Cianobactérias: o perigo invisível nas águas eutrofizadas
- Enfermeira Natalia Balsalobre
- 21 de nov. de 2024
- 7 min de leitura
1.Introdução: Cianobactérias — o que são e por que se tornaram um problema atual
As cianobactérias, também chamadas de algas azul-esverdeadas, são microrganismos fotossintetizantes que existem há bilhões de anos nos ambientes aquáticos. Elas tiveram papel fundamental na formação da atmosfera terrestre ao produzirem oxigênio, o que possibilitou a evolução da vida como a conhecemos.
Apesar da importância ecológica, as cianobactérias podem se tornar um problema grave quando se multiplicam em excesso, especialmente em corpos d’água que recebem grandes quantidades de nutrientes, como nitrogênio e fósforo.
Esse fenômeno é chamado de floração e ocorre principalmente em águas doces que passam por eutrofização.
As florações formam camadas espessas e visíveis na superfície da água, e muitas espécies liberam toxinas — as chamadas cianotoxinas — que são perigosas para humanos, animais e ecossistemas.
Este artigo vai abordar:
Como as cianobactérias proliferam e o que é eutrofização;
Os diferentes tipos de cianotoxinas e seus efeitos;
Como identificar florações;
A importância da análise laboratorial;
Os impactos ambientais e econômicos;
Casos reais de surtos no Brasil e no mundo;
Métodos laboratoriais para análise;
Normas e regulamentos;
Boas práticas de manejo;
Como um laboratório especializado pode ajudar.

2.O que é eutrofização e como ela favorece as florações
A eutrofização é o enriquecimento excessivo dos corpos d’água com nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo, que desestabilizam o equilíbrio natural e favorecem o crescimento acelerado de organismos como as cianobactérias.
Como ocorre a eutrofização?
Esse processo pode ocorrer naturalmente, mas o impacto humano acelerou muito sua frequência e intensidade, por meio de:
Lançamento de esgoto doméstico e industrial sem tratamento adequado;
Uso intensivo e inadequado de fertilizantes na agricultura;
Erosão do solo que carrega nutrientes para os rios;
Descarte irregular de resíduos orgânicos.
Consequências na água
Com o excesso de nutrientes, as cianobactérias encontram condições ideais para crescer rapidamente, especialmente quando combinadas com:
Temperaturas elevadas;
Águas paradas ou com pouca circulação;
Luz solar intensa.
Esse crescimento excessivo provoca:
Diminuição da transparência da água;
Redução do oxigênio dissolvido, levando à morte de peixes;
Alteração do pH e da cor da água;
Problemas no tratamento da água para consumo.
3.Cianotoxinas: tipos, efeitos no corpo humano e animais afetados
Nem todas as cianobactérias são tóxicas, mas as que produzem cianotoxinas representam um grande risco à saúde.
Principais cianotoxinas
Microcistinas: atacam o fígado, podendo causar inflamações, danos celulares e risco de câncer. Persistem na água por semanas e podem se acumular em peixes.
Cilindrospermopsinas: tóxicas para fígado, rins e trato respiratório.
Saxitoxinas: neurotoxinas que causam paralisia muscular e insuficiência respiratória.
Anatoxinas: agem rapidamente no sistema nervoso central, podendo ser fatais.
Formas de exposição
Consumo direto de água contaminada;
Ingestão de peixes e frutos do mar contaminados;
Contato da pele com água poluída durante lazer;
Inalação de gotículas de água contaminada.
Sintomas comuns
Irritação na pele e olhos;
Náusea, vômito e diarreia;
Dores de cabeça e tontura;
Em casos graves, convulsões, falência hepática e morte.
Animais, como cães e gado, estão especialmente vulneráveis e podem morrer após beberem água contaminada.

4.Como identificar uma floração: sinais visuais, sensoriais e laboratoriais
Sinais visuais
Água verde, azul-esverdeada ou com aparência turva;
Espuma ou “nata” na superfície;
Mortes ou comportamento estranho de peixes.
