Análise de Terbufós na Água: importância, riscos e como é realizada
- Enfermeira Natalia Balsalobre
- 20 de ago. de 2023
- 8 min de leitura
Introdução
A qualidade da água está diretamente relacionada à proteção da saúde humana e à preservação dos recursos hídricos.
Entre os diversos parâmetros que podem ser avaliados em uma amostra de água estão os resíduos de agrotóxicos, substâncias que podem alcançar rios, córregos, reservatórios e águas subterrâneas a partir de atividades agrícolas.
Um dos compostos que merece atenção é o terbufós, um agrotóxico pertencente ao grupo dos organofosforados, utilizado como inseticida e nematicida.
A presença dessa substância na água pode ser investigada por meio de análises laboratoriais específicas, capazes de detectar concentrações muito baixas do composto.
A análise de terbufós na água é importante tanto para o monitoramento ambiental quanto para a avaliação da qualidade da água destinada ao consumo humano.
No Brasil, o terbufós faz parte do padrão de potabilidade e possui valor máximo permitido de 1,2 µg/L para água destinada ao consumo humano.

O que é o terbufós?
O terbufós é um ingrediente ativo de agrotóxicos classificado quimicamente como organofosforado e agronomicamente como inseticida e nematicida.
A ANVISA mantém uma monografia específica para o ingrediente ativo, identificada pelo código T37 – Terbufós.
Sua utilização está relacionada principalmente ao controle de determinados insetos e nematoides em culturas agrícolas.
A monografia da ANVISA contempla usos agrícolas autorizados para culturas como algodão, amendoim, banana, café, cana-de-açúcar, feijão, milho e soja, de acordo com as condições estabelecidas para cada cultura.
Embora sua aplicação seja direcionada ao controle de organismos que prejudicam as culturas, os resíduos de agrotóxicos podem alcançar o ambiente.
Chuva, irrigação, escoamento superficial e movimentação da água pelo solo são alguns dos processos que podem contribuir para o transporte de compostos químicos para os recursos hídricos.
Além disso, o comportamento ambiental do terbufós não deve ser analisado apenas considerando o composto original.
Seus produtos de transformação, como o terbufós sulfóxido e o terbufós sulfona, também são relevantes.
Avaliações da EPA indicam que esses produtos podem apresentar maior mobilidade e persistência que o composto original em determinadas condições ambientais.
Como o terbufós pode chegar à água?
A contaminação de recursos hídricos por agrotóxicos pode ocorrer por diferentes mecanismos.
Em áreas agrícolas, por exemplo, parte das substâncias aplicadas ao solo pode ser transportada durante eventos de chuva ou irrigação.
O escoamento superficial pode levar resíduos presentes no solo para rios, córregos e outros corpos d'água.
Dependendo das características do solo, das condições climáticas e das propriedades físico-químicas da substância, também pode ocorrer movimentação através do perfil do solo.
No caso do terbufós, estudos de avaliação ambiental indicam preocupação com o transporte do composto e de seus principais produtos de transformação para águas superficiais e subterrâneas.
A EPA aponta que os produtos terbufós sulfóxido e terbufós sulfona podem apresentar maior mobilidade e persistência, podendo alcançar águas subterrâneas em determinadas condições.
Por esse motivo, o monitoramento da água é uma ferramenta importante para identificar possíveis ocorrências e avaliar a qualidade do recurso hídrico.
A análise pode ser especialmente relevante em:
áreas próximas a regiões agrícolas;
águas superficiais utilizadas para abastecimento;
poços e águas subterrâneas;
sistemas de abastecimento;
propriedades rurais;
estudos de impacto ambiental;
investigações de possíveis fontes de contaminação;
programas de monitoramento de mananciais.
Por que realizar a análise de terbufós na água?
A presença de um agrotóxico na água não pode ser avaliada adequadamente apenas pela aparência, pelo odor ou pelo sabor.
Em muitos casos, uma água contaminada pode apresentar aspecto completamente normal.
Por isso, a identificação de resíduos de terbufós depende de métodos analíticos capazes de detectar e quantificar o composto em concentrações muito baixas.
No caso da água destinada ao consumo humano, existe ainda um parâmetro regulatório específico.
