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Análise de Carbendazim na Água: importância, riscos e controle da qualidade

Introdução


A qualidade da água é um dos principais fatores relacionados à proteção da saúde humana e à preservação dos recursos naturais.


Embora parâmetros como pH, turbidez, cor, metais e microrganismos sejam frequentemente associados ao controle da qualidade da água, a investigação de contaminantes químicos também é fundamental.


Entre essas substâncias está o carbendazim, um fungicida que pode ser encontrado como contaminante ambiental e cuja presença na água merece atenção.


A análise de Carbendazim na água permite identificar e quantificar a presença desse composto em diferentes tipos de amostras, contribuindo para o monitoramento da qualidade da água e para a avaliação de possíveis fontes de contaminação.


O tema ganhou ainda mais relevância no Brasil após a reavaliação toxicológica realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que resultou na proibição do carbendazim como ingrediente ativo de agrotóxicos no país.


A Anvisa classificou a substância, entre outros aspectos, como presumidamente mutagênica para células germinativas, presumidamente carcinogênica e presumidamente tóxica para a reprodução.



O que é o Carbendazim?


O carbendazim é um composto pertencente ao grupo químico dos benzimidazóis e foi utilizado principalmente como fungicida sistêmico de amplo espectro na agricultura.


Sua atuação está relacionada à interferência na divisão celular dos fungos, o que contribui para o controle de diferentes doenças que afetam culturas agrícolas.


Quimicamente, o carbendazim possui número CAS 10605-21-7, fórmula molecular C₉H₉N₃O₂ e massa molecular de aproximadamente 191,2 g/mol.


Segundo dados técnicos da Anvisa, apresenta baixa volatilidade e solubilidade em água que varia conforme o pH do meio.


Durante muitos anos, o composto foi utilizado em diferentes culturas agrícolas. Entretanto, a reavaliação toxicológica conduzida pela Anvisa identificou preocupações relevantes relacionadas à exposição humana.


Em agosto de 2022, a Anvisa publicou a RDC nº 739/2022, estabelecendo a proibição do carbendazim em produtos agrotóxicos no Brasil e medidas para a descontinuação de seu uso.


A proibição do uso, entretanto, não elimina a necessidade de monitoramento ambiental. A presença histórica da substância, sua persistência e a possibilidade de contaminação de recursos hídricos justificam a realização de análises laboratoriais específicas.



Como o Carbendazim pode chegar à água?


A presença de resíduos de agrotóxicos nos recursos hídricos pode ocorrer por diferentes mecanismos.


Em áreas agrícolas, por exemplo, a aplicação de produtos pode favorecer a transferência de determinados compostos para o ambiente.


A contaminação pode ocorrer por meio do escoamento superficial, quando a água da chuva transporta resíduos presentes no solo para córregos, rios, represas e outros corpos d'água.


Dependendo das características do solo, das condições ambientais e das propriedades físico-químicas do contaminante, também pode ocorrer movimentação em direção às águas subterrâneas.


Outra possibilidade está relacionada ao histórico de utilização da substância em determinada região.


Mesmo após a interrupção de seu uso, o monitoramento pode ser necessário para verificar a ocorrência residual do composto.


Dados divulgados pela própria Anvisa demonstram a importância desse acompanhamento.


Na avaliação realizada com dados do Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua), foram observadas detecções de carbendazim em amostras de água potável, embora tenha ocorrido uma redução expressiva nas amostras de vigilância após a proibição.


Isso demonstra que a análise de contaminantes químicos não deve ser entendida apenas como uma medida relacionada ao uso atual de determinada substância.


Ela também pode fazer parte de estratégias de monitoramento ambiental, investigação de passivos e controle da qualidade da água.



Por que realizar a análise de Carbendazim na água?


A análise laboratorial permite determinar se o carbendazim está presente na amostra e, quando detectado, avaliar sua concentração.


Esse tipo de investigação pode ser importante para:

  • monitoramento de água destinada ao consumo humano;

  • avaliação de mananciais superficiais;

  • investigação de águas subterrâneas;

  • acompanhamento de áreas próximas a atividades agrícolas;

  • controle de sistemas de abastecimento;

  • investigação de possíveis fontes de contaminação;

  • monitoramento ambiental;

  • avaliação da eficiência de processos de tratamento;

  • atendimento a programas de controle e monitoramento da qualidade da água.


