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Análise de Óleo de Semente de Borragem: entenda a importância do controle de qualidade e da caracterização do óleo

28 de out. de 2025
8 min de leitura

Introdução


O óleo de semente de borragem é um ingrediente de interesse para diferentes segmentos da indústria, especialmente alimentos, suplementos alimentares, cosméticos e produtos destinados a aplicações nutricionais.


Extraído das sementes da Borago officinalis, esse óleo apresenta uma composição diferenciada de ácidos graxos, com destaque para o ácido gama-linolênico (GLA).


Por apresentar elevada proporção de ácidos graxos insaturados, o óleo de borragem exige cuidados específicos relacionados à qualidade, à estabilidade oxidativa, à composição e às condições de armazenamento.


Nesse contexto, a análise de óleo de semente de borragem é uma ferramenta importante para verificar características físico-químicas e composicionais, contribuindo para o controle de matérias-primas e produtos acabados.



O que é o óleo de semente de borragem?


A borragem (Borago officinalis) é uma espécie vegetal cujas sementes podem ser utilizadas para obtenção de um óleo rico em ácidos graxos insaturados.


Entre os componentes que mais despertam interesse está o ácido gama-linolênico (GLA), um ácido graxo poli-insaturado da família ômega-6.


Estudos de caracterização demonstram que o perfil de ácidos graxos do óleo pode apresentar quantidades relevantes de ácido linoleico, ácido oleico e GLA, embora a composição possa variar conforme variedade vegetal, origem, condições de cultivo, processamento e armazenamento.


Essa variabilidade torna a caracterização laboratorial especialmente importante. Duas matérias-primas comercializadas sob a mesma denominação podem apresentar diferenças em sua composição e em seus parâmetros de qualidade.


Além disso, por ser um óleo rico em ácidos graxos insaturados, o controle da oxidação merece atenção.


Alterações oxidativas podem comprometer características sensoriais e químicas do produto e, por isso, devem ser acompanhadas durante a fabricação e ao longo da vida útil.



Por que realizar a análise de óleo de semente de borragem?


A análise de óleo de semente de borragem permite obter informações objetivas sobre a identidade, composição e qualidade da matéria-prima.


Em aplicações industriais, a análise pode ser utilizada em diferentes etapas, como:

  • qualificação de fornecedores;

  • recebimento e liberação de matérias-primas;

  • controle de processo;

  • desenvolvimento de produtos;

  • investigação de desvios;

  • controle de lotes;

  • estudos de estabilidade;

  • verificação de especificações técnicas;

  • avaliação de conformidade com padrões previamente estabelecidos.


Um dos pontos de maior interesse é a determinação do perfil de ácidos graxos. Essa avaliação permite identificar e quantificar diferentes ácidos graxos presentes na amostra e pode auxiliar na caracterização do óleo.


A cromatografia gasosa é uma das técnicas utilizadas para essa finalidade. Em estudos científicos com óleo de borragem, por exemplo, a composição de ácidos graxos foi determinada por cromatografia gasosa com detector de ionização em chama (GC-FID), utilizando padrões para identificação dos compostos.


Dessa forma, a análise não deve ser entendida apenas como uma verificação de um único componente.


O conjunto de parâmetros analisados fornece uma visão mais completa da qualidade do produto.



Quais parâmetros podem ser avaliados?


A definição do pacote analítico depende da finalidade da amostra, da especificação do cliente, da aplicação do produto e das referências técnicas ou regulatórias pertinentes.


Entre os parâmetros que podem fazer parte da caracterização de óleos vegetais estão:


Perfil de ácidos graxos


É um dos principais ensaios para caracterização do óleo de borragem. Permite avaliar a distribuição dos ácidos graxos presentes na amostra, incluindo componentes como ácido palmítico, esteárico, oleico, linoleico e gama-linolênico.


A composição encontrada na literatura demonstra que o GLA pode representar uma parcela significativa do óleo de borragem, embora os valores não devam ser utilizados automaticamente como especificação universal para todos os produtos comerciais.



Índice de acidez


O índice de acidez está relacionado à presença de ácidos graxos livres e é um importante parâmetro de qualidade para óleos e gorduras.


Sua elevação pode estar associada a processos de hidrólise dos triacilgliceróis, podendo indicar alterações na matéria-prima ou nas condições de processamento e armazenamento.


