Análise de Clorato na Água: importância, origem e controle da qualidade
- Enfermeira Natalia Balsalobre
- 15 de nov. de 2021
- 8 min de leitura
Introdução
A qualidade da água destinada ao consumo humano depende do controle de diversos parâmetros químicos, físicos e microbiológicos.
Entre os compostos que merecem atenção estão os subprodutos formados durante os processos de desinfecção, como o clorato.
A análise de clorato na água é uma ferramenta importante para avaliar a eficiência e a segurança dos processos de tratamento, especialmente em sistemas que utilizam determinados compostos à base de cloro.
Além de permitir o acompanhamento da qualidade da água, a determinação desse parâmetro auxilia na identificação de possíveis alterações relacionadas às condições de armazenamento e ao processo de desinfecção.
No Brasil, o clorato está contemplado no padrão de potabilidade estabelecido pela Portaria GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021, que estabelece um valor máximo permitido de 0,7 mg/L para esse parâmetro.

O que é o clorato?
O clorato é um ânion inorgânico cuja fórmula química é ClO₃⁻. Ele pode ser formado como subproduto de processos que utilizam compostos de cloro na desinfecção da água.
Sua presença está relacionada principalmente ao uso de dióxido de cloro e de soluções de hipoclorito, especialmente quando essas soluções permanecem armazenadas por períodos prolongados ou em condições que favorecem sua degradação.
A Organização Mundial da Saúde destaca que o clorato pode ser formado durante o armazenamento de soluções de hipoclorito e também está associado à utilização de dióxido de cloro na desinfecção.
É importante diferenciar clorato de outros compostos com nomes semelhantes. O clorato (ClO₃⁻), o clorito (ClO₂⁻), o cloreto (Cl⁻) e o cloro residual livre são espécies químicas diferentes e possuem funções, características e parâmetros de controle distintos.
Essa diferenciação é fundamental durante uma avaliação laboratorial da qualidade da água.
Como o clorato pode chegar à água?
A ocorrência de clorato na água está frequentemente relacionada ao próprio processo de desinfecção.
A utilização de agentes químicos à base de cloro é essencial para o controle microbiológico da água, mas determinadas condições podem favorecer a formação de subprodutos.
Um exemplo é o uso de dióxido de cloro, cuja decomposição pode resultar na formação de clorito e clorato.
A concentração formada depende de fatores relacionados ao processo, como a dose aplicada e as condições de operação do sistema de tratamento.
Outra fonte possível são as soluções de hipoclorito. Com o envelhecimento dessas soluções, pode ocorrer a formação de clorato.
Por isso, as condições de preparo, armazenamento e utilização dos produtos empregados na desinfecção são importantes para o controle desse contaminante.
Isso demonstra que o controle da qualidade da água não deve se limitar à análise da água já distribuída.
A avaliação do processo de tratamento, dos produtos químicos utilizados e das condições de armazenamento também é relevante para prevenir a formação de subprodutos da desinfecção.
Por que fazer a análise de clorato na água?
A análise de clorato permite determinar quantitativamente a concentração desse composto na amostra e verificar se o resultado está dentro dos parâmetros aplicáveis ao tipo de água avaliado.
No caso da água destinada ao consumo humano no Brasil, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece 0,7 mg/L como Valor Máximo Permitido (VMP) para clorato.
O monitoramento pode ser especialmente relevante para:
sistemas de abastecimento de água;
estações de tratamento de água;
empresas responsáveis pela produção e distribuição de água potável;
soluções alternativas de abastecimento;
águas submetidas a processos de desinfecção química;
sistemas que utilizam hipoclorito ou dióxido de cloro;
investigação de alterações na qualidade da água;
programas de controle e monitoramento de subprodutos da desinfecção.
A análise também pode auxiliar na investigação de resultados que indiquem alterações no processo de tratamento.
Quando são observadas concentrações elevadas, é importante avaliar fatores como o tipo de desinfetante empregado, concentração e tempo de armazenamento dos produtos químicos, condições de operação e características do sistema de tratamento.
Como é realizada a análise de clorato na água?
