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Por que analisar Perda por Secagem (105 °C): fundamentos, aplicações e a importância desse ensaio para a qualidade de materiais

Introdução


Em qualquer laboratório de controle de qualidade, existe um momento sempre repetido, mas nem sempre compreendido em sua totalidade por quem está de fora: a pesagem de uma amostra antes e depois de submetê-la ao calor.


Esse gesto aparentemente simples carrega uma pergunta fundamental – será que este material contém substâncias voláteis, especialmente água, que podem comprometer sua estabilidade, eficácia ou segurança?


A perda por secagem a 105 °C é uma das análises mais antigas e, ao mesmo tempo, mais indispensáveis da química analítica.


Ela responde a uma questão prática: quanto do peso de uma amostra se perde quando a aquecemos até uma temperatura padrão, mantendo-a ali por um tempo suficiente para que toda a umidade e outros compostos voláteis (como solventes residuais) se desprendam?


Para o público em geral, o tema pode soar excessivamente técnico. No entanto, qualquer pessoa já foi impactada pelos resultados desse ensaio sem saber.


Quando um xarope infantil perde eficácia antes do prazo de validade – pode ser umidade mal controlada.


Quando um comprimido se desmancha na embalagem por ter absorvido água do ar – mesma causa.


Quando um alimento industrializado mofa antes do esperado – novamente, a água livre em excesso está envolvida.


A temperatura de 105 °C não foi escolhida ao acaso. Ela representa um equilíbrio: é alta o bastante para remover praticamente toda a água livre e parte da água de hidratação menos retida, mas baixa o bastante para evitar a decomposição da maioria dos materiais orgânicos.


É um padrão consagrado por décadas de uso em farmacopeias, normas ISO, métodos ASTM e regulamentações sanitárias ao redor do mundo.


Este post foi pensado para quem deseja entender, de forma clara e aprofundada, por que a análise de perda por secagem a 105 °C é tão relevante.


Vamos percorrer os fundamentos, as aplicações práticas em diferentes setores, o passo a passo metodológico, os cuidados que um bom laboratório precisa ter e, finalmente, como interpretar os resultados.


Ao final, você verá por que contar com um laboratório especializado faz toda a diferença – e como isso pode proteger a qualidade do seu produto ou insumo.


Vamos começar pelo básico: o que exatamente acontece dentro da estufa?



Fundamentos da Perda por Secagem


O que é perda por secagem?


Perda por secagem (também conhecida pela sigla loss on drying – LOD) é a quantidade de massa que uma substância perde quando aquecida sob condições específicas de temperatura, tempo e pressão (normalmente pressão ambiente).


Essa perda corresponde, majoritariamente, à água presente na amostra, mas também pode incluir álcoois, solventes orgânicos residuais, ácidos voláteis ou outros compostos que evaporam a 105 °C.


Parece simples, mas há uma armadilha conceitual que muita gente ignora: perda por secagem não é sinônimo de teor de água.


Por quê? Porque o aquecimento pode decompor parcialmente certos materiais (como açúcares, que começam a caramelizar e perder peso por degradação) ou remover água de hidratação de cristais (como o sulfato de cobre pentahidratado, que perde água em etapas, mesmo acima de 100 °C).


Por isso, quando falamos em controle de qualidade, tratamos a perda por secagem como um parâmetro próprio – e não como uma medida direta de umidade absoluta, a menos que o método tenha sido validado para essa equivalência.



Por que 105 °C?


A temperatura de 105 °C não é um valor mágico, mas é o resultado de um consenso técnico-histórico.


Para entender, pense na água pura: ela ferve a 100 °C ao nível do mar. Para garantir que a água livre seja removida de forma eficiente mesmo no interior de partículas sólidas ou em matrizes viscosas, adota-se uma pequena margem de segurança – daí 105 °C.


Porém, há outro aspecto crucial: materiais biológicos, fármacos, polímeros e muitos produtos alimentícios começam a se decompor visivelmente acima de 110 °C ou 120 °C.


Se usássemos 150 °C, teríamos perda de massa por oxidação, pirólise ou evaporação de componentes que não são água (como óleos essenciais).


A 105 °C, o dano térmico à estrutura molecular do material é mínimo para a grande maioria das substâncias.


