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Identificação por Cromatografia CLAE/UPLC em Fármacos e Cosméticos: como funciona essa análise?

19 de fev. de 2021
8 min de leitura

Introdução


A correta identificação das substâncias presentes em matérias-primas e produtos é uma etapa essencial do controle de qualidade nas indústrias farmacêutica e cosmética.


Afinal, antes de determinar quanto de determinado composto está presente em uma amostra, muitas vezes é necessário confirmar se a substância encontrada corresponde realmente ao componente esperado.


Entre as técnicas utilizadas para essa finalidade está a análise de Identificação por Cromatografia – CLAE/UPLC em fármacos e cosméticos, capaz de separar os diferentes componentes de uma amostra e fornecer informações que auxiliam na confirmação da identidade do analito de interesse.


A cromatografia líquida apresenta especial importância em matrizes complexas, nas quais excipientes, conservantes, ativos, produtos de degradação e outros componentes podem estar presentes simultaneamente.



O que é a identificação por CLAE/UPLC?


A CLAE (Cromatografia Líquida de Alta Eficiência) é uma técnica instrumental baseada na separação dos componentes de uma mistura por meio da interação entre uma fase móvel líquida e uma fase estacionária presente no interior de uma coluna cromatográfica.


A Farmacopeia Brasileira descreve a cromatografia líquida de alta eficiência como uma técnica de separação em que diferentes mecanismos, como partição, adsorção, troca iônica e exclusão por tamanho, podem estar envolvidos dependendo das características da fase estacionária e das substâncias analisadas.


A UPLC, ou Cromatografia Líquida de Ultra Eficiência, utiliza o mesmo princípio fundamental da cromatografia líquida, mas emprega sistemas desenvolvidos para trabalhar sob condições que podem proporcionar elevada eficiência de separação, além de permitir análises mais rápidas em determinados métodos.


Na análise de identificação, o objetivo principal não é necessariamente descobrir a concentração da substância, mas verificar se o comportamento cromatográfico da amostra é compatível com aquele esperado para o composto que se deseja identificar.


Por isso, identificação e doseamento não devem ser tratados como sinônimos.

O doseamento determina quantitativamente quanto de determinado composto está presente.


Já o ensaio de identificação busca fornecer evidências de que o composto encontrado corresponde ao analito esperado.



Como a cromatografia permite identificar uma substância?


Durante uma análise cromatográfica, a amostra é introduzida no equipamento e transportada pela fase móvel através da coluna.


Como cada componente possui diferentes propriedades físico-químicas e diferentes graus de interação com as fases móvel e estacionária, as substâncias percorrem a coluna em velocidades diferentes.


O resultado pode ser visualizado por meio de um cromatograma, no qual são registrados os sinais correspondentes aos componentes detectados.


Um dos parâmetros utilizados para auxiliar na identificação é o tempo de retenção.


Em condições analíticas definidas, determinada substância apresenta um comportamento cromatográfico característico.


Assim, uma abordagem comum é analisar uma substância química de referência ou padrão e comparar seu comportamento com o observado na amostra.


Em termos simplificados, o laboratório verifica se o sinal associado ao composto da amostra aparece em uma condição cromatográfica compatível com aquela observada para o padrão de referência.


Dependendo do método e do detector empregado, outras informações também podem contribuir para aumentar a confiabilidade da identificação.


As diretrizes atuais do ICH destacam que um ensaio de identificação deve ser capaz de reconhecer o analito de interesse com base em propriedades suficientemente características, apresentando resposta adequada para materiais que contêm o analito e evitando resultados positivos indevidos provocados por materiais semelhantes ou interferentes.



Tempo de retenção é suficiente para confirmar uma substância?


Nem sempre.

Embora a comparação do tempo de retenção seja muito utilizada em métodos cromatográficos, a interpretação deve considerar a especificidade ou seletividade do procedimento analítico.


Uma amostra farmacêutica ou cosmética pode possuir diversos componentes. Em determinadas condições, duas substâncias diferentes podem apresentar comportamento cromatográfico semelhante.


Por esse motivo, o método deve apresentar capacidade adequada de discriminar o composto de interesse de possíveis interferentes, como:

  • excipientes;

  • conservantes;

  • fragrâncias;

  • outros ativos;

  • impurezas;

  • substâncias relacionadas;

  • produtos de degradação;

  • componentes naturalmente presentes na matriz.


O ICH Q2(R2) estabelece que a especificidade ou seletividade de um procedimento pode ser demonstrada, por exemplo, verificando-se que a identificação do analito não é prejudicada pela presença de impurezas, produtos de degradação, substâncias relacionadas ou outros componentes da matriz.