Documentos oficiais do Ministério da Saúde indicam 1,2 µg/L como valor máximo permitido para o terbufós no padrão brasileiro de potabilidade.
Esse valor representa uma referência importante para a avaliação da conformidade da água, mas a interpretação de um resultado laboratorial deve considerar o tipo de amostra, a finalidade da análise, a legislação aplicável e o método utilizado.
Também é importante destacar que a análise de terbufós não se limita ao abastecimento público.
A investigação de agrotóxicos em água pode fazer parte de estudos ambientais mais amplos, especialmente quando existe suspeita de influência de atividades agrícolas sobre um determinado manancial.
Como é feita a análise de terbufós na água?
A determinação de resíduos de agrotóxicos exige técnicas analíticas de elevada sensibilidade e seletividade.
Para o terbufós, métodos cromatográficos podem ser empregados. A EPA, por exemplo, disponibiliza um método específico para terbufós e seus produtos de transformação em água utilizando cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas em tandem (LC-MS/MS), com limite de quantificação reportado de 0,10 µg/L para esse método.
De maneira simplificada, a análise envolve algumas etapas:
Coleta da amostra
A qualidade do resultado começa na coleta. A amostra deve ser obtida em recipiente apropriado e seguindo condições de preservação e transporte compatíveis com o método analítico.
Uma coleta inadequada pode comprometer a representatividade da amostra antes mesmo de ela chegar ao laboratório.
Preparação da amostra
Dependendo da metodologia empregada, a amostra pode passar por etapas de preparação, concentração e limpeza para melhorar a recuperação do analito e reduzir possíveis interferências da matriz.
Separação cromatográfica
Na cromatografia, os diferentes componentes presentes na amostra são separados. Isso permite que o terbufós seja distinguido de outras substâncias presentes na água.
Detecção e quantificação
Após a separação, o composto é identificado e quantificado pelo sistema de detecção.
Na LC-MS/MS, por exemplo, a combinação entre cromatografia líquida e espectrometria de massas proporciona elevada capacidade de identificação e quantificação de compostos em baixas concentrações.
Um método publicado pela EPA para terbufós em água utiliza justamente essa abordagem.
O resultado final é apresentado normalmente em unidades como µg/L, permitindo sua comparação com critérios regulatórios ou valores de referência aplicáveis.
O que significa encontrar terbufós na água?
A simples detecção de terbufós não deve ser interpretada isoladamente como uma conclusão sobre a segurança ou a origem da contaminação.
É necessário verificar a concentração encontrada, o tipo de água analisada e a finalidade daquele recurso hídrico.
Para água destinada ao consumo humano, o resultado pode ser comparado ao valor máximo permitido estabelecido no padrão de potabilidade brasileiro. Atualmente, o valor indicado para terbufós é de 1,2 µg/L.
Também é importante observar que diferentes legislações podem estabelecer critérios específicos para diferentes tipos de água.
Água para consumo humano, água superficial, água subterrânea, água de processo e efluentes, por exemplo, podem possuir objetivos de controle distintos.
Dessa forma, o laudo laboratorial deve ser interpretado considerando o contexto da análise.
Terbufós e saúde humana
Os agrotóxicos organofosforados são uma classe de substâncias que recebe atenção toxicológica devido aos seus efeitos sobre organismos vivos.
A Organização Mundial da Saúde, por meio da base de avaliações do Joint FAO/WHO Meeting on Pesticide Residues (JMPR), registra avaliação toxicológica do terbufós e apresenta valores de referência de ingestão diária aceitável e dose de referência aguda.
A avaliação de risco, entretanto, depende da concentração, da frequência e da duração da exposição, além das características da população exposta.
Por essa razão, o monitoramento de água constitui uma ferramenta importante de prevenção.
A identificação de possíveis contaminantes permite investigar a origem do problema e adotar medidas de controle quando necessário.
A importância do monitoramento de agrotóxicos na água
O controle da qualidade da água exige uma abordagem que vá além dos parâmetros físicos e microbiológicos tradicionalmente avaliados.
Agrotóxicos podem estar presentes em concentrações muito baixas e, por isso, não necessariamente provocam alterações perceptíveis nas características da água.
