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Análise de Índice de Peróxidos em Suplementos: importância para a qualidade e estabilidade de produtos oleosos

22 de set. de 2025
8 min de leitura

Introdução


A qualidade de um suplemento alimentar não depende apenas da concentração de vitaminas, minerais, aminoácidos ou outras substâncias declaradas no rótulo.


Em produtos que possuem óleos e gorduras em sua composição, a estabilidade da fração lipídica também merece atenção, principalmente porque esses componentes podem sofrer alterações ao longo do processamento e do armazenamento.


Nesse contexto, a análise de Índice de Peróxidos em suplementos é uma ferramenta importante para avaliar os primeiros estágios da oxidação de óleos e gorduras presentes no produto.


O ensaio pode ser particularmente relevante em suplementos à base de óleo de peixe, ômega-3, óleo de krill, óleos vegetais e outros produtos ricos em ácidos graxos.


O controle desse parâmetro auxilia fabricantes e responsáveis técnicos a acompanhar a qualidade de matérias-primas, investigar condições de armazenamento, realizar estudos de estabilidade e avaliar possíveis alterações oxidativas do produto.



O que é o Índice de Peróxidos?


O Índice de Peróxidos é um parâmetro utilizado para estimar a quantidade de compostos oxidantes formados durante as fases iniciais da oxidação dos lipídios.


Quando os ácidos graxos presentes em óleos e gorduras entram em contato com fatores como oxigênio, luz, temperatura elevada ou determinados agentes pró-oxidantes, podem ocorrer reações químicas que levam inicialmente à formação de peróxidos e hidroperóxidos.


A ISO 3960:2017 descreve o índice de peróxidos como uma medida da quantidade de oxigênio quimicamente ligado ao óleo ou à gordura na forma de peróxidos, especialmente hidroperóxidos.


A norma estabelece um método iodométrico para sua determinação em gorduras e óleos de origem animal e vegetal.


Por esse motivo, o ensaio é amplamente utilizado como indicador de oxidação primária.

Em termos práticos, um aumento no Índice de Peróxidos pode indicar que o óleo presente no suplemento começou a sofrer deterioração oxidativa.



Por que analisar o Índice de Peróxidos em suplementos?


Alguns suplementos alimentares apresentam grande concentração de componentes lipídicos, inclusive ácidos graxos poli-insaturados. Esses compostos podem ser particularmente sensíveis à oxidação.


Entre os produtos nos quais essa avaliação pode ser relevante estão:

  • suplementos de ômega-3;

  • óleo de peixe;

  • óleo de krill;

  • cápsulas contendo óleos vegetais;

  • suplementos com fontes concentradas de ácidos graxos;

  • produtos contendo misturas de óleos;

  • matérias-primas lipídicas destinadas à fabricação de suplementos.


A análise pode auxiliar no acompanhamento da qualidade da matéria-prima e do produto acabado, além de fornecer informações úteis para estudos de estabilidade.


Diversos fatores podem favorecer o processo oxidativo, incluindo exposição à luz, presença de oxigênio, temperaturas inadequadas, contato com determinados metais e períodos prolongados de armazenamento.


Em produtos sensíveis, aspectos relacionados à formulação, presença de antioxidantes, embalagem e condições de estocagem também podem influenciar a estabilidade.



Como é realizada a análise de Índice de Peróxidos?


Existem métodos reconhecidos internacionalmente para determinação do Índice de Peróxidos.


A ISO 3960:2017, por exemplo, estabelece uma determinação iodométrica para gorduras e óleos.


Segundo a própria ISO, o procedimento é aplicável a diferentes gorduras e óleos animais e vegetais e mede principalmente os peróxidos e hidroperóxidos presentes na amostra.


De maneira simplificada, na análise iodométrica os compostos oxidantes presentes na amostra reagem em condições específicas, provocando a liberação de iodo.


A quantidade formada é então determinada por titulação e utilizada para calcular o Índice de Peróxidos.


O resultado costuma ser apresentado em:


meq de oxigênio ativo/kg de óleo ou gordura


ou


meq O₂/kg.


O Codex Alimentarius também reconhece métodos analíticos específicos para avaliação de óleos e gorduras e estabelece requisitos de qualidade para determinadas categorias desses produtos.



Um Índice de Peróxidos elevado significa que o suplemento está oxidado?


Um resultado elevado pode indicar avanço da oxidação primária, mas sua interpretação precisa considerar a natureza da amostra.


