Por que analisar Perda por Secagem (105 °C)? Entenda a importância desse ensaio para controle de qualidade
- Enfermeira Natalia Balsalobre
- 10 de out. de 2024
- 8 min de leitura
Introdução
A análise de Perda por Secagem (105 °C) é um dos ensaios físico-químicos mais utilizados em laboratórios de controle de qualidade, indústrias alimentícias, farmacêuticas, químicas, cosméticas e ambientais.
Embora muitas pessoas associem esse procedimento apenas à determinação de umidade, sua importância vai muito além disso.
O ensaio é fundamental para garantir estabilidade, segurança, conformidade regulatória e padronização de produtos e matérias-primas.
Em diferentes segmentos industriais, a presença excessiva de água ou compostos voláteis pode comprometer a estabilidade microbiológica, reduzir a vida útil, alterar propriedades físico-químicas e até interferir na eficácia de um produto.
Por esse motivo, a determinação da perda por secagem em estufa a 105 °C tornou-se uma metodologia amplamente reconhecida por normas técnicas, farmacopéias e legislações nacionais e internacionais.
Neste artigo, você entenderá o que é a análise de Perda por Secagem (105 °C), como ela funciona, quais setores utilizam esse ensaio, quais são os riscos de não realizar esse controle e por que o suporte de um laboratório especializado é indispensável para obter resultados confiáveis.

O que é a análise de Perda por Secagem (105 °C)?
A Perda por Secagem (105 °C) é um ensaio laboratorial utilizado para determinar a quantidade de substâncias voláteis eliminadas de uma amostra após aquecimento controlado em estufa, normalmente na temperatura de 105 °C.
Na prática, o procedimento consiste em:
Pesar a amostra antes do aquecimento;
Submeter a amostra à secagem em estufa;
Remover a umidade e compostos voláteis;
Resfriar a amostra em dessecador;
Realizar nova pesagem;
Calcular a diferença de massa.
O resultado é expresso em porcentagem e representa a perda de massa sofrida durante o processo de aquecimento.
Em muitos casos, essa perda está relacionada principalmente ao teor de água presente na amostra.
Entretanto, dependendo da composição do material analisado, outros compostos voláteis também podem ser eliminados.
A metodologia é descrita em diversas referências técnicas e farmacopéicas, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária Farmacopeia Brasileira, que estabelece parâmetros para execução, temperatura, tempo e critérios de peso constante.
Por que a temperatura de 105 °C é utilizada?
A escolha da temperatura de 105 °C não ocorre de maneira aleatória. Essa faixa térmica é considerada adequada para promover evaporação eficiente da água livre e parte da água adsorvida sem provocar, na maioria das amostras, degradação significativa da matriz analisada.
Segundo referências técnicas e farmacopéicas, a faixa entre 100 °C e 105 °C é amplamente utilizada para determinação de umidade e perda por dessecação em alimentos, produtos farmacêuticos e matérias-primas industriais. (
A temperatura deve ser cuidadosamente controlada porque:
Temperaturas muito baixas podem não remover toda a umidade;
Temperaturas excessivamente altas podem degradar compostos da amostra;
Certas substâncias podem volatilizar além da água;
O superaquecimento pode gerar resultados falsamente elevados.
Em materiais sensíveis ao calor, a Farmacopeia recomenda condições especiais, como secagem sob pressão reduzida ou utilização de métodos alternativos.
Qual é a importância da Perda por Secagem no controle de qualidade?
A análise de Perda por Secagem é considerada uma ferramenta essencial de controle de qualidade porque permite avaliar diretamente características críticas da amostra relacionadas à estabilidade e conservação.
Entre os principais objetivos do ensaio estão:
Verificar teor de umidade;
Avaliar estabilidade do produto;
Garantir padronização entre lotes;
Identificar riscos microbiológicos;
Controlar armazenamento;
Atender requisitos regulatórios;
Evitar degradação precoce;
Monitorar processos produtivos.
Produtos com excesso de umidade apresentam maior probabilidade de:
Crescimento microbiano;
Formação de fungos;
Alterações sensoriais;
Empedramento;
Reações químicas indesejadas;
Redução da vida útil.
Por outro lado, um teor de umidade abaixo do esperado também pode indicar problemas de formulação, perdas no processo produtivo ou alterações estruturais importantes.
A relação entre umidade e crescimento microbiológico
Um dos motivos mais importantes para analisar Perda por Secagem (105 °C) está relacionado ao controle microbiológico.
Água disponível em excesso favorece a proliferação de:
Bactérias;
Fungos;
Leveduras;
Microrganismos deteriorantes.
Em alimentos, isso pode provocar deterioração acelerada. Em medicamentos, pode comprometer estabilidade química e segurança terapêutica.
Em cosméticos, pode favorecer contaminações que afetam diretamente o consumidor.
A umidade também interfere na atividade de água do produto, um parâmetro extremamente relevante para prever estabilidade microbiológica.
Por isso, a análise de perda por secagem frequentemente integra programas de Boas Práticas de Fabricação (BPF) e sistemas de qualidade industrial.
