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Análise de Índice de Oxidação em Mel e Própolis: como esse ensaio contribui para o controle de qualidade

27 de jan. de 2023
7 min de leitura

Introdução


Produtos apícolas, como mel e própolis, possuem composição química complexa e podem sofrer alterações ao longo do processamento e do armazenamento.


Por isso, a avaliação laboratorial é uma ferramenta importante para verificar características relacionadas à identidade, qualidade e conservação desses produtos.


Entre os ensaios utilizados na avaliação da própolis está a análise de índice de oxidação, também denominada em referências oficiais como atividade de oxidação.


O teste permite avaliar a velocidade de determinadas reações de oxidação associadas aos componentes presentes na amostra, contribuindo para o controle físico-químico da matéria-prima e do produto final.


No Brasil, a Instrução Normativa MAPA nº 3, de 19 de janeiro de 2001, estabelece requisitos específicos de identidade e qualidade para a própolis e o extrato de própolis.


Para esses produtos, a atividade de oxidação possui limite regulamentar definido. Já para o mel, o controle oficial de qualidade utiliza outros indicadores, como hidroximetilfurfural (HMF), atividade diastásica, acidez e umidade.



O que é o índice de oxidação?


A análise de índice de oxidação em mel/própolis é um ensaio físico-químico relacionado ao comportamento oxidativo dos compostos presentes no produto.


No caso da própolis, sua composição inclui resinas, substâncias balsâmicas, ceras, óleos essenciais, pólen e diferentes compostos químicos provenientes principalmente das fontes vegetais utilizadas pelas abelhas.


Entre eles, destacam-se compostos fenólicos e flavonoides, frequentemente relacionados às características antioxidantes da própolis.


O ensaio de atividade de oxidação é expresso em segundos. De forma simplificada, mede-se o intervalo necessário para que determinada reação química ocorra nas condições estabelecidas pelo método analítico.


Por isso, o resultado não deve ser interpretado como uma simples concentração de uma substância específica.


Ele representa uma propriedade físico-química da amostra que, quando avaliada em conjunto com outros parâmetros, auxilia na caracterização da qualidade da própolis.


A própria regulamentação brasileira inclui, além da atividade de oxidação, análises como compostos fenólicos, flavonoides, cinzas, cera e substâncias solúveis em etanol.



Índice de oxidação em própolis: qual é o valor de referência?


Para própolis, a legislação brasileira apresenta um critério objetivo.


Segundo a Instrução Normativa MAPA nº 3/2001, a própolis deve apresentar:Atividade de oxidação: máximo de 22 segundos.


O mesmo valor máximo de 22 segundos também é estabelecido para o extrato de própolis.


A normativa determina ainda outros requisitos. Na própolis, por exemplo, estão previstos mínimo de 5% de compostos fenólicos, mínimo de 0,5% de flavonoides, máximo de 25% de cera e mínimo de 35% de substâncias solúveis em etanol.


Para o extrato de própolis, existem especificações próprias de extrato seco, flavonoides, compostos fenólicos, teor alcoólico, metanol e outros parâmetros.


Esses resultados devem ser avaliados em conjunto, pois nenhum parâmetro isolado representa toda a qualidade química de um produto tão variável quanto a própolis.


Estudos científicos que avaliaram extratos comerciais de própolis brasileiros também utilizam a atividade de oxidação, juntamente com teores de compostos fenólicos, flavonoides e extrato seco, para comparação com os requisitos estabelecidos pela legislação nacional.



E no caso do mel?


Aqui existe uma diferença importante.A Instrução Normativa MAPA nº 11/2000, responsável pelo Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do Mel, não estabelece o índice ou atividade de oxidação como parâmetro oficial de identidade e qualidade do mel.


Para o mel, a regulamentação trabalha principalmente com parâmetros como:

  • açúcares redutores;

  • sacarose aparente;

  • umidade;

  • sólidos insolúveis em água;

  • minerais ou cinzas;

  • acidez;

  • atividade diastásica;

  • hidroximetilfurfural (HMF);

  • características sensoriais e indícios de fermentação.