Por isso, a Farmacopeia Brasileira, a Farmacopeia Americana (USP) e a Farmacopeia Europeia (EP) padronizam 105 °C como temperatura de rotina para perda por secagem, a menos que haja justificativa técnica para outra temperatura (ex.: 80 °C para produtos termolábeis).



Água livre × água de constituição


Quem já estudou química geral lembra da diferença entre água adsorvida (ou livre) e água de hidratação.


A água livre é aquela que está fracamente ligada à superfície das partículas ou dissolvida na matriz – evapora entre 60 e 100 °C.


A água de constituição (ou água de cristalização) faz parte da estrutura cristalina de certos sais e complexos; para removê-la, são necessárias temperaturas muito mais altas, muitas vezes acima de 200 °C ou 300 °C.


A 105 °C, normalmente removemos apenas água livre e parte da água de hidratação menos retida.


Para fármacos, alimentos e cosméticos, isso é exatamente o que importa: a água livre é a que favorece reações de hidrólise, crescimento microbiano e alterações de textura.


A água de constituição, quando presente, geralmente é inofensiva – o que não significa que não precise ser controlada, mas aí outros métodos entram em cena (como termogravimetria com rampa de temperatura ou Karl Fischer para água total).



O princípio termogravimétrico simplificado


Imagine que você tem 5 gramas de um pó fino. Coloca essa amostra em um cadinho de vidro ou alumínio previamente tarado (pesado vazio).


Leva à estufa a 105 °C. Ali dentro, a energia térmica agita as moléculas de água, rompendo as interações intermoleculares com a superfície sólida.


A água evapora, e o vapor é removido pela circulação de ar (natural ou forçada) da estufa.


Após um período determinado – geralmente de 2 a 4 horas, ou até peso constante (isto é, até que duas pesagens sucessivas não difiram em mais de 0,5 mg) – retira-se o cadinho, coloca-se em um dessecador para resfriar em ambiente sem umidade e pesa-se novamente. A perda percentual é calculada assim:


Perda por secagem (%) = [(massa inicial – massa final) / massa inicial] × 100


Por exemplo: amostra inicial com 2,5000 g; após secagem, 2,4250 g. Perda = (0,0750 / 2,5000) × 100 = 3,00%.


Parece elementar, certo? É. Mas o diabo mora nos detalhes: a temperatura real dentro da estufa pode não ser exatamente 105 °C se o equipamento não for calibrado; o dessecador pode estar com sílica-gel saturada, deixando passar umidade; a balança analítica precisa ter resolução de 0,1 mg; o tempo de secagem deve ser adequado à natureza da amostra.


Um bom laboratório conhece essas armadilhas – e é por isso que os resultados de ensaios mal feitos não servem para nada, ou pior, induzem decisões erradas.



Aplicações práticas em diferentes setores


A análise de perda por secagem a 105 °C não é uma exclusividade de um único ramo.


Ela atravessa indústrias, muitas vezes com o mesmo propósito básico: garantir que o teor de voláteis esteja dentro de especificações pré-definidas. Vamos explorar os principais setores onde esse ensaio é rotina.



Indústria farmacêutica


Dentro de uma farmacopeia, os monografias de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) e excipientes quase sempre trazem um limite máximo para perda por secagem.


Um exemplo clássico: a lactose monoidratada, amplamente usada como diluente em comprimidos, deve apresentar perda por secagem entre 0,5% e 1,0% (valores típicos).


Se a lactose tiver umidade acima disso, os comprimidos podem se tornar moles ou, ao contrário, duros demais por recristalização durante a compressão.


Outro caso: a aspirina (ácido acetilsalicílico) hidrolisa na presença de água, formando ácido salicílico e ácido acético – este último dá aquele odor característico de vinagre quando o medicamento está degradado.


Controlando a perda por secagem abaixo de 0,5%, a estabilidade é garantida por todo o prazo de validade.


Cápsulas, drágeas, pós para suspensão oral, cremes e pomadas também são avaliados.


Nos semi-sólidos, a perda por secagem a 105 °C ajuda a detectar excesso de água ou solventes, o que pode alterar a consistência e a liberação do fármaco.



Alimentos e bebidas


Quem trabalha com farinhas, amidos, achocolatados, leite em pó, café solúvel, especiarias e cereais matinais sabe: a umidade é um dos parâmetros mais críticos para a vida de prateleira.


Um leite em pó com mais de 4% de umidade pode empedrar, escurecer (reação de Maillard acelerada) e sofrer oxidação lipídica mais rapidamente.