Aplicações da análise em diferentes setores industriais
A Perda por Secagem (105 °C) possui aplicações amplas em diversos segmentos.
Indústria alimentícia
Na área de alimentos, o ensaio é utilizado para:
Controle de farinhas;
Grãos;
Leite em pó;
Condimentos;
Açúcares;
Produtos desidratados;
Rações;
Ingredientes alimentícios.
A determinação correta da umidade influencia:
Conservação;
Textura;
Peso comercial;
Rotulagem;
Estabilidade.
As normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz destacam que todos os alimentos contêm água em maior ou menor proporção e que a determinação da umidade é fundamental para avaliação da qualidade.
Indústria farmacêutica
No setor farmacêutico, a análise é amplamente aplicada em:
Fármacos;
Insumos farmacêuticos ativos;
Cápsulas;
Comprimidos;
Fitoterápicos;
Excipientes.
A Farmacopeia Brasileira estabelece critérios específicos para determinação da perda por dessecação e controle de peso constante.
Nesse segmento, a presença excessiva de umidade pode causar:
Degradação química;
Hidrólise;
Alteração de potência;
Mudança de aparência;
Instabilidade terapêutica.
Indústria cosmética
Em cosméticos, o ensaio auxilia no controle de:
Pós faciais;
Máscaras;
Argilas;
Matérias-primas vegetais;
Produtos secos;
Formulações higroscópicas.
O controle adequado da umidade é importante para evitar:
Alterações de viscosidade;
Formação de grumos;
Instabilidade física;
Contaminação microbiológica.
Indústria química
Na indústria química, a análise de perda por secagem é usada em:
Sais;
Resinas;
Pigmentos;
Catalisadores;
Fertilizantes;
Compostos minerais.
A umidade excessiva pode interferir em reações químicas, estabilidade de armazenamento e desempenho industrial.
Como o ensaio é realizado em laboratório?
Embora existam variações metodológicas conforme a matriz analisada, o procedimento tradicional segue etapas padronizadas.
1. Preparação da amostra
A amostra deve ser homogeneizada adequadamente para garantir representatividade analítica.
Dependendo do material, pode ser necessário:
Trituração;
Redução granulométrica;
Homogeneização;
Pré-secagem.
2. Pesagem inicial
A massa da amostra é determinada em balança analítica de alta precisão.
A Farmacopeia recomenda geralmente amostras entre 1 g e 2 g para muitos ensaios.
3. Secagem em estufa
A amostra é submetida à temperatura controlada, normalmente 105 °C.
O tempo de secagem pode variar conforme:
Tipo da amostra;
Granulometria;
Quantidade de água;
Norma aplicada.
4. Resfriamento em dessecador
Após a secagem, a amostra deve ser resfriada em dessecador para evitar reabsorção de umidade atmosférica.
5. Pesagem final
Realiza-se nova pesagem para cálculo da perda de massa.
Quando necessário, o processo é repetido até atingir “peso constante”, condição prevista em normas farmacopéicas.
Diferença entre Perda por Secagem e teor de umidade
Embora muitas vezes utilizados como sinônimos, os conceitos não são exatamente iguais.
Teor de umidade
Refere-se especificamente à quantidade de água presente na amostra.
Perda por secagem
Representa toda substância volátil eliminada durante o aquecimento, incluindo:
Água;
Solventes residuais;
Compostos orgânicos voláteis;
Outros constituintes evaporáveis.
Essa diferença é extremamente importante em materiais complexos.
O que pode interferir no resultado da análise?
Diversos fatores podem comprometer a precisão do ensaio.
Temperatura inadequada
Temperaturas excessivas podem provocar degradação térmica da amostra.
Tempo insuficiente
Secagem incompleta gera resultados subestimados.
Má homogeneização
Amostras heterogêneas comprometem representatividade.
Reabsorção de umidade
Sem uso adequado de dessecador, a amostra pode absorver água do ambiente antes da pesagem final.
Equipamentos descalibrados
Balanças e estufas sem calibração adequada afetam diretamente a confiabilidade analítica.
A importância da calibração e rastreabilidade
Em laboratórios especializados, a qualidade do resultado depende não apenas da metodologia, mas também da infraestrutura analítica.
Boas práticas laboratoriais incluem:
Calibração periódica;
Controle metrológico;
Validação de métodos;
Controle ambiental;
Treinamento técnico;
Rastreabilidade documental.
Esses fatores garantem repetibilidade e confiabilidade dos resultados.
Métodos alternativos à secagem convencional
Além da estufa tradicional, existem outras tecnologias para determinação de perda por secagem e umidade.
Balança termogravimétrica
Permite aquecimento e pesagem simultânea.
Infravermelho
Método mais rápido para determinadas aplicações.
Lâmpada halógena
Muito utilizada em controle de processo industrial.
A Farmacopeia Brasileira reconhece metodologias utilizando balanças infravermelho e sistemas termogravimétricos em determinadas aplicações.
