Ferro e manganês na água de poço: quando são um problema?
- Dra. Lívia Lopes
- 28 de dez. de 2025
- 7 min de leitura
Introdução
A utilização de água de poço é uma realidade amplamente difundida em residências, propriedades rurais, indústrias, estabelecimentos comerciais e serviços de saúde, especialmente em regiões onde o abastecimento público é limitado ou inexistente.
Entre os diversos parâmetros que determinam a qualidade dessa água, a presença de ferro e manganês merece atenção especial, tanto pelos impactos operacionais e estéticos quanto pelas implicações sanitárias e regulatórias.
Ferro e manganês são elementos naturalmente presentes no solo e nas formações geológicas, podendo ser dissolvidos na água subterrânea em concentrações variáveis.
Em muitos casos, sua presença não representa risco direto à saúde humana nas concentrações usualmente encontradas. No entanto, quando ocorrem em níveis elevados, esses metais podem causar uma série de problemas que vão desde alterações sensoriais da água até prejuízos em processos industriais e não conformidades frente à legislação vigente.
Do ponto de vista do consumidor, a água com excesso de ferro e manganês pode apresentar coloração amarelada ou acastanhada, sabor metálico e formação de manchas em roupas, louças e superfícies sanitárias.
Já sob a ótica institucional e industrial, esses elementos podem provocar incrustações em tubulações, corrosão de equipamentos, interferência em processos produtivos e impacto negativo na qualidade de alimentos, bebidas e produtos farmacêuticos.
Apesar de serem frequentemente tratados como parâmetros secundários, ferro e manganês ocupam posição relevante nos padrões de potabilidade, sendo monitorados por normas nacionais e internacionais.
A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece valores máximos permitidos para esses elementos, reforçando a necessidade de controle e monitoramento laboratorial, especialmente em sistemas alternativos de abastecimento, como poços artesianos e semiartesianos.
Este artigo tem como objetivo discutir de forma aprofundada a presença de ferro e manganês na água de poço, abordando seus fundamentos geológicos e químicos, os impactos sanitários e operacionais, os limites legais estabelecidos, as aplicações práticas em diferentes setores e as metodologias laboratoriais empregadas para sua determinação.
Ao final, são apresentadas reflexões sobre boas práticas de monitoramento e perspectivas futuras para o controle desses parâmetros.

Contexto Histórico e Fundamentos Teóricos
Origem do ferro e do manganês na água subterrânea
O ferro e o manganês estão entre os elementos mais abundantes da crosta terrestre. Sua presença na água subterrânea está diretamente relacionada à composição mineralógica do solo e das rochas atravessadas pelo aquífero.
Em ambientes com baixa disponibilidade de oxigênio, comuns em aquíferos profundos, esses elementos tendem a permanecer em formas solúveis, facilitando sua dissolução na água.
O ferro ocorre predominantemente nas formas ferrosa (Fe²⁺) e férrica (Fe³⁺), enquanto o manganês aparece principalmente como Mn²⁺.
A estabilidade dessas espécies químicas depende de fatores como pH, potencial de oxirredução (Eh), presença de oxigênio dissolvido e atividade microbiológica.
Processos químicos e microbiológicos envolvidos
Em águas subterrâneas anóxicas, o ferro e o manganês permanecem dissolvidos e invisíveis a olho nu. No entanto, quando a água entra em contato com o oxigênio, como ocorre durante o bombeamento ou armazenamento, esses metais podem oxidar e precipitar, formando partículas sólidas responsáveis pela coloração e turbidez da água.
Além dos processos puramente químicos, microrganismos oxidantes de ferro e manganês podem desempenhar papel importante na transformação desses elementos.
Bactérias como Gallionella e Leptothrix são capazes de oxidar ferro e manganês, formando biofilmes e depósitos gelatinosos que obstruem tubulações e sistemas hidráulicos.
Evolução do entendimento sanitário
Historicamente, ferro e manganês foram considerados apenas parâmetros estéticos, relacionados à aparência e ao sabor da água.
Com o avanço das ciências ambientais e sanitárias, passou-se a compreender que concentrações elevadas desses elementos podem gerar impactos indiretos à saúde, especialmente pela interação com outros contaminantes e pelo favorecimento da proliferação microbiana em sistemas de distribuição.
Organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) estabeleceram valores orientativos para ferro e manganês, reconhecendo a importância de seu controle no contexto da qualidade da água.
Base normativa e regulatória
No Brasil, a Portaria GM/MS nº 888/2021 define valores máximos permitidos de 0,3 mg/L para ferro e 0,1 mg/L para manganês em água destinada ao consumo humano.
Esses limites são adotados principalmente por critérios estéticos e operacionais, mas seu descumprimento caracteriza água fora do padrão de potabilidade.
Normas internacionais, como as diretrizes da OMS e regulamentações da União Europeia, seguem princípios semelhantes, reforçando a necessidade de monitoramento regular, especialmente em águas de origem subterrânea.
Importância Científica e Aplicações Práticas
Impactos no consumo humano
Embora ferro e manganês não sejam considerados altamente tóxicos nas concentrações usualmente encontradas na água de poço, a ingestão crônica de manganês em níveis elevados tem sido associada, em estudos epidemiológicos, a possíveis efeitos neurológicos, especialmente em populações vulneráveis.
