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Análise da Concentração de Tetracloroeteno na Água: Um Guia Técnico e Acessível

Introdução


A qualidade da água é um pilar fundamental para a saúde pública e a sustentabilidade ambiental.


Entre os diversos parâmetros monitorados, a presença de compostos orgânicos voláteis (COVs) merece especial atenção, dado o seu potencial tóxico.


O tetracloroeteno (PCE), também conhecido como percloroetileno, destaca-se como um contaminante de significativa preocupação.


Este solvente industrial, amplamente utilizado em décadas passadas, possui uma persistência notável no ambiente, especialmente em aquíferos subterrâneos.


Sua análise precisa não é apenas uma exigência normativa, mas um ato de proteção à saúde coletiva e ao ecossistema.


Neste artigo, abordaremos de forma detalhada, mas acessível, os fundamentos, os métodos e a importância crítica da análise da concentração de tetracloroeteno na água.


Nosso objetivo é esclarecer os aspectos técnicos deste procedimento essencial, elucidando desde os riscos associados à contaminação até as metodologias analíticas de última geração empregadas em laboratórios de alta credibilidade.



O Tetracloroeteno (PCE) – Origem, Riscos e Regulamentação


O tetracloroeteno (C₂Cl₄) é um hidrocarboneto clorado, um líquido incolor e volátil, com odor característico adocicado.


Historicamente, seu uso mais emblemático foi nas operações de limpeza a seco, mas sua aplicação estendeu-se a desengraxamento de metais, na indústria têxtil e como intermediário químico.


A via principal de contaminação hídrica é a lixiviação a partir de solos contaminados por descarte inadequado, vazamentos de tanques de armazenamento subterrâneos ou acidentes operacionais.


Devido à sua densidade maior que a da água (é um DNAPL – Dense Non-Aqueous Phase Liquid) e baixa solubilidade, o PCE tende a migrar para as profundezas do subsolo, formando fontes de contaminação persistentes e de difícil remediação, que podem liberar o composto para as águas subterrâneas por décadas.



Riscos à Saúde e ao Meio Ambiente


  • Saúde Humana: A exposição ao PCE, principalmente via inalação de vapores ou ingestão de água contaminada, está associada a efeitos adversos. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classifica o tetracloroeteno como provavelmente carcinogênico para humanos (Grupo 2A). Além do risco carcinogênico potencial, a exposição aguda ou crônica pode afetar o sistema nervoso central (causando tonturas, dor de cabeça e disfunção cognitiva), o fígado e os rins.

  • Ecossistemas: É tóxico para a vida aquática, com efeitos crônicos em organismos mesmo em baixas concentrações, podendo bioacumular na cadeia alimentar.



Regulamentação no Brasil


A Portaria GM/MS Nº 888, de 4 de maio de 2021, que estabelece os padrões de potabilidade da água no Brasil, define o Valor Máximo Permitido (VMP) para o tetracloroeteno em 30 µg/L (microgramas por litro).


Este limite rigoroso, alinhado com diretrizes internacionais como as da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (USEPA), sublinha a necessidade de monitoramento preciso e confiável.


A não conformidade com este padrão exige notificação imediata às autoridades e a implementação de ações corretivas.



Fundamentos da Análise: Do Coletor ao Cromatógrafo


A determinação precisa de traços de PCE na água — na casa dos microgramas por litro — exige uma cadeia analítica robusta, que se inicia muito antes da amostra chegar ao equipamento. Esta seção descreve os pilares metodológicos.



Coleta e Preservação da Amostra


A análise mais sofisticada pode ser invalidada por uma coleta inadequada. Para o PCE, que é volátil, o protocolo é crítico:


  • Frascos: Utilizam-se frascos de vidro âmbar com septo de teflon/sílica, preenchidos completamente (sem bolhas de ar) para minimizar a perda por volatilização ("headspace").

  • Preservação: A acidificação da amostra (com HCl) não é comum para PCE, mas a refrigeração a 4°C é obrigatória. O tempo entre coleta e análise deve ser o mais curto possível, conforme especificado no método.