O Índice de Peróxidos não deve ser avaliado isoladamente em todas as situações.

Isso ocorre porque a oxidação dos óleos é um processo contínuo. Inicialmente são formados hidroperóxidos.


Posteriormente, esses compostos podem se decompor e originar produtos secundários da oxidação.


O próprio Codex, ao tratar de óleos de peixe, explica que o Índice de Peróxidos é utilizado para avaliar produtos primários de oxidação, enquanto o Índice de Anisidina está relacionado aos produtos secundários.


O Codex utiliza ainda o parâmetro ToTox, calculado a partir da combinação desses dois indicadores, para uma avaliação mais ampla do processo oxidativo.


Assim, em determinadas aplicações, outros ensaios podem complementar o estudo, como:


  • Índice de Anisidina: Relacionado principalmente aos produtos secundários da oxidação.

  • Índice de Acidez: Auxilia na avaliação de alterações relacionadas à hidrólise dos lipídios e à presença de ácidos graxos livres.

  • ToTox: Indicador de oxidação total que considera tanto o Índice de Peróxidos quanto o Índice de Anisidina.


Portanto, um Índice de Peróxidos baixo não significa obrigatoriamente ausência completa de deterioração oxidativa, principalmente em óleos que já passaram por estágios mais avançados de oxidação.


Existe limite de Índice de Peróxidos para suplementos?


Não existe um único valor que possa ser utilizado indiscriminadamente como limite para todo e qualquer suplemento alimentar.


A interpretação depende da composição do produto, da natureza do óleo empregado, da especificação da matéria-prima, do processo produtivo e das referências técnicas aplicáveis.


No Brasil, a categoria de suplementos alimentares é regulamentada, entre outras disposições, pela RDC nº 243/2018 e pela IN nº 28/2018, que tratam dos requisitos sanitários, constituintes autorizados, limites de uso e outras condições relacionadas aos suplementos.


A Anvisa mantém ainda ferramentas atualizadas para consulta dos constituintes autorizados e suas especificações.


Essas regras não estabelecem, porém, um único valor geral de Índice de Peróxidos aplicável a todos os suplementos.


Para óleos específicos, podem ser utilizadas referências técnicas próprias.

Um exemplo importante são os óleos de peixe.


O padrão CXS 329-2017 do Codex Alimentarius, atualizado em 2024, estabelece para diversas categorias de óleo de peixe um Índice de Peróxidos de até:5 meq de oxigênio ativo/kg de óleo.


O mesmo documento estabelece, para diversas categorias de óleo de peixe, Índice de Anisidina ≤ 20 e ToTox ≤ 26.


Esse valor, entretanto, deve ser entendido como uma especificação aplicável aos produtos abrangidos pelo padrão do Codex e não como limite universal para qualquer suplemento alimentar.


Para outros óleos e gorduras, as especificações podem ser diferentes.



Índice de Peróxidos em suplementos de ômega-3


Os suplementos de ômega-3 merecem atenção especial porque geralmente são ricos em ácidos graxos poli-insaturados, especialmente EPA e DHA.


Devido à estrutura química desses compostos, sua estabilidade oxidativa é um aspecto importante no controle da qualidade.


O padrão do Codex para óleos de peixe inclui diferentes categorias de óleos, óleos concentrados e concentrados de ésteres etílicos e estabelece requisitos relacionados tanto à composição quanto à oxidação.


Para grande parte dessas categorias, o Índice de Peróxidos deve ser ≤ 5 meq de oxigênio ativo/kg de óleo.


Na rotina industrial, a análise pode ser realizada em diferentes etapas, como:

  • qualificação da matéria-prima;

  • recebimento do óleo;

  • desenvolvimento da formulação;

  • avaliação do produto acabado;

  • estudo de estabilidade;

  • acompanhamento do shelf life;

  • investigação de alterações sensoriais;

  • verificação das condições de armazenamento.


Esse acompanhamento é especialmente importante porque processos oxidativos podem comprometer características sensoriais e a qualidade do óleo.



O que pode aumentar o Índice de Peróxidos?


Diferentes condições podem acelerar a oxidação de produtos lipídicos.


Entre os fatores mais relevantes estão a presença de oxigênio, exposição à luz e aumento de temperatura.


A composição do produto também é determinante. Óleos ricos em ácidos graxos poli-insaturados geralmente apresentam maior suscetibilidade à oxidação quando comparados a lipídios com maior proporção de ácidos graxos saturados.