O Codex Alimentarius inclui o índice de acidez entre os parâmetros utilizados para avaliação da qualidade de óleos e gorduras.



Índice de peróxidos


O índice de peróxidos é utilizado para avaliar produtos primários da oxidação lipídica.

Esse parâmetro é particularmente relevante para óleos ricos em ácidos graxos poli-insaturados, uma vez que essas estruturas são mais suscetíveis a processos oxidativos.


O Codex estabelece, para determinadas categorias de óleos vegetais, valores de referência para índice de peróxidos, diferenciando, por exemplo, óleos refinados daqueles classificados como virgens ou prensados a frio.


A aplicabilidade do limite deve, entretanto, considerar a categoria e a especificação do produto analisado.



Índice de iodo


O índice de iodo fornece uma indicação do grau de insaturação da matéria graxa. Como o óleo de borragem possui elevada proporção de ácidos graxos insaturados, esse parâmetro pode contribuir para sua caracterização físico-química.



Índice de p-anisidina


O índice de p-anisidina está relacionado principalmente aos produtos secundários da oxidação lipídica.


Quando utilizado em conjunto com outros parâmetros, pode contribuir para uma avaliação mais ampla do estado oxidativo do óleo.



Outros parâmetros físico-químicos


Dependendo da finalidade da análise, também podem ser considerados parâmetros como matéria volátil, impurezas insolúveis, composição de tocoferóis, metais e outros indicadores de qualidade.


A escolha dos ensaios deve ser tecnicamente fundamentada e alinhada às características e ao uso pretendido para o produto.


Oxidação: um dos principais pontos de atenção


A estabilidade oxidativa é um aspecto importante no controle de qualidade de óleos vegetais.


A oxidação dos lipídios ocorre por uma série de reações químicas que podem ser favorecidas por fatores como oxigênio, luz, temperatura elevada e presença de determinados metais.


Inicialmente, podem ser formados hidroperóxidos e outros produtos de oxidação primária.


Em etapas posteriores, esses compostos podem se decompor e gerar produtos secundários, alguns associados a alterações de odor e sabor.


Por esse motivo, analisar apenas um parâmetro pode não ser suficiente para compreender todo o processo oxidativo.


A interpretação deve considerar o conjunto de resultados e, quando necessário, o histórico da amostra.


Estudos com diferentes óleos vegetais também demonstram que a composição em ácidos graxos influencia a estabilidade oxidativa, sendo que óleos com maior proporção de ácidos graxos poli-insaturados podem apresentar maior suscetibilidade à oxidação.


No caso do óleo de borragem, essa avaliação ganha importância tanto para o controle da matéria-prima quanto para estudos de estabilidade e definição de condições adequadas de armazenamento.



Análise de óleo de borragem e controle de matérias-primas


Para fabricantes de suplementos, cosméticos e outros produtos que utilizam óleos vegetais como ingredientes, o controle começa antes mesmo da fabricação.


A avaliação laboratorial de uma matéria-prima pode auxiliar na verificação de sua conformidade com especificações internas e requisitos definidos para o produto.


No segmento de suplementos alimentares, a Anvisa estabelece que somente constituintes autorizados podem ser utilizados e disponibiliza uma ferramenta para consulta de ingredientes, limites, condições de uso e alegações aprovadas.


A Agência também destaca que as alegações de benefícios utilizadas em suplementos devem estar de acordo com aquelas autorizadas e que suplementos alimentares não devem apresentar indicação de prevenção, tratamento ou cura de doenças.


Portanto, a análise laboratorial e a regularização sanitária são etapas distintas, mas complementares.


Um resultado analítico fornece informações sobre a amostra; a avaliação de conformidade depende também da especificação aplicável, da finalidade de uso e do enquadramento regulatório do produto.



Como é realizada a análise de óleo de semente de borragem?


A metodologia empregada depende do parâmetro solicitado.

Para o perfil de ácidos graxos, por exemplo, uma possibilidade é a utilização de cromatografia gasosa, técnica capaz de separar e quantificar diferentes componentes da fração de ácidos graxos após preparação adequada da amostra.


Para parâmetros físico-químicos, podem ser empregados métodos normalizados ou reconhecidos por organismos técnicos, conforme o ensaio.


