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Análise de Microcistina na Água: importância, riscos e controle da qualidade da água

Introdução


A qualidade da água está diretamente relacionada à proteção da saúde humana e à preservação dos ecossistemas.


Entre os diversos parâmetros que podem ser avaliados em uma amostra de água, a presença de microcistinas merece atenção especial, principalmente em locais abastecidos por mananciais superficiais, como rios, represas e lagos.


As microcistinas são cianotoxinas produzidas por determinadas espécies de cianobactérias, organismos que podem se multiplicar rapidamente em ambientes aquáticos quando encontram condições favoráveis, como disponibilidade elevada de nutrientes, luminosidade e temperatura adequada.


Por esse motivo, a análise de Microcistina na água é uma ferramenta importante para avaliar riscos associados à presença dessas toxinas e auxiliar no controle da qualidade da água destinada ao consumo humano.



O que são as microcistinas?


As microcistinas são toxinas produzidas por algumas cianobactérias, também conhecidas popularmente como “algas azuis”.


Apesar da aparência semelhante à de algas, as cianobactérias são organismos procariontes e podem ocorrer naturalmente em ambientes aquáticos.


Quando há condições ambientais favoráveis, pode ocorrer uma proliferação intensa desses organismos, fenômeno conhecido como floração de cianobactérias.


Nem toda floração produz toxinas, mas determinadas espécies podem produzir diferentes cianotoxinas.


Entre elas, as microcistinas estão entre as mais relevantes para o monitoramento da qualidade da água.


A preocupação é especialmente importante porque as microcistinas apresentam ação predominantemente hepatotóxica.


A exposição a concentrações elevadas pode representar risco à saúde, razão pela qual o monitoramento deve fazer parte de uma estratégia de controle da qualidade da água.


A Organização Mundial da Saúde também reconhece as microcistinas como contaminantes relevantes para a água potável e mantém orientações específicas relacionadas ao seu controle e gerenciamento de riscos.



Por que realizar a análise de Microcistina na água?


A simples avaliação visual da água não é suficiente para determinar se há presença de microcistinas.


Uma água pode apresentar aparência relativamente normal e, ainda assim, conter determinadas concentrações de cianotoxinas.


Por isso, a avaliação laboratorial é fundamental para identificar a presença e quantificar o contaminante.


No Brasil, a regulamentação da qualidade da água para consumo humano estabelece critérios específicos para o monitoramento de cianobactérias e cianotoxinas.


A Portaria GM/MS nº 888/2021, que atualiza o padrão de potabilidade estabelecido no Anexo XX da Portaria de Consolidação GM/MS nº 5/2017, determina o monitoramento de cianobactérias em sistemas de abastecimento que utilizam mananciais superficiais.


A legislação também estabelece situações em que deve ser realizada a análise de cianotoxinas.


De acordo com a regulamentação, quando a contagem de cianobactérias ultrapassa 20.000 células/mL, deve ser realizada análise das cianotoxinas microcistinas, saxitoxinas e cilindrospermopsinas no ponto de captação, com frequência mínima semanal enquanto essa condição permanecer.


A legislação também permite, como alternativa ao monitoramento de cianobactérias, o monitoramento semanal de cianotoxinas na água bruta, na entrada da estação de tratamento.


Essas exigências demonstram que a avaliação das cianotoxinas não deve ser vista apenas como uma análise complementar, mas como parte de uma estratégia de prevenção e gerenciamento dos riscos associados à qualidade da água.



Qual é o limite de microcistinas permitido na água?


Para água destinada ao consumo humano, o Valor Máximo Permitido (VMP) para microcistinas é de 1,0 µg/L, expresso como equivalente de MCYST-LR.


Um ponto importante é que esse valor representa o somatório das concentrações das diferentes variantes de microcistinas, conforme especificado na legislação brasileira.


Isso significa que a interpretação do resultado deve considerar não apenas a existência ou ausência da toxina, mas também sua concentração e a forma como o resultado é apresentado pelo método analítico empregado.


O resultado laboratorial deve, portanto, ser avaliado em conjunto com o tipo de água analisada, o ponto de coleta, o histórico do manancial e os requisitos regulatórios aplicáveis.


Como as microcistinas chegam à água?


A ocorrência de microcistinas está diretamente relacionada à presença e à proliferação de determinadas cianobactérias.


Um dos fatores que favorecem essas florações é o enriquecimento da água por nutrientes, especialmente nitrogênio e fósforo.


Esse processo pode estar associado a diferentes fontes, incluindo lançamento inadequado de efluentes, escoamento superficial e outras formas de aporte de nutrientes aos corpos d'água.


Condições ambientais como temperatura, luminosidade e características hidrodinâmicas também podem favorecer o desenvolvimento das cianobactérias.


Por isso, a ocorrência de florações pode variar ao longo do ano e de acordo com as condições ambientais do manancial.


A legislação brasileira estabelece ainda o monitoramento de clorofila-a como indicador do potencial aumento da população de cianobactérias.


Quando a concentração de clorofila-a atinge ou supera 10 µg/L, são previstas ações adicionais de monitoramento.



A análise de microcistina é a mesma coisa que a análise de cianobactérias?


Não.A análise de cianobactérias e a análise de microcistinas avaliam aspectos diferentes.


A análise de cianobactérias está relacionada à identificação e/ou quantificação desses organismos presentes na água.


