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Análise de Microcistinas Totais: importância para a segurança e qualidade da água

20 de jun. de 2023
8 min de leitura

Introdução


A qualidade da água está diretamente relacionada à proteção da saúde humana e à segurança dos sistemas de abastecimento.


Entre os diversos contaminantes que podem estar presentes em mananciais, as toxinas produzidas por determinadas espécies de cianobactérias merecem atenção especial.


Nesse contexto, a análise de microcistinas totais é uma ferramenta importante para identificar e quantificar essas substâncias, especialmente em águas provenientes de rios, lagos, reservatórios e outros mananciais superficiais.


As microcistinas pertencem a um grupo de toxinas produzidas por algumas cianobactérias, organismos microscópicos capazes de se multiplicar intensamente quando encontram condições ambientais favoráveis.


Em determinadas situações, essa proliferação resulta nas chamadas florações de cianobactérias, que podem comprometer a qualidade da água e representar riscos ambientais e sanitários.


A realização da análise laboratorial permite verificar se a concentração dessas toxinas está dentro dos padrões estabelecidos e fornece informações fundamentais para o gerenciamento da qualidade da água.



O que são microcistinas?


As microcistinas são toxinas peptídicas produzidas por diferentes gêneros de cianobactérias.


Elas são classificadas principalmente como hepatotoxinas, pois o fígado é um dos órgãos mais importantes envolvidos nos efeitos decorrentes da exposição.


Existem numerosas variantes estruturais de microcistinas. Entre elas, a microcistina-LR (MC-LR) é uma das mais estudadas e frequentemente utilizada como referência em avaliações toxicológicas e regulamentações relacionadas à qualidade da água.


A Organização Mundial da Saúde considera as microcistinas um importante parâmetro no gerenciamento de riscos associados às florações de cianobactérias.


Essas toxinas podem permanecer no interior das células das cianobactérias ou ser liberadas para a água. Por esse motivo, uma avaliação adequada deve considerar tanto a fração presente nas células quanto aquela dissolvida no meio.


A expressão microcistinas totais pode envolver justamente a avaliação das diferentes formas presentes na amostra, proporcionando uma visão mais abrangente da contaminação.



Como surgem as microcistinas na água?


A presença de microcistinas está relacionada principalmente à multiplicação de cianobactérias potencialmente produtoras dessas toxinas.


As florações podem ser favorecidas por fatores ambientais como:

  • elevada disponibilidade de nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo;

  • temperaturas favoráveis ao crescimento de cianobactérias;

  • alta incidência de luz;

  • baixa circulação ou renovação da água;

  • enriquecimento do ambiente aquático por matéria orgânica e nutrientes;

  • alterações nas características físicas e químicas do manancial.


Ambientes eutrofizados, isto é, com excesso de nutrientes, apresentam maior possibilidade de desenvolvimento de florações intensas.


Um aspecto importante é que a simples presença de cianobactérias não permite afirmar que determinada água contém microcistinas em concentrações relevantes.


Existem linhagens produtoras e não produtoras de toxinas, e a quantidade produzida pode variar consideravelmente conforme a espécie, a linhagem e as condições ambientais.


Por isso, a análise de microcistinas totais é necessária para avaliar efetivamente a ocorrência da toxina.



Por que realizar a análise de microcistinas totais?


A análise é especialmente importante em sistemas que utilizam águas superficiais como fonte de abastecimento.


Reservatórios, represas, rios e lagos podem apresentar crescimento sazonal de cianobactérias, principalmente durante períodos de condições ambientais favoráveis. Quando essas florações ocorrem, o monitoramento da água torna-se essencial.


A determinação laboratorial das microcistinas pode ser utilizada para:

  • avaliar a qualidade da água destinada ao consumo humano;

  • acompanhar mananciais superficiais;

  • investigar episódios de floração de cianobactérias;

  • verificar a eficiência dos processos de tratamento;

  • acompanhar alterações sazonais da qualidade da água;

  • subsidiar programas de controle ambiental;

  • atender requisitos regulatórios;

  • auxiliar na tomada de decisões relacionadas ao tratamento e ao abastecimento.


A análise também pode ser importante antes e depois de diferentes etapas de tratamento, permitindo avaliar como o sistema está respondendo à presença dessas toxinas.



Microcistinas e água destinada ao consumo humano


No Brasil, a qualidade da água para consumo humano é regulamentada pela Portaria GM/MS nº 888/2021, que estabelece procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água e seu padrão de potabilidade.


Para microcistinas, a norma estabelece Valor Máximo Permitido (VMP) de 1,0 µg/L, expresso em equivalente de microcistina-LR.


A própria Portaria esclarece que esse valor corresponde ao somatório das concentrações das diferentes variantes de microcistinas consideradas na avaliação.