O Codex Alimentarius reconhece métodos de organizações como ISO, AOCS e IUPAC para diferentes determinações relacionadas a óleos e gorduras, incluindo composição de ácidos graxos, índice de acidez e índice de peróxidos


A seleção do método deve considerar a matriz, o objetivo da análise, a faixa esperada de concentração e os requisitos de desempenho aplicáveis.


Outro ponto importante é a representatividade da amostra. Uma análise laboratorial confiável começa com uma amostragem adequada, identificação correta do lote e condições apropriadas de acondicionamento e transporte.



Qual a importância do laudo laboratorial?


O laudo analítico documenta os resultados obtidos para a amostra encaminhada ao laboratório.


Para empresas, esse documento pode fazer parte do sistema de controle de qualidade e auxiliar na tomada de decisões relacionadas à aprovação ou reprovação de matérias-primas, acompanhamento de fornecedores, investigação de desvios e controle de produtos.


No caso do óleo de semente de borragem, o laudo pode apresentar os parâmetros solicitados, resultados obtidos, unidades de medida, métodos analíticos e demais informações pertinentes à análise.


A interpretação dos resultados deve sempre considerar a especificação utilizada para comparação. Um valor analítico isolado não deve ser interpretado fora de seu contexto técnico.



Conclusão


A análise de óleo de semente de borragem é uma ferramenta importante para caracterizar a matéria-prima e acompanhar parâmetros relacionados à composição, qualidade e estabilidade do óleo.


A determinação do perfil de ácidos graxos, juntamente com parâmetros físico-químicos e indicadores de oxidação, pode fornecer informações relevantes para fabricantes e empresas que utilizam esse ingrediente em seus processos.


Mais do que simplesmente gerar números, uma análise laboratorial bem planejada permite transformar características químicas em informações úteis para o controle de qualidade e para a tomada de decisões.


Por isso, a escolha dos ensaios deve considerar a finalidade do produto, suas especificações técnicas e as referências regulatórias aplicáveis.


Um planejamento analítico adequado contribui para maior segurança, rastreabilidade e consistência dos processos industriais.



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FAQ — Perguntas frequentes sobre análise de óleo de semente de borragem


1. O que é o óleo de semente de borragem?

É um óleo vegetal obtido das sementes da Borago officinalis. Sua composição apresenta diferentes ácidos graxos, com destaque para o ácido gama-linolênico (GLA).


2. Para que serve a análise de óleo de semente de borragem?

A análise pode ser utilizada para caracterizar a composição do óleo, avaliar parâmetros de qualidade, verificar especificações de matérias-primas, acompanhar estabilidade e auxiliar no controle de lotes.


3. É possível determinar o ácido gama-linolênico no óleo de borragem?

Sim. O perfil de ácidos graxos pode ser determinado por técnicas cromatográficas, como a cromatografia gasosa, permitindo identificar e quantificar diferentes ácidos graxos presentes na amostra.


4. Quais análises podem ser solicitadas para o óleo de borragem?

Dependendo do objetivo, podem ser avaliados perfil de ácidos graxos, índice de acidez, índice de peróxidos, índice de iodo, índice de p-anisidina e outros parâmetros físico-químicos ou de composição.


5. Por que analisar o índice de peróxidos?

Porque esse parâmetro auxilia na avaliação da oxidação primária do óleo. É especialmente relevante para matérias-primas ricas em ácidos graxos insaturados.


6. O óleo de borragem pode ser utilizado em suplementos alimentares?

A utilização de um ingrediente em suplemento alimentar depende do enquadramento e das condições estabelecidas pela regulamentação sanitária brasileira. A Anvisa mantém uma lista de constituintes autorizados e respectivas condições de uso.


7. Qual a importância de analisar a matéria-prima antes da fabricação?

A análise pode auxiliar na qualificação de fornecedores, no controle de recebimento, na verificação de especificações e na identificação de eventuais alterações ou desvios entre lotes.


8. O resultado da análise pode ser comparado diretamente com valores encontrados em artigos científicos?

Não necessariamente. Valores publicados na literatura são úteis como referência científica, mas a conformidade de um produto deve ser avaliada de acordo com sua especificação, categoria, finalidade de uso e referências normativas aplicáveis.



 
 
 

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