Assim, quando a intenção é verificar possíveis alterações decorrentes de envelhecimento, armazenamento inadequado ou exposição excessiva ao calor no mel, análises como HMF e atividade diastásica costumam ser especialmente relevantes.


O HMF, por exemplo, pode aumentar durante o armazenamento prolongado ou em determinadas condições de aquecimento, enquanto a atividade das enzimas naturalmente presentes no mel pode diminuir.


Estudos com méis submetidos a aquecimento demonstram justamente a utilização desses dois indicadores para avaliar alterações de qualidade.


Portanto, apesar de ser possível estudar fenômenos de oxidação e capacidade antioxidante do mel por diferentes metodologias laboratoriais, é importante diferenciar essas avaliações do parâmetro regulamentar de atividade de oxidação estabelecido especificamente para própolis e extrato de própolis.



Como é realizada a análise de índice de oxidação?


A metodologia pode variar de acordo com o produto, a finalidade da análise e o procedimento validado pelo laboratório.


De maneira geral, a amostra é preparada e submetida a condições padronizadas de reação. Após a adição dos reagentes previstos pelo método, acompanha-se a resposta química até atingir o ponto determinado pelo procedimento analítico.


O intervalo observado é registrado em segundos.


É fundamental que fatores como concentração dos reagentes, temperatura, preparo da amostra, tempo de reação e identificação do ponto final sejam controlados, pois alterações nessas condições podem influenciar diretamente o resultado.


A IN MAPA nº 3/2001 cita referências metodológicas para avaliação dos produtos apícolas, incluindo métodos físico-químicos oficiais e referências específicas utilizadas historicamente para o controle de própolis.



Por que analisar a atividade de oxidação da própolis?


A análise é relevante principalmente para empresas responsáveis pela produção, beneficiamento ou comercialização de própolis e extratos.


Ela pode auxiliar:

  • no controle de qualidade das matérias-primas;

  • na avaliação de diferentes lotes;

  • no atendimento às especificações legais;

  • na qualificação de fornecedores;

  • no desenvolvimento de produtos contendo própolis;

  • no acompanhamento da padronização dos processos produtivos;

  • na elaboração de documentação técnica e laudos de controle.


Como a composição da própolis pode variar conforme a origem botânica, região de produção, espécie vegetal disponível e outros fatores, o controle por diferentes parâmetros físico-químicos torna-se particularmente importante.


A legislação brasileira reconhece essa variabilidade inclusive nas características sensoriais do produto, como cor, aroma, sabor e consistência.



Índice de oxidação e atividade antioxidante são a mesma coisa?


Não necessariamente.Esse ponto costuma causar bastante confusão.


A atividade de oxidação determinada para controle de identidade e qualidade da própolis segue uma metodologia específica e possui resultado expresso em segundos.


Já a atividade antioxidante pode ser determinada por diversas metodologias, como DPPH, ABTS e FRAP, utilizadas principalmente para avaliar a capacidade de determinados compostos presentes no produto de reagir com espécies oxidantes ou radicais livres.


Consequentemente, os resultados obtidos por esses ensaios não devem ser tratados como equivalentes.


Da mesma forma, teor de compostos fenólicos e teor de flavonoides fornecem informações complementares, mas não substituem diretamente a determinação da atividade de oxidação quando esse parâmetro é necessário para verificar o atendimento à legislação aplicável à própolis.



Outros parâmetros importantes para análise de própolis


Para uma avaliação mais completa, a análise de índice de oxidação pode integrar um conjunto maior de ensaios.


A IN MAPA nº 3/2001 estabelece para a própolis parâmetros como perda por dessecação, cinzas, teor de cera, compostos fenólicos, flavonoides, atividade de oxidação, massa mecânica e substâncias solúveis em etanol.