Já a análise de microcistina busca determinar a concentração da toxina presente na amostra.


Essa distinção é importante porque a presença de cianobactérias não significa necessariamente que determinada amostra contenha microcistinas em concentração acima do limite permitido.


Da mesma forma, avaliar apenas características visuais da água não permite concluir se existe ou não contaminação por cianotoxinas.


Por esse motivo, dependendo da situação e do histórico do manancial, diferentes análises podem ser utilizadas de forma complementar para uma avaliação mais completa da qualidade da água.



Como é realizada a análise de Microcistina na água?


A determinação de microcistinas exige métodos analíticos apropriados e procedimentos laboratoriais capazes de detectar concentrações muito baixas da substância.


Entre as abordagens utilizadas em análises de microcistinas estão métodos imunológicos, como ELISA, e técnicas cromatográficas, como a cromatografia líquida.


Estudos realizados no Brasil demonstram a aplicação dessas técnicas para investigação de microcistinas em águas de mananciais, inclusive utilizando ELISA e cromatografia líquida de alta eficiência como ferramentas analíticas.


A escolha do método depende de fatores como objetivo da análise, matriz, faixa de concentração esperada, desempenho analítico e requisitos aplicáveis ao ensaio.


Também é fundamental que a coleta, preservação, transporte e preparação da amostra sejam realizados de maneira adequada.


Como ocorre com outros ensaios laboratoriais, uma coleta inadequada pode comprometer a representatividade do resultado.



Em quais águas a análise de microcistina pode ser importante?


Embora a preocupação esteja especialmente relacionada a mananciais superficiais utilizados para abastecimento, a avaliação pode ser pertinente em diferentes situações nas quais exista possibilidade de exposição à cianotoxina.


Entre os exemplos estão:

  • água bruta de rios, lagos e represas;

  • água de mananciais utilizados para abastecimento público;

  • água em sistemas de tratamento;

  • água destinada ao consumo humano;

  • reservatórios que apresentem histórico de florações;

  • pontos de captação de sistemas de abastecimento;

  • situações em que o monitoramento de cianobactérias indique aumento do risco.


A definição da necessidade e da frequência da análise deve considerar a legislação aplicável, as características do sistema de abastecimento e a avaliação de risco.



O que fazer quando há microcistina na água?


A identificação de microcistinas exige uma avaliação técnica para determinar a origem do problema, sua concentração e as medidas de controle necessárias.


É importante compreender que simplesmente realizar uma análise não elimina o contaminante. O resultado laboratorial serve como ferramenta para tomada de decisão.


Em sistemas de abastecimento, a avaliação deve considerar a qualidade da água bruta, a eficiência do tratamento e os resultados obtidos na água após o tratamento.


Outro aspecto relevante é evitar intervenções inadequadas no próprio manancial. A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece que, em razão dos riscos associados às cianotoxinas, é vedado o uso de algicidas ou outras intervenções que provoquem a lise das células de cianobactérias no manancial de abastecimento.


Essa determinação está relacionada ao fato de que o rompimento das células pode favorecer a liberação das toxinas para a água.



Conclusão


A análise de Microcistina na água desempenha um papel importante no controle da qualidade da água e na prevenção de riscos relacionados às cianotoxinas.


A ocorrência de florações de cianobactérias pode estar associada a diferentes fatores ambientais e, por isso, o acompanhamento sistemático da qualidade dos mananciais é fundamental, especialmente quando eles são utilizados para abastecimento.


No Brasil, a legislação estabelece critérios específicos para o monitoramento de cianobactérias e determina o VMP de 1,0 µg/L para microcistinas em água para consumo humano, considerando o somatório das variantes e o equivalente de MCYST-LR.


A realização de análises laboratoriais confiáveis permite identificar a presença da toxina, acompanhar sua concentração e fornecer informações importantes para decisões relacionadas ao tratamento e ao controle da qualidade da água.



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Perguntas frequentes sobre análise de Microcistina na água


1. O que é microcistina?

Microcistina é uma cianotoxina produzida por determinadas espécies de cianobactérias. Sua presença na água é relevante devido aos riscos associados à exposição, principalmente em concentrações elevadas.


2. Qual o limite de microcistina na água potável?

No Brasil, o Valor Máximo Permitido para microcistinas em água para consumo humano é de 1,0 µg/L, expresso como equivalente de MCYST-LR. O valor considera o somatório das concentrações das variantes de microcistinas.


3. Toda água com cianobactérias possui microcistina?

Não necessariamente. Existem cianobactérias que não produzem microcistinas. Por isso, a presença desses organismos não substitui a necessidade de avaliação específica da cianotoxina quando houver indicação para sua análise.


4. A água com aparência normal pode apresentar microcistina?

Sim. A aparência, cor ou odor da água não são suficientes para determinar a presença ou ausência de microcistinas. A confirmação depende de análise laboratorial.


5. A análise de microcistina é obrigatória?

A obrigatoriedade depende da situação prevista na legislação e das características do sistema de abastecimento. Para sistemas que utilizam mananciais superficiais, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece critérios relacionados ao monitoramento de cianobactérias e cianotoxinas.


6. Onde realizar a análise de Microcistina na água?

A análise deve ser realizada por laboratório que disponha de metodologia adequada, controle de qualidade analítico e capacidade técnica para trabalhar com esse tipo de determinaçãoça com informação confiável e análise laboratorial adequada

 
 
 

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