No caso da água destinada ao consumo humano, a legislação brasileira estabelece parâmetros específicos para diferentes agrotóxicos.


A Portaria GM/MS nº 888/2021 inclui o carbendazim entre os parâmetros de controle e estabelece valor máximo permitido de 120 µg/L para a água de consumo humano.


A própria norma determina que o limite de quantificação da metodologia utilizada seja menor ou igual ao valor máximo permitido aplicável ao parâmetro.


É importante destacar que valor máximo permitido e resultado analítico não são conceitos equivalentes.


O resultado de um ensaio precisa ser interpretado considerando a legislação aplicável, o tipo de água analisada, a finalidade do monitoramento, o limite de quantificação e as características da metodologia utilizada.


Como é feita a análise de Carbendazim na água?


A determinação de resíduos de agrotóxicos exige métodos analíticos capazes de identificar concentrações relativamente baixas dos compostos presentes na amostra.


A análise laboratorial normalmente envolve etapas como coleta adequada da amostra, preparo, extração ou tratamento da matriz, separação dos compostos e determinação instrumental.


A escolha da técnica depende da matriz, do nível de concentração esperado, dos requisitos regulatórios e do método validado pelo laboratório.


Para análises destinadas ao controle da qualidade da água, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece que as metodologias analíticas devem atender a normas nacionais ou internacionais reconhecidas, incluindo referências como Standard Methods, métodos da United States Environmental Protection Agency (USEPA), normas ISO e metodologias propostas pela Organização Mundial da Saúde.


Também são permitidas metodologias alternativas quando devidamente validadas conforme os requisitos da ABNT NBR ISO/IEC 17025.


Um aspecto fundamental é o limite de quantificação (LQ). Quanto menor o LQ de um método, maior sua capacidade de quantificar concentrações reduzidas do analito.


Por isso, a escolha da metodologia precisa estar alinhada ao objetivo da análise e ao limite estabelecido para o parâmetro.


Além disso, um laboratório qualificado deve considerar controles de qualidade analítica, calibração, recuperação, precisão, exatidão e demais critérios aplicáveis à validação ou verificação do método.



O que significa encontrar Carbendazim na água?


A detecção de carbendazim indica que o composto foi identificado dentro das condições e da capacidade analítica do método empregado.


Entretanto, a interpretação do resultado deve ser feita com cautela. Detectar uma substância não significa, por si só, determinar a origem da contaminação ou estabelecer um risco individual imediato à saúde.


É necessário considerar a concentração encontrada, o tipo de água, o histórico da região, as características da exposição e os parâmetros regulatórios aplicáveis.


Para água destinada ao consumo humano, por exemplo, o resultado pode ser comparado ao padrão de potabilidade estabelecido pela legislação vigente.


Já para água bruta, água subterrânea, água superficial ou outras matrizes ambientais, a interpretação pode exigir outros critérios técnicos e regulatórios.


Por esse motivo, o laudo laboratorial deve apresentar informações suficientemente

claras para permitir a correta avaliação do resultado.



Carbendazim na água: por que o monitoramento continua importante?


A proibição do carbendazim no Brasil representou uma importante medida regulatória de proteção à saúde.


No entanto, a interrupção do uso de uma substância não significa necessariamente que ela desapareça imediatamente do ambiente.


A Anvisa destacou, em avaliação publicada em 2025, que o monitoramento da água continua sendo relevante.


Segundo os dados analisados pela agência, a presença de carbendazim nas amostras de vigilância da qualidade da água caiu de mais de 30% entre 2019 e 2021 para 2,3% em 2022, 0,2% em 2023 e 3,9% em 2024.


A agência também observou que, nas amostras de controle de qualidade coletadas pelos responsáveis pelos sistemas de abastecimento, as detecções permaneceram próximas de 5% entre 2020 e 2024.