A legislação também estabelece critérios para o acompanhamento de cianobactérias em mananciais superficiais utilizados para abastecimento.


Conforme a Portaria, quando a densidade de cianobactérias é igual ou inferior a 10.000 células/mL, a frequência indicada para esse monitoramento é trimestral; acima de 10.000 células/mL, passa a ser semanal.


Esse acompanhamento permite identificar alterações no manancial e direcionar ações preventivas antes que o problema comprometa o abastecimento.


A Organização Mundial da Saúde também utiliza 1 µg/L para microcistinas totais como valor provisório orientativo para exposição de longo prazo em água potável.


A OMS considera, nesse conceito, a soma dos diferentes congêneres e das frações livres e associadas às células.



Quais são os riscos associados às microcistinas?


As microcistinas são conhecidas principalmente por sua ação sobre o fígado. Seu mecanismo toxicológico envolve, entre outros processos, a inibição de determinadas proteínas fosfatases celulares, especialmente PP1 e PP2A, além da possibilidade de indução de estresse oxidativo.


Os efeitos da exposição dependem de fatores como:

  • concentração da toxina;

  • duração da exposição;

  • via de contato;

  • tipo de microcistina;

  • características individuais da pessoa exposta.


A ingestão de água contaminada constitui uma das principais vias de preocupação sanitária.


A exposição também pode ocorrer durante atividades recreativas em ambientes aquáticos afetados por florações de cianobactérias.


Por essa razão, a prevenção e o monitoramento são considerados estratégias fundamentais para a gestão desse risco.



Como é realizada a análise de microcistinas totais?


A determinação das microcistinas pode ser realizada utilizando diferentes abordagens laboratoriais.


Entre as técnicas existentes estão métodos imunológicos, como o ELISA, métodos baseados na inibição de proteínas fosfatases e técnicas cromatográficas, incluindo cromatografia líquida associada à espectrometria de massas.


A literatura científica destaca que não existe necessariamente um único método capaz de representar com a mesma eficiência todas as variantes e formas de microcistinas.


Por isso, a técnica deve ser selecionada considerando a finalidade da análise, a matriz avaliada, os limites de quantificação necessários e o tipo de informação desejada.


Em métodos instrumentais, a cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas (LC-MS ou LC-MS/MS) apresenta elevada capacidade de separação, identificação e quantificação de diferentes variantes.


Já métodos imunológicos podem ser empregados em estratégias de triagem e quantificação, dependendo do procedimento laboratorial adotado.


Quando o objetivo é determinar microcistinas totais, o tratamento da amostra assume papel particularmente importante, pois é necessário considerar não apenas toxinas dissolvidas, mas também aquelas associadas às células ou, em determinadas matrizes e metodologias, outras formas ligadas.


A literatura descreve diferentes processos de extração e preparo específicos para essa finalidade.


A coleta da amostra influencia o resultado?


Sim. A confiabilidade de qualquer análise ambiental começa antes mesmo de a amostra chegar ao laboratório.


O tipo de recipiente utilizado, as condições de preservação, o tempo entre coleta e análise, o transporte e a temperatura de armazenamento podem interferir na estabilidade da amostra.


No caso das microcistinas, esse cuidado é especialmente importante porque uma parcela das toxinas pode estar presente dentro das células das cianobactérias, enquanto outra parcela pode estar dissolvida na água.


Dependendo do objetivo analítico, procedimentos inadequados podem provocar lise celular, alterações na distribuição das toxinas ou perda de componentes da amostra.


Por isso, a coleta deve seguir rigorosamente as orientações fornecidas pelo laboratório responsável pela análise.



Microcistinas totais e microcistina-LR são a mesma coisa?


Não exatamente. Microcistina-LR é uma variante específica da família das microcistinas.


Já a expressão microcistinas totais corresponde a uma abordagem mais ampla, envolvendo o conjunto das variantes determinadas ou a resposta analítica equivalente obtida pelo método empregado.


Essa diferença é relevante porque florações naturais frequentemente apresentam mais de uma variante simultaneamente.


Na legislação brasileira de potabilidade, o resultado é comparado ao limite de 1,0 µg/L em equivalente de MCYST-LR, considerando o somatório das variantes de microcistinas.



É possível eliminar microcistinas durante o tratamento da água?


O controle começa preferencialmente no próprio manancial, reduzindo as condições que favorecem o desenvolvimento excessivo das cianobactérias.


Nos sistemas de tratamento, diferentes processos podem contribuir para a remoção.

Segundo a OMS, a filtração é eficiente para remover células intactas de cianobactérias e, consequentemente, uma parcela significativa das microcistinas que permanecem dentro dessas células.


Para as microcistinas dissolvidas, processos como oxidação adequadamente controlada com cloro ou ozônio e algumas aplicações de carvão ativado podem apresentar boa eficiência.