Quando um único ensaio não apresenta discriminação suficiente, outras técnicas ou procedimentos complementares podem ser utilizados para fornecer maior segurança à identificação.


Essa característica é particularmente importante em formulações complexas, nas quais diversos componentes podem produzir sinais no sistema de detecção.



Qual é a importância do padrão de referência?


A utilização de materiais de referência possui papel fundamental em muitos procedimentos de identificação cromatográfica.


O padrão corresponde a uma substância com identidade e características adequadamente estabelecidas, utilizada como referência para comparação com a amostra.


Em uma análise típica, soluções da amostra e do padrão podem ser preparadas de acordo com condições previamente estabelecidas e analisadas no mesmo sistema cromatográfico.


Essa comparação ajuda a determinar se a resposta obtida para a amostra é compatível com a substância pesquisada.


A própria diretriz ICH Q2(R2) aborda a comparação com material de referência como uma das formas de demonstrar a capacidade de um procedimento de identificar corretamente o analito.


É importante destacar que as condições específicas da análise dependem do composto, da matriz, do método utilizado e dos critérios previamente estabelecidos para aquele ensaio.



Identificação cromatográfica em fármacos


No setor farmacêutico, a identidade de uma matéria-prima ou princípio ativo é um dos elementos fundamentais do controle de qualidade.


A Farmacopeia Brasileira é o código farmacêutico oficial brasileiro e estabelece requisitos mínimos relacionados à qualidade e autenticidade de insumos, medicamentos e outros produtos abrangidos por seus textos e monografias.


Em 2026, a Anvisa aprovou sua 8ª edição, que entrou em vigor em 1º de julho daquele ano.


Dependendo do produto e da monografia aplicável, métodos cromatográficos podem fazer parte dos procedimentos utilizados para identificação ou controle de determinados componentes.


A análise pode ser aplicada, por exemplo, durante avaliações de:


  • matérias-primas, para auxiliar na confirmação da identidade do material recebido;

  • insumos farmacêuticos ativos, como parte do controle de qualidade;

  • medicamentos acabados, conforme o método e a especificação aplicáveis;

  • estudos de desenvolvimento, para caracterização e acompanhamento de formulações;

  • investigações analíticas, quando é necessário verificar a presença ou identidade de um componente específico.


A escolha do procedimento deve sempre considerar a finalidade da análise, as características da substância e as referências técnicas ou regulatórias aplicáveis ao produto.



E nos produtos cosméticos?


A cromatografia também possui aplicações importantes no controle de qualidade de cosméticos.


Produtos cosméticos podem apresentar formulações bastante complexas, contendo ativos, conservantes, antioxidantes, filtros, corantes, fragrâncias e diversos outros ingredientes.


A Anvisa possui um Guia de Controle de Qualidade de Produtos Cosméticos que contempla tanto conceitos gerais de controle de qualidade quanto métodos de ensaios relacionados à identificação e ao doseamento de componentes.


O documento ressalta que os ensaios devem considerar as características particulares de cada produto.


Dependendo do objetivo do estudo, a análise cromatográfica pode auxiliar na identificação de determinados ingredientes ou substâncias de interesse presentes na formulação.


Entretanto, não existe uma única condição cromatográfica capaz de identificar indistintamente todos os componentes de qualquer cosmético.


Coluna, fase móvel, detector, preparação da amostra, concentração, temperatura, vazão e demais parâmetros precisam ser adequados às características do analito e da matriz investigada.



Por que a seletividade do método é tão importante?


Imagine uma formulação contendo dezenas de substâncias.


Se vários componentes apresentarem sinais próximos no cromatograma, uma identificação baseada simplesmente na presença de um pico poderia gerar interpretações equivocadas.


Por isso, um método adequado deve apresentar capacidade suficiente de diferenciar o analito dos demais componentes relevantes da amostra.


As diretrizes internacionais atuais para desenvolvimento e validação de procedimentos analíticos reforçam justamente essa abordagem baseada na finalidade do ensaio.


O ICH Q14 trata do desenvolvimento de procedimentos analíticos, enquanto o ICH Q2(R2) aborda características de desempenho utilizadas para demonstrar que o procedimento é adequado ao seu propósito.


Esse cuidado aumenta a confiabilidade dos resultados e reduz o risco de interpretações incorretas.



CLAE ou UPLC: qual técnica utilizar?


A escolha depende principalmente do método analítico e das características da análise.