Sinais sensoriais
Odor desagradável (mofo, terra molhada);
Irritação na pele e olhos.
Por que a análise laboratorial é essencial?
Nem toda água com aparência limpa está livre de toxinas, e nem toda floração visual representa risco tóxico. Por isso, análises laboratoriais são imprescindíveis para confirmar presença e níveis de toxinas.
5. Impactos ambientais e socioeconômicos da proliferação de cianobactérias
O crescimento excessivo dessas bactérias provoca impactos ambientais graves, como:
Redução da biodiversidade aquática;
Mortandade de peixes e organismos;
Alteração da cadeia alimentar;
Proliferação de bactérias anaeróbicas que liberam gases tóxicos;
Degradação de ecossistemas aquáticos.
Consequências econômicas e sociais
Suspensão ou restrição do abastecimento público de água;
Perda no turismo e lazer em áreas contaminadas;
Prejuízos à piscicultura e agricultura;
Custos elevados para tratamentos emergenciais e monitoramento;
Impactos negativos para a saúde da população.
6. Estudos de caso: surtos no Brasil e no mundo
Lago Paranoá (DF)
Períodos de seca e concentração de nutrientes causaram florações que afetaram o uso recreativo e geraram alerta nas autoridades.
Sistema Cantareira (SP)
Casos de microcistinas elevaram o nível de alerta para o tratamento de água da região metropolitana de São Paulo.
Lago Erie (EUA)
Em 2014, a cidade de Toledo suspendeu o fornecimento de água devido a intoxicação por microcistinas, afetando milhares de pessoas.
Rio Murray (Austrália)
Enfrenta florações frequentes que afetam abastecimento e biodiversidade, demandando investimentos contínuos em controle.
7. Como é feita a análise laboratorial de cianobactérias e toxinas
Coleta de amostras
Realizada em pontos estratégicos, com equipamentos estéreis, para garantir representatividade e evitar contaminação.
Transporte e preservação
As amostras são refrigeradas e processadas rapidamente para manter a qualidade e integridade.
Análise microscópica
Identificação das espécies presentes segundo características morfológicas.
Técnicas moleculares
PCR para detectar genes que indicam potencial toxigênico.
Quantificação das toxinas
Métodos como ELISA e LC-MS/MS possibilitam detectar e medir níveis de toxinas.
Interpretação técnica
Relatórios detalhados orientam ações de controle e mitigação.
8. Normas brasileiras e internacionais sobre qualidade da água
Portaria GM/MS nº 888/2021: limite máximo de 1,0 µg/L para microcistina-LR em água potável.
Resolução CONAMA 357/2005: classifica corpos d’água e define parâmetros de qualidade.
Organização Mundial da Saúde (OMS): orientações globais sobre monitoramento e limites seguros.
Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA): normas e diretrizes para controle de toxinas.
9. Boas práticas de manejo preventivo e controle
Tratamento eficiente de esgoto para evitar lançamento de nutrientes;
Uso controlado e consciente de fertilizantes na agricultura;
Preservação de vegetação ciliar para filtragem natural;
Monitoramento constante da qualidade da água;
Educação ambiental para população e produtores.
10. Como nosso laboratório pode apoiar diferentes setores
Oferecemos:
Estrutura tecnológica avançada;
Equipe especializada e treinada;
Laudos técnicos detalhados com interpretação e recomendações;
Atendimento personalizado para companhias de saneamento, órgãos ambientais, condomínios, propriedades rurais e indústrias;
Conformidade com as normas vigentes.
11. Checklist: quando solicitar uma análise da água
Alterações visuais ou odor na água;
Presença de espuma ou floração visível;
Denúncias ou suspeitas da comunidade;
Uso da água para consumo, irrigação ou lazer;
Histórico de florações na região;
Eventos climáticos que possam alterar a qualidade.
