biológica e à degradação de matéria orgânica.
3. A análise é obrigatória por lei?
Geralmente não faz parte dos parâmetros obrigatórios de potabilidade, mas pode ser exigida em estudos ambientais específicos.
4. Qual método é mais indicado?
Depende do objetivo. HPLC com derivatização é comum; LC-MS/MS é mais sensível e específico.
5. O resultado demora quanto tempo?
O prazo depende da complexidade da amostra e da rotina do laboratório, mas normalmente envolve etapas de preparo e análise instrumental.





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