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Dicloroetano na Água: Compreendendo os Riscos e a Importância da Análise Precisa

Introdução


A segurança hídrica é um pilar fundamental da saúde pública e da preservação ambiental.


Entre os diversos contaminantes que podem comprometer a qualidade da água, compostos orgânicos voláteis (COVs) como o dicloroetano representam um risco silencioso e potencialmente grave.


Este composto químico, amplamente utilizado pela indústria, pode infiltrar-se nas fontes de abastecimento, exigindo vigilância constante e metodologias analíticas confiáveis para sua detecção e quantificação.


Este artigo tem como objetivo desmistificar o dicloroetano, explicando suas origens, caminhos de contaminação, impactos à saúde e, principalmente, elucidando os processos técnicos e a crucial importância de uma análise da concentração de dicloroetano na água precisa e validada.


Através de uma abordagem técnica, porém acessível, buscamos informar cidadãos, gestores públicos, profissionais da área ambiental e industriais sobre esse tema de relevância coletiva.



O Que é o Dicloroetano? Origem e Presença no Meio Ambiente


O 1,2-dicloroetano (DCE), também conhecido como cloreto de etileno, é um líquido incolor, volátil, com odor adocicado semelhante ao clorofórmio.


Quimicamente, é um hidrocarboneto clorado, com fórmula C₂H₄Cl₂. Sua produção global é massiva, situando-se na casa dos milhões de toneladas anuais.



Principais Aplicações Industriais


A predominância do DCE no ambiente decorre diretamente de seu uso industrial:


  • Matéria-Prima para o PVC: Aproximadamente 95% da produção mundial é destinada à síntese do cloreto de vinila (VCM), o monômero essencial para a fabricação do policloreto de vinila (PVC), um dos plásticos mais versáteis e utilizados globalmente.

  • Solvente e Agente de Limpeza: Utilizado como solvente para gorduras, ceras, resinas e na limpeza a vapor de equipamentos industriais.

  • Intermediário Químico: Atua na produção de outros compostos, como aminas etilenadas e como aditivo de gasolina (antigamente com chumbo).

  • Fumigante de Grãos: Seu uso nesta área, embora restrito, ainda ocorre em alguns locais.



Vias de Contaminação Hídrica


A persistência e mobilidade do dicloroetano no ambiente são moderadas, mas seu potencial de contaminação é alto devido a:


  • Vazamentos e Descargas Industriais: A liberação inadequada de efluentes por indústrias químicas, de plásticos ou de transformação é a fonte pontual mais significativa.

  • Aterros Sanitários e Industriais Mal Gerenciados: O líquido pode lixiviar (ser arrastado pela água da chuva) através do solo, atingindo os lençóis freáticos (águas subterrâneas).

  • Acidentes no Transporte: Derramamentos durante o transporte rodoviário ou ferroviário.

  • Degradação de Solventes Maiores: Pode ser um produto da degradação biológica ou química de solventes clorados mais complexos, como o tetracloroeteno (PERC).


Uma vez no subsolo, o DCE forma plumas de contaminação que podem migrar por longas distâncias, contaminando poços de abastecimento privados e públicos.



Riscos à Saúde Humana e Regulamentações Vigentes


A exposição ao dicloroetano representa um perigo agudo e crônico para a saúde humana.


As principais vias de exposição são a inalação de vapores e, de forma mais crítica no contexto deste artigo, a ingestão de água contaminada.



Efeitos Toxicológicos


  • Toxicidade Aguda: A ingestão ou inalação de altas doses pode causar depressão do sistema nervoso central (tontura, sonolência), náuseas, vômitos, danos hepáticos e renais, podendo levar ao coma em casos extremos.

  • Toxicidade Crônica e Carcinogenicidade: É este o aspecto mais preocupante. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classifica o 1,2-dicloroetano como Grupo 2B (possivelmente carcinogênico para humanos). Estudos em animais demonstram claramente sua carcinogenicidade, causando tumores em múltiplos órgãos, incluindo estômago, mama, fígado e sistema circulatório. Em humanos, a exposição prolongada está associada a um risco aumentado de câncer, além de efeitos hepatotóxicos, nefrotóxicos e no sistema imunológico.



Portaria de Consolidação nº 888/2021 do Ministério da Saúde (BR) e Outras Normas


A legislação brasileira, através da Portaria de Consolidação GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021, estabelece os padrões de potabilidade da água. Para o dicloroetano, o Valor Máximo Permitido (VMP) é de:


  • 30 µg/L (microgramas por litro) ou 0,03 mg/L.


Este limite rigoroso reflete o consenso científico internacional sobre seus riscos. Órgãos como a US EPA (Environmental Protection Agency - EUA) e a União Europeia também estabelecem limites similares, na faixa de poucos microgramas por litro.


