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Análise de Magnésio Citrato: importância, métodos e controle de qualidade em alimentos e suplementos

28 de mai.
7 min de leitura

Introdução


O citrato de magnésio é uma das formas utilizadas para fornecer magnésio em suplementos alimentares.


Por unir o mineral a derivados do ácido cítrico, essa fonte é empregada em formulações em cápsulas, comprimidos, pós e outras apresentações destinadas à suplementação.


No Brasil, os sais de magnésio do ácido cítrico constam entre as fontes autorizadas de magnésio para suplementos alimentares na regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


Nesse contexto, a análise de magnésio citrato é uma ferramenta relevante para fabricantes, fornecedores de matérias-primas e responsáveis pelo controle de qualidade.


Por meio de métodos laboratoriais adequados, é possível verificar a quantidade de magnésio presente na amostra e comparar o resultado com a formulação, a especificação técnica ou as informações declaradas no produto.



O que é o citrato de magnésio?


O citrato de magnésio é um composto formado pela associação entre magnésio e ácido cítrico.


Ele pode ser empregado como fonte do mineral em suplementos alimentares, sendo encontrado em diferentes formulações e apresentações comerciais.


É importante compreender, entretanto, que citrato de magnésio e magnésio elementar não representam a mesma quantidade.


O peso total do composto inclui tanto a fração correspondente ao magnésio quanto a fração proveniente do citrato, além de possíveis diferenças relacionadas à forma química e ao grau de hidratação da matéria-prima.


Por isso, uma determinada quantidade de citrato de magnésio fornece apenas uma fração dessa massa na forma de magnésio.


Esse conceito é especialmente importante na interpretação de resultados laboratoriais e na elaboração da rotulagem.


O National Institutes of Health (NIH), por exemplo, destaca que a quantidade declarada de magnésio em suplementos corresponde ao magnésio elementar, e não ao peso total do composto contendo magnésio.


Assim, um produto pode conter uma determinada massa de citrato de magnésio como ingrediente, enquanto a quantidade efetivamente declarada como nutriente corresponde apenas à fração de magnésio fornecida por esse composto.



Para que serve a análise de magnésio citrato?


A análise laboratorial pode ser empregada em diferentes etapas da cadeia produtiva.


Entre suas principais aplicações estão o controle de matérias-primas, a avaliação do produto acabado, a confirmação da quantidade de magnésio adicionada à formulação e a verificação de conformidade com especificações internas ou requisitos aplicáveis.


A análise também pode ser utilizada em estudos de desenvolvimento de produtos e de estabilidade.


Durante o desenvolvimento de um suplemento, por exemplo, conhecer a concentração real de magnésio permite verificar se a formulação está entregando a quantidade de mineral prevista no projeto.


No controle de qualidade de matérias-primas, a avaliação pode auxiliar na confirmação do teor do elemento presente no ingrediente adquirido.


Já no produto acabado, o ensaio permite comparar a concentração encontrada com o valor esperado para a porção estabelecida pelo fabricante.


Esse controle é particularmente relevante porque diferenças na pureza da matéria-prima, na umidade, na forma química utilizada, na homogeneização da mistura e no próprio processo produtivo podem influenciar a quantidade final encontrada no produto.



Como é realizada a análise de magnésio citrato?


A técnica utilizada depende do objetivo do ensaio. Quando o objetivo é determinar quanto magnésio existe na amostra, normalmente é realizada uma análise elementar.


Nesse caso, o laboratório quantifica o elemento magnésio independentemente da molécula à qual ele estava originalmente associado.


Uma das técnicas que pode ser utilizada é a Espectrometria de Emissão Óptica com Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-OES), também conhecida como ICP-AES.


De maneira simplificada, a amostra passa inicialmente por um processo de preparo, que pode envolver pesagem, homogeneização e digestão.


A solução obtida é então introduzida no equipamento, onde os elementos presentes são excitados por um plasma de alta temperatura.


Cada elemento emite radiação em comprimentos de onda característicos. A intensidade dessa emissão permite determinar sua concentração.


O Elemental Analysis Manual da Food and Drug Administration (FDA) apresenta metodologia para determinação de elementos em alimentos por espectrometria de emissão com plasma indutivamente acoplado após digestão assistida por micro-ondas, e inclui o magnésio entre os elementos que podem ser avaliados por técnicas de análise elementar.


Dependendo da matriz, da faixa de concentração, do objetivo do ensaio e do procedimento validado pelo laboratório, outras técnicas instrumentais também podem ser empregadas.


É importante destacar que a determinação do magnésio total não comprova, isoladamente, que todo o magnésio encontrado esteja especificamente na forma de citrato de magnésio.


Caso seja necessário comprovar a identidade química da matéria-prima ou determinar também a fração de citrato, podem ser necessários ensaios complementares específicos.


Por isso, antes da análise, é fundamental definir claramente a pergunta que o ensaio precisa responder: verificar magnésio elementar, confirmar uma matéria-prima, determinar pureza ou avaliar a composição de um produto acabado.


Por que a preparação da amostra é importante?


Uma análise instrumental confiável começa muito antes da leitura no equipamento.

Produtos alimentícios e suplementos podem apresentar matrizes bastante diferentes.


Cápsulas, comprimidos, pós, bebidas e misturas nutricionais possuem proporções distintas de proteínas, carboidratos, lipídios, minerais, excipientes e outros componentes.


Por esse motivo, o preparo da amostra deve ser adequado às características do produto.

Em análises elementares, procedimentos de digestão ácida podem ser utilizados para decompor a matriz e colocar o magnésio em uma solução apropriada para a leitura instrumental.


A FDA inclui a digestão assistida por micro-ondas entre os procedimentos empregados no preparo de alimentos para análises de elementos.