A própria Anvisa relacionou esse cenário, entre outros fatores, à persistência do composto no ambiente, ao seu uso histórico e à utilização de tiofanato-metílico, precursor relacionado ao carbendazim.


Esses dados reforçam a importância de programas contínuos de monitoramento, principalmente em regiões nas quais exista histórico de utilização agrícola da substância ou suspeita de contaminação.



Análise de Carbendazim na água em laboratório especializado


A realização de uma análise de Carbendazim na água requer metodologia adequada, controle de qualidade e interpretação técnica dos resultados.


Laboratórios especializados podem realizar a determinação desse contaminante em amostras de água de acordo com o objetivo do cliente, considerando a matriz analisada e os requisitos aplicáveis ao ensaio.


A escolha correta do laboratório é especialmente importante quando os resultados serão utilizados para:

  • controle de qualidade;

  • monitoramento ambiental;

  • investigação de contaminação;

  • avaliação de sistemas de tratamento;

  • atendimento a requisitos regulatórios;

  • elaboração de estudos técnicos;

  • acompanhamento de mananciais e fontes de abastecimento.


A análise deve ser acompanhada de procedimentos adequados de coleta, acondicionamento, transporte e rastreabilidade da amostra, pois essas etapas também podem influenciar a confiabilidade do resultado.



Conclusão


A análise de Carbendazim na água é uma ferramenta importante para o controle da qualidade e o monitoramento de possíveis contaminantes químicos nos recursos hídricos.


Embora o carbendazim tenha sido proibido como ingrediente ativo de agrotóxicos no Brasil em razão de preocupações toxicológicas, o histórico de utilização da substância e sua presença ainda observada em programas de monitoramento demonstram que o acompanhamento ambiental permanece relevante.


A análise laboratorial permite identificar a presença do composto e determinar sua concentração, fornecendo dados objetivos para ações de controle, investigação e gestão da qualidade da água.


Para obter resultados confiáveis, é fundamental utilizar métodos analíticos apropriados, limites de quantificação compatíveis com o objetivo da análise e procedimentos de qualidade que assegurem a rastreabilidade e a confiabilidade dos resultados.


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FAQ – Perguntas frequentes sobre Carbendazim na água


1. O que é Carbendazim?

O carbendazim é um fungicida pertencente ao grupo dos benzimidazóis. No Brasil, seu uso como ingrediente ativo de agrotóxicos foi proibido pela Anvisa em 2022 após processo de reavaliação toxicológica.


2. O Carbendazim pode ser encontrado na água?

Sim. Programas oficiais de monitoramento já identificaram a presença de carbendazim em amostras de água. A Anvisa continua considerando o monitoramento importante mesmo após a proibição da substância.


3. Qual é o limite de Carbendazim na água potável?

A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece 120 µg/L como valor máximo permitido para carbendazim no padrão de potabilidade da água para consumo humano.


4. Como saber se existe Carbendazim na água?

A presença do composto não pode ser determinada de forma confiável apenas por características como cor, odor ou sabor. É necessária uma análise laboratorial específica.


5. A análise pode ser feita em água de poço?

Sim. A análise pode ser solicitada para diferentes tipos de água, incluindo águas subterrâneas, desde que o laboratório utilize procedimento adequado à matriz e ao objetivo do ensaio.


6. Por que analisar Carbendazim mesmo depois da proibição?

Porque a proibição interrompe o uso autorizado da substância, mas não elimina imediatamente sua ocorrência ambiental. O monitoramento realizado pela Anvisa demonstra que ainda existem detecções em amostras de água, reforçando a importância do acompanhamento.


7. A análise de Carbendazim é feita junto com outros agrotóxicos?

Sim. Dependendo do objetivo do monitoramento, é possível solicitar um conjunto de parâmetros relacionados a agrotóxicos, permitindo uma avaliação mais abrangente da qualidade química da água.


8. Qual a importância de escolher um laboratório especializado?

A confiabilidade do resultado depende de fatores como coleta, conservação, metodologia, limite de quantificação, controle de qualidade e rastreabilidade. Por isso, análises de contaminantes em baixas concentrações devem ser realizadas por laboratório tecnicamente qualificado.


 
 
 

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