Outros aspectos, como embalagem inadequada, períodos prolongados de estocagem e contato com determinados agentes pró-oxidantes, também podem contribuir para alterações.


Por isso, além da formulação, devem ser avaliadas as condições utilizadas durante produção, transporte e armazenamento.



Qual é a importância do ensaio para estudos de estabilidade?


O Índice de Peróxidos pode ser utilizado como um dos parâmetros de acompanhamento da estabilidade química de suplementos que apresentam fração lipídica significativa.


Em um estudo ao longo do prazo de validade, por exemplo, resultados obtidos em diferentes períodos permitem observar a evolução da oxidação da amostra.


Esse tipo de monitoramento pode contribuir para avaliar:

  • estabilidade do óleo utilizado;

  • influência da embalagem;

  • eficiência de antioxidantes;

  • condições de armazenamento;

  • alterações ocorridas durante o shelf life;

  • consistência entre diferentes lotes.


Vale lembrar que a ISO destaca que o Índice de Peróxidos é um parâmetro dinâmico, influenciado pelo histórico da amostra.


Portanto, resultados laboratoriais devem sempre ser interpretados considerando as características do produto e as condições às quais ele foi submetido.



Análise de Índice de Peróxidos em laboratório


A análise laboratorial permite acompanhar de maneira objetiva possíveis alterações oxidativas em suplementos e matérias-primas contendo óleos e gorduras.


Para fabricantes, distribuidores e responsáveis técnicos, o ensaio pode integrar programas de controle de qualidade, desenvolvimento de produtos e estudos de estabilidade.


A utilização de metodologia apropriada e condições analíticas controladas é fundamental para a obtenção de resultados confiáveis, principalmente porque pequenas diferenças na manipulação da amostra podem interferir na determinação.


Além disso, a interpretação deve considerar a natureza do produto e a referência técnica pertinente, evitando a aplicação de um mesmo limite a óleos ou suplementos com características diferentes.



Conclusão


A análise de Índice de Peróxidos em suplementos é uma importante ferramenta para avaliação da oxidação inicial de produtos que contêm óleos e gorduras.


O ensaio é particularmente relevante para suplementos de ômega-3, óleo de peixe, óleo de krill e outros produtos ricos em componentes lipídicos suscetíveis à oxidação.


Além de contribuir para o controle de matérias-primas e produtos acabados, a determinação pode ser utilizada em estudos de estabilidade, investigações de qualidade e acompanhamento do produto ao longo de sua vida útil.


Como os valores de referência podem variar de acordo com o óleo e a especificação aplicável, os resultados devem ser interpretados considerando as características da amostra e a legislação ou norma técnica pertinente.


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FAQ — Perguntas frequentes sobre Índice de Peróxidos em suplementos


O que o Índice de Peróxidos mede?

O ensaio mede principalmente compostos relacionados aos primeiros estágios da oxidação dos lipídios, especialmente peróxidos e hidroperóxidos.


Todo suplemento precisa realizar Índice de Peróxidos?

Não. O ensaio é especialmente relevante para suplementos que apresentam óleos ou gorduras em quantidade significativa. A aplicabilidade deve ser avaliada de acordo com a composição do produto.


Qual é a unidade utilizada?

Normalmente, o resultado é expresso em miliequivalentes de oxigênio ativo por quilograma de óleo, representados como meq O₂/kg.


Qual é o limite para suplementos de ômega-3?

Não existe um único limite brasileiro aplicável indistintamente a todos os suplementos de ômega-3. Para óleos de peixe abrangidos pelo CXS 329-2017, o Codex estabelece Índice de Peróxidos de até 5 meq de oxigênio ativo/kg de óleo.


Índice de Peróxidos alto significa rancidez?

Um resultado elevado pode indicar aumento da oxidação primária, mas a avaliação completa do estado oxidativo pode exigir outros parâmetros, como Índice de Anisidina e ToTox.


O Índice de Peróxidos pode ser utilizado em estudos de shelf life?

Sim. Ele pode ser acompanhado em diferentes períodos do estudo para avaliar alterações oxidativas do produto ao longo do armazenamento.


O ensaio pode ser feito na matéria-prima antes da fabricação?

Sim. A avaliação de óleos antes de sua utilização na formulação pode auxiliar no controle de qualidade da matéria-prima e na prevenção de problemas de estabilidade no produto final.



 
 
 

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