Do ponto de vista prático, o maior impacto percebido pelo consumidor é a alteração sensorial da água, que frequentemente leva à rejeição do consumo e à busca por soluções alternativas, como filtros domésticos ou água engarrafada.
Problemas operacionais e industriais
Em ambientes industriais e comerciais, a presença excessiva de ferro e manganês pode causar sérios prejuízos operacionais.
A precipitação desses metais leva à formação de incrustações em tubulações, trocadores de calor, caldeiras e equipamentos, reduzindo a eficiência dos sistemas e aumentando custos de manutenção.
Na indústria de alimentos e bebidas, esses elementos podem interferir em reações químicas, alterar o sabor e a aparência dos produtos e comprometer a estabilidade microbiológica, além de gerar não conformidades em auditorias sanitárias.
Relação com outros parâmetros de qualidade da água
O ferro e o manganês podem interagir com outros contaminantes presentes na água, como sulfetos e matéria orgânica, formando compostos que intensificam odores, sabores indesejáveis e colorações. Além disso, depósitos de ferro podem servir como substrato para crescimento microbiano, favorecendo a formação de biofilmes.
Relevância para sistemas alternativos de abastecimento
Poços artesianos e semiartesianos, por não receberem tratamento convencional contínuo, exigem monitoramento rigoroso desses parâmetros. A ausência de controle pode levar à degradação progressiva da qualidade da água, muitas vezes percebida apenas quando os problemas já estão avançados.
Metodologias de Análise de Ferro e Manganês
Métodos analíticos laboratoriais
A determinação de ferro e manganês em água é realizada por métodos reconhecidos internacionalmente, como espectrofotometria de absorção molecular, espectrometria de absorção atômica (AAS) e espectrometria de emissão óptica com plasma indutivamente acoplado (ICP-OES).
Esses métodos permitem quantificação precisa mesmo em baixas concentrações, garantindo confiabilidade aos resultados apresentados em laudos técnicos.
Normas e protocolos aplicáveis
As análises seguem metodologias descritas no Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, normas ISO e protocolos validados por órgãos reguladores. A correta coleta, preservação e transporte das amostras são fundamentais para evitar alterações nos resultados.
Limitações e avanços tecnológicos
Embora os métodos atuais apresentem alta sensibilidade, fatores como oxidação durante o transporte da amostra podem interferir na quantificação. Avanços tecnológicos têm permitido análises mais rápidas e precisas, com menor limite de detecção e maior reprodutibilidade.
Considerações Finais e Perspectivas Futuras
A presença de ferro e manganês na água de poço é um fenômeno natural, mas que exige atenção técnica e monitoramento contínuo. Quando presentes em concentrações elevadas, esses elementos deixam de ser apenas um inconveniente estético e passam a representar um problema sanitário, operacional e regulatório.
A análise laboratorial periódica é a principal ferramenta para identificar, quantificar e acompanhar esses parâmetros, permitindo a adoção de medidas corretivas adequadas, como tratamentos específicos ou ajustes operacionais.
Para instituições, indústrias e consumidores, investir no controle da qualidade da água é uma decisão estratégica que impacta diretamente a saúde, a conformidade legal e a sustentabilidade dos sistemas de abastecimento.
No contexto futuro, a integração entre monitoramento analítico, tecnologias de tratamento e gestão da qualidade tende a se fortalecer, consolidando o papel da análise de ferro e manganês como parte essencial da avaliação da potabilidade da água de poço.
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Perguntas Frequentes (FAQs) – Ferro e Manganês na Água de Poço
1. A presença de ferro e manganês na água de poço é comum?
Sim. Ferro e manganês são elementos naturalmente presentes no solo e nas rochas, sendo comuns em águas subterrâneas. Sua concentração varia conforme o tipo de aquífero, profundidade do poço e condições geológicas locais.
2. Ferro e manganês oferecem risco à saúde?
Em concentrações moderadas, geralmente não representam risco imediato à saúde. No entanto, níveis elevados — especialmente de manganês — podem estar associados a efeitos adversos à saúde em exposições prolongadas, além de favorecer problemas indiretos, como crescimento microbiano em sistemas hidráulicos.
3. Quais são os sinais de excesso de ferro e manganês na água?
Os principais sinais incluem coloração amarelada ou acastanhada, manchas em roupas e louças, sabor metálico, turbidez após contato com o ar e formação de depósitos ou incrustações em tubulações e equipamentos.
4. Existe limite legal para ferro e manganês na água potável?
Sim. A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece como valores máximos permitidos 0,3 mg/L para ferro e 0,1 mg/L para manganês em água destinada ao consumo humano. Valores acima desses limites caracterizam água fora do padrão de potabilidade.
5. Ferro e manganês podem afetar processos industriais?
Sim. Em indústrias de alimentos, bebidas, farmacêuticas e outros setores, esses metais podem interferir em reações químicas, causar incrustações em equipamentos, reduzir a eficiência operacional e comprometer a qualidade do produto final.
6. Como é feita a análise de ferro e manganês na água de poço?
A análise é realizada em laboratório por métodos como espectrofotometria, absorção atômica (AAS) ou ICP-OES, seguindo normas reconhecidas internacionalmente. A coleta correta da amostra é fundamental para garantir resultados confiáveis.

