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Análise de Magnésio em Suplementos: importância, métodos e controle de qualidade

23 de out. de 2023
8 min de leitura

Introdução


O magnésio é um mineral essencial ao organismo humano e está presente em uma ampla variedade de suplementos alimentares, seja isoladamente ou associado a vitaminas, aminoácidos e outros minerais.


Por esse motivo, a análise de magnésio em suplemento é uma etapa importante do controle de qualidade, permitindo verificar quanto do mineral realmente está presente no produto e se sua composição está de acordo com as especificações estabelecidas.


No mercado, o magnésio pode aparecer associado a diferentes compostos, como citrato, óxido, cloreto, malato, bisglicinato, taurato e outras fontes.


Embora essas matérias-primas tenham composições diferentes, um dos aspectos fundamentais para o controle do produto acabado é a determinação da quantidade de magnésio elementar fornecida pela porção recomendada.


Essa distinção é especialmente importante porque a massa do composto de magnésio não corresponde diretamente à quantidade de magnésio elementar presente nele.


O National Institutes of Health (NIH), por exemplo, destaca que suplementos podem utilizar diversas formas químicas do mineral e que a quantidade nutricionalmente declarada corresponde ao magnésio propriamente dito, e não à massa total do sal ou composto que o contém.



O que é a análise de magnésio em suplemento?


A análise de magnésio em suplemento é um ensaio quantitativo utilizado para determinar a concentração do elemento magnésio (Mg) em uma amostra.


Essa avaliação pode ser realizada em diferentes apresentações, como cápsulas, comprimidos, pós, sachês, soluções e outras formas utilizadas pela indústria de suplementos alimentares.


Na prática, a análise permite responder a uma pergunta fundamental: quanto magnésio existe efetivamente no produto?


O resultado pode ser expresso, conforme a finalidade da análise, em unidades como mg/kg, mg/100 g, mg/g, percentual ou quantidade de magnésio por unidade ou porção do suplemento.


A interpretação deve considerar a formulação, o tamanho da porção, a recomendação de consumo e as informações declaradas pelo fabricante.


A legislação brasileira estabelece requisitos específicos para suplementos alimentares. A RDC nº 243/2018 é uma das bases regulatórias dessa categoria, enquanto a IN nº 28/2018 e suas atualizações estabelecem listas de constituintes autorizados, limites de uso, alegações e requisitos complementares.


A própria Anvisa mantém uma ferramenta para consulta dos constituintes autorizados e das respectivas condições de utilização.



Por que determinar o teor de magnésio?


A composição informada ao consumidor deve representar adequadamente as características do produto.


Por isso, a determinação laboratorial do teor de magnésio pode integrar diferentes etapas do controle de qualidade, incluindo desenvolvimento de formulações, avaliação de matérias-primas, liberação de lotes, investigação de desvios e acompanhamento da estabilidade do produto.


Entre as principais aplicações da análise estão:

  • confirmação do teor de magnésio no produto acabado;

  • comparação entre resultado analítico e valor declarado;

  • controle da uniformidade entre diferentes lotes;

  • avaliação de matérias-primas utilizadas na formulação;

  • monitoramento de processos produtivos;

  • apoio ao desenvolvimento e à reformulação de suplementos;

  • obtenção de dados para controle de qualidade e documentação técnica.


Nos suplementos, a tabela nutricional deve informar as quantidades dos nutrientes presentes no produto.


A Anvisa também exige outras informações importantes na rotulagem, como recomendação de uso, advertências, restrições quando aplicáveis e lista de ingredientes.


Dessa forma, dados analíticos confiáveis são importantes para verificar se a composição real é compatível com a formulação e com as informações utilizadas pelo fabricante.



Magnésio elementar e fonte de magnésio são a mesma coisa?


Não. Essa é uma das principais questões na interpretação da análise.


Quando uma formulação contém, por exemplo, citrato de magnésio, óxido de magnésio ou outra fonte, apenas uma fração da massa dessa matéria-prima corresponde ao elemento magnésio.


Imagine, de maneira simplificada, que determinada quantidade de um composto seja adicionada à formulação.