A conformidade com este parâmetro não é opcional; é uma obrigação legal para concessionárias de água e um imperativo ético para qualquer entidade responsável pela qualidade hídrica.



Metodologias Analíticas: Como é Realizada a Análise da Concentração de Dicloroetano na Água


A detecção de traços de DCE na água, na ordem de microgramas por litro, exige tecnologia de ponta e procedimentos laboratoriais meticulosos.


Um laboratório acreditado segue um rigoroso fluxo, baseado em métodos padronizados por organizações como a US EPA, Standard Methods e ABNT.



Coleta e Preservação da Amostra


A análise começa no campo. A coleta deve seguir protocolos estritos para evitar contaminação cruzada ou perdas do analito:


  • Frascos Específicos: Utilizam-se frascos de vidro âmbar hermeticamente fechados, muitas vezes com septo de Teflon.

  • Preservação Química: A amostra é acidificada (geralmente com HCl) até pH ~2 para inibir atividade bacteriana que poderia degradar o composto.

  • Controle de Temperatura: As amostras são imediatamente refrigeradas a 4°C e transportadas em caixas isotérmicas para o laboratório, onde devem ser analisadas dentro de um prazo determinado (geralmente 14 dias).



Técnicas de Extração e Pré-Concentração


Como o DCE está presente em concentrações muito baixas, é necessário isolá-lo e concentrá-lo da matriz água:


  • Purga e Armadilha (Purge & Trap - P&T): Método mais sensível e amplamente utilizado para COVs. Um gás inerte (hélio ou nitrogênio) é borbulhado na água, "purugando" (arrastando) os compostos voláteis. Estes são então adsorvidos em uma coluna de armadilha refrigerada. Posteriormente, a coluna é aquecida rapidamente, desprendendo os compostos para o sistema de análise.

  • Microextração em Fase Sólida no Espaço de Cabeça (HS-SPME): Técnica mais moderna e que não utiliza solventes. Uma fibra revestida com um material adsorvente é exposta ao espaço de gás acima da amostra (headspace) em condições controladas de temperatura e agitação. Os voláteis são adsorvidos na fibra, que é então introduzida diretamente no injetor do equipamento para dessorção.



Separação, Detecção e Quantificação: A Cromatografia Gasosa Acoplada à Espectrometria de Massas (GC/MS)


Este é o coração da análise, o "padrão-ouro" para identificação inequívoca e quantificação precisa.


  • Cromatografia Gasosa (GC): A mistura de compostos voláteis (extraída por P&T ou SPME) é injetada em uma coluna capilar longa e fina, colocada dentro de um forno com temperatura programável. Conforme os compostos são arrastados por um gás de arraste (hélio), eles se separam baseados em suas diferentes interações com a fase estacionária da coluna e chegam ao detector em tempos distintos (tempo de retenção).

  • Espectrometria de Massas (MS): Ao sair da coluna, cada composto é ionizado e fragmentado. O espectrômetro de massas atua como um detector de alta sensibilidade que mede a relação massa/carga (m/z) desses íons, gerando um "espectro de massas" único, como uma impressão digital química.

  • Identificação e Quantificação: O analista compara o tempo de retenção e o espectro de massas da amostra com os de padrões certificados de dicloroetano. A quantificação é feita comparando a área do pico do analito na amostra com uma curva de calibração construída com concentrações conhecidas, garantindo resultados confiáveis e rastreáveis.



Controle de Qualidade Laboratorial


Um resultado só é válido se acompanhado de rigoroso controle de qualidade:


  • Branco Analítico: Água ultrapura analisada para garantir que não há contaminação do sistema ou reagentes.

  • Padrões de Calibração: Soluções de concentração conhecida para construir a curva de resposta do equipamento.

  • Padrão Interno: Um composto químico similar, mas não presente na amostra, adicionado para corrigir variações instrumentais.

  • Material de Referência Certificado (MRC) ou Teste de Recuperação: Amostras com concentração conhecida, analisadas para verificar a exatidão (precisão e acurácia) do método.

  • Limite de Detecção (LOD) e Limite de Quantificação (LOQ): Parâmetros que definem a menor concentração que o método pode detectar e quantificar com confiança, respectivamente. Para o DCE, laboratórios especializados atingem LODs na faixa de 0,1 a 0,5 µg/L.



A Necessidade da Análise Especializada e Aplicações Práticas


A análise de dicloroetano não é um procedimento de rotina simplista. É uma demanda que surge em cenários específicos, onde o risco está presente ou precisa ser afastado.



Quando Realizar a Análise?


  • Monitoramento de Áreas Contaminadas: Investigação ambiental detalhada (Investigação Confirmatória e Detalhada) em locais com histórico industrial (fábricas de plásticos, produtos químicos, desengraxantes) ou postos de combustíveis.