A determinação de clorato é uma análise química que exige metodologia adequada, equipamentos calibrados e controle de qualidade analítico.
Uma das técnicas empregadas para a determinação de ânions inorgânicos em água é a cromatografia iônica.
O método EPA 300.1, por exemplo, contempla a determinação de diversos ânions em água potável e inclui especificamente subprodutos inorgânicos da desinfecção, como bromato, clorito e clorato. O método utiliza cromatografia iônica com detecção por condutividade suprimida.
De forma simplificada, durante a análise a amostra é introduzida no sistema cromatográfico.
Os diferentes íons presentes na amostra são separados de acordo com suas características químicas e, posteriormente, detectados pelo equipamento.
O laboratório então compara a resposta analítica obtida com padrões de concentração conhecida, permitindo calcular a concentração de clorato presente na amostra.
A qualidade do resultado depende de diversos fatores, incluindo preparo e conservação da amostra, calibração do equipamento, controle de interferências, uso de padrões adequados, limites de detecção e quantificação e procedimentos de controle de qualidade.
Por esse motivo, a análise deve ser realizada por laboratório que disponha de metodologia apropriada e estrutura compatível com o nível de concentração que precisa ser determinado.
Clorato e saúde: por que esse parâmetro é acompanhado?
O controle do clorato está relacionado à avaliação dos possíveis efeitos da exposição contínua ao composto.
A Organização Mundial da Saúde inclui clorato e clorito entre os contaminantes químicos considerados em suas diretrizes para qualidade da água potável.
A avaliação desses compostos considera, entre outros aspectos, informações toxicológicas e a exposição decorrente do consumo de água.
O próprio Ministério da Saúde destaca, em seu guia de implementação da norma de qualidade da água, a importância do controle do clorato como subproduto da desinfecção e menciona sua formação associada ao dióxido de cloro e ao armazenamento de soluções de hipoclorito.
Isso não significa que a desinfecção da água seja inadequada. Pelo contrário: a desinfecção é uma etapa fundamental para garantir a segurança microbiológica.
O objetivo do monitoramento é encontrar um equilíbrio entre a necessidade de desinfetar a água de maneira eficaz e o controle da formação de subprodutos.
A abordagem preventiva é, portanto, essencial.
Qual é o limite de clorato na água no Brasil?
Para água destinada ao consumo humano, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece VMP de 0,7 mg/L para clorato.
O parâmetro está incluído na tabela de padrão de potabilidade para subprodutos da desinfecção que representam risco à saúde.
É importante observar que valores estabelecidos por diferentes órgãos reguladores ou organismos internacionais podem não ser idênticos.
A OMS, por exemplo, atualizou suas diretrizes ao longo do tempo, refletindo novas avaliações toxicológicas e considerações relacionadas à eficácia da desinfecção.
Por isso, a interpretação de um resultado laboratorial deve considerar a legislação aplicável ao tipo de água, à finalidade da análise e ao contexto do sistema avaliado, evitando comparações diretas com valores de outros países sem verificar previamente os critérios regulatórios correspondentes.
O que fazer quando o resultado de clorato está elevado?
Quando a análise identifica uma concentração de clorato acima do limite aplicável, a primeira medida deve ser investigar a origem do resultado.
Entre os pontos que podem ser avaliados estão:
Produto utilizado na desinfecção: verificar o tipo, procedência, concentração e condições de armazenamento do produto químico.
Tempo de armazenamento: soluções de hipoclorito podem sofrer alterações químicas durante o armazenamento, favorecendo a formação de clorato.
Processo de desinfecção: avaliar concentração, dosagem e condições operacionais.
Sistema de tratamento: verificar possíveis alterações ou inadequações no processo.
Pontos de coleta: realizar análises em diferentes etapas pode ajudar a identificar onde ocorre o aumento da concentração.
Confirmação laboratorial: em situações críticas, pode ser recomendável realizar uma nova coleta e análise para confirmar o resultado.
A correção do problema deve ser definida de acordo com a origem identificada. Alterar simplesmente a etapa de desinfecção sem avaliar o controle microbiológico pode comprometer a segurança da água. O ideal é trabalhar com uma abordagem integrada de tratamento e monitoramento.