Não se pode considerar automaticamente toda essa massa como sendo magnésio, pois parte dela corresponde aos demais componentes químicos ligados ao mineral.


Por isso, é necessário diferenciar:

  • Fonte de magnésio: substância utilizada como ingrediente na formulação.

  • Magnésio elementar: quantidade efetiva do elemento Mg fornecida pelo ingrediente e que pode ser determinada analiticamente.


Essa diferenciação também explica por que dois suplementos podem utilizar quantidades diferentes de matérias-primas e, ainda assim, fornecer quantidades semelhantes de magnésio elementar.


Existem ainda diferenças de solubilidade e biodisponibilidade entre algumas formas de magnésio.


O NIH descreve que formas como citrato, aspartato, lactato e cloreto apresentam, em geral, maior absorção do que algumas formas menos solúveis, como o óxido.


Essas características nutricionais, entretanto, são diferentes da determinação laboratorial do teor total de magnésio presente na amostra


Como é realizada a análise de magnésio em suplementos?


O procedimento analítico depende das características da amostra e do método adotado pelo laboratório.


Em uma abordagem instrumental, a amostra é inicialmente preparada e homogeneizada para que a porção utilizada no ensaio seja representativa do produto.


Dependendo da matriz, pode ser necessária uma etapa de digestão ou mineralização para colocar o magnésio em uma forma adequada para medição.


Posteriormente, o elemento pode ser quantificado por técnicas instrumentais apropriadas.


Entre as técnicas utilizadas para determinação de minerais estão, por exemplo:

Espectrometria de emissão óptica com plasma indutivamente acoplado (ICP-OES): permite determinar elementos minerais a partir da emissão característica produzida no plasma.


Espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS): técnica de elevada sensibilidade, especialmente útil para análises multielementares e concentrações reduzidas.


Espectrometria de absorção atômica (AAS): outra técnica tradicionalmente empregada na determinação quantitativa de elementos minerais.


A escolha do procedimento depende da matriz, concentração esperada, faixa de trabalho, finalidade do ensaio e método validado ou verificado pelo laboratório.


É importante destacar que determinar magnésio total não significa necessariamente identificar qual forma química de magnésio está presente no produto.


Um resultado de magnésio obtido por uma técnica elementar informa a quantidade do elemento Mg.


A confirmação específica de determinadas estruturas químicas pode exigir técnicas e estratégias analíticas diferentes.



Quais suplementos podem ser analisados?


A análise pode ser aplicada a diversas formulações contendo magnésio, incluindo produtos formulados com:

  • citrato de magnésio;

  • óxido de magnésio;

  • cloreto de magnésio;

  • malato de magnésio;

  • bisglicinato ou glicinato de magnésio;

  • taurato de magnésio;

  • lactato de magnésio;

  • aspartato de magnésio;

  • misturas de diferentes fontes;

  • suplementos multivitamínicos e multiminerais.


Antes da análise, é importante conhecer a matriz, a apresentação comercial e a finalidade do ensaio.


Essas informações auxiliam na escolha da preparação da amostra, faixa analítica e expressão do resultado.



Controle de qualidade e legislação de suplementos


No Brasil, os suplementos alimentares estão sujeitos a requisitos sanitários e de composição estabelecidos pela Anvisa.


Além da RDC nº 243/2018 e da IN nº 28/2018 e suas atualizações, o modelo de regularização dos alimentos foi alterado pela RDC nº 843/2024 e pela IN nº 281/2024.


Desde setembro de 2024, essas normas estabeleceram os procedimentos de registro, notificação e comunicação aplicáveis às diferentes categorias de alimentos. Para suplementos alimentares, a Anvisa passou a exigir notificação.


O período de transição aplicável a suplementos que haviam sido comunicados anteriormente à Vigilância Sanitária local chegou ao fim em 1º de setembro de 2026, e a Anvisa informou que a notificação é obrigatória para a manutenção da regularização sanitária desses produtos.


Além disso, não é permitido simplesmente utilizar qualquer composto como fonte de magnésio.


Os constituintes utilizados em suplementos devem estar entre aqueles autorizados pela Anvisa e atender às respectivas condições de uso.