  • Due Diligence Ambiental: Avaliação prévia à compra ou venda de um terreno industrial, visando identificar passivos ambientais.

  • Monitoramento de Poços de Abastecimento: Empresas e comunidades que utilizam água subterrânea devem incluir COVs, como o DCE, em seus programas de monitoramento periódico, especialmente se localizadas em zonas de risco.

  • Conformidade Legal para Concessionárias: Verificação da água tratada distribuída à população, conforme exige a Portaria 888/2021.

  • Investigação de Odor e Sabor: Suspeita de contaminação por compostos orgânicos voláteis que alteram as características organolépticas da água.



Interpretação dos Resultados e Ações Subsequentes


Receber um laudo com a concentração de dicloroetano na água é o primeiro passo. Sua correta interpretação é fundamental:


  • Resultado < LOQ (Limite de Quantificação): Indica que a concentração está abaixo do menor nível que o método pode quantificar com segurança. Se também estiver abaixo do VMP, é um resultado satisfatório.

  • Resultado > VMP (0,03 mg/L): Configura inconformidade com a legislação de potabilidade. A água não é segura para consumo humano. Neste caso, é imperativo:


1. Notificação Imediata das autoridades sanitárias e dos usuários do manancial.

2. Interrupção do Uso da fonte contaminada para consumo.

3. Investigação da Fonte para identificar a origem da contaminação.

4. Planejamento de Remediação, que pode envolver tecnologias como air sparging (injeção de ar no subsolo), soil vapor extraction (extração de vapores) ou bombeamento e tratamento (pump and treat) da água subterrânea.



Conclusão: A Precisão Analítica como Alicerce da Saúde Pública


A presença do dicloroetano na água é um desafio analítico e de saúde pública que não pode ser negligenciado.


Sua detecção em níveis traço requer uma combinação de expertise técnica, equipamentos de alta sensibilidade como o GC/MS e um compromisso inabalável com os princípios da qualidade laboratorial.


A simples suspeita de contaminação exige ação fundamentada em dados concretos e irrefutáveis.


Investir em uma análise da concentração de dicloroetano na água realizada por um laboratório competente e acreditado não é apenas um custo operacional; é um investimento em segurança, conformidade legal e, acima de tudo, na proteção da vida.


Trata-se do único meio de transformar a incerteza em informação clara, permitindo a tomada de decisões responsáveis que garantam a qualidade deste recurso essencial.


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FAQ - Perguntas Frequentes sobre Dicloroetano na Água


1. Posso perceber a presença de dicloroetano na água pela aparência, cheiro ou sabor?

Não confie em seus sentidos. O dicloroetano pode estar presente em concentrações perigosas muito abaixo do limiar de detecção do olfato ou paladar humano. A única forma segura de detectá-lo é através de análise laboratorial específica.



2. Fervendo a água, eu elimino o dicloroetano?

Absolutamente não. O dicloroetano é volátil, mas fervê-lo pode, na verdade, liberar mais vapores para o ar ambiente durante o processo, criando um risco de inalação. Além disso, a técnica é ineficaz para garantir a remoção completa. Não utilize este método.



3. Filtros de carvão ativado caseiros removem dicloroetano?

Filtros de carvão ativado de boa qualidade e com manutenção rigorosa (troca no período correto) podem remover parcialmente o DCE. No entanto, para concentrações próximas ou acima do VMP, sua eficiência não é garantida. Em casos de contaminação confirmada, a solução é buscar uma fonte alternativa de água ou instalar um sistema de tratamento profissional.



4. Meu poço artesiano está em uma zona residencial, longe de indústrias. Preciso me preocupar?

O risco é menor, mas não inexistente. Contaminações podem migrar por centenas de metros no subsolo a partir de um ponto distante. Além disso, atividades anteriores no terreno (como postos de gasolina antigos ou descarte inadequado de solventes) podem ter deixado um legado contaminante. Um levantamento histórico da área e uma análise inicial são recomendações prudentes.



5. Qual a diferença entre "não detectado" e "menor que o limite de quantificação" no laudo?


  • Não Detectado (ND): Significa que o equipamento não encontrou nenhum sinal característico do dicloroetano.

  • Menor que o Limite de Quantificação (< LOQ): Indica que há um sinal, mas ele é tão fraco que não pode ser quantificado com precisão e confiança estatística. A concentração real está abaixo desse valor, que é informado no laudo. Em ambos os casos, se o LOQ for menor que o VMP, a água está em conformidade.



6. Com que frequência devo analisar a água do meu poço para dicloroetano?

Para poços de abastecimento em áreas de risco conhecido ou suspeito, recomenda-se análise semestral ou anual. Em casos de monitoramento após a identificação de contaminação, a frequência pode ser trimestral ou até mensal, conforme orientação de um profissional habilitado.





 
 
 

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