A perda por secagem a 105 °C, nesse contexto, é o método oficial em muitas normas da ANVISA e do Ministério da Agricultura.


Mas atenção: nem sempre 105 °C é aplicável diretamente em alimentos ricos em açúcares.


A sacarose, por exemplo, começa a perder água de constituição e a caramelizar acima de 105 °C se mantida por muito tempo.


Nesses casos, ou se reduz a temperatura (ex.: 70 °C sob vácuo) ou se adota métodos alternativos como a destilação com tolueno.


Porém, para a maioria dos alimentos não extremamente açucarados ou gordurosos, o ensaio a 105 °C é perfeitamente viável.



Cosméticos e produtos de higiene


Shampoos, condicionadores, cremes, loções, hidratantes, bases e pós faciais também têm especificações de perda por secagem.


No caso de produtos líquidos ou emulsionados, a análise pode ser feita após pré-secagem em areia ou em suporte inerte – o laboratório pesa uma quantidade conhecida de amostra junto com areia lavada e calcinada, seca a 105 °C e calcula o resíduo seco.


Por que isso importa? Porque o consumidor espera que o produto mantenha sua textura e desempenho.


Um hidratante com excesso de umidade pode ficar ralo, separar fases ou servir como meio para proliferação de fungos e bactérias.


Além disso, o rótulo declara uma certa concentração de ativos – a água livre dilui esses ativos se estiver acima do esperado.



Química fina, polímeros e insumos industriais


Resinas, pigmentos, cargas minerais (como caulim e carbonato de cálcio), polímeros em pó (como PVC, polietileno, polipropileno), aditivos e antioxidantes – todos esses materiais têm especificações de perda por secagem para garantir processo.


No beneficiamento de plásticos, por exemplo, a umidade em pellets pode causar bolhas, estrias e perda de propriedades mecânicas durante a extrusão ou injeção.


A perda por secagem a 105 °C é o ensaio de triagem rápido antes de liberar o lote para produção.



Produtos para saúde e matérias-primas farmacêuticas


Soluções orais, xaropes, elixires, enxaguantes bucais, sprays nasais – todos têm formulação baseada em água ou solventes.


A perda por secagem nesses casos é aplicada após evaporação da água em estufa, restando o extrato seco.


Os valores típicos podem variar de 0,2% a 10%, dependendo da forma farmacêutica.


Para xaropes infantis, um extrato seco muito alto pode indicar cristalização do açúcar; muito baixo, falta de princípio ativo.



Metodologia analítica e cuidados essenciais


Agora que já sabemos o que é e para que serve a perda por secagem a 105 °C, vamos ao procedimento prático.


Se você nunca entrou em um laboratório analítico, não se preocupe – vamos descrever cada etapa de forma clara.


Se você já atua na área, esta seção pode servir como um checklist de boas práticas.



Materiais necessários


  • Balança analítica com resolução de 0,1 mg (leitura de 4 casas decimais em gramas)

  • Estufa de circulação de ar (natural ou forçada) com controle de temperatura preciso e calibrado (ideal: ±1 °C a 105 °C)

  • Dessecador (recipiente hermético com sílica-gel indicadora de umidade ou outro dessecante)

  • Cadinhos ou cápsulas de porcelana, alumínio, vidro ou aço inoxidável (inertes à amostra)

  • Pinças metálicas ou luvas térmicas

  • Espátula

  • Termômetro de referência (opcional, mas recomendado para verificação periódica)



Procedimento passo a passo


Preparo do cadinho: Lave, enxágue, seque e leve o cadinho vazio à estufa a 105 °C por 30 minutos.


Deixe esfriar no dessecador até a temperatura ambiente (cerca de 30 a 40 minutos). Pese exatamente (anote o peso como M0).


  • Pesagem da amostra: Adicione ao cadinho de 1 a 5 gramas da amostra (dependendo da homogeneidade e densidade). Pese o conjunto e obtenha M1 (cadinho + amostra úmida). A massa da amostra será M1 – M0.


  • Secagem: Coloque o cadinho aberto na estufa a 105 °C. Mantenha por tempo suficiente para peso constante. O que isso significa? Normalmente, de 2 a 4 horas para materiais comuns, ou até que duas pesagens consecutivas com intervalo de 1 hora difiram em menos de 0,5 mg. Para a maioria dos ensaios de rotina, adota-se um tempo fixo (ex.: 3 horas) previamente validado.