  • Controle de Qualidade: É imperativa a coleta de amostras em branco de campo e duplicatas para garantir que a amostra representa a condição real do ponto de coleta.



Técnicas de Extração e Pré-Concentração


Como a concentração alvo é muito baixa, é necessário isolar e concentrar o analito da matriz aquosa.


  • Purga e Armadilha (Purge and Trap - P&T): Método de eleição para COVs. Um gás inerte (como hélio ou nitrogênio) é borbulhado na amostra de água, "varrendo" (purga) os compostos voláteis como o PCE. Estes são adsorvidos em uma coluna de armadilha contendo um material adequado. Posteriormente, a armadilha é aquecida rapidamente (dessorção) e os compostos são transferidos, de forma concentrada, para o cromatógrafo.

  • Microextração em Fase Sólida (Solid Phase Microextraction - SPME): Técnica moderna e sem solventes. Uma fibra revestida com um fase absorvente é exposta à amostra (ou ao seu headspace). O PCE se adsorve na fibra, que depois é injetada diretamente no cromatógrafo para dessorção térmica.



Separação e Detecção: A Espectrometria de Massas (GC-MS)


A técnica analítica padrão-ouro para a análise da concentração de tetracloroeteno na água é a Cromatografia Gasosa acoplada à Espectrometria de Massas (GC-MS).


  • Cromatografia Gasosa (GC): A amostra concentrada é injetada em uma coluna capilar dentro de um forno. Os componentes da mistura (como o PCE e outros COVs) são separados conforme viajam pela coluna, cada um com um tempo de retenção característico, baseado em suas interações físico-químicas com a fase estacionária da coluna.

  • Espectrometria de Massas (MS): O efluente da coluna GC entra no espectrômetro de massas, onde as moléculas são ionizadas e fragmentadas. O detector produz um espectro de massas, uma "impressão digital" química única para cada composto. Para o tetracloroeteno, monitoram-se íons específicos (íons alvo, como m/z 166, 164, 129, 131). A combinação do tempo de retenção na GC e o espectro de massas na MS fornece uma identificação inequívoca e uma quantificação extremamente sensível e seletiva, mesmo em matrizes complexas.



Protocolos, Validação e Garantia da Qualidade Analítica


A confiabilidade de um resultado não está apenas no equipamento, mas no rigoroso processo que o envolve.



Métodos de Referência


Laboratórios sérios baseiam-se em métodos padronizados por organizações como a USEPA (ex.: Método 8260D para GC-MS), Standard Methods (ex.: 6200) ou normas da ABNT. Estes documentos prescrevem em detalhes cada etapa analítica.



Validação do Método


Antes de realizar análises de rotina, o laboratório deve validar o método para as suas condições específicas, demonstrando que ele é:


  • Preciso e Exato: Através de análises de repetitividade e recuperação com padrões conhecidos.

  • Sensível: Determinando o Limite de Detecção (LOD) e o Limite de Quantificação (LOQ). Para PCE, LOQs inferiores a 0,1 µg/L são comuns em laboratórios especializados.

  • Linear: A resposta do instrumento deve ser proporcional à concentração em uma faixa de trabalho definida.

  • Seletivo: A capacidade de distinguir o PCE de outros interferentes na matriz.



Controle de Qualidade em Todas as Etapas


  • Padrões e Calibração: Uso de padrões certificados de alta pureza para calibrar o equipamento.

  • Brancos: Analisados para detectar contaminação cruzada.

  • Branco de Método / Spike: Uma amostra fortificada com concentração conhecida de PCE é analisada para verificar a recuperação do método.

  • Duplicatas / Padrões de Controle: Analisados periodicamente para monitorar a estabilidade do sistema.



Interpretação de Resultados e Ações Correlatas


Receber um laudo com o resultado da análise da concentração de tetracloroeteno na água é o ponto de partida para decisões importantes.



Interpretando o Laudo Técnico


O documento deve apresentar claramente:


  • A concentração encontrada, expressa em µg/L.

  • O Limite de Quantificação (LOQ) do método.

  • O Valor Máximo Permitido (VMP) de referência.