12. Conclusão: Educação, monitoramento e ciência para proteger a saúde e o meio ambiente
O crescimento descontrolado de cianobactérias é um sinal claro de desequilíbrio ambiental com consequências para a saúde, o meio ambiente e a economia. Identificar precocemente e agir preventivamente é essencial.
O monitoramento regular aliado a análises laboratoriais precisas possibilita tomadas de decisão eficazes, protegendo recursos hídricos e a população.
Nosso laboratório está preparado para oferecer suporte técnico especializado, ajudando a garantir água segura e ambientes mais saudáveis para todos.
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❓Perguntas Frequentes (FAQ) sobre Cianobactérias e Análise da Água
1. O que são cianobactérias?
São microrganismos fotossintetizantes que vivem na água doce e salgada. Apesar de naturais, algumas espécies produzem toxinas perigosas para a saúde humana e animal quando se proliferam em excesso.
2. O que causa a proliferação das cianobactérias?
O principal fator é o excesso de nutrientes (nitrogênio e fósforo) na água, geralmente vindo de esgoto, fertilizantes e efluentes industriais.
3. Como posso saber se a água está contaminada por cianobactérias?
A olho nu, pode-se notar mudanças na cor (verde, azul-esverdeada), presença de espuma ou “nata”, odor forte e morte de peixes. No entanto, a presença de toxinas só pode ser confirmada por análise laboratorial.
4. Toda floração de cianobactérias é tóxica?
Não. Algumas florações não produzem toxinas. Mas como não é possível saber visualmente, é essencial realizar análises laboratoriais para detectar a presença de cianotoxinas.
5. Quais são os riscos para a saúde humana?
As toxinas podem causar reações alérgicas, problemas gastrointestinais, hepáticos e neurológicos. Em casos graves, podem provocar falência de órgãos ou morte, especialmente em crianças, idosos e animais de estimação.
6. A água contaminada pode ser usada para irrigação ou banho?
Não é recomendado. A exposição por contato ou inalação também oferece riscos. A água deve ser analisada antes de qualquer uso recreativo ou agrícola.
7. Quanto tempo leva para obter o resultado da análise?
O tempo varia conforme os métodos utilizados. Resultados preliminares (microscopia) podem sair em até 48h, enquanto análises de toxinas (como LC-MS/MS) podem levar alguns dias.
8. O tratamento convencional de água elimina as toxinas?
Nem sempre. Algumas toxinas resistem à cloração e outros processos comuns. Por isso, é fundamental monitorar e adaptar o tratamento com base nos resultados laboratoriais.
9. Como prevenir o surgimento de florações?
A melhor forma é controlar a entrada de nutrientes nos corpos d’água. Isso inclui tratar esgoto, reduzir o uso de fertilizantes e preservar áreas de vegetação ciliar.
10. Que tipos de locais devem fazer esse tipo de análise?
Todos os locais que utilizam água de rios, lagos ou represas — como condomínios, fazendas, hotéis com lagos ornamentais, indústrias e municípios — devem monitorar regularmente a qualidade da água.
11. O que o laudo laboratorial informa?
O laudo traz a identificação das espécies presentes, o nível de toxinas (se houver), recomendações técnicas e interpretações que auxiliam na tomada de decisão para tratamento ou controle.
12. Com que frequência devo fazer a análise?
Em áreas críticas ou com histórico de florações, o ideal é fazer monitoramento mensal, especialmente em épocas quentes. Em locais mais estáveis, análises trimestrais ou semestrais podem ser suficientes.
13. O laboratório ajuda na coleta da amostra?
Sim. Nosso laboratório pode fornecer orientações técnicas para coleta adequada ou disponibilizar equipe para realizar o procedimento, garantindo representatividade e qualidade na análise.
14. Posso solicitar orçamento mesmo sem saber exatamente o que preciso?
Claro. Nossa equipe técnica está preparada para entender sua necessidade e propor o tipo de análise mais adequado, com base no uso da água, na localização e no histórico da área.





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