A Agência mantém uma ferramenta atualizada para consulta das fontes permitidas, limites aplicáveis, população autorizada e demais requisitos.


Portanto, a avaliação de um suplemento deve considerar tanto os resultados laboratoriais quanto sua composição, público-alvo, recomendação de consumo e enquadramento regulatório.



A importância de um laboratório especializado


A qualidade de um resultado não depende apenas do equipamento utilizado. Todas as etapas do processo analítico podem influenciar a confiabilidade da medição.


Homogeneização, pesagem, preparação da amostra, controle de contaminações, calibração, utilização de materiais de referência, avaliação da faixa de trabalho e controles analíticos fazem parte de uma análise tecnicamente consistente.


Em suplementos minerais, esse cuidado é especialmente importante porque diferentes formulações podem apresentar concentrações muito distintas e matrizes complexas.


Ao contratar a análise de magnésio em suplemento, é recomendável fornecer ao laboratório informações como apresentação do produto, composição declarada, fonte de magnésio utilizada, quantidade esperada, tamanho da porção e objetivo da análise.


Esses dados ajudam na correta avaliação da amostra e na emissão de resultados adequados à finalidade pretendida.



Conclusão


A análise de magnésio em suplementos é uma ferramenta importante para o controle de qualidade de matérias-primas e produtos acabados.


Por meio da determinação quantitativa do mineral, é possível conhecer o teor real de magnésio presente na amostra, acompanhar a padronização dos lotes e comparar os resultados obtidos com as especificações do produto.


Esse controle ganha ainda mais importância diante da variedade de fontes disponíveis, como citrato, óxido, malato, glicinato e outras formas de magnésio.


Nosso laboratório realiza análise de magnésio em suplementos, oferecendo suporte técnico desde a avaliação da amostra até a interpretação e emissão dos resultados.


O serviço pode atender fabricantes de suplementos, indústrias de alimentos, desenvolvedores de produtos, distribuidores e empresas que necessitam verificar a composição de suas formulações.


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FAQ – Perguntas frequentes sobre análise de magnésio em suplementos


1. O que a análise de magnésio determina?

O ensaio determina quantitativamente a concentração do elemento magnésio presente na amostra. Dependendo da finalidade, o resultado pode ser apresentado em diferentes unidades ou convertido para a quantidade correspondente à porção ou unidade do produto.


2. Magnésio elementar é a mesma coisa que citrato de magnésio?

Não. O citrato de magnésio é um composto que contém magnésio. Somente uma fração de sua massa corresponde ao elemento Mg. Por isso, é necessário diferenciar a quantidade da matéria-prima adicionada da quantidade efetiva de magnésio fornecida.


3. É possível analisar magnésio em cápsulas e produtos em pó?

Sim. A determinação pode ser realizada em diferentes apresentações de suplementos, como pós, cápsulas, comprimidos e produtos líquidos, desde que seja utilizado um procedimento adequado à matriz.


4. A análise identifica se o magnésio é citrato, malato ou glicinato?

Uma determinação elementar de magnésio, como aquela realizada por ICP-OES, informa principalmente a quantidade total do elemento Mg. A identificação ou confirmação da forma química específica pode exigir uma abordagem analítica distinta.


5. É possível comparar o resultado da análise com o rótulo?

Sim. O resultado analítico pode ser utilizado para avaliar a quantidade de magnésio encontrada em relação ao teor declarado ou à especificação interna do fabricante. A interpretação deve considerar a unidade, porção recomendada, formulação e critérios regulatórios aplicáveis.


6. Qual método pode ser utilizado para analisar magnésio?

Técnicas instrumentais como ICP-OES, ICP-MS e espectrometria de absorção atômica podem ser utilizadas na determinação de minerais. A metodologia mais adequada depende da matriz, concentração esperada e procedimento estabelecido pelo laboratório.


7. A análise de magnésio é importante para fabricantes de suplementos?

Sim. O ensaio pode fazer parte do controle de matéria-prima, desenvolvimento de produtos, liberação de lotes, estudos de estabilidade e investigação de desvios, além de fornecer evidências analíticas sobre a composição do suplemento.




 
 
 

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