O próprio Ministério da Saúde disponibiliza diretrizes específicas para o monitoramento de agrotóxicos em água destinada ao consumo humano, incluindo o terbufós entre os parâmetros contemplados pelo padrão brasileiro.
Além disso, dados ambientais demonstram que o monitoramento pode ser relevante em regiões agrícolas.
Estudos e levantamentos ambientais realizados no Brasil já incluíram o terbufós entre os agrotóxicos investigados em águas superficiais e subterrâneas. (
A realização periódica de análises permite acompanhar a qualidade da água ao longo do tempo e identificar alterações que poderiam passar despercebidas em uma avaliação visual.
Análise de Terbufós na Água em laboratório
A análise de terbufós na água deve ser realizada por laboratório com estrutura adequada para análises de contaminantes orgânicos em baixas concentrações.
O processo envolve não apenas o equipamento analítico, mas também cuidados relacionados à coleta, preservação, preparação da amostra, controle de qualidade, calibração, recuperação analítica e interpretação dos resultados.
A escolha do método deve considerar a matriz analisada e o nível de concentração que precisa ser determinado.
Existem metodologias reconhecidas internacionalmente para a determinação de terbufós em água.
A EPA, por exemplo, apresenta um método utilizando LC-MS/MS específico para terbufós e seus produtos de transformação.
Um laboratório especializado pode orientar o cliente quanto ao tipo de amostra, volume necessário, condições de coleta, preservação e demais requisitos para que o resultado seja tecnicamente confiável.
Conclusão
A análise de terbufós na água é uma ferramenta importante para o controle da qualidade de recursos hídricos e para a avaliação de possíveis impactos relacionados ao uso de agrotóxicos.
O terbufós é um inseticida e nematicida organofosforado autorizado para determinados usos agrícolas no Brasil e possui parâmetro específico no padrão de potabilidade brasileiro. Para água destinada ao consumo humano, o valor máximo permitido é de 1,2 µg/L.
Como a presença de resíduos de agrotóxicos não pode ser identificada por características visuais da água, a análise laboratorial é fundamental para detectar e quantificar essas substâncias.
A realização de análises periódicas, especialmente em regiões agrícolas ou em locais com suspeita de contaminação, contribui para um acompanhamento mais seguro e tecnicamente fundamentado da qualidade da água.
Para empresas, propriedades rurais, responsáveis por sistemas de abastecimento, consultorias ambientais e demais interessados, contar com um laboratório especializado é essencial para obter resultados confiáveis e adequados à finalidade do monitoramento.
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FAQ – Perguntas frequentes sobre a análise de terbufós na água
1. O que é terbufós?
O terbufós é um agrotóxico organofosforado utilizado como inseticida e nematicida em determinadas culturas agrícolas.
2. O terbufós pode estar presente na água?
Sim. Resíduos de terbufós podem alcançar recursos hídricos por processos ambientais, como escoamento superficial e movimentação através do solo. Seus produtos de transformação também podem apresentar mobilidade ambiental.
3. Qual o limite de terbufós permitido na água potável?
No padrão brasileiro de potabilidade, o valor máximo permitido para terbufós é de 1,2 µg/L.
4. Como detectar terbufós na água?
A detecção exige métodos laboratoriais específicos. Técnicas cromatográficas, como LC-MS/MS, podem ser utilizadas para identificar e quantificar terbufós em baixas concentrações.
5. A análise de terbufós serve apenas para água potável?
Não. A investigação pode ser realizada em diferentes contextos ambientais, incluindo águas superficiais, águas subterrâneas e estudos de monitoramento ambiental, desde que o método seja adequado à matriz e à finalidade da análise.
6. Por que fazer a análise de terbufós em laboratório?
Porque a presença de resíduos de agrotóxicos pode não alterar a aparência, o odor ou o sabor da água. A análise instrumental permite identificar e quantificar o composto com maior precisão.
7. O laboratório pode realizar análise de terbufós na água?
Sim. A análise de terbufós em amostras de água faz parte dos serviços laboratoriais voltados à determinação de pesticidas e outros compostos orgânicos. A realização do ensaio permite avaliar a concentração encontrada e fornecer dados para monitoramento e tomada de decisões.





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