  • Resfriamento e pesagem final: Após a secagem, feche parcialmente a porta da estufa, aguarde 5 minutos para estabilização da temperatura interna (opcional), remova o cadinho com a pinça e coloque imediatamente no dessecador. Espere esfriar completamente – nunca pese quente, pois a convecção do ar quente no interior da balança gera leituras instáveis e falsamente menores. Pese o conjunto e anote M2.


Cálculo: Conforme a fórmula já apresentada.



Erros comuns que invalidam o resultado


A experiência prática de quem já trabalhou com controle de qualidade mostra que alguns erros se repetem com frequência. Vale listá-los:


  • Cadinho retirado do dessecador antes do resfriamento completo – o resultado é perda aparente menor, porque o ar quente diminui a leitura da balança.


  • Dessecador com sílica-gel saturada – a sílica saturada não absorve mais umidade; então, ao resfriar, a amostra seca reabsorve água do ar dentro do dessecador, aumentando o peso final e reduzindo falsamente a perda por secagem.


  • Estufa superlotada – sem circulação de ar adequada, a temperatura pode ser desigual e o tempo de secagem, insuficiente.


  • Amostra muito espessa – uma camada grossa de pó retém umidade no fundo, mesmo após horas de secagem. O ideal é espalhar a amostra em camada fina (máximo 1 cm de altura).


  • Pesagem sem estabilização da balança – balanças analíticas sensíveis exigem alguns segundos para estabilizar; anotar o primeiro valor que aparece gera erros de até 0,5 mg, que para amostras pequenas podem representar 0,1% ou mais.



Validação e controle de qualidade do método


Um laboratório sério não realiza a perda por secagem de qualquer jeito. O método deve ser validado considerando:


  • Especificidade: outros componentes voláteis que não água serão co-extraídos? É aceitável para o objetivo do controle?


  • Precisão (repetibilidade): se um mesmo analista preparar 6 amostras de um mesmo lote em condições idênticas, o desvio padrão relativo deve ser ≤ 2%.


  • Precisão intermediária: outro analista, outro dia, mesma amostra – resultados devem ser estatisticamente equivalentes.


  • Limite de quantificação: em geral, considera-se que perdas abaixo de 0,1% já são quantificáveis com segurança.



Interpretação de resultados e limites regulatórios


Você recebeu o laudo do laboratório. Lá está escrito: “Perda por secagem a 105 °C: 1,24%”. Esse número é bom ou ruim? Depende do material e da especificação acordada ou da farmacopeia de referência.



Como ler um laudo típico

Um laudo competente deve informar:


  • Método utilizado (ex.: Farmacopeia Brasileira 5ª ed., método geral 5.2.9)

  • Temperatura (105 °C ± 2 °C)

  • Tempo de secagem (ex.: 3 horas)

  • Massa inicial da amostra em gramas

  • Massa final após secagem

  • Resultado em porcentagem (m/m – massa por massa)

  • Incerteza de medição (ex.: ±0,08%)

  • Critério de aceitação (especificação do cliente ou regulamentação)


Exemplo prático: para um lote de amido de milho destinado a comprimidos, a especificação pode ser “perda por secagem ≤ 14,0%”. Um resultado de 13,2% está dentro. Se desse 14,8%, o lote seria reprovado.



Impacto da umidade além da estabilidade


A perda por secagem elevada não afeta apenas a validade química. Ela pode:


  • Alterar o peso médio de formas farmacêuticas sólidas – comprimidos com muita umidade tornam-se mais pesados após absorção de água, podendo cair fora da faixa permitida.


  • Reduzir a fluidez de pós – pós úmidos formam pontes líquidas entre partículas, grudam em funis e equipamentos de envase.


  • Promover o crescimento microbiano – água livre é o fator limitante mais importante para fungos e bactérias. Acima de 10% de umidade, muitos produtos correm risco.


  • Acionar reações indesejadas – hidrólise de ésteres, amidas, lactonas; oxidação de lipídios; degradação de vitaminas.



Regulamentações que exigem perda por secagem


No Brasil, a ANVISA (RDC 166/2017 e suas atualizações) exige que os laboratórios farmacêuticos realizem o controle de perda por secagem para insumos e produtos acabados quando aplicável.