Entretanto, o tratamento deve ser cuidadosamente planejado. A ruptura das células de cianobactérias pode liberar toxinas previamente armazenadas no interior celular para a água.


Consequentemente, o gerenciamento adequado deve integrar monitoramento do manancial, controle operacional e análises laboratoriais.



Quando solicitar a análise de microcistinas totais?


A análise pode ser recomendada em diversas situações, principalmente quando existe histórico ou possibilidade de desenvolvimento de cianobactérias.


Entre os exemplos estão:

  • águas provenientes de reservatórios;

  • águas de represas;

  • águas de lagos e lagoas;

  • captações superficiais destinadas ao abastecimento;

  • sistemas de tratamento de água;

  • episódios de alteração de cor ou aspecto do manancial;

  • ocorrência conhecida de florações;

  • programas de monitoramento ambiental;

  • atendimento à legislação de potabilidade.


Também pode ser utilizada para comparar amostras coletadas em diferentes pontos ou períodos, ajudando a acompanhar a evolução da qualidade do manancial.



A importância de um laboratório especializado


A análise de microcistinas totais exige controle das condições de coleta, preparo adequado da amostra, métodos analíticos compatíveis com a finalidade da avaliação e interpretação criteriosa dos resultados.


Um laboratório especializado proporciona maior segurança durante todas as etapas do processo, desde a orientação para coleta até a emissão do relatório analítico.


Além da determinação das microcistinas, a investigação pode ser complementada por outros parâmetros relacionados à qualidade da água, permitindo uma avaliação mais abrangente das condições do manancial ou sistema de abastecimento.


Para empresas, indústrias, concessionárias, instituições e responsáveis por sistemas de abastecimento, essa avaliação contribui para a gestão preventiva de riscos e para o atendimento aos requisitos aplicáveis.



Conclusão


As microcistinas representam um importante grupo de cianotoxinas associado principalmente às florações de cianobactérias em ambientes aquáticos.


Como a simples observação ou contagem desses microrganismos não é suficiente para determinar a quantidade de toxinas presente na água, a análise de microcistinas totais é fundamental para uma avaliação objetiva da contaminação.


No Brasil, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece o limite de 1,0 µg/L, em equivalente de microcistina-LR, para água destinada ao consumo humano, considerando o conjunto das variantes analisadas.


O controle laboratorial, aliado ao monitoramento do manancial e à operação adequada do sistema de tratamento, contribui para proteger a qualidade da água e reduzir riscos à população.


Nosso laboratório realiza análise de microcistinas totais, utilizando procedimentos técnicos adequados para obtenção de resultados confiáveis e oferecendo suporte para empresas e instituições que necessitam avaliar a qualidade de suas amostras.


Entre em contato com nossa equipe para obter informações sobre coleta, quantidade de amostra necessária, metodologia, prazo analítico e demais orientações para realização do ensaio.



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FAQ — Perguntas frequentes sobre análise de microcistinas totais


O que são microcistinas totais?

Microcistinas totais representam o conjunto de microcistinas considerado pelo método analítico, podendo abranger diferentes variantes e frações da toxina presentes na amostra.


Qual é o limite de microcistinas na água potável?

De acordo com a Portaria GM/MS nº 888/2021, o Valor Máximo Permitido é de 1,0 µg/L em equivalente de MCYST-LR, considerando o somatório das variantes de microcistinas.


Microcistina é produzida por algas?

As microcistinas são produzidas por determinadas espécies e linhagens de cianobactérias, organismos que historicamente também são chamados de algas azuis ou algas verde-azuladas.


Toda cianobactéria produz microcistina?

Não. Existem cianobactérias e linhagens capazes de produzir microcistinas e outras que não produzem essas toxinas. Por isso, a identificação ou contagem de cianobactérias não substitui a análise da toxina.


Qual a diferença entre microcistina-LR e microcistinas totais?

Microcistina-LR é uma variante específica. Microcistinas totais correspondem a uma avaliação mais ampla do conjunto de microcistinas determinado pelo método analítico.


Em quais tipos de água a análise pode ser realizada?

A análise é especialmente relevante para águas superficiais, como rios, lagos, lagoas, represas e reservatórios, principalmente quando utilizados como fonte para abastecimento.


Como saber se uma água possui microcistinas?

A confirmação depende de análise laboratorial. A presença de coloração esverdeada ou de uma floração pode indicar proliferação de cianobactérias, mas não determina, isoladamente, a presença ou concentração da toxina.


Como solicitar a análise de microcistinas totais?

O ideal é entrar em contato previamente com o laboratório para receber orientações sobre recipiente, volume de amostra, conservação, transporte e prazo entre coleta e análise.




 
 
 

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