  • Uma declaração conclusiva sobre a conformidade ou não-conformidade da amostra.



Cenários Possíveis e Próximos Passos


1. Resultado < LOQ (Ex.: < 0,1 µg/L): Indica que o PCE não foi detectado em um nível quantificável pelo método. A água está em conformidade e o monitoramento preventivo deve ser mantido.


2. Resultado Detectável, mas < VMP (Ex.: 5 µg/L): Indica contaminação presente, mas abaixo do limite legal. Requer atenção e investigação da fonte, além de aumento na frequência do monitoramento para avaliar tendências.


3. Resultado > VMP (Ex.: 50 µg/L): Situação de não conformidade. Exige ações imediatas:


  • Notificação às autoridades de saúde e ambiental competentes.

  • Confirmação do resultado através de reanálise.

  • Investigação detalhada da fonte de contaminação.

  • Implementação de soluções de tratamento para os usuários afetados (ex.: filtros com carvão ativado granulado em ponto de entrada, fornecimento de água alternativa).

  • Início de um projeto de remediação ambiental, se a fonte for no solo/água subterrânea.


A análise, portanto, transcende a geração de um número. Ela é a base para um diagnóstico ambiental e de saúde pública, orientando intervenções técnicas e legais precisas.



Conclusão


A análise da concentração de tetracloroeteno na água configura-se como uma atividade técnica de altíssima relevância socioambiental.


Mais do que um simples procedimento laboratorial, trata-se de um processo complexo e multidisciplinar que envolve conhecimento químico-ambiental, tecnologia analítica de ponta e um compromisso inegociável com a qualidade e a ética.


Dominar os fundamentos aqui expostos — desde a química do contaminante até os intrincados detalhes da espectrometria de massas e do controle de qualidade — capacita gestores, técnicos e cidadãos a compreenderem a fundo os relatórios que recebem e a tomarem decisões informadas.


Em um cenário de crescente pressão sobre os recursos hídricos e de maior conscientização sobre os riscos químicos, a capacidade de monitorar com exatidão contaminantes como o PCE é um diferencial estratégico para empresas, órgãos públicos e comunidades.


É através desta vigilância analítica precisa que se constrói a segurança hídrica, protegendo a saúde das populações e a integridade dos ecossistemas para as gerações presentes e futuras.



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FAQ (Perguntas Frequentes)


1. Onde o tetracloroeteno é mais comumente encontrado?

Locais com histórico de lavanderias/limpeza a seco, oficinas mecânicas e indústrias metalúrgicas são os mais suscetíveis. Contaminações em águas subterrâneas próximas a esses locais são frequentes.



2. Posso sentir o gosto ou cheiro do PCE na água?

O odor e sabor são perceptíveis em concentrações geralmente superiores aos limites de potabilidade. A ausência de odor não garante a segurança da água. A análise laboratorial é a única forma confiável de verificar a presença em níveis seguros.



3. Fervendo a água, eu removo o tetracloroeteno?

Não. O PCE é volátil, mas a fervura não é um método eficaz ou seguro para sua remoção em escala doméstica. Pode, inclusive, aumentar a inalação de vapores durante o processo. Sistemas de filtragem com carvão ativado de alta eficiência ou aeração são tecnologias adequadas.



4. Com que frequência devo analisar a água para PCE?

Para poços particulares em áreas de risco, recomenda-se análise anual mínima. Em casos de detecção prévia ou mudanças no entorno (ex.: fechamento de uma oficina próxima), a frequência deve ser aumentada. Empresas em atividades de risco possuem planos de monitoramento específicos exigidos por licenças ambientais.



5. Meu laudo apontou uma concentração de 25 µg/L. O que isso significa?

Significa que o PCE foi detectado em uma concentração abaixo do VMP (30 µg/L). A água, em tese, está em conformidade, mas a presença do contaminante é um sinal de alerta. Recomenda-se nova análise em um período mais curto (ex.: 3 a 6 meses) para monitorar se a concentração está estável, aumentando ou diminuindo, e investigar possíveis fontes.






 
 
 

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