A CLAE é amplamente utilizada nos laboratórios de controle de qualidade e possui inúmeras aplicações descritas em métodos oficiais e procedimentos desenvolvidos para diferentes substâncias.


Sistemas de ultra eficiência, por sua vez, podem permitir separações com elevada eficiência e redução do tempo de análise quando o procedimento é desenvolvido ou adaptado adequadamente.


Mais importante do que simplesmente escolher entre CLAE e UPLC é garantir que o procedimento utilizado seja tecnicamente apropriado para a substância, matriz e finalidade pretendida.


Parâmetros cromatográficos, adequabilidade do sistema, capacidade de separação e critérios de identificação devem ser avaliados conforme o método utilizado.



Quando solicitar a análise de Identificação por Cromatografia – CLAE/UPLC?


Esse tipo de análise pode ser solicitado quando existe a necessidade de verificar a identidade de determinado composto em uma matéria-prima ou produto.


Entre as possíveis aplicações estão:

  • controle de recebimento de matérias-primas;

  • confirmação da identidade de princípios ativos;

  • avaliação de componentes de produtos farmacêuticos;

  • controle de ativos ou ingredientes de cosméticos;

  • desenvolvimento e avaliação de formulações;

  • investigação de desvios de qualidade;

  • estudos comparativos;

  • atendimento a especificações técnicas ou métodos previamente estabelecidos.


Antes da execução do ensaio, é importante determinar claramente qual substância precisa ser identificada, em qual matriz e segundo qual referência ou especificação, quando aplicável.


Essas informações permitem definir o procedimento analítico mais adequado.



Conclusão


A análise de Identificação por Cromatografia – CLAE/UPLC em fármacos e cosméticos é uma importante ferramenta do controle de qualidade, permitindo avaliar o comportamento cromatográfico de substâncias e compará-lo com materiais ou critérios de referência.


Mais do que simplesmente observar a presença de um pico no cromatograma, uma identificação confiável depende de condições analíticas adequadas, seletividade do método, materiais de referência apropriados e interpretação técnica dos resultados.


Para indústrias farmacêuticas, cosméticas, fornecedores de matérias-primas e empresas envolvidas no desenvolvimento de produtos, contar com análises laboratoriais adequadamente conduzidas contribui para a avaliação da identidade e da qualidade das matérias-primas e formulações.


Nosso laboratório realiza análises de Identificação por Cromatografia CLAE/UPLC para fármacos e cosméticos, utilizando procedimentos analíticos adequados à matriz e ao objetivo da avaliação.


Entre em contato com nossa equipe para verificar a aplicabilidade da análise ao seu produto, as condições de envio da amostra e os requisitos técnicos necessários para o ensaio.



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FAQ — Perguntas frequentes


O que é a análise de identificação por CLAE/UPLC?

É um ensaio utilizado para auxiliar na confirmação da identidade de uma substância por meio de seu comportamento em um sistema de cromatografia líquida, normalmente com comparação a um material ou padrão de referência e aplicação de critérios definidos pelo método.


Identificação cromatográfica é igual a doseamento?

Não. A identificação possui caráter predominantemente qualitativo, buscando confirmar a identidade da substância. O doseamento é quantitativo e determina a quantidade ou concentração do composto presente na amostra.


O tempo de retenção confirma sozinho a identidade de uma substância?

Nem sempre. O tempo de retenção pode ser um importante parâmetro de comparação, mas a identificação deve considerar a seletividade do método e possíveis interferências da matriz. Dependendo do procedimento, outras informações ou técnicas complementares podem ser necessárias.


A análise pode ser feita em medicamentos acabados?

Sim, desde que exista um procedimento adequado à substância e à matriz analisada. A preparação da amostra e as condições cromatográficas devem ser apropriadas para separar o composto dos demais componentes da formulação.


É possível realizar a análise em cosméticos?

Sim. Dependendo do ingrediente de interesse e da composição do produto, a cromatografia líquida pode ser utilizada na identificação de substâncias presentes em produtos cosméticos.


Qual é a diferença entre CLAE e UPLC?

Ambas são técnicas de cromatografia líquida. Os sistemas de ultra eficiência trabalham com configurações que podem proporcionar maior eficiência de separação e menor tempo de análise em métodos adequadamente desenvolvidos. A escolha depende do procedimento analítico e da finalidade do ensaio.


É necessário enviar um padrão junto com a amostra?

Isso depende do método, do analito e da disponibilidade do material de referência no laboratório. Antes do envio da amostra, é recomendável confirmar com o laboratório os requisitos específicos da análise.




 
 
 

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