A importância de um laboratório especializado
A análise de clorato na água exige atenção desde a coleta até a emissão do resultado. Uma amostra inadequadamente coletada, acondicionada ou transportada pode comprometer a representatividade do ensaio.
Além disso, análises de baixas concentrações exigem equipamentos, padrões analíticos, procedimentos de controle de qualidade e profissionais capacitados para interpretar os resultados.
A cromatografia iônica é uma das técnicas reconhecidas para determinação de ânions inorgânicos em água, e o método EPA 300.1 inclui especificamente o clorato entre os parâmetros que podem ser determinados por essa abordagem.
Por isso, a escolha de um laboratório com experiência em análises ambientais e de qualidade da água é uma etapa importante para obter resultados confiáveis e tecnicamente interpretáveis.
Análise de clorato na água: conte com um laboratório especializado
A análise de clorato na água é uma ferramenta importante para o monitoramento de subprodutos da desinfecção e para o controle da qualidade da água destinada ao consumo humano.
A avaliação laboratorial permite identificar a concentração de clorato presente na amostra e comparar o resultado com os parâmetros estabelecidos pela legislação aplicável.
Além disso, os resultados podem contribuir para a investigação de alterações no processo de tratamento e para a adoção de medidas preventivas.
Se sua empresa precisa realizar análise de clorato na água, entre em contato com o laboratório para verificar as condições de atendimento, tipo de amostra, quantidade necessária, prazo de análise e metodologia aplicável ao seu caso.
Um monitoramento analítico adequado contribui para decisões mais seguras, maior controle do processo de tratamento e melhor gestão da qualidade da água.
Conclusão
O clorato é um subproduto da desinfecção que merece atenção no controle da qualidade da água.
Sua formação pode estar relacionada ao uso de determinados agentes desinfetantes, especialmente dióxido de cloro e soluções de hipoclorito, além das condições de armazenamento desses produtos.
No Brasil, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece 0,7 mg/L como Valor Máximo Permitido para clorato na água destinada ao consumo humano.
Nesse contexto, a análise laboratorial desempenha papel fundamental. Por meio de técnicas apropriadas, como a cromatografia iônica, é possível determinar a concentração do composto e gerar informações que auxiliam no controle do tratamento e na avaliação da qualidade da água.
Mais do que identificar um resultado fora do padrão, o monitoramento permite compreender o comportamento do sistema e atuar preventivamente para manter a eficiência da desinfecção sem negligenciar o controle dos seus subprodutos.
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FAQ — Perguntas frequentes sobre análise de clorato na água
1. O que é clorato na água?
Clorato é um ânion inorgânico, representado pela fórmula ClO₃⁻, que pode ser formado como subproduto de determinados processos de desinfecção da água.
2. Qual é o limite de clorato na água potável no Brasil?
A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece 0,7 mg/L como Valor Máximo Permitido para clorato na água destinada ao consumo humano.
3. Como o clorato é formado?
Ele pode ser formado durante processos que utilizam dióxido de cloro e também durante o armazenamento de soluções de hipoclorito, dependendo das condições do produto e do processo.
4. Como é feita a análise de clorato?
Uma das técnicas utilizadas é a cromatografia iônica, capaz de separar e quantificar diferentes ânions presentes na água. O método EPA 300.1 inclui o clorato entre os subprodutos inorgânicos da desinfecção determinados por essa técnica.
5. Clorato e clorito são a mesma coisa?
Não. Embora estejam relacionados aos processos de desinfecção, clorato (ClO₃⁻) e clorito (ClO₂⁻) são espécies químicas diferentes e possuem parâmetros próprios de controle.
6. É necessário analisar clorato em toda água?
A necessidade de análise depende da finalidade da água, do processo de tratamento, dos produtos utilizados na desinfecção e dos requisitos regulatórios aplicáveis. Em sistemas nos quais há possibilidade de formação de subprodutos da desinfecção, o monitoramento pode ser particularmente importante.





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