Também prevê determinadas provas qualitativas. Para o extrato de própolis, os requisitos incluem, entre outros, extrato seco, cera, flavonoides, compostos fenólicos, atividade de oxidação, teor alcoólico e metanol.


A escolha do pacote de ensaios deve considerar o tipo de produto analisado, sua finalidade comercial e a legislação correspondente.



A importância da análise laboratorial


A qualidade dos produtos apícolas não pode ser determinada apenas por aparência, aroma ou sabor.


Ensaios laboratoriais permitem obter dados quantitativos e reproduzíveis sobre as características da amostra, facilitando a identificação de desvios, a padronização de lotes e a comparação dos resultados com os requisitos regulamentares.


Para fabricantes, distribuidores e produtores, esse acompanhamento contribui ainda para a rastreabilidade e para a tomada de decisões relacionadas ao recebimento de matérias-primas, liberação de produtos e investigação de possíveis alterações durante o armazenamento.


No Brasil, mel, própolis e outros produtos de abelhas possuem regulamentos próprios. A página de legislação do Ministério da Agricultura e Pecuária identifica a IN nº 11/2000 como o regulamento de identidade e qualidade do mel e a IN nº 3/2001 como referência para própolis, extrato de própolis e outros produtos apícolas.



Conclusão


A análise de Índice de Oxidação em Mel/Própolis pode fazer parte da avaliação físico-química dos produtos apícolas, porém sua interpretação deve considerar o tipo específico de amostra.


Para própolis e extrato de própolis, a atividade de oxidação é um parâmetro regulamentado pela IN MAPA nº 3/2001, que estabelece valor máximo de 22 segundos.


Para o mel, por outro lado, a legislação brasileira não estabelece esse mesmo ensaio como requisito oficial de identidade e qualidade.


Nesse produto, parâmetros como HMF, atividade diastásica, acidez, umidade e composição de açúcares são mais apropriados para a avaliação regulamentar.


A realização das análises por laboratório especializado permite obter resultados confiáveis e tecnicamente interpretáveis, contribuindo para o controle de matérias-primas, produtos acabados e processos produtivos.


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FAQ — Índice de Oxidação em Mel e Própolis


O que é o índice de oxidação da própolis?

É um parâmetro físico-químico utilizado na avaliação da própolis e relacionado à velocidade de uma reação de oxidação realizada em condições controladas. O resultado é normalmente expresso em segundos.


Qual é o limite de índice de oxidação para própolis?

A IN MAPA nº 3/2001 estabelece atividade de oxidação máxima de 22 segundos para própolis. O mesmo limite é previsto para extrato de própolis.


Quanto menor o tempo de oxidação da própolis, melhor?

O resultado deve ser interpretado de acordo com o método utilizado e com os requisitos aplicáveis. Para fins regulamentares, o ponto principal é verificar se a amostra atende ao máximo de 22 segundos estabelecido pela legislação.


Existe limite de índice de oxidação para mel?

A IN MAPA nº 11/2000 não estabelece atividade ou índice de oxidação como parâmetro de identidade e qualidade do mel. Para esse produto, são utilizados outros indicadores, como HMF, atividade diastásica, umidade, acidez e composição de açúcares.


Índice de oxidação é igual à atividade antioxidante?

Não. Ensaios de atividade antioxidante, como DPPH, ABTS ou FRAP, avaliam propriedades diferentes e utilizam metodologias e unidades próprias. Eles não devem ser considerados substitutos diretos do parâmetro regulamentar de atividade de oxidação da própolis.


Quais outras análises podem ser realizadas em própolis?

Dependendo do produto e da finalidade, podem ser avaliados compostos fenólicos, flavonoides, cera, cinzas, perda por dessecação, substâncias solúveis em etanol, extrato seco, teor alcoólico e metanol, entre outros parâmetros previstos na regulamentação.




 
 
 

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