Bário (Ba) e Estrôncio (Sr) em Águas Subterrâneas: Ocorrência, Comportamento Geoquímico e Implicações para a Qualidade da Água
- Dra. Lívia Lopes

- 4 de jul. de 2025
- 5 min de leitura
Introdução
As águas subterrâneas constituem uma das principais fontes de abastecimento hídrico para populações urbanas, rurais e atividades industriais em todo o mundo. Sua relativa proteção contra contaminações superficiais e sua estabilidade físico-química tornam-nas um recurso estratégico para a segurança hídrica.
No entanto, a presença de elementos traço de origem geogênica, como o bário (Ba) e o estrôncio (Sr), pode comprometer a qualidade dessas águas e exigir monitoramento rigoroso.
Bário e estrôncio pertencem ao grupo dos metais alcalino-terrosos e compartilham propriedades químicas semelhantes ao cálcio (Ca), o que explica sua ocorrência frequente em sistemas aquíferos associados a rochas carbonáticas, evaporíticas e siliciclásticas.
Embora o estrôncio seja geralmente considerado de baixa toxicidade em concentrações típicas, o bário apresenta maior relevância toxicológica, especialmente quando presente em níveis elevados na água potável.
A mobilização desses elementos em águas subterrâneas está associada a processos naturais, como dissolução mineral, troca iônica e variações redox, mas também pode ser influenciada por atividades antrópicas, como mineração, perfuração de poços profundos e descarte de resíduos industriais. Além disso, o uso crescente de técnicas como fraturamento hidráulico (fracking) tem intensificado o interesse científico sobre a dinâmica de Ba e Sr em aquíferos profundos.
Organismos reguladores, como a World Health Organization, a United States Environmental Protection Agency e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, estabeleceram limites para o bário em água potável, refletindo preocupações com seus efeitos à saúde.
Já o estrôncio, embora menos regulado, tem sido objeto de estudos recentes devido à sua relevância geoquímica e potencial impacto em populações expostas cronicamente.
Este artigo apresenta uma análise aprofundada sobre a presença de bário e estrôncio em águas subterrâneas, abordando seus fundamentos teóricos, evolução do conhecimento científico, aplicações práticas, metodologias analíticas e perspectivas futuras.