Também são importantes medidas de controle de qualidade analítico, como utilização de brancos, soluções de calibração, materiais de referência e amostras fortificadas, conforme aplicável ao método utilizado.


Esses controles permitem avaliar possíveis contaminações, interferências instrumentais e a eficiência do procedimento analítico.



Magnésio citrato e a legislação de suplementos alimentares


No Brasil, os suplementos alimentares são regulamentados, entre outras normas aplicáveis, pela RDC nº 243/2018, que estabelece requisitos relacionados à composição, qualidade, segurança e rotulagem desses produtos.


A Instrução Normativa nº 28/2018, com suas atualizações, estabelece listas de constituintes autorizados, limites de uso, alegações e requisitos complementares para suplementos alimentares.


Entre as fontes de magnésio previstas estão os sais de magnésio do ácido cítrico.


A Anvisa também informa que os constituintes utilizados em suplementos devem fazer parte das listas autorizadas ou possuir autorização específica.


Além disso, o rótulo de um suplemento deve informar, entre outros elementos, sua composição, quantidade de nutrientes, forma de uso e demais informações obrigatórias aplicáveis.


Nesse cenário, os ensaios laboratoriais contribuem para que fabricantes e responsáveis técnicos disponham de dados analíticos para avaliar seus produtos frente às especificações estabelecidas.



Como interpretar o resultado da análise?


Um dos cuidados mais importantes é observar qual grandeza está sendo informada no laudo.


Um resultado expresso como magnésio, por exemplo, representa a concentração do elemento Mg determinada na amostra.


Ele não deve ser automaticamente interpretado como a quantidade total de citrato de magnésio presente no produto.


Imagine que uma formulação utilize determinada quantidade de citrato de magnésio como matéria-prima.


Apenas parte dessa massa corresponde ao elemento magnésio. Assim, uma análise por ICP-OES poderá fornecer o teor de Mg, que posteriormente pode ser convertido para unidades adequadas ao produto, como:

  • mg de magnésio por 100 g;

  • mg/kg;

  • mg por cápsula;

  • mg por comprimido;

  • mg por dose;

  • mg por porção.


A forma de apresentação deve considerar a finalidade do ensaio e, quando aplicável, as informações de formulação e rotulagem.


Essa distinção evita um erro relativamente comum: comparar diretamente a massa da matéria-prima “citrato de magnésio” adicionada ao produto com o resultado de “magnésio” apresentado pelo laboratório.



Importância da análise para o controle de qualidade


A análise de magnésio citrato pode fazer parte de um programa mais amplo de controle de qualidade de suplementos e ingredientes.


Os resultados podem auxiliar na avaliação da uniformidade de lotes, na qualificação de fornecedores, no acompanhamento de processos produtivos e na investigação de desvios.


Também podem fornecer dados importantes durante estudos de estabilidade, especialmente quando o fabricante precisa verificar se o produto mantém as características especificadas ao longo do prazo de validade.


Para que esses resultados sejam tecnicamente úteis, o método deve ser adequado à matriz e à concentração esperada do analito, além de possuir critérios de controle de qualidade compatíveis com a finalidade da análise.



Conclusão


O citrato de magnésio é uma fonte de magnésio utilizada em suplementos alimentares, e seu controle analítico é importante para assegurar que matérias-primas e produtos acabados apresentem características compatíveis com suas especificações.


A análise pode envolver principalmente a determinação de magnésio elementar, utilizando técnicas instrumentais como ICP-OES, além de ensaios complementares quando o objetivo for avaliar especificamente a identidade ou outras características do citrato de magnésio.


Por isso, definir previamente o objetivo do ensaio e utilizar metodologia adequada são etapas fundamentais para a obtenção de resultados confiáveis.


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FAQ — Perguntas frequentes sobre análise de magnésio citrato


O que é analisado no ensaio de magnésio citrato?

Quando o objetivo é avaliar o teor nutricional, normalmente determina-se a quantidade de magnésio elementar presente na amostra. Se for necessária a confirmação específica do citrato ou da identidade da matéria-prima, podem ser necessários ensaios complementares.


Citrato de magnésio e magnésio são a mesma coisa?

Não. O citrato de magnésio é um composto que contém magnésio. O magnésio elementar corresponde apenas a uma parte da massa total desse composto.


Qual técnica pode ser utilizada para analisar magnésio?

Uma das técnicas aplicáveis é a ICP-OES, que permite quantificar elementos como o magnésio após preparo apropriado da amostra. A metodologia deve ser selecionada e validada considerando a matriz e a finalidade do ensaio.


A análise pode ser feita em cápsulas e pós?

Sim. A determinação de magnésio pode ser realizada em diferentes matrizes, incluindo matérias-primas, cápsulas, comprimidos, pós e outras formulações, desde que seja empregado um preparo de amostra adequado.


A análise consegue confirmar quanto citrato de magnésio foi colocado na fórmula?

A determinação apenas do magnésio total não demonstra, por si só, que todo o elemento encontrado está ligado ao citrato. Para confirmar especificamente a identidade ou composição do sal utilizado, podem ser necessárias informações da formulação e análises complementares.


Por que analisar magnésio em suplementos?

A análise auxilia no controle de matéria-prima e produto acabado, na verificação da formulação, no acompanhamento de lotes e na obtenção de dados para comparação com especificações e informações de rotulagem.


O citrato de magnésio é permitido em suplementos no Brasil?

A legislação brasileira contempla os sais de magnésio do ácido cítrico entre as fontes autorizadas de magnésio para suplementos alimentares, observadas as demais condições estabelecidas pela regulamentação da Anvisa.



 
 
 

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