Por que empresas precisam monitorar a Perda por Secagem?
A análise não deve ser vista apenas como exigência regulatória. Ela é uma ferramenta estratégica para gestão da qualidade.
Entre os principais benefícios estão:
Redução de perdas;
Maior estabilidade do produto;
Segurança do consumidor;
Padronização produtiva;
Redução de devoluções;
Controle de shelf life;
Conformidade normativa;
Controle de fornecedores.
Impacto econômico da umidade inadequada
O teor de umidade afeta diretamente custos industriais.
Excesso de água pode significar:
Maior peso comercial indevido;
Alterações logísticas;
Redução da vida útil;
Aumento de perdas.
Já produtos excessivamente secos podem:
Sofrer alterações físicas;
Perder propriedades funcionais;
Comprometer rendimento industrial.
Por isso, o controle analítico adequado reduz prejuízos e melhora a eficiência operacional.
Normas e referências utilizadas
A determinação da perda por secagem é baseada em referências técnicas reconhecidas nacional e internacionalmente.
Entre elas:
Farmacopeia Brasileira;
Métodos do Instituto Adolfo Lutz;
Procedimentos AOAC;
Normas ISO;
Procedimentos internos validados.
A Farmacopeia estabelece critérios específicos para:
Peso constante;
Condições de secagem;
Faixa de temperatura;
Tipos de equipamento;
Controle de atmosfera.
Quais amostras podem ser analisadas?
O ensaio pode ser aplicado em uma enorme variedade de materiais.
Exemplos:
Alimentos;
Insumos farmacêuticos;
Drogas vegetais;
Cosméticos;
Fertilizantes;
Minerais;
Produtos químicos;
Resinas;
Pós industriais;
Produtos agrícolas.
Cada matriz exige avaliação técnica específica para definição das melhores condições analíticas.
Quando a análise deve ser realizada?
A Perda por Secagem pode ser aplicada em diferentes etapas do processo produtivo.
Controle de recebimento
Avalia qualidade da matéria-prima.
Controle em processo
Monitora eficiência produtiva.
Produto final
Confirma conformidade com especificações técnicas.
Estudos de estabilidade
Avalia comportamento do produto ao longo do tempo.
O papel do laboratório especializado
A escolha de um laboratório qualificado é essencial para garantir resultados confiáveis e tecnicamente defensáveis.
Um laboratório especializado oferece:
Equipe técnica capacitada;
Equipamentos calibrados;
Procedimentos validados;
Rastreabilidade analítica;
Atendimento às normas regulatórias;
Emissão de laudos técnicos confiáveis.
Além disso, profissionais experientes conseguem interpretar resultados de maneira mais precisa, identificando possíveis interferências analíticas e orientando o cliente adequadamente.
Conclusão
A análise de Perda por Secagem (105 °C) é muito mais do que um simples teste de umidade.
Trata-se de um ensaio fundamental para garantir qualidade, estabilidade, segurança e conformidade regulatória em diferentes segmentos industriais.
O controle adequado da perda de massa após aquecimento permite identificar excesso de umidade, presença de substâncias voláteis e possíveis falhas de processo que poderiam comprometer o desempenho e a conservação do produto.
Indústrias alimentícias, farmacêuticas, cosméticas e químicas dependem desse ensaio para assegurar padronização e atender requisitos técnicos cada vez mais rigorosos.
Por isso, contar com um laboratório especializado na realização da análise de Perda por Secagem (105 °C) é essencial para obter resultados confiáveis, rastreáveis e alinhados às exigências normativas atuais.
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FAQ — Perguntas Frequentes
O que é Perda por Secagem (105 °C)?
É um ensaio laboratorial que determina a perda de massa de uma amostra após aquecimento em estufa a 105 °C, geralmente relacionada à eliminação de água e substâncias voláteis.
A Perda por Secagem mede apenas água?
Não. O ensaio pode remover outros compostos voláteis além da água, dependendo da composição da amostra.
Por que a temperatura de 105 °C é utilizada?
Porque essa faixa permite remover umidade de forma eficiente sem degradar significativamente a maioria das amostras analisadas.
Qual a diferença entre umidade e perda por secagem?
Umidade refere-se especificamente à água presente na amostra. Já a perda por secagem inclui toda substância volátil eliminada durante o aquecimento.
Quais indústrias utilizam essa análise?
Indústrias alimentícias, farmacêuticas, cosméticas, químicas, agrícolas e ambientais utilizam amplamente esse ensaio.
A análise de Perda por Secagem é obrigatória?
Em muitos segmentos regulados, sim. Diversas normas e farmacopéias exigem esse controle para matérias-primas e produtos acabados.
O que significa peso constante?
Significa que duas pesagens consecutivas apresentam diferença mínima, indicando que a secagem foi concluída adequadamente.
Quais equipamentos são utilizados?
Os principais equipamentos são:
Estufa de secagem;
Balança analítica;
Dessecador;
Balança termogravimétrica;
Sistemas infravermelho ou halógenos.





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