Contexto Histórico e Fundamentos Teóricos
Ocorrência Natural e Geologia
O bário e o estrôncio são amplamente distribuídos na crosta terrestre, sendo encontrados em minerais como:
Barita (BaSO₄) – principal fonte de bário
Celestita (SrSO₄) – principal fonte de estrôncio
Carbonatos (substituição isomórfica em calcita e dolomita)
A dissolução desses minerais em condições hidrogeoquímicas específicas resulta na liberação de Ba²⁺ e Sr²⁺ para a água subterrânea. A solubilidade desses íons é influenciada por fatores como pH, presença de sulfatos, carbonatos e força iônica da solução.
Comportamento Geoquímico
O comportamento de Ba e Sr em aquíferos é governado por processos como:
Dissolução mineral: liberação a partir de rochas hospedeiras
Precipitação: formação de sulfatos pouco solúveis (ex: barita)
Troca iônica: substituição por Ca²⁺ em superfícies minerais
Adsorção/desorção: interação com partículas do solo
O estrôncio, devido ao seu raio iônico semelhante ao cálcio, é frequentemente incorporado em estruturas minerais e pode ser utilizado como traçador geoquímico em estudos hidrogeológicos.
Evolução do Monitoramento
Historicamente, o foco do monitoramento de águas subterrâneas esteve em contaminantes clássicos, como nitratos e metais pesados. No entanto, nas últimas décadas, houve aumento no interesse por elementos traço de origem natural, como Ba e Sr, especialmente em regiões com aquíferos profundos ou geologia complexa.
Normas e Regulamentações
A World Health Organization estabelece um valor guia de 0,7 mg/L para bário em água potável. A United States Environmental Protection Agency define um limite máximo (MCL) de 2,0 mg/L.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Portaria GM/MS nº 888/2021) estabelece limite de 0,7 mg/L para bário.
Para o estrôncio, ainda não há limites amplamente estabelecidos em muitas legislações, embora estudos indiquem a necessidade de avaliação em exposições prolongadas.
Importância Científica e Aplicações Práticas
Impactos à Saúde Humana
Bário (Ba):
Em altas concentrações, pode causar efeitos cardiovasculares, musculares e neurológicos. Compostos solúveis de bário são mais tóxicos, podendo interferir na função muscular e no sistema nervoso.
Estrôncio (Sr):
Geralmente considerado de baixa toxicidade, mas pode substituir o cálcio em tecidos ósseos. Em crianças, exposições elevadas podem afetar o desenvolvimento ósseo.
Indicadores Geoquímicos
O estrôncio é amplamente utilizado como traçador isotópico (⁸⁷Sr/⁸⁶Sr) para:
Identificação de origem de águas subterrâneas
Estudos de mistura de aquíferos
Reconstrução de processos geológicos
Aplicações Industriais
Bário:
Fluidos de perfuração (barita)
Indústria de tintas e plásticos
Produção de vidro
Estrôncio:
Pirotecnia (coloração vermelha)
Cerâmicas
Imãs e eletrônicos
Estudo de Caso
Em regiões com exploração de gás não convencional, como nos Estados Unidos, estudos mostram aumento de concentrações de Ba e Sr em águas subterrâneas próximas a áreas de fraturamento hidráulico, indicando possível mobilização geogênica ou contaminação.
Tabela Comparativa
Elemento | Origem principal | Toxicidade | Regulação |
Bário | Barita (BaSO₄) | Moderada a alta | Regulamentado |
Estrôncio | Celestita (SrSO₄) | Baixa a moderada | Pouco regulamentado |
Metodologias de Análise
Técnicas Analíticas
A determinação de Ba e Sr em água subterrânea é realizada por métodos de alta sensibilidade:
ICP-OES (Plasma Indutivamente Acoplado)
ICP-MS (Espectrometria de Massa)
AAS (Absorção Atômica)
Essas técnicas permitem quantificação em níveis traço e análise simultânea de múltiplos elementos.
Normas Técnicas
Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (SMWW)
EPA Method 200.8 – ICP-MS
ISO 17294 – Determinação de metais
Desafios Analíticos
Interferência de matriz (ex: alta salinidade)
Necessidade de preservação adequada da amostra
Diferenciação entre formas dissolvidas e particuladas
Avanços Tecnológicos
O uso de técnicas isotópicas e sensores portáteis tem ampliado a capacidade de monitoramento em campo, permitindo análises mais rápidas e integradas.
Considerações Finais e Perspectivas Futuras
A presença de bário e estrôncio em águas subterrâneas reflete a complexa interação entre geologia, hidroquímica e humanas. Enquanto o bário representa um risco potencial à saúde em concentrações elevadas, o estrôncio destaca-se como ferramenta valiosa para estudos geoquímicos, embora também requeira atenção em exposições prolongadas.
O monitoramento sistemático desses elementos, aliado ao desenvolvimento de tecnologias analíticas avançadas, é essencial para garantir a qualidade da água e a segurança das populações.
Além disso, a crescente exploração de recursos naturais em profundidade reforça a necessidade de compreender melhor os processos que controlam a mobilização de Ba e Sr.
Perspectivas futuras incluem o aprimoramento de modelos hidrogeoquímicos, integração de dados isotópicos e desenvolvimento de políticas públicas mais abrangentes, especialmente para elementos ainda pouco regulamentados, como o estrôncio.
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FAQ – Perguntas Frequentes
1. O bário na água é perigoso?
Sim, em altas concentrações pode causar efeitos tóxicos.
2. O estrôncio é prejudicial à saúde?
Em geral, não em baixas concentrações, mas pode afetar ossos em níveis elevados.
3. De onde vêm Ba e Sr na água subterrânea?
Principalmente da dissolução de minerais naturais.
4. Existe limite para estrôncio na água?
Ainda não amplamente regulamentado.
5. Como remover bário da água?
Por troca iônica, osmose reversa ou precipitação química.
6. O estrôncio pode indicar origem da água?
Sim, por meio de análise isotópica.





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