Para alimentos, a Instrução Normativa nº 60, de 2019, estabelece parâmetros de umidade.


Para cosméticos, a RDC 07/2015 remete às boas práticas de fabricação, onde a perda por secagem é parte dos ensaios físico-químicos.


Internacionalmente, a USP, a EP, a Farmacopeia Japonesa e a ISO (em várias de suas normas, como a ISO 787-2 para pigmentos e cargas) padronizam o método.



Conclusão


Ao longo deste post, percorremos um caminho que começou na definição mais básica da perda por secagem a 105 °C e chegou até os detalhes de validação e impacto regulatório.


Vimos que esse ensaio, apesar de simples em sua essência – pesar, secar, pesar novamente –, exige conhecimento técnico, equipamentos calibrados e profissionais treinados para que os resultados sejam confiáveis e reprodutíveis.


A temperatura de 105 °C, longe de ser um valor aleatório, representa uma convenção sólida baseada na física da evaporação da água e na termoestabilidade da maioria dos materiais de interesse industrial.


Ela permite separar a umidade livre (aquela que realmente causa problemas de estabilidade, microbiologia e processamento) da água de constituição, sem degradar o produto.


Os setores farmacêutico, alimentício, cosmético, químico e de polímeros dependem dessa análise diariamente.


Um simples desvio na perda por secagem pode significar a diferença entre um produto que cumpre seu prazo de validade e outro que se degrada prematuramente, gerando prejuízos financeiros, riscos à saúde do consumidor e danos à reputação da marca.


No entanto, não basta realizar o ensaio. É necessário realizá-lo bem. E é aí que a escolha do laboratório parceiro faz toda a diferença.



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FAQ (Perguntas Frequentes)


1. A perda por secagem a 105 °C é o mesmo que teor de umidade?

Não exatamente. A perda por secagem mede toda a perda de massa por volatilização a 105 °C, incluindo água e outros compostos voláteis (solventes, álcoois, ácidos fracos). O teor de umidade, em sentido estrito, refere-se apenas à água. Para materiais que não contêm outros voláteis, os dois valores coincidem, mas nem sempre.


2. Quanto tempo dura o ensaio de perda por secagem?

Depende da amostra. Materiais porosos e com alta umidade podem exigir 3 a 4 horas. Alguns produtos farmacêuticos, quando validados, usam tempos fixos de 2 horas. O critério mais rigoroso é “até peso constante”, que pode levar de 4 a 6 horas para substâncias de difícil secagem.


3. O que fazer se a amostra escurecer ou caramelizar a 105 °C?

Isso indica que a temperatura está provocando degradação. Nesse caso, o método a 105 °C não é apropriado. Deve-se reduzir a temperatura (ex.: 70 °C sob vácuo) ou utilizar outro método, como Karl Fischer para água ou destilação com solvente imiscível.


4. Posso secar minha amostra no micro-ondas para agilizar o ensaio?

Micro-ondas domésticos não oferecem controle de temperatura preciso nem uniformidade de aquecimento. Existem balanças de umidade por infravermelho que fornecem resultados correlacionados com estufa, mas elas devem ser validadas caso a caso. Para fins regulatórios e laudos oficiais, o método de estufa a 105 °C ainda é o padrão ouro.


5. Qual a incerteza típica desse ensaio?

Uma boa prática laboratorial alcança incertezas entre 0,05% e 0,2% (absoluto) para perdas na faixa de 1% a 10%. Para valores muito baixos (abaixo de 0,5%), a incerteza relativa pode ser maior. O laudo deve sempre informar a incerteza expandida.


6. É possível fazer perda por secagem em líquidos?

Sim. Para líquidos (xaropes, soluções, suspensões), pesa-se a amostra com areia ou suporte inerte e seca-se a 105 °C. O cálculo é feito sobre a massa do líquido original, obtendo-se o resíduo seco. O complemento desse resíduo (100% – % resíduo seco) é a perda por secagem, mas nesse contexto costuma-se falar em “extrato seco”.


7. O laboratório precisa ser acreditado para emitir laudos de perda por secagem?

Não é obrigatório por lei para todos os casos, mas para indústrias farmacêuticas e alimentícias reguladas, a acreditação ISO 17025 agrega confiabilidade jurídica e técnica. Muitos clientes exigem laudos com rastreabilidade e incerteza calculada.




 
 
 

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